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Teologia

Arminio nega o Supralapsarianismo

Armínio negava o supralapsarianismo (…) e insistia que o infralapsarianismo também incorria em erro. No supralapsarianismo Deus decretou na eternidade a eleição e não a eleição de algumas pessoas e permitiu a queda para que ela fosse o meio através do qual esse decreto divino absoluto fosse executado.

No infralapsarianismo Deus permitiu a queda, e depois desse evento, decretou a eleição e não a eleição de pessoas. Para Arminio, esses sistemas lapsários são problemáticos. No tocante ao primeiro, Deus se torna o autor do pecado, inexoravelmente. Armínio condenou essa heresia com tais palavras:
‘’De todas as blasfêmias que podem proferir-se contra Deus, a mais ofensiva é aquela que O declara autor do pecado; o peso dessa imputação é aumentado seriamente se lhe agrega que, segundo essa perspectiva, Deus é o autor do pecado cometido pela criatura, para poder condená-la e lançá-la à perdição eterna que lhe havia destinado, para ela de antemão sem ter relação com o pecado. Porque, deste modo, ‘Ele seria a causa da iniqüidade do homem para poder infligir o sofrimento eterno’… Nada imputará tal blasfêmia a Deus, a quem todos concebem como bom…
Não pode atribuir-se a nenhum dos doutores da Igreja Reformada, que ‘eles abertamente declarem Deus como autor do pecado’… No entanto, ´ é provável que alguém possa, por ignorância, ensinar algo do qual fora possível, como claro resultado, deduzir que, essa doutrina, Deus permaneça declarado autor do pecado’. Se tal for o caso, então… (os doutores) devem ser admoestados a abandonar e desprezar a doutrina da qual se tem tirado tal inferência. ’’
Em relação às duas posições, supra e infralapsariana, Armínio concebia como doutrinas sem cristocentricidade. (…) Para ele, Cristo deve ser a fonte e causa da salvação e não os decretos divinos. No supralapsarianismo, posição original do calvinismo, a eleição de alguns para a vida vem em primeiro plano. Posteriormente, Deus pensou em prover um Redentor para salvar os eleitos.

Dessa forma, o sacrifício de Jesus tornar-se secundário visto que sua morte objetiva atender a uma eleição previa e imutável e nada mais. O infralapsarianismo, em seus decretos, de igual modo trata o sacrifício de Jesus em segundo plano. Nestas teorias Cristo não passa de mero instrumento que concretizará o decerto abstrato da eleição. Ou seja, os homens foram predestinados à salvação antes de Cristo ser predestinado a salvá-los e nega a Jesus o mérito pondo-o como uma causa subordina da salvação pré-ordenada. Essa doutrina desonrava ao Senhor Jesus, dizia Armínio. Seu esforço consistia na apresentação de uma predestinação cristológica:
“O PRIMEIRO DECRETO DE DEUS FOI NOMEAR A JESUS CRISTO COMO MEDIADO; SALVADOR E REI DOS HOMENS’’
Karl Barth(1886-1968), pastor e teólogo reformado, criticava o calvinismo neste ponto onde Cristo era excluído da teoria da eleição. Em um dos seus escritos, Barth ressalta seu pensamento cristocêntrico nos seguintes termos: ‘’Eleitos estamos nós quando dizemos sim a nossa eleição em Jesus Cristo.

Uma introdução ao Arminianismo Clássico
Zwinglio Alves Rodrigues

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