A graça para Armínio era necessária e essencial para a salvação do início ao fim. Contudo, Armínio diferia de Calvino e muitos teólogos reformados de sua época ao afirmar que essa graça de Deus “que apareceu [se manifestou] a todos os homens pode ser resistida. Armínio negava a distinção entre uma chamada geral e uma especial. Ele insistia que a chamada divina é geral. Contudo, a graça de Deus através desta chamada pode e é resistida por indivíduos. Ele disse que “toda a controvérsia se reduz a essa pergunta: ‘A graça de Deus é uma certa força irresistível? Armínio respondeu: ‘Eu acredito que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida[1]. No lugar de uma “força irresistível”, a graça, da perspectiva de Armínio, é uma “doce e gentil persuasão […] não pela ação ou moção toda poderosa, que eles não podem e nem irão resistir e nem podem desejar resistir[2].
Crucial para o entendimento de Armínio da graça divina é que Deus deseja a salvação de todas as pessoas e fornece expiação para cada indivíduo, não apenas para os eleitos. Armínio manteve contra Perkins que “Cristo permaneceu na posição de todos os homens universalmente… e não na posição dos eleitos apenas”.[3] Armínio acusou Perkins de confundir a obtenção de redenção com sua aplicação. Crentes “não foram redimidos no momento em que Cristo morreu, mas “por aquelas ações a redenção foi obtida, e então aplicada a eles pela fé, e então finalmente eles foram redimidos[4]” Armínio enfatizou a importância de distinguir “entre a redenção obtida e aplicada; e eu afirmo que ela foi obtida para todo o mundo, e para todo e cada homem, mas aplicada aos crentes e aos eleitos apenas”[5].
O principal argumento de Armínio para essa asserção era que, a menos que Deus obtenha a redenção para todas as pessoas, Ele não pode exigir a fé em Cristo de todas as pessoas, nem Ele pode culpar as pessoas por “recusar a oferta de redenção. Pois ela recusa o que não pode ser seu”[6]. Assim sendo, “se Cristo não obteve a redenção para todos, Ele não pode ser o Juiz de todos”[7]. Para Armínio, isso era a única maneira de explicar as passagens neotestamentárias que parecem indicar o desejo de Deus de que todos sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4). Armínio gasta várias páginas respondendo à explanação de Perkins do significado de “todos” nas passagens do Novo Testamento que ensinam o desejo de Deus de que todos sejam salvos. Armínio acreditava que isso é um claro ensino da Escritura, e ele imaginava como aqueles que acreditam que Cristo morreu apenas pelos eleitos podem explicar passagens bíblicas como 1 João 2:2; João 1:29; João 6:1; Romanos 14:15; e 2 Pedro 2:1, 3[8].
Apesar de Armínio ter diferido de Calvino e da corrente principal da teologia reformada acerca das particularidades da graça, ele ainda manteve que a salvação é sola gratia. Armínio não pode ser considerado semipelagiano ou um sinergista[9]. O fato é adicionalmente atestado na doutrina de Armínio da justificação.
Consultas:
1. Citado em Bangs, Arminio: Um Estudo da Reforma Holandesa, p. 404.
2. Arminio, Works, “Examination of Perkins’s Pamphlet”, vol. 3, p. 443. Cf. A justaposição de F Leroy Forlines da “influência e resposta” e “causa e efeito em Classical Arminianism. P 49-61.
3. Arminio, Works, “Examination of Perkins’s Pamphlet, vol. 3, p. 332.
4. Ibid., vol. 3, p. 333.
5. Ibid., vol. 3. p. 425.
6. Ibid.
7. Ibid., vol. 3, p. 426.
8. Ibid., vol. 2, pp. 9-10. “Apology against Thirty-One Defamatory Articles.”
9. Em vez de ser sinergista, Armínio estaria mais alinhado com teólogos recentes que preferem termos como “monergismo condicional” (Forlines) ou “monergismo com graça resistivel” (ex.. Keathley, Jeremy Evans, e Richard Cross). Veja E Leroy Forlines, Classical Arminianism, pp. 264, 297; Cross, “Anti-Pelagianism and the Resistibility of Grace”, Faith and Philosophy 22 (2005), pp. 199-210; Keathley, pp. 88, 103-108; Evans, “Reflections on Determinism and Human Freedom”, em Whosoever Will: A Biblical-Theological Critique of Five-Point Calvinism (Nashville: B&H Academic, 2010), pp. 253-274; cf. Kevin Timpe, “Grace and Controlling What We Do Not Cause”, Faith and Philosophy 24 (2007). pp. 284-299.
Fonte:
PINNOCK, Clark H. & WAGNER, John D. Graça para todos. A dinâmica arminiana da salvação, pg. 276-277.
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