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Teologia

A Origem da Alma.

TRÊS PONTOS DE VISTA ACERCA DA ORIGEM DA ALMA HUMANA

Os cristãos têm tido três pontos de vista básicos acerca da origem da alma, o primeiro, a visão da pré-existência, a qual foi, subseqüentemente considerada herética, um a vez que contradiz o ensinamento claro das Sagradas Escrituras acerca da criação dos seres humanos.
O ponto de vista da pré-existência apresenta duas variantes: a platônica (não-criada) e a cristã (criada).

A primeira serve como pano de fundo para a compreensão da segunda.
Duas Formas de Perspectiva da Pré-existência
A Visão da Pré-existência Não-criada.
De acordo com Platão (c. 427-347 a.C.), a alma do ser humano não é intrinsecamente imortal, contudo ela também é eterna, ela nunca foi criada, mas é parte integrante do mundo eterno que existe à parte de Deus (os Demiurgos),tal qual ocorre com o mundo das Formas eternas (das Idéias) proposto por Platão, também existem, segundo o mesm o filósofo, almas eternas que existem em virtude da Alma Cósmica, a qual
anima todas as coisas.

Antes do nascimento, supostamente, estas almas entrariam em um corpo (no ventre de uma mulher) e se “encarnam ” em um corpo humano. Assim, os seres humanos são, essencialmente, almas eternas que habitam temporariamente em
corpos físicos. Assim se apresenta a visão da pré-existência, e os problemas com ela se
agrupam em três categorias:

(1) ela não é bíblica, (2) ela não é científica e (3) também não é filosoficamente consistente.

Primeiro, a Bíblia declara de forma clara que os seres humanos foram criados, tanto o corpo, quanto a alma.
E, se foram trazidos à existência em um determinado momento no tempo, pode-se afirmar que não existiam na eternidade passada.
Segunda, as evidências científicas indicam que a vida individual se inicia na concepção.
Terceiro, um número infinito de momentos é algo impossível, já que o momento presente é o final de todos os momentos que o antecederam, e uma série infinita de momentos não pode apresentar fim (vide Craig, K C A ).

Assim, nenhum ser humano(temporal) pode ser eterno.
A Visão da Pré-existência Criada.
A visão da pré-existência criada, sustentada por alguns pais da igreja pós-apostólica,apresenta muitas semelhanças com o ponto de vista de Platão. Orígenes (c. 185-C.254 d.C.) e até mesmo Agostinho (na sua juventude) acreditavam que a alma existia antes do nascimento, com a diferença de que em vez de possuir existência independente da sua criação na eternidade, ela teria sido criada por Deus, desde a eternidade.

Ao insistir na criação, os aderentes da visão da pré-existência criada esperavam preservar a dimensão cristã da visão platônica, mas, apesar disso, foram condenados como hereges.
Agostinho corretamente reverteu esta ligação errônea com o Pré-encarnacionismo na sua obra Retractions (Retrações); pois a Bíblia declara que os seres humanos tiveram um começo(cf. Gn 1.27; Mt 19.4).
A Perspectiva da Criação: A Alma Foi Criada Diretamente por Deus.

Depois de abordarmos as duas formas insustentáveis de visão da pré-existência, restam-nos ainda duas outras perspectivas básicas, defendidas pelos teólogos ortodoxos, acercada origem da alma humana depois da criação original, a primeira é o Criacionismo, ao qual examinaremos neste momento, e a segunda é o Traducionismo, que veremos mais adiante.

A essência do Criacionismo, a respeito da alma humana, é que Deus cria diretamente um novo indivíduo para todas as pessoas que nascem neste mundo,apesar do corpo de cada novo ser humano ser gerado pelos seus pais por intermédio de um processo natural, a alma é sobrenaturalmente criada por Deus.
Vários autores cristãos têm defendido o momento desta criação direta da alma em diferentes pontos do desenvolvimento do corpo humano.

Existem várias vertentes acerca deste tema:
A Criação da Alma na Concepção
A maior parte dos cristãos evangélicos que defendem a visão criacionista sustenta
que a criação da alma por Deus ocorre no momento da concepção,existem evidências
bíblicas e científicas a favor desta posição.
As Evidências Bíblicas Davi escreveu: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (SI 51.5). Jesus foi o Deus-homem a partir do momento da concepção, pois o anjo declarou: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo”.

As Evidências Científicas.
A ciência moderna nos proporcionou uma janela para o ventre feminino,como resultado, hoje em dia as evidências são mais claras do que nunca: o início da vida individual (da alma humana) dar-se no exato momento da concepção (fertilização).

Primeiro, constitui-se num fato genético o fato de um óvulo humano fertilizado ser cem por cento humano,a partir daquele exato momento, toda a informação genética já está presente naquela vida, e nada mais se acrescenta do momento da concepção até a morte do indivíduo.
Segundo, todas as características físicas daquela vida já estão contidas no código genético presente na concepção.
Terceiro, o sexo daquela criança já é determinado no momento da concepção.
Quarto, um óvulo feminino apresenta vinte e três cromossomos; um espermatozóide
masculino, outro vinte e três; um ser humano normal apresenta quarenta e seis cromossomos. No exato momento da concepção, quando o espermatozóide masculino se une com o óvulo feminino, surge um novo ser humano minúsculo com quarenta e seis cromossomos.
Quinto, do momento da concepção até a morte, nada mais é acrescentado, salvo alimento, ar e água.
Sexto, e último, Jerom e Lejeune, geneticista mundialmente renomado (1925/[…])
declarou:
Aceitar o fato de que depois da fertilização ocorrer, um novo ser humano é formado,
não é mais uma questão de gosto ou opinião,a natureza do ser humano, a partir da concepção até a idade avançada, não se trata de controvérsia metafísica, mas sim, fruto de
evidências claras experimentais. (Conforme citado por Geisler e Beckwith, MLD, 16)
Criação da Alma na Fixação do Óvulo.
Outros escritores cristãos sustentam que a alma é criada no momento em que o óvulo fertilizado se fixa ao útero,a base para isto é, supostamente, o fato de que gêmeos idênticos podem ocorrer até o estágio embrionário (duas semanas ou quatorze dias depois da concepção); logo, parece não ser plausível se falar de um indivíduo humano onde existe a possibilidade de se haver dois,Neste caso, teríamos que considerar, por exemplo, que o indivíduo original (o zigoto) morre quando ele se torna dois gêmeos,além disso,argumenta-se que experimentos em ovelhas e camundongos, os quais, a exemplo dos seres humanos, também têm gestações intra-uterinas, mostram que não existe um ser individual antes do término da fixação do óvulo no útero,todavia, existem boas razões para se rejeitar esta conclusão.
A Criação da Alma depois da Implantação.
Tomás de Aquino, seguindo os passos de Aristóteles (384-322 a.C.), colocou a criação da alma logo após à concepção, ele argumentou que apesar da alma animal ter sido gerada pelos pais, a alma racional, na qual reside a humanidade da pessoa, não se forma antes dos quarenta dias para os indivíduos do sexo masculino e dos noventa dias para os do sexo feminino (CSPI, Dist. III, Art. II).
Esta visão se baseava em um modelo aristotélico antiquado da biologia.

Este conceito não tinha qualquer base científica, tampouco escriturística,ele é motivo de constrangimento tanto para os católicos como para o movimento a favor da vida em geral, já que se fosse verdadeiro, um óvulo fertilizado, inicialmente, não seria verdadeiramente humano e estaria, portanto, sujeito ao aborto nas primeiras semanas depois da concepção.
A maior parte dos teólogos católicos está convencida de que Tomás de Aquino teria repudiado esta visão pós-fixação se tivesse tido contato com os fatos científicos que hoje nos estão disponíveis (vide Heaney, “AHC” in H LR, 63-74).
A Criação da Alma no Momento da Animação
Alguns teólogos especulam que Deus não cria a alma humana até momentos antes de um bebê começar a se mexer no útero da mãe,Isto, entretanto, baseia-se em uma teoria científica desatualizada bem como em um entendimento inadequado da alma.

(A alma era considerada o “princípio do automovimento”; logo, quando a vida começava a se mexer no útero, a mãe considerava que Deus havia colocado uma alma nela.)
A Criação da Alma no Nascimento por último, alguns cristãos argumentam em defesa da visão de que as almas humanas individuais são criadas no nascimento,para isso, eles apresentam dois argumentos principais:
Primeiro, a vida humana é designada biblicamente a partir do nascimento (cf. Gn
5.1ss).
Segundo, Adão não era humano até que começou a respirar, como declara Gênesis 2.7:
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego
da vida; e [então] o homem foi feito alma vivente” (grifo acrescentado).
Respondendo a estes argumentos em ordem invertida, Adão foi, na verdade, um caso atípico, já que foi criado diretamente por Deus, contudo o fato de ele não ter se tornado humano antes de respirar, não é decisivo para concluirmos quando a vida de um indivíduo inicia-se, isto, pelas várias razões a seguir:
Primeiro, Adão não foi concebido, nem nasceu como os outros seres humanos; como
já observamos, ele foi criado diretamente por Deus.
Segundo, o fato de Adão não ter sido humano antes de começar a respirar não serve de
prova para o momento em que a vida humana inicia-se, da mesma forma que o fato dele
ter sido criado já adulto não prova também que a vida humana não começa enquanto
não atingimos a idade adulta.
Terceiro, a respiração em Gênesis 2.7 (hebraico: ruach) denota a origem da “vida” (cf. Jó33.4). Isto indica, portanto, que a vida começou quando Deus concedeu a vida a Adão, e não simplesmente porque Adão começou a respirar.

A vida humana foi mais tarde concedida à sua posteridade na fertilização ou concepção (Gn 4.1).
Quarto, os animais apesar de respirarem, não são pessoas (Gn 7.21-22). Obviamente, a
respiração, por si mesma, não era o fator determinante da humanidade de Adão.
Quinto, falando pela ótica da medicina, muitas pessoas que, em algum momentoda vida, deixam de respirar mais tarde, são reanimados e retornam à vida (ou acabam vivendo com o auxílio de equipamentos),o ser humano não nascido não pode ser visto(sem o uso de instrumentos) no útero e, portanto, não faz parte da cena social até onascimento.
Sexto, se a “respiração” for equiparada à “presença da vida hum ana,” então, a perda da
respiração significaria a perda da humanidade. Todavia, a Palavra de Deus ensina que o
ser humano continua a existir mesmo depois que a respiração esvaice (Fp 1.23; 2Co 5.6-8;
Ap 6.9).
Sétimo, e por último, as Sagradas Escrituras já falam da existência de vida humana no útero muito antes da respiração iniciar, ou seja, desde o momento da concepção (SI 51.5;
M t 1.20).Com relação ao argumento de que a vida humana é designada na Bíblia a partir do
nascimento [Gn 5.1ss], deve-se observar que os versículos que tratam da respiração não
falam do início da vida humana, mas simplesmente da ocorrência da primeira manifestação do ser (quando o ser humano começa a respirar). Estas passagens tratam do início da vida observável, não do início da vida em si mesma,mesmo nos tempos bíblicos, as pessoas sabiam que um bebê já estava vivo no útero da mãe (cf. Lucas 1.44). O nascimento não era visto como o começo da vida humana, mas simplesmente como o começo ou o surgimento — a estréia humana — da vida neste mundo natural visível.

A Visão Traducionista:

A Alma é Criada indiretamente por Intermédio dos Pais,o termo traducionista tem sua origem no vocábulo latino tradux, que significa “ramo de uma videira.” Ao ser aplicado à origem da alma, segundo os traducionistas, a palavra significa que cada novo ser humano é um ramo que sai dos seus pais, isto é, tanto a alma, quanto o corpo são gerados pelo pai e pela mãe,em resposta à visão criacionista (a qual defende que Deus cria cada vida nova diretamente no útero), os traducionistas (ou traducianos) observam, primeiramente, que a criação só foi completada no sexto dia
(G n 2.2; D t 4.32; M t 13.35) e que Deus agora está em descanso e nada mais criou depois
daquele momento (Hb 4.4). Além disso, os traducionistas observam que as evidências
científicas indicativas do início da vida humana (da alm a) são claras: a vida surge na união entre o espermatozóide e do óvulo dos pais, sendo primeiram ente concebida no útero, formando um indivíduo completo.
Por fim, o Traducianismo aponta que a visão criacionista não explica a herança do pecado original,certamente, um Deus perfeito não criaria uma alma decaída,tampouco podemos aceitar a idéia gnóstica de que o contato de um a alma pura com o corpo material (no ventre materno) precipita a sua Queda,a explicação mais razoável é que tanto a alma quanto o corpo decaídos são gerados naturalmente a partir dos nossos pais.

RESUMO E CONTRASTE DOS TRÊS PONTOS DE VISTA BÁSICOS
Apesar de tanto os criacionistas quanto os traducionistas acreditarem que é Deus quem cria todas as almas, os criacionistas afirmam que Ele faz isto diretamente no útero materno, ao passo que os traducionistas insistem que ele faz isto de forma indireta por intermédio dos pais.
Especificamente falando, o Criacionismo defende que apesar de cada novo corpo humano ser gerado pelos pais, cada nova alma humana é diretamente criada por Deus.
A visão da pré-existência, originada em Platão, declara que todas as almas existiam antes do mundo ser criado — que elas são modelo ideológico, alguns pais da igreja acreditavam que cada alma havia sido criada por Deus antes do início deste mundo e, mais tarde, antes do nascimento, entrava em um corpo,todavia, diferentemente da visão platônica e das outras visões não-cristãs, Orígenes e o “Agostinho inicial,”por exemplo, não acreditavam que havia a reencarnação da alma depois da morte (vide Geisler e Amano, RS).

Lembrando que há cinco teorias sobre a Origem da Alma*:
1) preexistência;
2) criacionismo;
3) traducianismo;
4) Emanacionismo e
5) participativa ou cooperativa



Texto em caixa alta (Madson Junialysson)
Norman Geisler
Teologia sistemática CPAD vo.l 2

Madson Junialysson.

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