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LUTERO E OS MILAGRES

LUTERO E OS MILAGRES
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Às vezes Lutero é tido como alguém que se opôs ao ministério miraculoso do Espírito Santo. Essa concepção errônea surgiu por pelo menos dois motivos. Primeiramente, porque ele escreveu contra a superstição e a ganância que se foi associando aos milagres da Igreja Católica Romana medieval. Em segundo lugar, porque se opôs a certos anabatistas que alegavam estar sendo guiados diretamente pelo Espírito Santo em seus ensinamentos e ações estapafúrdias.
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Em vez disso, Lutero deixou evidências claras de sua crença no guiamento pessoal e direto do Espírito Santo. Parte dessas evidências foi apresentada no livro Luther and the mystics (Lutero e os místicos) pelo professor Bengt Hoffman, do Seminário Teológico Luterano de Gettysburg, na Pensilvânia. Ele relata uma conversação em que Cochlaeus pergunta a Lutero se ele já recebera revelações pessoais. Lutero manteve-se silente por um momento e respondeu:
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“Est mihi revelatum” (sim, ele tivera revelações)” [155]. Parece que uma dessas foi similar ao arrebatamento de Paulo até o terceiro céu (2 Co 12) [156].
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LUTERO E A AUTORIDADE
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Lutero também defendeu a atividade do Espírito Santo como fonte de autoridade e ensino. Em um de seus primeiros escritos, chamado O cativeiro babilônico da igreja, ele certificou aos seus leitores que, quanto à verdade ali apresentada, ele a aprendera “sob o guiamento do Espírito Santo” [157]. Além disso, quando foi desafiado pela Igreja e pelas autoridades civis em Worms acerca da origem da autoridade, “ele confiou na revelação que Deus lhe deu – pela Palavra –, mas, de uma maneira pessoal, pela via do Espírito” [158].
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LUTERO E O DOM PROFÉTICO
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Muitos dos primeiros seguidores de Lutero criam que ele fosse um profeta. Um dos seus primeiros biógrafos, Johann Mathesius, menciona várias profecias ditas por Lutero que foram cumpridas. Mathesius aponta: “Com muitas profecias corretas ele confirmou sua doutrina” [159]. Até seu amigo Melanchton, em certo ponto, referiu-se a Lutero como “Elias”, dizendo: “E assim o Espírito Santo profetizou de seu terceiro Elias, o Dr. Martim Lutero” [160].
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LUTERO E A CURA DIVINA
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Lutero orou pela cura dos doentes: “Isso aconteceu várias vezes e ainda acontece: que os demônios são expulsos no nome de Cristo; e quando invocam Seu nome em oração, também são curados” [161].
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Em certa ocasião, Filipe Melanchton, colega e amigo íntimo de Lutero, adoeceu severamente e estava à beira da morte. Alega-se que Lutero orou com fervor usando todas as promessas relevantes da Escritura que pôde repetir. Segurando a mão de Melanchton, ele disse: “Tende bom ânimo, Filipe, tu não morrerás”. Melanchton se reanimou imediatamente e recuperou sua saúde em pouco tempo. Depois disso ele afirmou: “Eu deveria estar morto se eu não tivesse sido reivindicado das mãos da própria morte pela voz de Lutero” [162].
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Em outra ocasião, Frederick Myconius, colega de Lutero, estava moribundo, nos últimos estágios da tuberculose. Quando Lutero soube da condição do seu amigo, escreveu-lhe uma carta que exala sua fé nos milagres:
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Eu ordeno que tu vivas no nome de Deus, pois ainda preciso de ti para a obra de reformar a Igreja. O Senhor nunca me permitirá ouvir que tu estás morto, pois tu viverás mais que eu. Pois eu estou orando, essa é a minha vontade, e ela será cumprida porque eu quero somente glorificar o Nome de Deus [163].
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Myconius disse que, quando ele leu a carta, foi como se tivesse ouvido o próprio Cristo dizer: “Lázaro, vem para fora!”. A oração de Lutero foi respondida. Myconius foi curado e viveu dois meses a mais que Lutero.
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LUTERO E O CESSACIONISMO
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Apesar de sua crença na presença imediata e no poder do Espírito Santo, Lutero e os reformadores de seu tempo dividem a culpa pela difusão da crença na cessação dos milagres. Quando desafiado pelas autoridades católicas romanas a provar sua autoridade pelos milagres, Lutero buscou refúgio na autoridade da Escritura e de sua própria consciência. Ele alegou que os milagres estiveram circunscritos particularmente à Era Apostólica e não eram mais necessários para confirmar a autoridade de alguém que está do lado da Escritura [165] . Ele usou o mesmo tipo de argumento em resposta aos anabatistas que, em sua opinião, confiavam excessivamente na presença direta do Espírito Santo.
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Suas expressões foram retiradas do contexto e codificadas num sistema legal, que resultou nas alas reformada e luterana da Igreja, e que deram abrigo a um viés excêntrico contra a possibilidade de milagres na atualidade.
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HYATT, Eddie L. 2000 Anos de Cristianismo Carismático. Natal, RN: Carisma, 2018 p. 71-73 (versão e-book).

155. Bengt Hoffman. Luther and the mystics. Minneapolis, MN: Augsburg, 1976, p. 190.
156. Ibid., p.154.
157. Martin Luther. The Babylon captivity of the church, vol. 36 of Luther’s works. Helmut T. Lehman &
Jaroslav Pelikan (eds.). Philadelphia, PA: Muhlenberg, 1958, p. 77.
158. John S. Oyer. Lutheran reformers against the Anabaptists. The Hague, Netherlands: Martinus Nijhoff,
1964, p.231.
159. Johann Mathesius, Luther’s leben in predigten. Prague, Czech Republic: herausgegeben von G.
Loesche, 1906, 399 apud John Horsch. “The faith of the Swiss brethren, II”. Mennonite Quarterly Review,
5, n. 1, 1931, p.16.
160. Horsch. “The Faith of the Swiss Brethren, II”, p.16.
161. Gordon, The ministry of healing, p.92.
162. Ibid., p.94.
163. Change the world school of prayer. Studio City, NY: World Literature Crusade, 1976, C-35.
(…)
165. Oyer. Lutheran reformers against the Anabaptists, p. 234.

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