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Credo da Seita Alexandrina


SÁTIRA de Peter Ruckman
[Nota1, Nota2]

1. Não há nenhuma autoridade absoluta e final, a não ser Deus.

2. Uma vez que Deus é um Espírito, não há nenhuma autoridade absoluta e final que possa ser vista, lida, ouvida, sentida, ou manejada.

3. Uma vez que todos os livros são matéria palpável, não há nenhum livro sobre esta terra que seja a autoridade absoluta e final sobre o que é certo e o que é errado; o que constitui verdade e o que constitui erro.

4. Há muito tempo atrás, EXISTIU uma série de escritos tais que, SE todos eles, imediatamente depois que foram escritos a primeira vez, tivessem sido dispostos formando um LIVRO, PODERIAM ter se constituído numa autoridade final e infalível para se julgar verdade e erro.

5. No entanto, esta série de escritos foi perdida e o Deus que os inspirou não foi capaz [que lástima!] de preservar [perfeitamente] seus conteúdos através dos cristãos realmente crentes na Bíblia, habitantes de Antioquia (Síria), entre os quais encontramos os primeiros mestres da Bíblia (Atos 13:1), onde o primeiro missionário foi chamado e comissionado (Atos 16:1-6), e onde a palavra “cristão” se originou (Atos 11:26).

6. Assim, Deus escolheu QUASE preservar Sua Palavra através dos gnósticos e filósofos de Alexandria (Egito), embora Deus tenha chamado Seu Filho para FORA do Egito (Mat 2), Jacó para FORA do Egito (Gen 49), Israel para FORA do Egito (Exo 15), e os ossos de José para FORA do Egito (Exo 13).

7. Portanto, há dois rios por onde fluíram e nos chegaram as Bíblias: o rio mais exato — embora, naturalmente, não exista nenhuma autoridade absoluta e final para determinar verdade e erro, isto é meramente uma questão de “preferência” — é constituído pelas derivações das traduções Egípcias feitas em Alexandria (no Egito), que são “quase” os “originais”, embora não absolutamente.

8. As traduções mais incorretas são aquelas que ocasionaram a [maravilhosa] Reforma Germânica (através de Lutero, Zwingli, Boehler, Zinzendorf, Spener, etc.) e o [maravilhoso] movimento missionário mundial através dos povos de língua inglesa: a Bíblia que Sunday, Torrey, Moody, Finney, Whitefield, Wesley e Chapman usaram.

9. Mas nós podemos “tolerar” essas Bíblias se aquelas pessoas que nelas crêem também tolerarem as NOSSAS. Afinal das contas, uma vez que não há NENHUMA AUTORIDADE FINAL E ABSOLUTA que alguma pessoa possa ler, ensinar, pregar, ou manejar, tudo é somente uma questão de “PREFERÊNCIA”. Você pode preferir o que prefere, e nós podemos preferir o que preferimos. Deixe-nos viver em paz; e, se nós não podemos concordar seja em alguma coisa, seja em coisa alguma, vamos todos concordar em uma coisa: NÃO EXISTE, EM CANTO ALGUM DO MUNDO, NENHUM ESCRITO QUE SEJA [cada palavra e letra, de capa a capa, 100%] A AUTORIDADE ABSOLUTA E FINAL, DE DEUS!

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Nota1 do Tradutor: Peter Ruckman se refere àqueles que seguem as idéias do falsamente chamado “eruditismo” de Westcott e Hort, desprezando as abençoadas traduções adotadas por todos os crentes de todas as nações e línguas, desde a Reforma até o início do presente século, todas elas baseadas no texto tradicional, para adotarem os textos Vaticanus e Sinaiticus, corrompidos via Alexandria.

– Em Português, devemos adotar as versões baseadas na tradução de João Ferreira de Almeida (1681 e 1753): Elas são as Almeida “Corrigida e Revisada, Fiel” (da Sociedade Bíblica Trinitariana) e Almeida “Revista e Corrigida”, da IBB. Ambas se baseiam no Texto Tradicional, que é a pura Palavra de Deus, perfeita e infalivelmente preservada, til por til, iota por iota, mesmo que as melhores traduções possam ser eventualmente melhoradas quanto à gramática, estilo, ou quanto à precisão da tradução (sempre baseada exclusivamente no T.R.).

– Não devemos adotar as versões que começaram a ser publicadas pelos “protestantes” de língua portuguesa somente depois de 1958. Na ordem de crescente infidelidade, elas são: (a) Só mau texto grego: “Contemporânea”, “Revista e Atualizada”, “Revisada de acordo com os melhores textos em Grego e Hebraico”. (b) Mau grego + livros apócrifos + veneno católico e ecumênico: Jerusalém, TEV – Tradução Ecumênica. (c) Mau grego + mau método de tradução (equivalência dinâmica): NVI – Nova Versão Internacional. (d) Mau grego + afrontosas falsificações por paráfrase (estas não são traduções, são paráfrases!!!): “Bíblia Viva”, “A Bíblia na Linguagem de Hoje”, “O Mais Importante é o Amor”, etc.

Nota2 do Tradutor: “About the ‘New’ King James Bible”, Pensacola Bible Baptist Bookstore, 1983, páginas 38-39.

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Gnosticismo,o Fundamento Doutrinário das novas versões da Biblia

Gnosticismo:
O Fundamento Doutrinário das Novas Versões da Bíblia


Autora: Mrs. Jane Moser



Tradução, com permissão do Título Original: GNOSTICISM – The Doctrinal Foundation of The New Bible Versions, publicado pela The Bible for Today Ministrires – DBS Society.Diretor: Pastor D. A. Waite, Th.D., Ph.D.

“Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado;” – II Tessalonicenses 2.7

IDENTIFICANDO “O MISTÉRIO DA INIQUIDADE” COMO GNOSTICISMO. II Tess. 2

1. Terminologia e Conceito Gnóstico


II Tess. 2:7 – O Mistério da Iniqüidade

O Gnosticismo é uma religião de Mistério que procurou se identificar com o cristianismo, a fim de fazer os cristãos seus discípulos. Ele usa termo o “mistério” termo em relação às suas Escrituras e doutrinas secretas.
2. Raízes Históricas Gnósticas

II Tess. 2:7 – Porque JÁ o mistério da injustiça OPERA;…

O gnosticismo é a incorporação das antigas religiões de mistérios e estava sendo praticado como Filosofia, Cabalismo, e Essenismo antes do primeiro advento de Cristo. Ele continuou até o período apostólico e se tornou conhecido como o Gnosticismo, e mais tarde surgiu como os Cavaleiros Templários, Jesuítas, Maçonaria, Rosacruzes, e o movimento


3. Cartas Gnósticas

II Tess. 2:2 – Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por EPÍSTOLA, COMO DE NÓS, como se o dia de Cristo estivesse já perto.

O Gnosticismo depende de cartas “apostólicas” extra-Canônicas para [embasar] suas doutrinas, como as encontradas em “A Biblioteca de Nag Hamadi” e nos Manuscritos do Mar Morto:

A oração do apóstolo João
O Apócrifo de Tiago
O Apócrifo de João
O Evangelho de Tomé
O Evangelho de Filipe
O Livro de Tomé, o Contendor
O Apocalipse (Primeiro) de Tiago
O Apocalipse (Segunda) de Tiago
Os Atos de Pedro e dos Doze Apóstolos
O Apocalipse de Pedro
A Carta de Pedro a Filipe
A Lei de Pedro
O Evangelho Secreto de Marcos
4. Doutrina Gnóstica

II Tess. 2:4 – “…de sorte que se assentará, COMO DEUS, no templo DE DEUS, QUERENDO PARECER DEUS.” [parte b. do versículo]

A Doutrina principal do gnosticismo, e seu objetivo final, é a de que o homem se tornará Deus (cf. Gn 3:5)


5. Propagação Gnóstica / Método de Operação

II Tess. 2:3 – Ninguém de maneira alguma vos ENGANE;… [parte a. do versículo]

II Tess. 2:2 – Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer POR ESPÍRITO, quer POR PALAVRA, quer POR EPÍSTOLA, COMO DE NÓS… [parte a. do versículo]

II Tess. 2:9 – A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, como todo PODER, e SINAIS e PRODÍGIOS DE MENTIRA.

Os principais métodos de operação do Gnosticismo ocorrem por meio do engano e da mágica

Ele busca enganar seus próprios discípulos sobre quem eles realmente adoram (Satanás), referindo-se a ele como o deus das forças e exaltando Lúcifer, o anjo de luz, como [se fosse o] deus da sabedoria (Gnose).

Ele busca influenciar a igreja [local] secretamente com a introdução de doutrinas gnósticas através de alterações das palavras no Canon verdadeiro da Bíblia (ver II Pe 2:1;. Judas 4).

Ele busca enganar a humanidade através do uso dos ESPÍRITOS GUIAS (médiuns proféticos), e através de SINAIS E PRODÍGIOS (magia hermética) às quais eles se referem como sendo um Novo Pentecostes.



6. A influência Gnóstica

II Tess. 2.3 – Ninguém de maneira alguma vos ENGANE; por que não será assim sem que ANTES VENHA A APOSTASIA…[primeira parte do versículo]

A “queda”, como visto em seu contexto do verso 2, tem que se referir à apostasia da CRISTIANISMO PARA DENTRO DO GNOSTICISMO, que vemos ocorrendo no mundo de hoje.


7. Os propósitos Gnósticos

II Tess. 2:4 – O qual SE OPÕE, E SE LEVANTA CONTRA tudo que se chama Deus, ou se adora; de sorte que SE ASSENTARÁ, COMO DEUS, NO TEMPLO DE DEUS, querendo parecer Deus.


Os principais objetivos do Gnosticismo tem sido:

1. Derrubar e destruir o Deus da Bíblia (que eles vêem como o maléfico Criador do mal (ver Salmo 2)

2. Reconstruir o templo em Jerusalém para colocar um dos seus no trono de Deus dentro do templo, o qual se tornará o governante Messiânico do mundo, aquele a quem conhecemos como o Anticristo.


OS PROPAGADORES DA DOUTRINA GNÓSTICA


(Visões doutrinárias específicas desses homens serão mais bem detalhadas na Seção 2. DOUTRINAS DE DEMÔNIOS)


1. CLEMENTE (Professor na Escola de Alexandria)

“O Stromata, Miscellanias, de São Clemente são a nossa fonte de informação sobre os Mistérios em seu tempo. Ele mesmo fala destes escritos como uma ‘miscelânea de NOTAS gnósticas, de acordo com a verdadeira filosofia’, e também os descreve como memorandos dos ensinamentos que ele mesmo recebeu de Pantaenus…‘O Senhor…permitiu-nos comunicar destes MISTÉRIOS divinos, e daquela santa luz, para aqueles que são capazes de recebê-los. Ele certamente não divulgará aos muitos aos quais não lhes pertencem, mas aos poucos a quem Ele sabia que lhes pertenciam, que eram capazes de receber e serem moldados de acordo com eles. Mas as COISAS SECRETAS são confiadas à fala, não à escrita, como é o caso com Deus. E se se dizer que está escrito: ‘Não há nada de secreto que não deve ser revelado, nem oculto que não deve ser divulgado,’ deixe-o também ouvir de nós, que àquele que ouve SECRETAMENTE, mesmo o que é SECRETO se manifestará. Isto é o que foi previsto por este oráculo. E para aquele que é capaz SECRETAMENTE de observar o que é entregue a ele, o que está VELADO deve ser divulgado como verdade; e o que está ESCONDIDO para muitos deve aparecer manifesto para poucos … Os MISTÉRIOS são entregues MISTICAMENTE, aquilo que é falado pode estar na boca daquele que fala; de fato não em sua voz, mas em seu entendimento … O escrito destes meus memorandos, eu bem sei, é fraco quando comparado com aquele espírito … que tive o privilégio de ouvir. Mas será uma imagem para recordar o arquétipo àquele que foi atingido com os Tirso. (O Tirso, podemos aqui interpor, era a varinha de condão mantida pelos Iniciados, com a qual os candidatos eram tocados durante a cerimônia de Iniciação. Ela possuía um significado místico simbolizando a medula espinhal e a glândula pineal nos Mistérios Menores, e era uma Vara muito conhecida pelos Grandes. Dizer, portanto, ‘àquele que foi atingido com o Tirso’ era exatamente o mesmo que dizer, ‘àquele que foi iniciado nos Mistérios’.) .. ‘Nós não professamos explicar as COISAS SECRETAS suficientemente – longe disso – mas só trazê-las à memória, se temos esquecido de alguma coisa ou se temos o propósito de não esquecê-las. Muitas coisas, eu sei bem, nos tem escapado através dos períodos de tempo, que se afastaram do não escrito … Há, então, algumas coisas das quais não temos nenhuma lembrança, pois o poder que estava nos benditos homens era grandioso … Há também algumas coisas que permaneceram há muito tempo despercebidas … ESSAS EU REVIVO EM MEUS COMENTÁRIOS. Algumas coisas que eu PROPOSITADAMENTE OMITO, no exercício de uma escolha sensata, COM MEDO DE ESCREVER O QUE EU TENHO GUARDADO CONTRA O QUE É FALADO; não relutando…mas temendo por meus leitores, para que não tropecem, levando-os a um sentido incorreto, e, como o provérbio diz, devemos ser encontrados ‘estendendo uma espada [para dá-la] a uma criança’. Porque é impossível que o que tem sido escrito não escape (se torne conhecido), embora permanecendo impublicável por mim … Algumas coisas em meu tratado serão sugeridas; em alguns serão insinuadas; alguns, serão apenas mencionadas. ELAS IRÃO TENTAR FALAR IMPERCEPTIVELMENTE, EXPOR SECRETAMENTE, E DEMONSTRAR SILENCIOSAMENTE’.
Esta passagem, se permanecesse sozinha, seria suficiente para demonstrar a existência de um ensinamento secreto na Igreja Primitiva. Mas ela não está de maneira nenhuma sozinha. No capítulo XII do mesmo livro I, no cabeçalho, ‘Os Mistérios da Fé NÃO SÃO DIVULGADOS A TODOS’, Clemente declara que, ninguém mais a não ser apenas os sábios serão capazes de ver seu trabalho, ‘faz-se necessário, portanto, ESCONDER EM UM MISTÉRIO A SABEDORIA FALADA, que o Filho de Deus ensinou’…. Depois de muito examinar os escritores gregos, e de uma investigação pela filosofia, S. Clemente declara que a GNOSE ‘transmitida e revelada pelo Filho de Deus, é sabedoria … E a GNOSE em si é aquela que se transmitiu pela herança a poucos, tendo sido repassada de forma NÃO ESCRITA PELOS APÓSTOLOS’. Uma exposição muito longa da vida do Gnóstico, o Iniciado, é dada, e S. Clemente a conclui dizendo: ‘Deixe à amostra o suficiente para aqueles que têm ouvidos. Para isso não é necessário desvendar o mistério, mas apenas indicar o que é suficiente àqueles que são participantes no conhecimento, a fim de trazê-las à mente’.”(# 1, p.55-62 – Annie Sesant, uma ocultista).

OS PROPAGADORES DA DOUTRINA GNÓSTICA


(Visões doutrinárias específicas desses homens serão mais bem detalhadas na Seção 2. DOUTRINAS DE DEMÔNIOS)

4. WESTCOTT (Novo Testamento Grego de 1881, Versão Inglesa Revisada 1881)

“Ele se apegou a um estranho interesse… NO MORMONISMO… Recordo-me de sua aquisição e estudo do Livro de Mórmon por volta de 1840.”
(#23, Vol.1, p. 19-20, escrito pelo filho de Westcott)

“O sermão de Stanley sobre São João, que eu extremadamente admiro, e que ainda é chamado de ‘HERESIA’ em Oxford. “(#23, Vol.1, p.53)

“ Eu nunca pude olhar minha vida passada em Cambridge com suficiente gratidão. Acima de tudo, aquelas horas que foram gastas com PLATÃO e Aristóteles têm forjado esta gratidão em mim pela qual eu oro que nunca possa se desvanecer.”
(# 23, Vol.1, p.175-176)

“ Mas desde os dias em Cambridge, eu tenho lido os escritos de muitos que são chamados MÍSTICOS, COM MUITO PROVEITO.” (# 23, Vol.1, p.231)

“Eu sinto com mais intensidade a desgraça da circulação daquilo que eu tenho a impressão de SEREM CÓPIAS FALSIFICADAS DAS SAGRADAS ESCRITURAS. (* 23, Vol.1, p.228-229, sobre o Texto Recebido Tradicional – Base da King James Version).

“ A ortodoxia do meu pai foi NOVAMENTE posta em questão dois anos depois. Em 1867, ele escreveu um folheto intitulado ‘A ressurreição como um fato e uma Revelação’…. e já estava pronto, quando um dos juízes da Sociedade episcopal detectou HERESIA nele. O escritor foi incapaz de omitir a passagem suspeita, como ele assegurou ser essencial para o seu argumento.” (# 23, Vol.1, p.25.6, escrito pelo filho de Westcott)

“Eu vejo os líderes eclesiásticos elogiarem o livro a respeito do Canon como um artigo necessário à biblioteca de um clérigo. É estranho, mas, TODAS AS DOUTRINAS QUESTIONÁVEIS QUE EU TENHO, SEMPRE MANTIDAS ESTÃO NELE.”
(# 23, Vol.1, p.290)

“ As contribuições prometidas por meu pai, no entanto, foram … seus artigos sobre os TEÓLOGOS DE ALEXANDRIA, INCLUINDO CLEMENTE…E O MAIOR DE TODOS, ORÍGENES. POR MUITOS ANOS AS OBRAS DE ORÍGENES ESTIVERAM EM SUAS MÃOS, E ELE CONTINUAMENTE SE VIROU PARA ELAS A CADA OPORTUNIDADE. “
(# 23, Vol.1, p.319 – escrito pelo filho de Westcott)

5. PHILIP SCHAFF (Versão Padrão Americana. 1901)

“Seria considerado HERESIA para qualquer historiador… sugerir que um estudo apreciativo da história do Catolicismo tenha qualquer valor ou qualquer relevância para os Protestantes…Essa mentalidade nunca poderia envolver a idéia de que a Igreja Católica, antiga ou medieval, tenha desempenhado o papel principal no desenvolvimento orgânico do Cristianismo desde os dias de Jesus até os dias de Lutero e Calvino…A abordagem de Schaff sobre a história Cristã estava moralmente obrigada a sofrer mal-entendidos e oposições neste contexto.”
(# 11, p.18)

“Isso significa, em parte, que O PROTESTANTISMO NÃO ERA NEM UMA REVOLUÇÃO, NEM UMA RESTAURAÇÃO; Ele organicamente evoluiu do CATOLICISMO MEDIEVAL, QUE A SEU MODO TEM SIDO O PORTADOR DO CRISTIANISMO NO PERÍODO MEDIEVAL … Ele valorizava a igreja empírica e ainda esperava por alguma união ou pela era do CATOLICISMO EVANGÉLICO no futuro, quando O MELHOR DAS TRADIÇÕES PROTESTANTES E CATÓLICAS EVOLUIRÃO PARA A MAIS ELEVADA DAS ERAS.”
(* 11. P.22)

(O JULGAMENTO DAS HERESIAS de Schaff começa, no qual ele é exonerado de todos os cargos em 1845 – N º 11, p.24)

“(Ele) foi convidado a presidir o comitê cuja principal responsabilidade era uma revisão da Bíblia em Inglês…Foi um de seus ESFORÇOS MAIS ECUMÊNICOS, reunir muitos dos melhores estudiosos das principais denominações protestantes da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos … Schaff estava profundamente comprometido com o projeto, pois ele estava convencido de que tal REVISÃO ECUMÊNICA promoveria o vínculo da UNIÃO INTERDENOMINACIONAL E INTERNACIONAL…” (# 11, p.71-73)

“AS MUDANÇAS, até agora, estão indo na direção correta e devem CONTER OS GERMES DE UMA NOVA TEOLOGIA. Cada época deve produzir sua própria teologia. Tal teologia irá preparar o caminho para a reunião de toda Cristandade.” (# 34, p.142, citado em A VIDA DE PHILIP SCHAFF.)

“As energias restantes de Schaff foram reservadas para uma grande tarefa que tinha sido atribuída a ele, a apresentação de um documento no sem precedentes Parlamento Mundial das Religiões, a ser realizada em Chicago… Desde os estágios iniciais de planejamento Schaff tinha apoiado o conceito de uma reunião de representantes de todas AS MAIORES E MAIS IMPORTANTES RELIGIÕES DO MUNDO. Ele acreditava que iria oferecer uma ‘plataforma mais abrangente para o mais amplo estudo comparativo da religião’. ELE NUNCA ACREDITOU QUE ESTIVESSE COMPROMETENDO QUALQUER UM DE SEUS PRINCÍPIOS CRISTÃOS ATRAVÉS DA PARTICIPAÇÃO EM DIÁLOGO COM OUTRAS RELIGIÕES. ELE PODERIA FACILMENTE SENTAR EM UMA PLATAFORMA AO LADO DE MUÇULMANOS, HINDUS E BUDISTAS SEM O CONSTRANGIMENTO DA AFLIÇÃO DE SUA CONSCIÊNCIA.” (# 11, p.102-103)

“Mesmo na esteira do Primeiro Concílio Vaticano de 1870, ele insistiu que o futuro traria uma atmosfera modificada para com a Igreja Católica Romana que se prestaria aos esforços da união… Schaff estava convencido de que qualquer futura união orgânica deveria ser precedida de uma união espiritual… O movimento ecumênico do século 20 comprometeu-se desde o início com este ideal… Essa percepção também se apropriou da VERDADE BÁSICA DE QUE A PRIORIDADE DA COMUNHÃO CRISTÃ ESTÁ ACIMA DA ‘PUREZA DOUTRINÁRIA’ ” (# 11, p.110)

“Ele insistiu que cada divisão da Cristandade deve chegar à percepção de que a suas tradições não possuem toda a verdade, nem a plenitude da catolicidade. (# 11, p.112)

“Schaff admitiu que o sistema ortodoxo do cristianismo é ‘um sistema humano que requer REFORMA CONSTANTE’. Contrapondo-se a todos os ‘TRADICIONALISTAS CEGOS’, ele declarou ser a grande missão da teologia alemã ‘RESTAURAR A VELHA FÉ (Gnosticismo), mas de uma forma nova, que deve fazer um progresso real em direção à reconciliação final, e em acordo livre e inteligente, da mente humana com a verdade divina”. (#19, 187)

“Portanto, há um GNOSTICISMO FIEL E CRISTÃO, bem como o anti-(ou pseudo-) Gnosticismo Cristão da incredulidade. (# 19, p.207)



Só use as duas Bíblias traduzidas rigorosamente por equivalência formal a partir do Textus Receptus (que é a exata impressão das palavras perfeitamente inspiradas e preservadas por Deus), dignas herdeiras das KJB-1611, Almeida-1681, etc.: a ACF-2011 (Almeida Corrigida Fiel) e a LTT (Literal do Texto Tradicional), que v. pode ler e obter em BibliaLTT.org, com ou sem notas).

(Copie e distribua ampla as gratuitamente, mantendo o nome do autor e pondo link para esta página de http://solascriptura-tt.org)



(retorne a http://solascriptura-tt.org/ Bibliologia-PreservacaoTT





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Fidelidade de Transmissão dos Textos Bíblicos; Quais Manuscritos?

igreja primitiva.

h. Porque B não contém o livro de Apocalipse.

i. Porque estão bem preservados por não terem sido usados, testemunho de que não eram fidedignos.

1. As versões. Traduções feitas a partir dos manuscritos. Existem milhares destes exemplares. Três traduções, para outras línguas, foram feitas um século depois dos originais. Portanto dois séculos antes de Sinaiticus e Vaticanus. Dentre estas a Velha Vulgata para o Latim. Não confundir esta com a Vulgata de Jerônimo, a qual é traduzida dos textos críticos e está corrompida. Porque estas traduções são tão importantes?

a. Porque três delas foram realizadas um século após os originais, possivelmente, ao menos em parte, até dos próprios originais.

b. Porque as cópias em grego, mais estas três traduções, seguiram caminhos relativamente isolados entre si por uns 13 séculos, até a invenção da impressão. Só então começando a serem comparadas novamente entre si e achadas concordantes! A conclusão que disto se extrai é simples. Se quatro exemplares, em quatro idiomas diferentes são copiados e copiados por 13 séculos, cada qual individualmente apenas de sua antecessora em sua língua e ao final comparada a versão em uma língua com a versão em outra língua e com o manuscrito grego, e se concluir que todas concordam entre si dá prova que seus copiadores eram meticulosos e valorizavam os textos. Mas alguns manuscritos pródigos, que não concordam entre si nem com estas cópias mais recentes, nem com os manuscritos mais recentes, mas tem a seu favor unicamente de terem datas mais antigas, merecem, por este motivo, mais confiança? Pelo fato te terem contra si o maior número de manuscritos (por isso Majoritários), os favoráveis aos manuscritos Minoritários, i.e. críticos, os críticos da palavra de Deus argumentam que os manuscritos não devem ser avaliados pela sua quantidade mas pela sua relevância. Ora, se o testemunho acima exposto não é da maior relevância, o que então poderia ser? Para eles só resta a identificação doutrinária com o texto Minoritário, este que é mutilado, subtraído e falsificado. Por outros que os seguem na utilização é, freqüentemente, a moda da época, a opinião reinante, necessária para ter reconhecimento profissional na área. Não ser xereta.

2. Cartas dos pais da igreja. Somando, em torno de 86000 exemplares. É possível compilar todo o NT a partir das citações de trechos do mesmo nas cartas dos pais da igreja. Se resgatarmos o texto do NT das cartas dos pais da igreja até o século IV teríamos, basicamente, o Novo Testamento relativamente completo pelo texto Majoritário ou Recebido, como também é chamado.

Não bastam as escandalosas informações acima. Vide também Homossexuais no comitê de tradução ou as bases de fé um tradutor chefe.

Há quem afirme que, apesar das divergências, a doutrina não foi afetada. Confira emDoutrina afetada.

A Lei Áurea define o limite da beleza, da perfeição. A exemplificação desta era dada, antigamente, por um sistema de alavancas em balanço. O apoio se localiza a um quarto do comprimento do braço de alavancas. Considerando nulo o peso do braço de alavanca, necessita-se de três vezes mais peso no braço menor do que no maior para manter a balança em equilíbrio. Em contrapartida, quando deslocada do seu equilíbrio, o braço maior percorre três vezes a distância do menor.

Algo projetado pela lei Áurea está no limite de sua beleza. Qualquer alteração sempre piora o seu aspecto, conteúdo.

O formato externo do violino é um artefato humano, traçado sob a lei Áurea. O ser humano é a criatura de Deus debaixo da lei Áurea. Leonardo Da Vinci demonstrou isto. Creio ser esta a razão porque não se consegue criar nenhum personagem de histórias em quadrinhos, diferente do ser humano, que ultrapasse sua beleza.

O versículo abaixo nos informa que o testemunho do SENHOR é fiel.

“A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.” Sl 19:7

Para ser fiel tem que ser, obrigatoriamente, perfeito, caso contrário não se tem a possibilidade de checar/conferir sua fidelidade. O testemunho, neste contexto, é a Palavra de Deus.

De forma análoga como exposto sobre o formato do violino e a beleza do ser humano, o testemunho do SENHOR está sob a lei Áurea. Qualquer “mexida” no texto, seja por alteração, omissão ou adição, rebaixa a sua perfeição.

E é exatamente isto que se percebe nos textos críticos.

Para a união das religiões há necessidade de se rebaixar Jesus Cristo ao nível de simples mortal, na semelhança dos mestres de outras religiões.

O tropeço central é a divindade de Cristo, por isto se questiona, entre outras, a concepção virginal de Maria.

Concluindo

Se Deus não vai aplicar/cobrar e executar a advertência de Ap. 22:18-19 ele também não vai executar o seu Juízo justo sobre o mundo pecaminoso.

Porque então se preocupar com os perdidos?

Pelo fato de eu estar completamente convencido de que ele não vai deixar a falsificação de Sua Palavra passar em branco, e uma terrível expectativa aguarda aqueles que participam, depois de devidamente alertados, ativa ou passivamente desta fraude, eu continuo expondo a minha “pele” ao açoite, para ver se consigo acordar, ao menos, alguns.

Antes da morte é o único tempo de se arrepender sem perdição!

Waldemar Janzen





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Texto Receptus vs texto Critico

3.0 – Textus Receptus

Também conhecido como Texto Recebido, Texto Majoritário ou ainda Texto Bizantino, é a denominação dada à toda esta série de impressões e compilações dos manuscritos, em grego, do NT que serviu de base para a impressão e tradução de muitas Bíblias. O Textus Receptus é a verdadeira composição, única e original, do texto grego contendo todo o Novo Testamento escrito pelos Apóstolos. Durante o período Bizantino nos anos 312 – 1453 d.C., o Textus Receptus foi usado pela Igreja Grega. Por isso o texto é também conhecido como o Texto Bizantino. Podemos ver como o Espírito Santo guiou-os na preservação e no uso deste texto. Veio deste mesmo texto, a Peshita, a Itálica, a Céltica, a Gaulesa, e a Bíblia Gótica. Na idade média as versões dos Waldenses, dos Albigenses e outras versões que foram suprimidas por Roma.

3. 2 – Crítica Histórica

Relaciona-se com a genuinidade e autenticidade dos livros da Bíblia, isto é, quem escreveu cada livro, e quando, e se o livro é histórico, ou o que é.
Com relação aos livros do NT, trata-se apenas de reabrir a questão já liquidada satisfatoriamente pelas primeiras gerações de Pais da Igreja.

3.3 – Crítica Moderna

Durante mil anos a Bíblia foi reconhecida pela cristandade e pelos primeiros Pais da Igreja. Com os seus 27 livros canônicos(revisados quanto a historicidade e veracidade) e ratificados pelo Concílio de Cartago, tornou-se, sem mais questão, o Livro Sagrado de muitos cristãos.

Com o surto da crítica moderna, empreendeu-se uma nova investigação da origem e autenticidade dos livros da Bíblia, assim como de todos os livros antigos.
“Crítica”, aplicada à Bíblia é um termo infeliz, embora seja exatamente isso, quando feita por indivíduos pretensiosos e irreverentes; de modo que a palavra é comumente considerada como a denominação do esforço intelectual moderno por solapar a divina autoridade da Bíblia.

Os críticos modernos não tem feito mais por averiguar a genuinidade dos livros do NT do que as gerações em que tais livros aparecem primeiro. São maldosos ao extremo. Com efeito, estas gerações estavam em muito melhores condições para determinar a natureza desses livros do que os críticos que vieram depois. Não é fácil alguém fazer descarrilhar um trem muito tempo depois de já ter passado. Imposturas literárias são desmascaradas logo. Reconhece-se um livro, ou obra de ficção, logo ao ser publicado.
Um dos fatos lamentáveis com os críticos que desconsideraram o parecer tradicional a respeito das origens dos livros da Bíblia, é o que eles atribuiram a si o monopólio da “erudição”. A opinião deles é a “opinião unânime dos eruditos”. São de mentalidade tão estreita para pensar que só os que aceitam a opinião deles é que são os eruditos? Ou ignoram o fato de serem conservadores muito dos mais profundos eruditos do universo? Pontos de vista não são índice de erudição, mas apenas de tipos de mentalidade. O querido e Velho Livro, qual bigorna, tem desgastado muitos martelos, e muito depois de os críticos caírem no esquecimento, ele continua sua marcha, amado e honrado por milhões incontáveis. És o Preciso Livro de Deus.

3.4 – Texto Crítico

Durante os séculos XIX e XX, entretanto, uma outra forma do Novo Testamento grego surgiu e foi usada pelas traduções mais modernas do Novo Testamento. Esse Texto Crítico, como é chamado, é baseado nos manuscritos alexandrinos, o do Sinai e o do Vaticano, e difere largamente do textus receptus, pois omite muitas palavras, versículos e passagens que são encontrados no Textus Receptus.
Há muitas palavras, muitos versículos e muitas passagens omitidos no texto Critico que são encontrados no textus receptus. O Texto Crítico diverge do Textus Receptus 5.337 vezes. O texto Critico omite 2.877 palavras nos Evangelhos, 3.455 palavras nesses mesmos livros. Esses problemas entre o Textus Receptus e o Texto Crítico são muito importantes para as corretas traduções e interpretação do Novo Testamento. Contrariamente à argumentação dos que apoiam o Texto Crítico, essas omissões afetam a vida cristã quanto à doutrina e à fé.

Seguem-se muitos exemplos de problemas doutrinários causados pelas omissões do Texto Crítico:

Omite referência ao nascimento virginal, em Lucas 2.33
Omite referência à deidade de Cristo, em 1 Timóteo 3.16
Omite referência à deidade de Cristo, em Romanos 14.10 e 12
Omite referência ao sangue de Cristo, em Colossenses 1.14

Adicionalmente, cria-se um erro bíblico em Marcos 1.2: nesta passagem, no Texto Crítico, Isaías torna-se autor do livro de Malaquias. Em numerosas referências no Novo Testamento o nome de Jesus é omitido, no Texto Crítico: “Jesus” é omitido setenta vezes e “Cristo”, vinte e nove vezes.
Outra problema com o Texto Crítico moderno é que os dois manuscritos mais importantes sobre os quais o texto é construído, o do Sinai e o do Vaticano, discordam entre si mais de 3.000 vezes, somente nos Evangelhos. ***

3.5 – Preservação Providencial

O Texto original do Novo Testamento precisa ser visto pelos cristãos, que crêem na Bíblia como a Palavra de Deus, como conteúdo sagrado e providencialmente preservado por Deus. Deus prometeu em Sua Palavra que Ele não só preservá-la-ia para as gerações vindouras mas, também, que Sua Palavra seria eterna e completamente livre de corrupção.

Mateus 5.18 afirma: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido”.
Isaías 59.21 diz: “Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre”.
João 10.35 : “a Escritura não pode ser anulada”.

Esses versículos demonstram que o próprio Deus não deixou Sua Igreja, por séculos, sem uma cópia autorizada de Sua Palavra, mas que o povo de Deus através dos séculos copiou e re-copiou fielmente manuscritos a partir dos autógrafos originais. Por isso, a Igreja por todo o mundo tem usado o Textus Receptus como a base sólida na preservação da palavra de Deus.

Hermenêutica satânica. Esta preciosa doutrina da preservação providencial tem sido totalmente esquecida pelos estudiosos de texto modernos. Muitos deles tratam a Palavra de Deus como um livro qualquer, podendo ser submetido aos caprichos e às normas de alteração dos métodos científicos modernos. Eles simplesmente não crêem que a Bíblia é um livro sobrenatural. Consideram como produção “elucidação” humana, cujo escrito obtém inspiração e deflagrações pela contingências do cotidiano das comunidades. Manipulações literárias, propondo um conformismo diante da situação que as comunidades enfrentavam. Uma Bíblia herdeira de tradições e influências ideológicas. Uma literatura feita de “retalhos da memória”. Porém, apesar disso tudo, Deus tem levantado Seu povo, que ama e cuida da Sua Palavra, e reconhece as marcas de inspiração que os primeiros crentes reconheceram, e isto faz toda a diferença nestas cópias, manuseadas através dos vários grupos de crentes que amaram e guardaram a Sua Palavra, pelos séculos.

O Texto Receptus, foi o texto do período da Reforma, tanto que, seja no trabalho de Erasmo ou no de Stephen, na própria tradução de Lutero ou naquela dos herdeiros da Reforma, tais como os clérigos de Westminster e os tradutores da Versão Autorizada em inglês, este texto tem sido largamente usado e tremendamente abençoado por Deus.
O Textus Receptus foi utilizado para a criação de várias outras traduções da Bíblia para várias outras línguas, como as Bíblias de Lutero em 1522 e dos herdeiros da Reforma, tais como os clérigos de Westminster e os tradutores da Versão Autorizada em inglês. Como a Tyndale em 1526, e a do Rei Thiago em 1611, e também para a tradução de João Ferreira de Almeida para o português em 1681. É importante, neste ponto, notarmos que o Textus Receptus, diretamente ou através de uma de suas traduções, foi aceito pelas igrejas protestantes pós reforma, e que esta posição se manteve intocável. no Brasil, até meados do século XX. Este texto tem sido largamente usado e tremendamente abençoado por Deus e hoje está correndo o risco de desaparecer.

4.0 – Textus Receptus x Texto Crítico

Temos a responsabilidade, como crentes em Jesus, de proclamar o Evangelho nos nossos dias, o Evangelho original, e repudiarmos o Evangelho diluído. Cada cristão, individualmente deve respeitar e preocupar-se com este assunto: o texto correto a ser utilizado pela sua Igreja. Como objeto de estudo. A edição de sua Bíblia e seus devidos editores. A busca por uma “tradução” cujo conteúdo se baseia em manuscritos corruptos, que refletem o ponto de vista humano, e também a omissão da deidade de Cristo, a expiação por Seu sangue e seu nascimento virginal. Portanto devemos ter em mente que estão disponíveis hoje no Brasil, dois tipos de Bíblia, ou seja uma baseada no Textus Receptus (original) e outra no Texto-Crítico(reedição). Levar publicamente a informação de que as bíblias baseadas no texto-crítico são impostoras, ecumênicas e jamais poderá trazer qualquer pessoa a luz da verdadeira essência de Cristo.

5.0 – A sociedade Bíblica Trinitariana X Sociedade Bíblica do Brasil

A Sociedade Bíblica Trinitariana foi formada em 1831, após uma divisão da British and Foreign Bible Society (BFBS). O motivo foi a questão da crescente influência de membros incrédulos que não acreditavam na Trindade. Esses Unitarianos, que não criam na Divindade de Jesus Cristo, eram membros da BFBS que não tinha uma declaração de fé escrita. Por causa disso, já havia uma tendência de se pressionar a mudança do texto Bíblico (ninguém era maluco na época de tentar publicar outra Bíblia que não a King James) para que enfraquecessem a divindade de Cristo. O nome Trinitariana é para indicar a posição doutrinária que se acredita na TRINDADE, como está claramente relatado na Bíblia. A facção dos “água morna da paz” da BFBS, não queria tomar posição contra os hereges e apóstatas UNITARIANOS que a infestavam cada vez mais, temendo talvez, perdas financeiras. O fato é que alguém ia sair. Os hereges ou os fiéis. Os UNITARIANOS, herdeiros dos hereges gnósticos e pais das Testemunhas de Jeová, negavam a divindade de Cristo juntamente com a Divindade do Espírito Santo e outras heresias. Os crentes sérios e zelosos pela pureza doutrinária, vislumbrando uma pior corrupção da Sociedade, não aguentavam mais aquela situação e exigiram uma sessão para definir declaração doutrinária que teria que ser assinada por todos os membros e ao mesmo tempo, expulsar os ímpios infiltrados. Foi posto o assunto em votação numa tumultuada sessão em 5 maio de 1831, quando pela providência de Deus, os apóstatas e omissos ficaram e o grupo fiel (minoria) se retirou da roda dos escarnecedores para formar a abençoada TRINITARIAN BIBLE SOCIETY!

Desde a sua fundação, a Trinitarian Bible Society (TBS) se comprometeu a circular somente traduções fiéis ao Textus Receptus e o Massorético. Em inglês, é claro, ela somente distribui o monumento da reforma protestante que jamais será mudado: a Bíblia King James! A tradução em português é a do consagrado pastor protestante português, João Ferreira de Almeida, que em sua obra editada em 1681 (Novo Testamento), usou a família de textos gregos conhecida como Textus Receptus e no Velho Testamento (terminado em 1748), o texto Massorético. Só a Sociedade Bíblica Trinitariana publica no Brasil, a Bíblia mais fiel aos originais. Esta Bíblia é conhecida como a ALMEIDA CORRIGIDA E FIEL. É a única tradução confiável das Escrituras na língua portuguesa.

Enquanto isso…

A roda dos escarnecedores que ficou na BFBS, foi progredindo até se fundir com outras organizações que desde 1946 atende pelo nome de UNITED BIBLE SOCIETIES (UBS), que é autora de verdadeiras BARBARIDADES perpetradas contra a Palavra de Deus. No Brasil, a filha da multimilionária UNITED BIBLE SOCIETIES (orçamento astronômico de US$ 40 milhões por ano) é a ecumênica SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL (SBB), parida em 1948, a menina dos olhos da igreja Católica!

Observamos que mais de uma centena de traduções independentes e com palavras distintas chegaram ao amplo mercado da língua inglesa somente no século XX, e dezenas ao amplo mercado da língua portuguesa! Ultimamente, parece que, a cada ano, vários e diferentes novos textos são lançados, juntamente com dezenas ou centenas de alternativas de formatação, encadernação e empacotamento mercadológico! Começamos a nos perguntar o que realmente está por trás desse incessante frenesi de atividades de traduzir, vender, revisar, vender, atualizar, vender, modificar, vender – faturar – lucrar…

Em inglês já chegaram ao ponto de ter Bíblias condensadas (o volume de palavras é 1/4 das tradicionais), Bíblias com textos unisex, Bíblias rimadas, Bíblia rap, Bíblias funk, Bíblias para gays, Bíblias com novas epístolas (como uma de Martin Luther King), Bíblias para todos os gostos! Esgotados os nomes “atualizada, moderna, para hoje, nova”, etc., terão que partir para nomes e descrições tais como “novíssima, super-nova, ultra-hiper-moderna”, etc.
A milionária propaganda de lançamento de cada uma dessas Bíblias dá a entender que só a partir de agora, com tais maravilhas, compreenderemos plenamente a Palavra de Deus e evangelizaremos.
Perguntamo-nos: neste torvelinho, será que há uma firme tendência invisível e má (além das visíveis e carnais conseqüências previsíveis da cobiça por dinheiro, poder, fama e reconhecimento? Começamos a ler, pesquisar e estudar, sempre orando e pedindo que fosse somente o Espírito Santo de Deus que nos ensinasse e iluminasse nosso discernimento. As duas primeiras coisas que percebemos, e que aqui queremos compartilhar:

1) Basicamente, há apenas dois tipos de Bíblias.
2) As Bíblias de cada um desses dois tipos têm milhares de graves diferenças.

Isto é:
– De um lado, temos aquelas que chamaremos de “Bíblias da Reforma”, Elas foram traduzidas o mais fiel – literal – formalmente possível, e isto a partir do texto básico encontrado em cerca de 95% dos milhares de manuscritos nas línguas originais que sobreviveram ao tempo e chegaram até o advento da Imprensa e da Reforma, e a nós. Manuscritos que basicamente concordam maravilhosamente entre si. Tais Bíblias incluem, entre muitas outras, as:

Peshita – em Siríaco, traduzida ao redor do ano 150 d.C.
Latina Antiga, dos Valdenses – do Vale de Vaudois, Norte da Itália, aos pés dos Alpes, traduzida ao redor do ano 157 d.C.
Todas as Bíblias traduzidas com base e a partir da edição consolidada por Erasmo, em 1522, elas foram as Bíblias usadas por Deus para trazer a Reforma (séculos XVI e XVII) e trazer a purificação e reavivamento do verdadeiro evangelho, estas são:

Willian Tyndale 1526
Genebra 1588
King James Bible (Authorized Version de 1611)
Valera 1569, 1602 TR, 1999
Lutero 1545 pela TBS – Trinitarian Bible Society
Almeida 1681/1753 e suas legítimas herdeiras: “Almeida Revista e Reformada” (1847) “Almeida Revista e Correcta” (1875) “Almeida Revista e Corrigida”.
A edição 1894 (para Portugal) foi 100% TR.
ACF – Almeida Corrigida e revisada, Fiel ao texto original (1995).
Bíblia de estudo Scofiel – Sociedade Biblica Trinitariana – ACF.

Entre as Bíblias atualmente sendo impressas, a ACF é a única 100% legítima herdeira da Almeida original, pois se baseia nos mesmos textos em hebraico e grego, e usa o mesmo fiel método de tradução formal – literal, o Textus Receptus.

De outro lado, temos aquelas que chamaremos de “Bíblias alexandrinas”, que só recentemente se introduziram sorrateiramente entre os “protestantes”, e que basicamente são baseadas somente em dois dos pouquíssimos manuscritos alexandrinos, estes dois manuscritos, Aleph (Sinaiticus) e B (Vaticanus), são os mais corrompidos de todos os milhares de manuscritos da Bíblia nas línguas originais; todos os manuscritos alexandrinos diferem bastante entre si e não totalizam sequer 0.5% dos manuscritos que chegaram aos nossos dias, são elas:

ARA – Almeida Revista e Atualizada – 1976
AR – Almeida Revisada … Melhores Textos – 1995
NIV – New International Version – 1986
NVI – Nova Versão Internacional – 1994, 2001
BLH – Bíblia na Linguagem de Hoje – 1988
BBN – Bíblia Boa Nova – 1993
BV – Bíblia Viva – 1993
Bíblia Alfalit – 1996;
Bíblia CEV = Contemporary English Version
NASB – New American Standard Bible – 1977
Bíblia Thompson – contemporânea
Biblia NTLH – Nova Tradução na linguagem de hoje
Biblia DAKE de Estudo
Biblia SHEDD
TNM – Tradução Novo Mundo – 1967 [dos Testemunhas de Jeová]

Todas as Bíblias romanistas-ecumênicas: Bíblia de Jerusalém-1992; Vulgata de Jerônimo, traduções do Padre Antônio Pereira de Figueiredo, Padre Matos Soares, Padre Humberto Rhoden, Padres Capuchinhos, Monges Beneditinos, Vozes, Pastoral, TEB – Tradução Ecumênica da Bíblia, TOB – Traduction O ecuménique de la Bible, e etc…

Notemos que, em todo o mundo, até 1881 (e no Brasil até 1956), não havia uma, sequer uma Bíblia impressa que fosse significativamente diferente e concorrente das Bíblias da Reforma, e fosse usada por igrejas “protestantes” em número mais que desprezível. Só a partir daquela data é que Bíblias alexandrinas sorrateiramente realmente começaram a se infiltrar nas igrejas “protestantes”.

Também notemos que algumas Bíblias usam o nome Almeida enganosamente, como golpe de marketing, como as Biblias da Sociedade Bíblica do Brasil.

Bíblia Almeida Revisada de 1967
Bíblia Almeida Revista e Atualizada 1956.
Bíblia Almeida Edição Contemporânea 1992.

Entenda o que mudou nestas versões Biblicas “Almeida” a seguir:

ACF – Almeida Corrigida e Fiel ao texto original
ARC- Almeida Revista e Corrigida
ARA- Almeida Revista e Atualizada

PS: Não deixe de visualizar o estudo completo com quadro comparativo das traduções citadas.Via Amarelina.

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A Importância da Hermenêutica Bíblica

DISPENSACIONALISMO: A IMPORTÂNCIA DA HERMENÊUTICA BÍBLICA

A hermenêutica verdadeiramente bíblica exige, indiscutivelmente, três regras indispensáveis para uma teologia honesta e sem distorções da Escritura Sagrada.

REGRA 1: A HERMENÊUTICA HISTÓRICO-GRAMATICAL CONSISTENTE ELIMINA ALEGORIZAÇÕES INFUNDADAS

Se a maioria dos cristãos soubesse dos desdobramentos que a Eclesiologia e Escatologia trazem para a vida prática do cristão, não estariam atribuindo o tema a uma mera questão “secundária”. A prática do pedobatismo, por exemplo, é só a ponta do Iceberg Aliancista – Essa tradição romana ficou enraizada na maioria das igrejas reformadas e causa danos irreversíveis na ortodoxia cristã de forma direta. Há alguns anos atrás eu não diria isso. Mas, tendo me aprofundado um pouquinho no tópico e vasculhado as conseqüências doutrinárias resultantes de uma Eclesiologia surgida com as alegorias mirabolantes de Agostinho, descobri que não se trata meramente de ênfase, mas de conteúdo. Tanto os apóstolos como os pais da igreja dos dois primeiros séculos jamais foram conhecidos por defenderem uma visão anti-dispensacionalista.

A hermenêutica bíblica é o estudo dos princípios e métodos de interpretação do texto bíblico. Segundo os comandos claros de Timóteo 2:15, ao se envolverem com a hermenêutica, os crentes devem “procurar se apresentar a Deus aprovados, como obreiros que não têm de que se envergonharem, que manejam bem a palavra da verdade”(v.15).

Deste modo, o objetivo central da hermenêutica dispensacionalista é nos guiar por entre as passagens bíblicas com o propósito de nos levar a uma interpretação aplicada pela própria Escritura, e jamais pela ótica limitada de métodos humanistas, tais como o método de interpretação histórico-crítico ou alegórico. Assim, com base no método histórico-gramatical [literal] dos textos sagrados, atestado e aprovado pelo tempo, a intenção da hermenêutica dispensacional é mostrar o genuíno entendimento e aplicação da Teologia Bíblica. Toda teologia é, por definição, bíblica. Mas, quando falamos de Teologia Bíblica em termos de método interpretativo, estamos a tratar daquilo que foi dito somente pelos autores inspirados das Escrituras Sagradas, sem subterfúgios em opiniões de reformadores e/ou manuscritos não-inspirados, ou até mesmo na aplicação da filosofia cristã, que inclina-se a defender a fé cristã a nível apologético dentro de âmbitos científicos a fim de provar a autenticidade da Palavra Revelada.

A regra indispensável e crucial para o método histórico-gramatical de interpretação é que a Bíblia deve ser interpretada literalmente, a menos que a mesma nos forneça outra interpretação textual clara que aponte para um simbolismo intencionado pelo autor inspirado. Isto significa que a Bíblia deve ser sempre interpretada com base em seu significado normal ou simples, a menos que o texto sagrado revindique por si mesmo uma alegorização e o autor inspirado mostre claramente sua intenção de apontar para uma conclusão simbólica da passagem. A hermenêutica dispensacionalista se diferencia de todas as outras hermenêuticas por conta de sua consistência. Quando de frente para uma passagem bíblica, ela nos mostra de forma concisa se alguma figura de linguagem está, de fato, sendo empregada no manuscrito dos profetas ou dos apóstolos.

Na Bíblia não existem contradições ou múltiplos sentidos. Ela diz o que deseja realmente dizer e não pergunta ao homem se ele tem uma opinião secundária a respeito do que está escrito. Por exemplo, quando Jesus fala de ter alimentado “os cinco mil homens” em Marcos 8.19, o princípio da hermenêutica irrefutável exige que entendamos os “cinco mil” como um número literal – havia uma multidão de cinco mil pessoas esfomeadas e que foram alimentadas com verdadeiros pães e peixes por um Salvador dotado de poder milagroso. Qualquer tentativa de “espiritualizar” o número descrito em Marcos 8.19, ou de negar um milagre literal de Cristo nesse contexto, é lançar a inerrância das Escrituras na lata do lixo, acrescentar alegorias não intencionadas pelo autor e ignorar as leis da linguagem exigidas pelo autor da carta, que é comunicar um número real, literal e conciso, sem brechas para alegorizações.

Muitos intérpretes, sobretudo aliancistas [adeptos da teologia do pacto] cometem o erro grosseiro de tentar buscar significados esotéricos que nunca são encontrados nas entrelinhas do texto inspirado, como se cada passagem tivesse uma verdade espiritual oculta que, segundo eles, deveríamos tentar decifrar. A hermenêutica bíblica do Dispensacionalismo (Premilenismo Futurista) nos mantém fiéis ao significado intencionado pela Palavra de Deus e mui longe de alegorizações estapafúrdias de versículos claramente literais que não nos permitem enxergar qualquer sinal de simbolismo nos mesmos.

Dwight Pentecost, um dos poucos hermeneutas honestos de que podemos ter conhecimento hoje, esclarece que “a abordagem literalista não elimina cegamente as figuras de linguagem, os símbolos, as alegorias e os tipos; no entanto, se a natureza das frases assim exigir, ela se presta prontamente ao segundo sentido. Esse método [literal] é o único freio sadio e seguro para a imaginação do homem. Esse método é o único que se coaduna com a natureza da inspiração. A inspiração completa das Escrituras ensina que o Espírito Santo guiou homens à verdade e os afastou do erro. Nesse processo, o Espírito de Deus usou a linguagem, e as unidades de linguagem (como sentido, não como som) são palavras e pensamentos. O pensamento é o fio que une as palavras. Portanto, nossa própria exegese precisa começar com um estudo de palavras e de gramática, os dois elementos fundamentais de toda linguagem significativa”.[1]

Da mesma forma, Richard Mayhue estabelece a prova irrefutável contra a inconsistência da hermenêutica aliancista:

“Uma teologia não é uma hermenêutica. Tal pensamento enfraquece uma interpretação apropriada da Bíblia. Na realidade, boa hermenêutica (princípios de interpretação de literatura) aplicada por uma exegese habilidosa (Aplicação artística de princípios interpretativos) pode conduzir a uma teologia, mas não o inverso. Infelizmente, todos que seguem tal viés têm colocado o carro proverbial teológico na frente do boi/cavalo hermenêutico.

Todavia, todo Amilenista, Premilenista histórico e Pós-milenista segue esse processo, consciente ou inconscientemente, em parte ou no todo, quando chegam a tratar com a identidade da igreja (Eclesiologia) e o futuro de Israel (Escatologia). Quando eles não atingem seu fim teológico predeterminado usando a hermenêutica normal (Que os tem servido bem em todas as áreas da teologia), eles mudam a sua hermenêutica para gerar as conclusões predeterminadas com as quais começaram. Isso produz uma abordagem preconceituosa à interpretação a fim de validar uma predeterminada conclusão. Esta é uma maneira inaceitável, inconsistente e inválida para interpretar a Bíblia. Assim, ela é rejeitada em toda maneira e uso pelo Premilenismo Futurístico. Somente uma hermenêutica consistente pode conduzir a uma interpretação intencionada por Deus do texto sagrado. Para o Premilenismo Futurístico, uma hermenêutica histórico-gramatical consistente para interpretar a Escritura toda é uma teologia pressuposicional, e não predeterminada.

O Premilenismo Futurista não necessita de novas regras de interpretação quando chega em textos proféticos. O texto bíblico é tomado no seu valor normal, em seu contexto, reconhecendo linguagem simbólica e figuras de discursos, somado à realidade que eles representam. Ela permite o intérprete a assumir a mesma abordagem geral à história de Josué, ou ao altamente figurativo Cantares, ou livros proféticos.

Por isso, a não ser que algum claro e incontestável mandato da Escritura mude o modo como a pessoa interpreta a profecia da segunda vinda (e não há nenhum mandato), então a Escritura deve ser interpretada consistentemente ao longo de toda a Bíblia. Somente o Premilenismo Futurista faz isso”.

Ao falar da natureza do livro de Apocalipse, Richard Mayhue nos fornece uma prova cabal e cristalina a respeito de passagens que contém números e que, se fossem levadas a sério, em seu sentido normal, muitos males teriam sido evitados ao longo dos séculos na teologia cristã:

“É entendido comumente, como uma regra básica de hermenêutica, que números devem ser aceitos por seu valor real, i ,e., comunicando uma grandeza matemática, a não ser que haja uma evidência substancial que garanta o contrário. Este ditado para interpretar números bíblicos é geralmente aceito como um ponto de partida apropriado [indispensável]. Esta regra permanece real por toda a Bíblia, incluindo Apocalipse. Um resumo de números em Apocalipse sustenta isto. Por exemplo, sete igrejas e sete anjos em apocalipse 1 referem-se a sete igrejas literais e seus mensageiros. Doze tribos e doze apóstolos referem-se ao real número histórico (Ap 21:11-14). Dez dias (Ap 2.10), cinco meses (Ap 9.5), um terço da humanidade (Ap 9.15), duas testemunhas (Ap 11.3), quarenta e dois meses (Ap 11.2), 1260 dias (Ap 11.3), doze estrelas (Ap 12.1), dez chifres (Ap 13.1), mil e seiscentos estádios (Ap 14:20), três demônios (Ap 16:13), e cinco reis caídos (Ap 17.9-10), todos usam números em seu sentido normal. Dos vários números em Apocalipse, SOMENTE dois (sete espíritos em Ap 1.4, e 666 em Ap 13.18) são conclusivamente usados de uma forma simbólica. Enquanto essa linha de arrazoado não prova que “mil anos” em Apocalipse 20 deve ser tomado literalmente, ele coloca o ônus da prova sobre aqueles que discordam em aceitar “mil anos” como mil anos.

Não devem apenas os números em geral ser tomados normalmente em Apocalipse, mas, mais especificamente, números referindo-se a tempo. Em Apocalipse 4-20, existem, pelo menos, VINTE E CINCO REFERÊNCIAS de medições de tempo. Apenas dois destes demanda ser entendido como algo que não seja um sentido literal, e estes não envolvem números reais: “O grande dia da ira dEle” (Ap 6.17) provavelmente excederá 24 horas e “A hora do seu juízo” (Ap 14.7) aparentemente se estende para além de sessenta minutos. Não há nada, no entanto, na frase “mil anos”, que sugira uma interpretação simbólica”.[2]

REGRA 2: O TEXTO DENTRO DO CONTEXTO

A segunda lei fundamental que rege a hermenêutica dispensacionalista, ou seja, bíblica, é que as passagens devem ser interpretadas visando seu contexto histórico, gramatical e contextual.

1. O Contexto Histórico:
Ao interpretar uma passagem historicamente, o leitor deve se empenhar em compreender a cultura, pano de fundo e situação que deu origem ao respectivo texto, considerando o contexto do texto. Por exemplo, a fim de compreender plenamente a fuga de Jonas em Jonas 1:1-3, faz-se necessário entender a correlação que a história dos assírios tem com a história de Israel.

2. O Contexto Gramatical:
Interpretar uma passagem gramaticalmente requer que sigamos as regras gramaticais exigidas pelo texto sagrado e que reconheçamos as nuances do hebraico e grego. Por exemplo, quando Paulo escreve sobre “nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” em Colossenses 1.13, as regras gramaticais atestam categoricamente que “Deus e Salvador” são termos paralelos e ambos conectados a Jesus Cristo. Em outras palavras, Paulo claramente aponta Jesus como “nosso grande Deus”.

3. O Contexto em Si:
Ao interpretar os versículos de uma passagem de forma contextual, estamos cientes de que isto envolve a lei imutável que rege toda a Palavra inspirada, onde o leitor deve, por temor e tremor a Deus, considerar todo o contexto de um versículo ou passagem antes de determinar o seu significado uno [e não múltiplo]. Quando de fronte com um texto bíblico difícil de ser conciliado com passagens aparentemente opostas à sua premissa, os versículos anteriores e posteriores do capítulo ou livro, e, se necessário, da Bíblia em seu todo, devem ser imediatamente consultados para a conclusão intencionada pelos autores inspirados por Deus – O Espírito Santo não é débil e a Bíblia jamais contradiz a Si mesma. A Bíblia responde por si mesma, em qualquer passagem que possa apresentar dificuldades de correlação entre um ponto e outro por falta de uma análise aprofundada de seu amplo contexto. Tomemos como exemplo o livro de Eclesiastes. Muitas declarações enigmáticas em Eclesiastes tornam-se mais claras quando mantidas em seu devido contexto – o livro de Eclesiastes é escrito a partir da perspectiva terrena “debaixo do sol” (Ec 1.3). Na verdade, a frase “debaixo do sol” é repetida cerca de trinta vezes pelo rei Salomão, inspirado pelo Espírito Santo, estabelecendo o contexto real para tudo o que é “vaidade” neste mundo.

REGRA 3: A ESCRITURA INTERPRETA A ESCRITURA

A terceira e última regra crucial da hermenêutica dispensacionalista que se diferencia de todas as visões aliancistas no campo teológico é o fato inexorável de que a Escritura interpreta a própria Escritura. Por esta razão, os cristãos protestantes dispensacionalistas sempre comparam a Escritura com a própria Escritura ao tentarem determinar o significado de uma passagem ao invés de construir uma teologia apropriada com o intuito errôneo de aplicar uma hermenêutica predeterminada (e é esse o maior erro já cometido por aliancistas na história eclesiástica). Uma boa hermenêutica produz uma boa teologia, mas nunca o inverso. Por exemplo, Isaías condena o desejo de Judá de buscar ajuda do Egito. É importante salientar o fato de que a sua dependência em uma cavalaria forte (Is 31.1) era motivada, em parte, pela proibição explícita de Deus de que Seu povo não deveria ir ao Egito em busca de cavalos (Dt 17:16).

Nos últimos tempos, o Premilenismo Futurista (Dispensacionalismo) tem sido maldosamente distorcido por doutores de igrejas tradicionalistas no desespero de defenderem suas convicções heréticas baseadas em erros passados. O Dispensacionalismo tem sido alvo de ataques desonestos e das mais variadas formas de perversão que se pode imaginar, pois o sistema dispensacionalista liberta os leitores de uma hermenêutica espúria e predeterminada por uma teologia de plástico, condicionada a olhar para a Bíblia com os olhos da incredulidade alegórica. O resultado dramático de nossos dias é notado pelas discrepâncias desse sistema religioso corrompido que vemos hoje, a saber, o aliancismo (também conhecido como Teologia do Pacto), igualmente defendido e aplicado pelo catolicismo romano.

As pessoas evitam estudar a hermenêutica dispensacionalista por caírem nos sofismas falaciosas criados pelo sistema evangélico aliancista e por acreditarem cegamente em conceitos “dispensacionalistas” criados pelos anti-dispensacionalistas. Doutores não-dispensacionalistas se empenham em criar conceitos nunca antes defendidos pelo Dispensacionalismo ou, quando isto não funciona, se dedicam a apontar erros obsoletos que os próprios dispensacionalistas corrigiram com o tempo. Ou seja, a elaboração errada de uma premissa obviamente leva a conclusões errôneas da mesma, tendo como objetivo promover um falso sistema eclesiástico jamais defendido pelo verdadeiro Dispensacionalismo. Isto é o que denomina-se como “espantalho”, uma forma sofística de levar pessoas a combaterem o que não entendem nem querem entender, uma vez que estas pobres almas concluíram que o Premilenismo é herético porque o sistema opositor assim o disse com base em falsas aplicações do sistema Premilenista Futurista (Dispensacionalismo). Estas pessoas, em sua maioria presas pelos grilhões da tradição romana aliancista, perdem o senso de ousadia ao foliar as páginas da Bíblia com confiança no Sumo Sacerdote [Jesus Cristo], que a todos os santos dá sabedoria, sem lançar fora os que com fé a pedem. Elas ficam inclinadas a pensar que, ao estudar o verdadeiro Dispensacionalismo, isto limitaria a sua capacidade de aprender com a Palavra de Deus ou sufocaria a iluminação das Escrituras por parte do Espírito Santo. Não é atoa nem injusto que o nosso lema seja: “Na alegorização está a raiz da incredulidade”.

Todavia, os receios por parte dos que temem estudar o Dispensacionalismo (Premilenismo Futurista) são infundados e provocados claramente pelo medo da verdade. Sim. Medo da verdade que indubitavelmente atravessará seus corações como uma espada de dois gumes; o que irá doer, certamente. Mas, embora a verdade a respeito da natureza inegável das dispensações da Escritura sejam dolorosas para quem se acostumou com a ‘carne podre’ do aliancismo romano durante anos, esta mesma verdade liberta e produz frutos. É assim que funciona em toda a história da Bíblia. Passagens do Antigo Testamento, por exemplo, que antes não faziam qualquer sentido a respeito de Israel, começam a saltar como confetes do Livro Sagrado. A realidade que nos cerca, juntamente com os últimos acontecimentos testificados pelas profecias, trazem luz para o nosso entendimento e esperança realista quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo para arrebatar a Sua amada noiva e a livrar da Tribulação que há de vir sobre todo o mundo, quando Deus irá ferir a terra com a Sua ira, a qual sobre os ímpios [e não sobre a Sua amada igreja] permanece para sempre.

A hermenêutica dispensacionalista aponta para a correta interpretação do texto inspirado sem mutilar seu real propósito ao se comunicar com os santos de forma inerente. O propósito da hermenêutica dispensacionalista é, sobretudo, nos proteger da má aplicação da exegese escriturística e nos livrar de qualquer outra concepção alegórica infundada que possa corromper a nossa compreensão da verdade. A Palavra de Deus é a verdade (Jo 17.17). Queremos ver a verdade, conhecer a verdade e viver a verdade. É por isso que a hermenêutica dispensacionalista, a qual consiste num método histórico-gramatical consistente – isto é, sem abandoná-lo ao lidar com textos proféticos e relacionados à Eclesiologia e Escatologia – é a melhor opção para quem deseja saber o que a Bíblia de fato está nos comunicando, e não o que a tradição dos homens quer que sigamos por motivos de conveniência.

–– JP Padilha
–– Fonte 1: Página JP Padilha
–– Fonte 2: https://jppadilhabiblia.blogspot.com/
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NOTAS:
[1] Dwight Pentecost / Manual de Escatologia
[2] Richard Mayhue / Os Planos Proféticos de Cristo: Um guia básico sobre o Premilenismo Futurista
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🔍 FONTE:
https://jppadilhabiblia.blogspot.com.br/
📚 TÓPICO: Eclesiologia e Escatologia

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Teologia

Sobre Traduções Bíblicas

O QUE O CRISTÃO DE HOJE PRECISA SABER SOBRE O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

“… vêm adorar na casa do SENHOR, todas as palavras que te mandei que lhes dissesses; não omitas nenhuma palavra” (Jr 26.2 ACF)

Nos últimos anos tem havido muita confusão a respeito das modernas traduções e edições do Novo Testamento em grego. Algumas pessoas fazem reivindicações sobre o Novo Testamento em grego, sem terem informações suficientes que as apóiem. Muitos têm a pretensão de que suas traduções são exatas porque tais versões se baseiam nos melhores textos gregos disponíveis. Alguns supõem que suas traduções são melhores que a Versão Autorizada porque esta e seu subjacente Textus Receptus grego acrescentam variantes e leituras extras ao texto. Outros, entretanto, reivindicam que o texto grego do Novo Testamento não é importante porque sua tradução favorita é melhor que qualquer texto grego. Há, ainda, outros que afirmam que o texto grego não é importante porque a maioria das pessoas não pode ler o grego da época do Novo Testamento. Entretanto, o texto grego sobre o qual uma tradução se baseia terá um impacto tanto sobre a leitura devocional das Escrituras pelo cristão como sobre a proclamação da Palavra de Deus no testemunho da graça salvadora de Jesus Cristo. É necessário que o cristão da atualidade entenda a importância do texto grego tradicional na vida cristã.

O TEXTO TRADICIONAL

Antes de tudo, é necessário entender que se quer dizer com o termo “texto tradicional”. Durante o primeiro século após a ressurreição de Cristo, Deus moveu homens que escrevessem Sua Palavra (2 Pedro 1.21). O resultado foi um conjunto de cartas e livros, escritos em grego koine (chamados de “autógrafos originais”). Essas cartas e esses livros foram copiados e recopiados através dos séculos e distribuídos por todo o mundo. Essas cópias consistem os manuscritos do Novo Testamento. Mais de 5.000 desses manuscritos gregos sobreviveram até os dias atuais. O grande número desses manuscritos apóia a chamada tradição textual bizantina (bizantina porque veio do mundo falante do grego da época). Esses manuscritos bizantinos formaram o que chamamos de texto tradicional do Novo Testamento. A representação mais bem impressa desse texto-tipo bizantino é o Textus Receptus (ou texto recebido). Em acréscimo aos manuscritos, também temos à disposição muitas obras nas quais numerosos Pais da Igreja fizeram citações dos manuscritos. A obra de John Burgon estabeleceu que o texto básico usado por muitos Pais da Igreja é o mesmo texto que hoje conhecemos como texto bizantino.

O Textus Receptus foi compilado a partir de uma quantidade de manuscritos bizantinos por vários editores do início do século XVI. Houve edições de editores tais como Erasmo, Stephens, Beza, dos Elzevires, Mill e Scrivener. Essas edições diferem sutilmente umas das outras, mas ainda assim referem-se ao mesmo texto básico. Alguns editores foram populares em diferentes países e geraram as bases para as traduções do Novo Testamento. O Textus Receptus (como mais tarde ficou conhecido) foi o texto usado por Tyndale e por outros tradutores da Versão Autorizada inglesa (King James), de 1611 e outras traduções reformadas.

O TEXTO CRÍTICO

Durante os séculos XIX e XX, entretanto, uma outra forma do Novo Testamento grego surgiu e foi usada pelas traduções mais modernas do Novo Testamento. Esse Texto Crítico, como é chamado, difere largamente do texto tradicional, pois omite muitas palavras, versículos e passagens que são encontrados no Texto Recebido e nas tradições que se baseiam nele.

As versões modernas baseiam-se, principalmente, sobre um Novo Testamento grego que é derivado de um pequeno punhado de manuscritos gregos do quarto século em diante. Dois desses manuscritos, que muitos dos eruditos modernos dizem ser superiores ao bizantino, são o manuscrito do Sinai e o manuscrito do Vaticano (c. século IV). Estes, por sua vez, originam-se de um tipo de texto conhecido como texto alexandrino (por causa de sua origem egípcia), referido pelos críticos textuais Westcott e Hort como “texto neutro”. Esses dois manuscritos formam a base do Novo Testamento grego, conhecido como Texto Crítico, cujo uso tem sido muito difundido desde o final do século XIX. Nos últimos anos tem havido uma tentativa de se aperfeiçoar esse texto, chamando-o de texto “eclético” (querendo dizer que muitos outros manuscritos foram consultados em suas edições e evolução), mas ainda é o texto que tem sua base central naqueles dois manuscritos.

PROBLEMAS COM O TEXTO CRÍTICO

Há muitos problemas de omissão que caracterizam esse Novo Testamento grego. Versículos e passagens, que são encontrados nos escritos dos Pais da Igreja dos anos 200 e 300 a.D., estão faltando nos manuscritos do texto alexandrino (que data de cerca de 300 a 400 a.D.). Além disso, essas traduções antigas são encontradas em manuscritos que datam de 500 a.D. em diante. Um exemplo disso é Marcos 16.9-20: essa passagem é encontrada nos escritos de Irineu e de Hipólito, no segundo século, e em quase todos os manuscritos do Evangelho de Marcos de 500 a.D. em diante. Essa passagem está omitida nos manuscritos alexandrinos, o do Sinai e o do Vaticano.

Este é somente um dos muitos exemplos desse problema. Há muitas palavras, muitos versículos e muitas passagens omitidos nas versões modernas que são encontrados no texto tradicional ou bizantino do Novo Testamento e, portanto, no Textus Receptus. O Texto Crítico diverge do Textus Receptus 5.337 vezes, de acordo com alguns cálculos. O manuscrito do Vaticano omite 2.877 palavras nos Evangelhos; o manuscrito do Sinai, 3.455 palavras nesses mesmos livros. Esses problemas entre o Textus Receptus e o Texto Crítico são muito importantes para as corretas tradução e interpretação do Novo Testamento. Contrariamente à argumentação dos que apóiam o Texto Crítico, essas omissões afetam a vida cristã quanto à doutrina e à fé.

● Seguem-se muitos exemplos de problemas doutrinários causados pelas omissões do Texto Crítico. Esta não é, de modo algum, uma lista exaustiva. O moderno Texto Crítico reconstruído:

• Omite referência ao nascimento virginal, em Lucas 2.33;
• Omite referência à deidade de Cristo, em 1 Timóteo 3.16;
• Omite referência à deidade de Cristo, em Romanos 14.10 e 12;
• Omite referência ao sangue de Cristo, em Colossenses 1.14

*Adicionalmente, cria-se um erro bíblico em Marcos 1.2: nesta passagem, no Texto Crítico, Isaías torna-se autor do livro de Malaquias. Em numerosas referências no Novo Testamento o nome de Jesus é omitido, no Texto Crítico: “Jesus” é omitido setenta vezes e “Cristo”, vinte e nove vezes. Porque a Palavra de Deus é imutável e perfeita, assim como Ele é imutável e perfeito. Em Deus “…não há mudança nem sombra de variação.” (Tiago 1:17b ACF) Nem tão pouco em Sua Palavra, afinal Cristo é o Verbo, e Cristo é Deus, conforme João 1.1 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1 ACF). A Palavra de Deus é uma só. Na Palavra de Deus não há erros ou contradições, mas o TC altera isto.

SENÃO VEJAMOS:

• “E olhei, e ouvi um ANJO o voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! ai! ai! dos que habitam sobre a terra! por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar” (Ap 8.13ACF)

• Então, vi e ouvi uma ÁGUIA ia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar! (Ap 8.13 ARA)

*O que esta águia estava fazendo no céu? Águia fala? (O TC colocou a palavra ÁGUIA, no lugar de ANJO) o texto correto é (ANJO) conforme o TR

• E pregava nas sinagogas da GALILÉIA. – (Lucas 4.44 ACF)

• E pregava nas sinagogas da JUDÉIA. – (Lucas 4.44 ARA)

• E continuava pregando nas sinagogas da Judéia. – (Lucas 4.44 NVI) (colchetes e notas de rodapés semeiam dúvidas quanto à inteireza e a correção da Palavra de Deus.)

*Bem, a Galiléia fica no NORTE, e a Judéia fica no SUL. De acordo com os outros evangelhos sinópticos: Mateus 4.23 e Marcos 1.39, trata-se da Galiléia. De onde veio, então, a Judéia? Do TC. O TR traz Galiléia, corretamente.

● Outro exemplo:

• Como está escrito NOS PROFETAS: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. – Marcos 1.2-ACF (cf. Malaquias 3.1)

• Conforme está escrito na profecia de Isaías: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho; – (Marcos 1.2 ARA)

• Conforme está escrito no profeta Isaías: “Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho” – (Marcos 1.2 NVI)

*Aqui o TC altera “NOS PROFETAS” para “na profecia de Isaías”, ou “no profeta Isaías”, criando grave contradição ao citarem Malaquias 3.1. O TR traz nos profetas, corretamente.

Outros exemplos poderiam ser citados. O TR SEMPRE traz o reforço a Deus, à fé e à verdade. Corroborando o alicerce da autoridade bíblica, única revelação escrita de Deus aos homens, nossa única regra de fé e prática.

Porque foi de uma forma sutil e paulatina que sorrateiramente este tipo de texto alexandrino, o TC, foi sendo introduzido nas Bíblias usadas pelos Protestantes, que eram 100% só TR, (como é o caso da tradução de Almeida, que originalmente, só utilizou o TR em sua tradução). Foi sem se pedir licença, ou mesmo fornecer alguma explicação clara ao povo de Deus, que isto foi sendo feito. Conforme está descrito no frontispício das primeiras edições da ARA:

‘Todo conteúdo entre colchêtes é matéria da Tradução de Almeida, que não se encontra no texto grego adotado.’

Ora, qual texto grego adotado? O TC; adotado por quem? Pelos revisores da ARA. Ora, qual foi o texto grego adotado por Almeida? O TR; afinal, Almeida morreu 190 anos antes do advento do TC!!!

Ou seja, tudo o que está entre colchetes, encontra-se no texto grego adotado por Almeida: O TR. E não se encontra no texto grego adotado pela ARA, ou pela AVR, ou pela BLH, ou pela NVI, ou seja, O TC. Cada crente deverá tomar a sua decisão, mas que seja devidamente e seguramente informados sobre o que permeia a questão das versões e traduções bíblicas mais recentes para o Português.

*As ACF e ARC (idealmente até 1894) são as únicas Bíblias impressas que o crente deve usar, pois são boas herdeiras da Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753), fielmente traduzida somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada (e finalmente impressa, na Reforma, como o Textus Receptus).

Outro problema com o Texto Crítico moderno é que os dois manuscritos mais importantes sobre os quais o texto é construído, o do Sinai e o do Vaticano, discordam entre si mais de 3.000 vezes, somente nos Evangelhos. Assim, o texto alexandrino apresenta-se como um texto-tipo que se caracteriza, em muitos lugares, por leituras que não são comuns aos manuscritos de sua própria tradição. O Texto Crítico é caracterizado por um fraseado que, na língua original, é difícil, confuso ou mesmo impossível. Parece que não importa quão singular ou anômala seja a leitura variante, deve estar nos autógrafos originais porque (como algumas se defende) um escriba jamais faria uma mudança que estivesse em desacordo com os outros manuscritos; ao invés disso, ele faria uma alteração que daria à passagem uma leitura mais fácil.
Muito foi dito sobre o fato de os manuscritos alexandrinos serem muito antigos. Isso é verdade, mas a ênfase no estudo da crítica textual não deveria recair sobre quão antigo é o manuscrito, mas sim, sobre quantas cópias foram feitas a partir dele. Um manuscrito datado como sido copiado durante o século X poderia ser o quinto numa linhagem de cópias feitas a partir do autógrafo original, enquanto um manuscrito datado como tendo sido copiado durante o terceiro século, poderia ter sido o centésimo numa outra linhagem de cópias. Uma vez que é difícil contar a genealogia, a família de qualquer dado manuscrito, é importante observar que a idade é relativa no sentido de que se pode ter um manuscrito originário do terceiro século, corrompido; ou um outro, do século dez, confiável.

Eis aqui uma boa ilustração: suponha que, no ano 3000, uma cópia da Bíblia em português é achada, datada da década de 1970. Admite-se que tal Bíblia é a mais antiga existente à disposição, e que tal Bíblia difere em centenas de lugares da Bíblia então em uso pelos cristãos do ano 3000. Podem-se imaginar os críticos científicos, com sua metodologia, enaltecendo as virtudes da idade avançada de tal Bíblia, a diagramação de qualidade, o cuidado no layout e no papel desse volume em particular, a encadernação e assim por diante. Porém, seus argumentos cairão por terra quando, depois de começar a traduzir a Bíblia para as línguas modernas, com base nos livros antigos, os cristãos descobrirem que essa versão das Escrituras era a tradução Novo Mundo dos Testemunhas de Jeová (cuja tradução difere muito do texto tradicional, ex.: João 1.1).

PRESERVAÇÃO PROVIDENCIAL

O Texto Tradicional do Novo Testamento é visto pelos cristãos conservadores que crêem na Bíblia como tendo sido providencialmente preservado por Deus. Deus prometeu em Sua Palavra que Ele não só preservá-la-ia para as gerações vindouras mas, também, que Sua Palavra seria eterna e completamente livre de corrupção.

• Mateus 5.18 afirma: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido”.

• Isaías 59.21 diz: “Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre”.

• João 10.35 nos fala: “a Escritura não pode ser anulada”.

Esses versículos demonstram que Deus não deixou Sua Igreja, por séculos, sem uma cópia autorizada de Sua Palavra, mas que o povo de Deus através dos séculos copiou e recopiou fielmente manuscritos a partir dos autógrafos originais. A Igreja por todo o mundo tem usado o Texto Tradicional em todas as suas variadas formas, e Deus tem considerado apropriado multiplicar uma infinidade de cópias e, assim, levar a salvação a muitas gerações, através de Seu processo de preservação. Esta doutrina da preservação providencial é declarada sucintamente na Confissão de fé de Westminster, capítulo 1, parágrafo VIII:

“O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles…”
Esta preciosa doutrina da preservação providencial tem sido totalmente esquecida pelos estudiosos de texto modernos. Muitos deles tratam a Palavra de Deus como um outro livro qualquer, que pode ser submetido aos caprichos e às normas de alteração dos métodos científicos modernos. Muitas das formas destrutivas da alta crítica do século XIX advêm de uma falha na crença de que a Bíblia é um livro sobrenatural. A Bíblia tem as marcas de inspiração que podem ser claramente vistas pelos olhos dos que crêem, mas que, também, podem ser esmagadas sob os pés dos homens que marcham apressadamente para a destruição. Porém, apesar disso tudo, Deus tem levantado Seu povo, que ama e cuida de Sua Palavra e reconhece as marcas de inspiração que os primeiros crentes reconheceram, e que essas cópias, manuseadas através dos anos representam bem o que Deus queria que fosse conhecido. Isso não significa que qualquer edição impressa do Novo Testamento em grego, em particular, seja perfeita, mas, sim, que o Novo Testamento que temos hoje é essencialmente o mesmo que os que já passaram, através dos anos, através dos vários grupos de crentes que amaram e guardaram a Sua Palavra.

A força dessa preservação no Antigo Testamento é vista na qualidade do escriba que copiou o Antigo Testamento hebraico. No Novo Testamento, isso é percebido na abundância de manuscritos que possuímos hoje em dia. Este tem sido o método de Deus para manter Sua Palavra pura. Essa preservação estabelece que nenhum texto local, como o de Alexandria, Egito, poderia se tornar o texto dominante. O liberalismo e a descrença desafiaram esse processo de preservação. Nunca ficou provado que esses poucos manuscritos alexandrinos tenham jamais existido fora de Alexandria, no Egito. Muitos dos filhos de Deus, ao redor do mundo, rejeitaram o Texto Crítico em todas as suas formas. A aplicação prática da preservação providencial é que o crente contemporâneo deve escolher um texto moderno reconstruído, baseado essencialmente sobre dois manuscritos do século IV, que omite a deidade de Cristo em muitos lugares e que, estima-se, deixa de lado aproximadamente 200 versículos (o equivalente a 1 e 2 Pedro); ou escolher um texto que Deus tem usado através dos séculos. Vamos usar o texto que Deus abençoou e que melhor honra e glorifica o Senhor Jesus, ou não?

As edições impressas do Novo Testamento grego que foram publicadas entre 1500 e 1600 foram produzidas por homens que entendiam o que significava a glória de Deus e a importância de se ter cópias exatas da Bíblia. Da obra conhecida como Poliglota Complutensiana até as várias edições de Erasmo, as quatro edições de Robert Stephens (dentre as quais, a mais conhecida é a de 1550, que é a base do que chamamos de Berry Interlinear ou “the Englishman’s Greek New Testament”), a obra do grande crítico Teodoro de Beza (em suas cinco edições), as edições dos Elzevires (em 1624 e em 1633) e, por último, o trabalho de F. H. A. Scrivener (nas décadas de 1870 e 1880), temos conhecimento da crítica textual e a mais fiel e cuidadosa atitude com relação aos manuscritos que se pode imaginar. O Texto Tradicional do Novo Testamento foi o texto do período da Reforma, tanto que, seja no trabalho de Erasmo ou no de Stephen, na própria tradução de Lutero ou naquela dos herdeiros da Reforma, tais como os clérigos de Westminster e os tradutores da Versão Autorizada em inglês, este texto tem sido largamente usado e tremendamente abençoado por Deus.

● A Responsabilidade dos Crentes Hoje
O crítico textual J. Harold Greenlee diz: “A crítica textual do Novo Testamento é, portanto, o estudo bíblico básico, um pré-requisito para todo o outro trabalho bíblico e teológico”. Isso não é dar importância exagerada a este assunto. Como crentes, temos a responsabilidade em nossos dias e era de proclamar o Evangelho, o Evangelho puro, o Evangelho não diluído. Também temos o direito e o privilégio de sermos os próximos na linha sucessória da proteção e da proclamação da Palavra de Deus. Cada cristão, individualmente, decidirá a respeito desse assunto, sobre qual texto é o correto. Evidentemente, esta decisão será feita, consciente ou inconscientemente, por todo crente, individualmente. Esta decisão é tomada quando o crente decide qual edição da Bíblia usará para ler e estudar; e, caso escolha uma tradução baseada em manuscritos corruptos, que refletem pontos de vista que omitem a deidade de Cristo, a expiação por Seu sangue, Seu nascimento virginal, então a decisão é de estender esse erro à próxima geração. Se, entretanto, o cristão de hoje escolhe uma tradução da Palavra de Deus que é feita a partir do texto tradicional do Novo Testamento, a decisão é no sentido de ver Deus trabalhando através de Sua providência para o fornecimento de Sua Palavra em sua forma completa, não só para esta geração, mas também para as que virão.

(Trinitarian Bible Society)

***
Conclusão

TEXTO TRADICIONAL

No ínterim do século I depois da ressurreição de JESUS CRISTO, Deus inspirou com o seu ESPÍRITO SANTO homens a gravar, a escrever Sua Palavra, com isso temos cartas e livros escritos no Grego koiné, chamados “autógrafos originais”. Estas cartas e livros foram copiados e recopiados através dos séculos e distribuídos pelo mundo. Essas cópias constituem os manuscritos do Novo Testamento. Mais de 5.000 desses manuscritos sobreviveram até hoje. Maioria esmagadora destes manuscritos gregos apóiam a tradução textual bizantina, sendo bizantina porque procede do mundo todo que falava grego naquela época. Estes manuscritos bizantinos constituem o Texto Tradicional do Novo Testamento. O melhor representante impresso deste tipo textual bizantino é o Textus Receptus, “Texto Recebido” em Latim. Temos também ao nosso dispor muitas obras que os Pais da Igreja referencia os manuscritos. O texto básico usado por numerosos Pais da Igreja é o mesmo do Bizantino.

● O Textus Receptus foi compilado ou colecionado de um número de manuscritos bizantinos por numerosos editores desde o começo do ano 1500. Teve edições como Erasmo, Stephens, Beza, os irmãos Elzevir, Mill e Scrivner. Essas edições divergem muito pouco uma da outra, mas ainda são como do mesmo texto básico. Algumas edições foram populares em tantos países que levaram a servir de referência para traduções do Novo Testamento. O Textus Receptus, esta palavra foi dada posteriormente, foi o texto usado por Tyndale e então pelos tradutores da versão Autorizada Inglesa (Rei Tiago) de 1611 e de outras traduções do tempo da Reforma Protestante.

Mateus 20.16 (ACF) “Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”

(NVI) “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.”

*O TC, aqui, ataca a doutrina da salvação, com clara intenção de enfraquecê-la.

Marcos 2.17 (ACF) “E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.”

(NVI) “Ouvindo isso, Jesus lhes disse: ‘Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores’.”

*Eliminada, aqui, pelo TC a necessidade de verdadeiro arrependimento para a salvação.

Lucas 4.4 (ACF) “E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra de Deus.”

(NVI) “Jesus respondeu: Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem’.”

*Nesta passagem o TC ataca a inspiração da Palavra de Deus, e de que é ela nosso alimento espiritual.

João 3.13 (ACF) “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.”

(NVI) “Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que veio do céu: o Filho do homem.”

*Aqui, o fato de que Cristo é Deus e que é onipresente é escondido pelo TC.

João 3.15 (ACF) “Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

(NVI) “Para que todo o que nele crê tenha vida eterna.”

*Apesar de no verso seguinte haver uma reparação, neste verso o TC elimina que quem não crer perecerá, ou seja, passará a eternidade em sofrimento no “lago de fogo que arde com enxofre”, que é a morte eterna.

João 6.47 (ACF) “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.”

(NVI) “Asseguro-lhes que aquele que crê tem a vida eterna.”

*Nesta passagem segundo o TC, Jesus está dizendo que basta crer em algo ou em alguma coisa para ter a vida eterna!(?)

Atos 8.37 (ACF) “E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.”

*Esta passagem é completamente extirpada pelo TC, anulando o fato de que para haver o batismo é necessário que primeiramente se creia em Cristo, e em tudo o que Ele disse!

Atos 9.5-6 (ACF) “E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. (6) E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.”

(NVI) “Saulo perguntou: ‘Quem és tu, Senhor?’ Ele respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem você persegue. (6) Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que deve fazer'”

● Ocorrem vários problemas nesta passagem:

1°. O mais evidente é a omissão do fato de Cristo ser o Senhor.

2°. É também omitido o fato de que a salvação vem pela aceitação de Cristo como Senhor.

3°. Esconde-se o fato de que é necessário um trabalho prévio do Espírito Santo para que possa ocorrer a salvação, permitindo a doutrina da salvação instantânea, sem a ação do Espírito Santo.

Romanos 8.1 (ACF) “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.”

(NVI) “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus.”

*O TC, nesta passagem, deixa de informar que há sim condenação para os salvos que andam segundo a carne. Não em termos de salvação, mas no que diz respeito à comunhão, ao galardoamento, etc..

Romanos 14.10,12 (ACF) “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. (12) De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.”

(NVI) “Portanto, você, por que julga seu irmão? Ou por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus. (12) Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.”

*Nesta passagem suprime-se que é a Cristo que compete o julgamento dos crentes (para galardoamento).
E que Cristo é Deus.

I Coríntios 5.7 (ACF) “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.”

(NVI) “Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.”

*Nesta passagem o TC deixa de apresentar a natureza vicária do sacrifício de Jesus.

Colossenses 1.14 (ACF) “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;”

(NVI) “em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados.”

*Aqui, o TC anula o fato de que é pelo sangue de Cristo, derramado por nós, que Deus foi propiciado e que temos assim nossos pecados expiados.

I Timóteo 3.16 (ACF) “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.”

(NVI) “Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: aquele que foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória.”

*Este texto é com freqüência usado como prova da deidade de Cristo; o TC destrói esta importante passagem.

I Pedro 2.2 (ACF) “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;”

(NVI) “Como crianças recém-nascidas, desejem intensamente o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para salvação”

*O TC nesta passagem caracteriza e valida o crescimento gradual para a salvação, doutrina pregada por várias seitas heréticas.

I Pedro 4.1 (ACF) “Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;”

(NVI) “Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado”

*Nesta passagem o TC deixa de apresentar a natureza vicária do sacrifício de Jesus.

I João 4.3 (ACF) “E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo.”

(NVI) “mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Este é o espírito do anticristo, a cerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo.”

*Esta passagem agrada aos gnósticos e outros com pensamentos semelhantes ao não estabelecer com firmeza que Jesus Cristo apesar de sua natureza divina foi 100% humano.

I João 5.7-8 (ACF) “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. (8) E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num.”

(NVI) “Há três que dão testemunho: (8) o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes”

*O TC aqui ataca a doutrina da Trindade (trinitariana).

***

TESTE DOUTRINÁRIO

Instruções: Tenha em mãos uma Bíblia Almeida Corrigida Fiel e uma “Bíblia Almeida atualizada”, fazer a comparação em cada versículo citado e responda:

1°. Uma das doutrinas cruciais do cristianismo é sobre a divindade de Cristo, ou seja, que Jesus Cristo é Deus. Leia I Timóteo 3.16 nas duas versões, e responda qual das duas não da prova dessa importante doutrina:

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

2°. Uma falsa religião chamada “gnosticismo” não crê que o Senhor Jesus veio em carne, lendo I João 4.3 temos prova incontestável não só que o Senhor Jesus Cristo veio em carne mais também que, quem não confessa essa doutrina é o espírito do anticristo. Qual das duas versões não confessa nesse versículo que Jesus Cristo veio em carne?

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

3°. Doutrina da Propiciação, é a doutrina que através do derramamento do sangue de Cristo o homem tem o perdão dos seus pecados, lendo Colossenses 1.14 responda qual versão não traz essa doutrina.

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

4°. Doutrina da inspiração veja Lucas 4.4, cada palavra escrita na Bíblia é inspirada, ou seja, saiu da boca do Senhor Deus, uma das duas versões que estamos testando subtraiu palavras que saíram da boca de Deus marque com (x) qual é:

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

5°. Doutrina da salvação, o arrependimento é fundamental para o pecador demonstrar que tem um novo nascimento em Marcos 2.17 traz essa doutrina. Mais uma das versões subtraiu a prova dessa doutrina, qual delas?

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

6°. Atos 9.5-6 Complete:

E ele disse: Quem és Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues._______é ________

Ti ____________ contra os ___________. E ele,____________ e ____________ disse: _________, que queres _________ ___ faça? E disse-lhe __ _______: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer. Observe qual versão você usou para preencher os espaços.

7°. Complete o texto Romano 8.1: Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, _____ não _______ segundo a _______, mas _________ o __________.

Agora responda qual das versões extirpam as palavras de Deus?

( ) Almeida Corrigida fiel ( ) Almeida Atualizada

8°. Em Romanos 14.10,12 temos mais uma explicita declaração doutrinaria da divindade de Cristo o qual devemos de comparecer no tribunal dele. Responda qual das versões não declara o Senhor Jesus Cristo como Deus e Juiz?

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

9°. Doutrinas heréticas ensinam que a condenação não é eterna. Lendo II Pedro 2.17 responda qual das versões não afirma a doutrina da condenação é eterna?

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

10°. Lendo Apocalipse 1.11 responda qual das versões omitem essa santas palavras que saíram da boca de Deus: Que dizia: Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro.

( ) Almeida Corrigida fiel

( ) Almeida Atualizada

● Conclusão sobre teste feito na “Bíblia Almeida Atualizada”: lamentavelmente a “bíblia atualizada” compromete doutrinas importantíssimas da fé no NT, como doutrina da divindade de Cristo, da Propiciação pelo sangue de Cristo, da inspiração das escrituras da salvação e muitas outras,

Em nosso teste feito agora ela foi… “pesado foste na balança, e foste achado em falta.” Dn 5.27b assim concluímos que ela não merece nossa credibilidade, pois assim como uma balança é enganosa ela subtrai as palavras do nosso Senhor Deus. tremamos ante Ap 22.18-19 + Pv 30.6 (não adicionar/ subtrair), 2Co 2.17 (não corromper), e Rm 1.25 (não transformar a Bíblia em mentira)!

● Conclusão do sobre teste feito na Bíblia Almeida Corrigida Fiel: coerente com toda sã doutrina digna de toda aceitação podemos levantá-la para céu e dizer essa é a palavra de Deus preservada e inspirada. As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. Tu os (as)* guardarás, SENHOR; desta geração os (as)* livrarás para sempre. Salmos 12.6-7

***
Pense nisso!

• “E olhei, e ouvi um ANJO o voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! ai! ai! dos que habitam sobre a terra! por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar” (Ap 8.13 ACF)

• Então, vi e ouvi uma ÁGUIA ia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar! (Ap 8.13 ARA)

*O que esta águia estava fazendo no céu? Águia fala? (O TC colocou a palavra ÁGUIA, no lugar de ANJO) o texto correto é anjo conforme o TR

• E pregava nas sinagogas da GALILÉIA. – (Lucas 4.44 ACF)

• E pregava nas sinagogas da Judéia. – (Lucas 4.44 ARA)

• E continuava pregando nas sinagogas da Judéia. – (Lucas 4.44 NVI) (colchetes e notas de rodapés semeiam dúvidas quanto à inteireza e a correção da Palavra de Deus.)

*Bem, a Galiléia fica no NORTE, e a Judéia fica no SUL. De acordo com os outros evangelhos sinópticos: Mateus 4.23 e Marcos 1.39, trata-se da Galiléia. De onde veio, então, a Judéia? Do TC. O TR traz Galiléia, corretamente.

*Adicionalmente, cria-se um erro bíblico em Marcos 1.2: nesta passagem, no Texto Crítico, Isaías torna-se autor do livro de Malaquias.

• Como está escrito NOS PROFETAS: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. – Marcos 1.2-ACF – cf. (Malaquias 3.1)

• Conforme está escrito na PROFECIA DE ISAÍAS: Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho; – (Marcos 1.2 ARA)

*ISAÍAS NUNCA DISSE ESSA PROFECIA, O TC ESTÁ EQUIVOCADO. FOI O PROFETA MALAQUIAS cf. (Ml. 3.1)

● Texto Recebido (TR)

A tradução da palavra de Deus de João Ferreira de Almeida foi executada entre 1681 e 1753 baseando-se em um conjunto de manuscritos (que hoje conta com cerca de 5.000 testemunhas) de origem Bizantina (Antioquia), que vieram juntamente com eruditos do oriente (quando de sua fuga para o ocidente devido à invasão militar islâmica de Bizâncio), cada um destes manuscritos continha uma parte ou todo o Novo Testamento, sendo eles em praticamente 100% dos versos concordantes entre si, tendo sido intensamente utilizados por intelectuais e pelas igrejas até aquele momento. Este conjunto de manuscritos formou a base para o que depois veio a ser conhecido como Texto Recebido (Textus Receptus ou simplesmente TR).

O Texto Recebido é na verdade uma compilação dos textos contidos nestes manuscritos, de modo a compor um único texto grego contendo todo o Novo Testamento. A primeira compilação deste texto foi executada pelo exímio teólogo, intelectual e estudioso chamado Erasmo de Roterdã em 1516 d.C.. Este texto teve posteriormente várias outras edições publicadas tanto pelo próprio Erasmo, como por Beza, Estienne, e pelos Elzevirs, entre outros. As edições consideradas como as principais representantes do TR são as edições de Estienne de 1550 (a terceira) e a edição dos Elzevirs de 1633. É digno de nota que, apesar de todas as pesquisas e revisões dos textos gregos nas diversas edições do TR, entre a primeira edição de Erasmo em 1516 e a edição dos Elzevirs em 1633, há uma diferença de menos de 300 palavras em 140.000 que compõem o Novo Testamento, ou seja, apenas 0,002 %! O Texto Recebido foi utilizado para a criação de várias outras traduções da Palavra de Deus para várias outras línguas, como as Bíblias de Lutero em 1522, de Tyndale em 1526, e do Rei Tiago (King James) em 1611, e também para a tradução de João Ferreira de Almeida para o português em 1681. É importante, neste ponto, notarmos que o TR, diretamente ou através de uma de suas traduções, foi aceito por 100% dos crentes em 100% das Igrejas após a Reforma, e que esta posição se manteve intocável, no Brasil, até meados do século XX.

Sola Scriptura!
Compilado Por Israel Reis

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A Importância e a Atualidade da Patrística para a Igreja Contemporânea.

A IMPORTÂNCIA E ATUALIDADE DA PATRÍSTICA PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA

INTRODUÇÃO

O período em que viveram os Santos Pais da Igreja e a assim chamada patrística pode ser definido, com propriedade, como um tempo áureo da era cristã. Sucede ao tempo dos apóstolos e tem características singulares e marcantes. A palavra “Padres” — ou “Pais” (que seria melhor vocábulo em português) — tem raízes já no Antigo Testamento (cf. Eclo 44-50 e Lc 1,54-55) e traduz a relação que tais personagens tiveram com a Igreja: deram enorme contribuição na sua organização e na elaboração da doutrina cristã justamente nos seus primeiros tempos — vale dizer, na sua “infância”. Como pais devotados, cuidaram da Igreja nos seus primeiros passos, ajudando-a a firmar-se nos diversos contextos em que ela se inculturou.

Como se trata de um período relativamente longo, os estudiosos da patrística dividem-na em algumas fases, a saber: a dos Pais apostólicos (Clemente Romano, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna…); a dos Pais apologistas (Justino, Ireneu de Lião, Clemente de Alexandria, Orígenes…); por fim, a fase de “maturidade” da patrística (no Oriente, Basílio, Teodoreto de Ciro; no Ocidente, no fim do séc. IV e início do séc. V, Agostinho, Jerônimo…). Costuma-se classificar as personagens desses tempos iniciais da Igreja em dois grandes grupos: os “Pais da Igreja” propriamente ditos e os “escritores eclesiásticos”. Os primeiros se distinguem por três características: ortodoxia da doutrina, santidade pessoal e comunhão com a Igreja. Segundo essa diferenciação, figuras importantes como Tertuliano e Orígenes, por exemplo, muito embora tenham composto obras de valor, que constituem referência para a reflexão teológica e para a vida da Igreja, são reconhecidas apenas como “escritores eclesiásticos”.

Há controvérsias quanto ao término do período patrístico. Comumente se admite que o tempo dos Padres se conclui, no Ocidente, com Isidoro de Sevilha († 636) e, no Oriente, com João Damasceno († c. 750), mas há quem estenda o tempo dos Padres, no Ocidente, até Bernardo de Claraval († 1153).

Grande parte da literatura patrística foi composta em grego e latim; porém há textos patrísticos também em siríaco (por exemplo, Efrém de Nísibe, do séc. IV), copta (é o caso de Pacômio, do séc. IV) e armênio.

OS PAIS DA IGREJA E A BÍBLIA

Herdeiros da tradição bíblica, os Pais foram grandes frequentadores das Escrituras sagradas. Os famosos comentários patrísticos dos textos bíblicos, por exemplo, deixam transparecer o assíduo contato dos Pais com os livros sagrados. Recordemos aqui o exemplo de Ambrósio de Milão, que se consagrou ao estudo sistemático da Bíblia, de início como preparação para a ordenação episcopal e posteriormente como empenho assumido por toda a vida.[1]

Antes de comentar os textos bíblicos, os Pais os “ruminavam” no âmbito da oração pessoal e da liturgia. Entendiam não ser possível falar de Deus sem antes falar com Deus; para tanto, usavam a Bíblia como instrumento de comunicação com ele. E mais: os textos sagrados ocupavam lugar de destaque, quer nas polêmicas, quer nos escritos dogmáticos e de moral, sobretudo para fundamentar posições assumidas nas controvérsias com os que não aceitavam o cristianismo ou mesmo com cristãos de comportamento e/ou ideias contrárias à doutrina da assim chamada “grande Igreja”. Vale a pena mencionar o testemunho de Agostinho de Hipona, ao dizer que se baseia nas Escrituras para “explicar” a Trindade: “No livro primeiro [da obra A Trindade], apoiando-me nas Escrituras sagradas, mostrei a unidade e a igualdade daquela suprema Trindade”.[2]

Ainda a propósito dessa questão, tenha-se presente que, nos séculos I e II, a leitura cristã do Antigo Testamento foi rejeitada pelos gnósticos (que estabeleciam contraste entre o Deus justo do AT e o Deus bondoso do NT) e pelos marcionitas (seguidores de Marcião). Os Pais viram-se, então, diante de grave problema: como relacionar mutuamente o Antigo e o Novo Testamento? Responde por eles Agostinho de Hipona, ao dizer: “o Novo Testamento está oculto no Antigo, e o Antigo é desvelado no Novo”[3]. Por sua vez, Ireneu de Lião, entre a segunda metade do século II e a primeira metade do século III, chama a atenção para o progresso do NT em relação ao AT contra as posições que supunham a ruptura entre ambos.

Os Pais liam a Escritura em sua totalidade e a situavam no amplo panorama da história da salvação, reconhecendo que a interpretação mais acertada dá-se no interior da Escritura mesma. Convém recordar que, nessa leitura da Escritura integral, eles faziam amplo uso da tipologia, aliás, já presente nas cartas de São Paulo: os “tipos” no AT, sobretudo personagens, são antevisões do que se realizará plenamente em Cristo, no NT. Apenas um exemplo: Abel é tipo do Cristo bom pastor, uma vez que essa personagem do AT fora pastor (cf. Agostinho, Contra Fausto, 12,9-10). Tendo sido morto por seu irmão, Caim, Abel também é imagem do sacrifício eucarístico (cf. Ambrósio, Gregório Nazianzeno, João Crisóstomo, Cirilo de Alexandria, Melitão de Sardes) e representação antecipada do mártir (Cipriano, Ambrósio), enquanto inocente que teve o seu sangue derramado. Abel é “o primeiro justo”, dirá Agostinho.[4] O próprio Agostinho, em A cidade de Deus, relaciona Caim à cidade do demônio e Abel à cidade de Deus.[5] E ainda, nesse mesmo livro, Abel é visto como imagem da Igreja, peregrina e perseguida pelo mundo, mas consolada por Deus.[6]

Já que os Pais da Igreja tinham formação clássica, aplicavam na leitura dos textos sagrados procedimentos interpretativos próprios dos gramáticos antigos. A respeito disso, recorde-se a influência que teve Fílon de Alexandria, judeu helenizado, sobre os Padres no que concerne ao método alegórico de interpretação das Escrituras, bem como nos campos da teologia e da espiritualidade. Clemente, Orígenes, Gregório de Nissa e Ambrósio receberam muito dessa influência de Fílon. Fazendo uso de tais ferramentas de interpretação dos escritos sagrados, os Pais experimentavam aqui uma tensão nada fácil, pressentida quando se recorda a advertência de Paulo sobre o risco de utilizar, na compreensão da fé, a “sabedoria segundo a carne” e não a “sabedoria proveniente de Deus” (cf. 1Cor 1,17-31) ou, ainda, ao considerar estas palavras: “Que ninguém vos faça prisioneiros de teorias e conversas sem fundamento, conforme tradições humanas, segundo os elementos do cosmo, e não segundo Cristo” (Cl 2,8). Todavia, os Pais empregavam tais ferramentas de leitura das Escrituras tendo Cristo e a Igreja como insubstituíveis referências de interpretação. Assim, a confissão de Cristo e a fé vivida na Igreja eram, para os Pais, de significado extremamente importante. Isso porque a orientação soteriológica da revelação bíblica lhes era decisiva. Em Cristo, a história da salvação chega a seu ponto alto, e a acolhida da oferta de salvação não pode ocorrer fora da Igreja. No mundo da patrística, não se entende Cristo sem a Igreja nem a Igreja sem Cristo, como não se entende que alguém possa ser salvo sem pertencer à Igreja. Portanto, os instrumentos “profanos” de interpretação dos textos sagrados eram usados numa etapa prévia, de acesso ao texto como texto, e esta, graças à ação do Espírito Santo na comunhão eclesial — graças Àquele que nos conduz a toda a verdade (cf. Jo 16,13) —, evoluía para uma compreensão profunda e transformadora de tais textos. O mesmo se diga da filosofia, utilizada pelos Pais como etapa preparatória na reflexão e na pregação da fé cristã.

OS PAIS DA IGREJA E A IGREJA

Muito embora os Pais da Igreja tenham sido, cada qual a seu modo, figuras importantes na explicitação do mistério cristão, tal tarefa não se realizava sem a experiência da comunhão eclesial, sem o rico e profundo “sentido da fé” (sensus fidei), vivido por todos os membros do povo de Deus. Dessa forma, os Pais entendiam que a teologia devia ser a “explicação” da experiência pessoal e comunitária do mistério de Deus. Resulta daí a importância que os Pais atribuíam à liturgia e à catequese mistagógica. A catequese mistagógica (ou seja, a explicação dos mistérios da fé cristã) era praticada com frequência e naturalidade nas comunidades eclesiais nos tempos da patrística. A explicação dos ritos litúrgicos era meio muito oportuno para iniciar na fé cristã os que aspiravam a pertencer à Igreja. E, ainda no contexto litúrgico, a homilia, derivada da liturgia sinagogal, gozava de lugar privilegiado. Aprendemos dos Pais que a homilia deve levar os fiéis a perceber a unidade existente entre a palavra proclamada e o sacramento celebrado. Ou seja, na celebração dos sacramentos, a liturgia da palavra não é uma “preparação” para o que vem depois: é já celebração, é já experiência de comunhão dos homens com o Deus Trindade que fala a seu povo e ouve seus clamores.

Os Pais tinham grande amor à Igreja. Entendiam-na como Esposa de Cristo (cf. Ap 19,7; 21,9) e, portanto, merecedora de atenção e afeto. Agostinho de Hipona, por exemplo, gostava de dizer que a missão do bispo é ser como João Batista: “amigo do esposo” (cf. Jo 3,29). Segundo esse entendimento, a missão do bispo é zelar pelo bem e pela unidade da Igreja, e fazê-lo como demonstração de fidelidade ao Esposo. O ministério pastoral era, para eles, o grande compromisso de vida eclesial. Na sua maioria, os Pais eram pastores: bispos e presbíteros. Sua atuação pastoral desenvolvia-se como resposta a problemas concretos das comunidades eclesiais, no contato direto com os fiéis. Daí o lugar de destaque que os sermões, as catequeses e as cartas, assim como as obras ascéticas e morais, ocupam na literatura patrística, justamente em razão de sua finalidade pastoral. São textos mais de natureza prática que especulativa. Nos Pais, a articulação entre teologia e pastoral era espontânea: eles não se propunham o problema da necessidade ou da conveniência de uma “teologia pastoral”. A seu ver, a reflexão teológica tinha finalidade pastoral, pura e simplesmente.

O compromisso com a Igreja se manifestava também no empenho pela organização eclesiástica, com a configuração dos ministérios de governo para o bem de toda a Igreja. Como exemplo dessa atenção, basta recordar as famosas cartas de Inácio de Antioquia, escritas a caminho de seu martírio em Roma, por volta do ano 107, sob o imperador Trajano. Ressalte-se também a grande atenção dos Pais para com a unidade da Igreja. São frequentes, em suas homilias e catequeses, as exortações para a manutenção da integridade do corpo eclesial de Cristo. Dessa forma, nada lhes repugnava mais do que cismas e heresias. Mencione-se aqui, por exemplo, a polêmica de Agostinho de Hipona com os cismáticos donatistas, no norte da África, nos séculos IV e V. Ainda que nos pareça duro e intransigente o modo pelo qual Agostinho se dirigia aos separatistas, não se pode negar sua preocupação sincera com a integridade do corpo eclesial, ameaçado de dilaceração pelas tendências cismáticas.

Ainda no que diz respeito à vida eclesial, era muito significativo para os Pais o sentido de “tradição” (que nada tem que ver com “tradicionalismo”). No período patrístico, torna-se sólida a consciência de que a Igreja é lugar de transmissão e recepção da fé cristã. Os Pais souberam falar do evangelho, e o fizeram bem, porque antes souberam escutá-lo de outros. Como exemplo, mencionemos a figura de Policarpo de Esmirna, que, tendo ouvido Inácio de Antioquia, foi escutado por Ireneu de Lião. Este sentido de tradição — transmissão da fé cristã por palavras e testemunhos —, que, aliás, se confunde com o sentido de Igreja, será decisivo, para os Pais, na preservação das quatro clássicas propriedades da Igreja, a saber: a unidade, a santidade, a catolicidade e a apostolicidade.

OS PAIS DA IGREJA E A LITURGIA

Para os Pais da Igreja, a liturgia é a “escola da fé” por excelência. Desse modo, não por acaso o batismo tem lugar de destaque na liturgia patrística. Se Tertuliano é tido como o autor do primeiro tratado sobre esse sacramento (O batismo), Ireneu de Lião e Orígenes trabalham mais detalhadamente sua teologia. Não nos esqueçamos ainda do valor que têm aqui as catequeses sobre o batismo em Pais como Ambrósio, Agostinho, Cirilo de Jerusalém, João Crisóstomo e Teodoro de Mopsuéstia. Mencione-se ainda simples nota histórica a respeito das controvérsias antigas em torno desse sacramento: Cipriano de Cartago não considerava válido o batismo celebrado por heréticos e cismáticos, e Agostinho de Hipona esclarecerá essa difícil questão, ao associar a validade do batismo não à retidão moral do ministro, mas ao fato de que é Cristo quem, em última instância, “preside” à celebração do sacramento: “Ainda que Pedro batize, Cristo é quem batiza; ainda que Paulo batize, Cristo é quem batiza; ainda que Judas batize, Cristo é quem batiza”[7].

A relação entre eucaristia e Igreja era natural e óbvia nos tempos da patrística. A expressão emblemática de Henri de Lubac — “a Igreja faz a eucaristia, e a eucaristia faz a Igreja” — traduz magnificamente esse dado da patrística. Encontramos nos Pais vigorosa eclesiologia eucarística, que torna evidente o caráter sacramental da Igreja. Ao tempo dos Pais, percebia-se com clareza que a celebração eucarística era a principal manifestação da Igreja, local e universal ao mesmo tempo. Além disso, era-lhes muito claro o compromisso ético que a eucaristia traz em si mesma. Recordem-se, a propósito, as homilias eucarísticas de João Crisóstomo como grande motivação ao compromisso social inerente ao sacramento da eucaristia. Pessoas de síntese, os Pais sabiam aliar, com grande lucidez, fé e compromisso social, o louvor a Deus e a vida humana feliz, como Ireneu de Lião deixou transparecer nesta bela e conhecida frase: “A glória de Deus é o homem que vive, e a vida do homem é a visão de Deus”[8].

OS PAIS DA IGREJA E A TEOLOGIA

“Explicar” o mistério de Deus era enorme desafio para os Pais. Buscavam fazê-lo, embora cientes da limitação da linguagem humana. Os Pais da Igreja foram os primeiros elaboradores da doutrina cristã e, nesse sentido, do vocabulário específico dessa mesma doutrina. Não por acaso, foram contemporâneos dos primeiros concílios ecumênicos da história da Igreja, a saber: Niceia (no ano 325), Constantinopla (381), Éfeso (431), Calcedônia (451), Constantinopla II (553), Constantinopla III (681) e Niceia II (787). Os primeiros concílios da Igreja foram eventos únicos e de grande importância nos quais se lançaram as bases da doutrina cristã, indispensável para organizar a vida interna da Igreja e dinamizar a sua missão. Cabe aqui mencionar também os sínodos locais da Antiguidade, que também contaram com a significativa participação dos Pais e nos quais se discutiam questões importantes para a vida das Igrejas locais ou de determinadas regiões, com repercussões em todo o corpo eclesial. Nesse particular, foi grande o mérito dos Pais na articulação entre fé e razão, ou seja, no entendimento e exposição da fé cristã por meio das categorias intelectuais de que dispunham na época. É o que entendemos por “intelecção da fé” (intellectus fidei). Os Pais praticaram, dessa forma, significativo e louvável exercício de inculturação da fé cristã num ambiente complexo como era o império romano, marcado por inquietações que afligiam as consciências — tais como a morte e o destino, a redenção do mal, a purificação espiritual e a união com Deus —, pela pluralidade de cultos pagãos e pelo sincretismo religioso característicos da Antiguidade.

OS PAIS DA IGREJA E AS RESISTÊNCIAS INICIAIS AO CRISTIANISMO

Sobretudo nos primeiros séculos da Igreja, os Pais passaram por dificuldades especiais. É o tempo do florescimento da apologética, precisamente nos séculos II e III, que teve duas tendências mais destacadas. Uma era interessada em estabelecer diálogo com o diferente (representante dessa corrente é, por exemplo, Melitão de Sardes). A outra assumia, pura e simplesmente, uma posição crítica diante do paganismo (é o caso de Tertuliano). Apologista famoso é Justino, nascido na Palestina e convertido ao cristianismo: é o autor do Diálogo com o judeu Trifão, obra mediante a qual responde às dificuldades apresentadas ao cristianismo pelo judaísmo. Os cristãos eram vítimas de preconceitos os mais diversos, tais como a acusação de professarem uma religião ateia. Para exemplificar isso, basta mencionar esta provocação do filósofo pagão Celso: “Por que vós, cristãos, não tendes altares, nem estátuas, nem templos?”[9] Evoquemos também as objeções de outros filósofos, tais como Luciano de Samósata e os sofistas (aos quais responde Clemente de Alexandria com a obra Stromata) e Frontão de Cirta. Em meio a esses desafios, os Pais explicitaram a fé cristã com categorias das escolas filosóficas então correntes, entre as quais se destacavam o platonismo, o estoicismo e o neoplatonismo. Além dessas perseguições difusas e de natureza ideológica, recordemos as oficiais, do império romano, que se deram ora de modo severo, ora de modo brando e às quais alguns Pais responderam com a aceitação do martírio, como Cipriano de Cartago e Inácio de Antioquia.

OS PAIS DA IGREJA E SUA ATUALIDADE

Com relação à leitura das Escrituras, cabe-nos aliar o método de interpretação bíblica dos Pais ao moderno método exegético histórico-crítico e Histórico-Gramatical. O primeiro método dá-nos uma visão do “todo” da revelação. Ademais, os Pais da Igreja tinham consciência de que o Espírito é quem nos faz entender os textos sacros: o método patrístico de leitura da Escritura implica a experiência da docilidade ao Espírito Santo na comunhão eclesial. O segundo método, por seu lado, ajuda-nos a conhecer a formação histórica dos textos, a composição gradativa da Bíblia, os diversos gêneros literários. Os três métodos não são incompatíveis nem mutuamente excludentes; antes, complementam-se em proveito de melhor compreensão e assimilação da história da salvação “concentrada” nos escritos sagrados.

O modo pelo qual os Pais concebiam a liturgia nos ajuda a celebrar melhor hoje os sacramentos: não como protagonismo dos clérigos, mas como ação de todo o povo de Deus. Isso implica equilíbrio entre as funções da presidência e a participação de todos, como única Igreja celebrante. Aprendemos dos Pais que a liturgia deve ser vivida não como show a que se assiste, mas como humilde e agradecida contemplação do mistério de Deus numa atmosfera de oração em comunidade. Mencionemos Ambrósio de Milão e Cirilo de Jerusalém, para citar dois exemplos notáveis de Pais que reconheciam a centralidade da liturgia na vida cristã. O conhecimento das obras dos Pais, sem dúvida, há de nos ajudar a reencontrar o autêntico valor da celebração dos sacramentos, de modo particular como atitude de respeitosa acolhida do Deus que fala a seu povo, o purifica e o alimenta. Aqui tem grande significado a compreensão dos ritos e dos sinais litúrgicos, de como foram sendo assimilados aos poucos pelos cristãos em suas celebrações nos tempos iniciais da Igreja. Essa consciência histórica da formação dos ritos litúrgicos por certo há de favorecer sadia criatividade na liturgia, muito diversamente da mera invenção de gestos vazios e estranhos à tradição litúrgica da Igreja.

É necessário resgatar o valor da interioridade, tão prezada pelos Pais da Igreja. Os exemplos nesse particular são muitos, mas contentemo-nos em mencionar Agostinho de Hipona, com sua experiência de que o homem é autenticamente livre quando busca repousar em Deus; quando não se deixa mover pelo amor a si mesmo, mas pelo amor de Deus. Cabe, nesse contexto, mencionar brevemente a analogia que Agostinho faz entre o homem e a Trindade santa, uma vez que memória, inteligência e vontade, as três “operações” do espírito humano, fazem lembrar respectivamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Assim diz santo Agostinho: “descobri que o espírito não pode nunca existir sem recordar-se de si, sem compreender-se, sem amar-se […] deixei para mais tarde o estudo sobre a Trindade, da qual o espírito é imagem”.[10]

Os Pais têm muito para nos ensinar sobre a sadia diversidade de teologias, como sínteses imperfeitas brotadas do esforço humano de dizer o indizível: o mistério de Deus. Tais elaborações teológicas, porque imperfeitas, são complementares no empenho humano por “entender” o mistério de Deus. Lembremo-nos de que, no tempo dos Pais, conviviam grandes escolas teológicas, tais como a alexandrina, a antioquena e a asiática. A primeira teve em Orígenes um de seus expoentes, com seu rigoroso método de pesquisa demonstrado no Comentário ao Cântico dos Cânticos. A segunda, por sua vez, iniciada por Diodoro de Tarso na segunda metade do século IV, teve em Teodoro de Mopsuéstia seu representante máximo. Por certo, tais escolas teológicas coexistiam não em total harmonia, mas “rivalizavam” no propósito comum de pronunciar alguma palavra sobre o mistério de Deus que fosse útil ao fiel na acolhida do dom da salvação. A diversidade de posições era esperada, uma vez que nenhum discurso que queira falar sobre Deus pode pretender ser exaustivo e único.

Os Pais são de valor inestimável para o movimento ecumênico. O seu amor pela unidade da Igreja de Cristo (cuja imagem reconhecem na túnica sem costura do Crucificado — cf. Jo 19,23), por si só, justifica o atual empenho ecumênico. Nada lhes era mais repugnante que provocar cismas na Igreja. Ademais, os Pais são um patrimônio comum às grandes tradições cristãs de hoje — catolicismo, ortodoxia e protestantismo —, resultantes de processos históricos complexos quer por ocasião da separação entre Ocidente e Oriente (1054) quer por ocasião da Reforma protestante (1517). A revisitação dos Pais realizada em conjunto por essas diversas tradições cristãs tem alimentado o movimento ecumênico. Para nos convencermos disso, é suficiente ler os documentos conclusivos do diálogo teológico ecumênico.

Uma palavra ainda sobre os ganhos que uma releitura dos Pais proporcionaria à pastoral, mais precisamente à homilética. Caber-nos-ia aqui explorar o potencial poético da linguagem dos Pais, com suas ricas e sugestivas imagens, metáforas e analogias. Referem-se a Cristo como pastor, médico etc.; à Igreja como barco, lua, personagens bíblicas femininas etc. A Trindade é representada metaforicamente pelo curso d’água, que tem nascente, corrente e queda. Com certeza, o emprego dessas analogias e metáforas proporcionaria enriquecimento também para a teologia, como elaboração teórica do mistério de Deus que fosse menos “cerebral” e mais “cordial”.

CONCLUSÃO

Não é justo “idolatrar” os Santos Pais da Igreja. Eles foram homens comuns, com fragilidades e pecados, os quais, não obstante, experimentaram, na Igreja e por meio da Igreja, a força libertadora e transformadora da ressurreição de Cristo. Não podemos recorrer a eles como se fossem a solução mágica para todas as indagações e dúvidas que tenhamos hoje. Aliás, certas opiniões por eles formuladas não foram inseridas no grande patrimônio dogmático da Igreja. Como exemplos, citemos a concepção de Ambrósio de Milão segundo a qual a paixão e a morte de Cristo foram o preço pago ao demônio pela salvação dos homens[11] ou a ideia da apocatástase, de Orígenes, segundo a qual, no fim dos tempos, ocorrerá o restabelecimento de todas as almas, também as dos anjos decaídos e dos pecadores condenados, na condição de felicidade paradisíaca. Os Pais são figuras importantes e respeitáveis, grandes referências para pensar a fé cristã e vivê-la; todavia, suas obras devem ser lidas criteriosamente, com discernimento e bom senso. Observadas essas premissas, eles serão para nós, hoje e sempre, como foram no passado, grandes luzeiros a indicar à Igreja caminhos de rejuvenescimento.

Via Moreira Moreira.

[1] Cf. o testemunho de Agostinho no livro das Confissões, VI, 3,3.

[2] A Trindade, XV, 3,5.

[3] Questões sobre o heptateuco, II, 73.

[4] Sermões, 87,4,5; 294,15; 341,9,11.

[5] A cidade de Deus, XV, 1.

[6] A cidade de Deus, XV, 18,2; XVIII, 51,2.

[7] Comentário ao Evangelho de João, tr. 6,7.

[8] Contra as heresias, IV, 20,7.

[9] Orígenes. Contra Celso, 8,17.

[10] A Trindade, XV, 3,5.

[11] Explicação do Evangelho de Lucas, IV, 11-12; VII, 114-117; Cartas, 72.

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Sobre o Sono da Alma.

O SONO DA ALMA

● O SONO DA ALMA OU A IMORTALIDADE CONDICIONAL

“O que o homem possui é o ‘fôlego da vida’ (o que dá animação ao corpo), que lhe é retirado por Deus, quando expira. E o fôlego é reintegrado no ar, por Deus, mas não é entidade consciente ou homem real como querem os imortalistas” (Sutilezas do Erro, p. 217).

● Vejamos alguns textos bíblicos que desmentem a doutrina do sono da alma:

a) o espírito não morre, nem dorme com a morte do homem (Mt 10.28 ; Ec 12.17);

b) o espírito separa-se do corpo por ocasião da morte (Lc 20.37,38; 23.43; At 7.59);

c) o espírito continua a viver, autoconsciente e com todas as suas faculdades ativas depois da morte, seja ímpio ou justo (cf. Lc 16.19-21; Ap 6.9-11; 2 Co 5.6-8; Hb 12.23; 2 Co 12.2-4 ; Fp 1.21-23);

d) dormir refere-se ao corpo (Mt 27.52) e não à alma (Dt 34.5-6; comp. Mt 17.1-3);

e) substitua, nas seguintes referências, a palavra espírito por “fôlego” ou “sopro”, e veja o resultado: (Marcos 2.8; Atos 17.16; João 13.21; 2 Coríntios 7.1; 1 Pedro 3.4; Mateus 26.41).

● Os adventistas do sétimo dia negam a sobrevivência da alma por ocasião da morte do corpo. Dizem. “A Morte é um Sono. Morte não é aniquilação completa; é apenas um estado temporário de inconsciência enquanto a pessoa aguarda a ressurreição. A Bíblia identifica repetidamente esse estado intermediário como um sono”(NISTO CREMOS, p. 457, 1ª edição, CPB).

Dizem mais: “Para o cristão a morte não é mais que um sono, um momento de silêncio escuridão” (Subtilezas do Erro, 1ª edição, p. 272, Arnaldo Christianini, CPB).

Na tentativa de salvaguardar sua doutrina da inconsciência da alma, os adventistas se valem de tudo. Vejamos o que disse o escritor Arnaldo Christianini com relação a Lc 16.19-31, onde Jesus falou da consciência da alma após a morte física tanto de Lázaro, no paraíso, em estado de consolo consciente; como do rico, em estado de tormento consciente no Hades.

“Fosse real, não conteria enredo eivado de ideias pagãs… Eram ideias populares nos dias de Jesus, mas não eram conceitos bíblicos…. Jesus, como recurso didático, serviu-Se de ideias populares, embora errôneas,para chegar a conclusões corretas” (Subtilezas do Erro, p. 255, 1ª edição, CPB, Arnaldo Christianini).

Imaginem só: Jesus se utilizou-se de enredo eivado de ideias pagãs, de ideias populares, embora errôneas, mas não eram conceitos bíblicos. Atribuir isso a Jesus é o cúmulo da blasfêmia e só pode admitir tal conceito quem está transtornado por ideias preconcebidas sem apoio bíblico. Ajustam-se tais pessoas ao que disse o profeta Ezequiel quando o modo de pensar de um grupo religioso não está apoiado na Bíblia, se insurgem com ensinos estapafúrdios admitindo que, como recurso didático, Jesus usasse de enredo de ideias pagãs. Declara o profeta Ezequiel: “No entanto, dizeis: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi, agora ó casa de Israel: Porventura não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos tortuosos?” (18.25). Senhores adventistas: o ensino do sono da alma apregoado por Ellen G. White não é direito, não obstante a cultura religiosa de quem escreveu o livro Subtilezas do Erro.

1°) O SENTIDO DA PALAVRA MORTE

A palavra morte não tem o sentido de inconsciência. A palavra morte é a tradução da palavra grega thanatos e tem o sentido de separação. Embora discordem dessa opinião, declaram com relação ao pecado de Adão e Eva, quando no Éden desobedeceram a Deus tomando do fruto proibido. Afirmam os adventistas: “Mas depois de haverem transgredido a ordem divina, Adão e Eva descobriram que o salário do pecado é realmente a morte”(NISTO CREMOS, p. 457, CPB). Morreram Adão e Eva no sentido em que os adventistas interpretam a palavra morte – ‘um estado temporário de inconsciência enquanto a pessoa aguarda a ressurreição’? Ou eles mesmos reconhecem que não ocorreu a morte nesse sentido de inconsciência?

Dizem: “Foi tão-somente a misericórdia de Deus que protegeu Adão e Eva da morte imediata” (NISTO CREMOS, p. 457. CPB). Mas Deus não havia dito que “no dia em que dela comeres, certamente morrerás?” (Gn 2.17). Ocorreu realmente a morte física do casal? Não! Deus mentiu? Não! O que realmente ocorreu? Morreram sim, naquele mesmo dia, pois foram postos fora da comunhão com Deus (Gn. 3:8.9) e fora do Jardim do Eden (Gn.3.24). Fisicamente, Adão veio morrer com 930 anos (Gn. 5.5). Logo, a palavra morte pode ser empregada como separação e esta separação de Deus ocorreu naquele mesmo dia. Esta morte é a que tem passado a toda humanidade. Mesmo o homem vivendo fisicamente, até o dia em que venha a morrer fisicamente.

2°) O EMPREGO DA PALAVRA MORTE

● Vejamos o emprego da palavra morte no sentido de separação espiritual de Deus:

“Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me. Deixa aos mortos, sepultar os seus mortos” (Mt.8.22);
“Porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lc. 15.24);
“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1); “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef. 2.5);
“A que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta” (1Tm. 5.6); “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte” (1 Jo 3.14); “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” (Ap.3.1).

● A Bíblia fala de três tipos de morte: Física, espiritual e eterna.

a) Morte física. O seu significado é: dissolução vital do organismo.

O que acontece na morte física?

Resposta: alma/espírito separam-se do corpo.

Mas para melhor entender o que é alma, a Bíblia nos revela quatro designações para a alma, a saber:

Primeiro – alma como indivíduo, como cidadão; (Rm 13.1).

Segundo – alma no sentido biológico, isto é, o sangue; (Lv 17.11).

Terceiro – como sentimento do homem; (Mt 26.38).

Quarto – alma como parte imortal do homem. Jesus disse: Não temeis o que mata o corpo e não mata a alma (Mt 10.28).

Quando a Bíblia fala do sono da alma, refere-se ao corpo físico. Jacó falou: Irei e dormirei com os meus pais (Gn 47.30).

No sentido espiritual e eterno, alma não dorme; (Ap 6.9).

b) Morte espiritual. É o estado do pecador separado de Deus. É a separação da comunhão com Deus; (Ef 2.1)

● Existe solução para a morte espiritual?

Sim, desde que o pecador aproxime-se de Deus com um coração arrependido (Jo 1.12, At 2.28).

c) Morte eterna. É a eterna separação da presença de Deus – a impossibilidade de arrependimento e perdão. Portanto não há solução para esse tipo de morte. É chamada a 2ª morte. É identificada como punição do pecado; Rm. 6.23. Os ímpios, depois de julgados, receberão a punição da rejeição que fizerem à graça de Deus e, serão lançados no Geena (Lago de Fogo); (Ap. 20.14,15).

3°) O SENTIDO DA PALAVRA ALMA

O conceito dos adventistas acerca da natureza da alma é tão grave que se dão ao luxo de afirmar: “O que o homem possui é o ‘fôlego de vida’ ou ‘vida’ (o que dá animação ao corpo) que lhe é retirado por Deus, quando expira. E o fôlego é reintegrado no ar, por Deus. Mas não é entidade consciente ou o homem real como querem os imortalistas” (Subtilezas do Erro, p. 249, 1ª edição, Arnaldo Christianini, CPB).
Entretanto, a palavra alma é a tradução da palavra hebraica nephesh, e da palavra grega psyche, usada em vários sentidos na Bíblia. É como a palavra leite. Há pelo menos três sentidos em que se emprega a palavra leite na Bíblia.

a) a palavra leite em seu sentido literal como alimento liquido, branco: “Tomou também coalhada e leite…” (Gn. 18.8);

b) a palavra leite em sentido de bênção material: “Se o Senhor se agradar de nós, então nos porá nesta terra e no-la dará, terra que mana leite e mel” (Nm. 14.8).

c) a palavra leite em sentido de alimento espiritual: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (1Pe. 2.2).

● Do mesmo modo, a palavra alma é empregada com vários sentidos: um sentido literal e dois sentidos ou mais figurados:

1°. a palavra alma é mpregada com o sentido literal de entidade consciente e inteligente e que sobrevive à morte do corpo:

A alma sobrevive à morte do corpo e se retira quando o corpo morre: “Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni” (Gn 35.18);

Ao ressuscitar o corpo, a alma retorna ao corpo. “Ó Senhor, meu Deus, rogo-te que a alma deste menino tornar a entrar nele. O Senhor atendeu a voz de Elias e a alma do menino tornou a entrar nele. e reviveu”. A alma não pode morrer com o corpo. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28);

● A alma do cristão vai estar com Cristo no céu:

“Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram” (Ap 6.9-11).

2°. a palavra alma empregada com o sentido figurado de pessoa: Todas as pessoas (almas) da casa de Jacó, que vieram para o Egito, foram setenta” (Gn. 46.27); “Todas as pessoas (almas), pois, que descenderam de Jacó foram setenta” (Ex. 1.5); “Estávamos no navio duzentas e setenta e seis pessoas (almas) ao todo” (At. 27. 37).

3°. a palavra alma empregada com o sentido figurado de vida: “E certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas” (Gn.9.5); “Escapa-te por tua vida” (Gn 19.17). Entretanto, alma e vida são expressões distintas: “Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pelaespada” (Jó 33.18); “E a sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida ao que traz morte” (Jó 33.22).

4°) O SENTIDO DA PALAVRA DORMIR

● A palavra dormir é a tradução da palavra grega koimaomai é usada em três sentidos:

1°. para referir-se ao sono natural do corpo. “Dizei: vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós o furtaram”(Mt 28.13). “E, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos e achou-os dormindo de tristeza” (Lc. 22.45).

2°. para referir-se à morte do corpo: “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mt 27.52). “Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono” (Jo 11.11); “Lázaro está morto” (Jo. 11.14); “Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal,, porque é já de quatro dias” (Jo 11.39).

3°. A palavra dormir no Senhor é empregada apenas para os cristãos: “Não quero porém irmãos que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais que não têm esperança, porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele” (1Ts 4.13,14).

4°. A palavra chave para o entendimento de (1Ts 4.13,14) está na preposição grega sun (com) no verso 14. Declara que Deus os tornará a trazer com ele (sun auto), isto é, com Jesus na sua vinda, os que já provaram a morte física. Seus corpos são descritos como dormindo, uma linguagem de metáfora comum no Novo testamento para referir-se ao corpo nunca ao espírito e alma (Mt 27.52). A segunda vez que se usa sun (com) é no verso 17, referindo-se aos que sobrevivem até à vinda de Cristo e serão arrebatados juntamente com eles (sun autois). Isto é, com os mortos em Cristo (oi nekron en Christo) a encontrar o Senhor nos ares. Aqui, de novo, sun(com) não tem outro sentido senão juntamente com. A última vez que se usa a preposição sun é encontrada ainda no verso 17 e “assim estaremos sempre com o Senhor (sun Kurio)”. É óbvio pois que aqueles que partiram estão com Cristo (Fp 1.21-23) retornarão com ele, “na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos” (1Ts. 3.13). Com isso, se dará a ressurreição de seus corpos imortalizados e incorruptíveis. Esses corpos, descritos como dormindo, serão instantaneamente metamorfoseados. Os primitivos cristãos se utilizaram da palavrakoimaterion, usada como sinônimo de casa de repouso para estrangeiros para indicar o lugar de repouso dos que já tinham morrido (cemitério ou dormitório), onde os corpos jaziam.

5°) A ESPERANÇA DOS ADVENTISTAS NO ESTADO INTERMEDIÁRIO

“Para o cristão a morte não é mais que um sono, um momento de silêncio e escuridão” (Subtilezas do Erro, 1ª edição, p. 272, CPB). Repetimos o que afirmam: “um momento de silêncio e escuridão”. Dizemos nós, um momento que pode durar centenas ou milhares de anos.

● Diante disso, por acaso preciso crer:

1°. Que os redimidos no céu estão experimentando fartura de alegrias e delícias perpetuamente, enquanto dormem? “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl.16.11).

2°. Que o homem rico, depois de sua morte, estava em tormentos, clamava, rogava (Lc. 16.23), dormindo? “E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio”. E que Lázaro era CONSOLADO enquanto dormia? “Disse porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado…” (v.25), enquanto dormiam?

3°. Que “logo que nos ausentamos do corpo estaremos presentes com o Senhor, deleitando-nos com uma maravilhosa comunhão com ele. Enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor, mas-temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Co 5.6,8), enquanto dormimos?

4°. Que a morte, para nós, os cristãos, será lucro e muito melhor do que qualquer coisa que tenhamos experimentado aqui na terra: “Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é ganho… tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda melhor…’ (Fp 1.21-23), embora estejamos adormecidos?

5°. Que a congregação dos primogênitos inscritos no céu “a universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus…” (Hb 12.23) é uma igreja de adormecidos?

6°. Que as almas, debaixo do altar, clamam com alta voz, Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra…” (Ap. 6.10), embora estejam dormindo?

6°) QUANDO RECEBEMOS VIDA ETERNA

Vida eterna – dádiva de Deus para os homens não deve ser confundida com as palavras imortalidade ou incorruptibilidade.

Vida eterna é uma possessão presente, enquanto imortalidade e incorruptibilidade são possessões futuras: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Por meio de Cristo somos tornados filhos de Deus: “a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12). Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus…” (1Jo. 5.1); somos justificados pela fé: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5.1) e já não existe nenhuma condenação: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…” (Rm 8.1); temos salvação e gozamos de vida eterna: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de deus, para que saibais que tendes a vida eterna…” (1 Jo 5.11-13). O homem pode ter existência física e não possuir vida eterna. Vida eterna é uma condição de vida de comunhão com Deus que não sofre solução de continuidade quando ocorre a morte física. A vida eterna nos é concedida como resultado da aceitação de Cristo como Salvador único e pessoal.

7°) IMORTALIDADE E INCORRUPTIBILIDADE

Imortalidade é definida pelos adventistas da seguinte forma: “Imortalidade é o estado ou qualidade daquilo que não está sujeito à morte. Os tradutores das Escrituras usaram a palavra imortalidade para traduzir os termos gregos athanasia, ‘ausência de morte’, e aphtharsia ‘incorruptibilidadé” (NISTO CREMOS, p. 454, CPB).

Essa imortalidade e incorruptibilidadé, nós a receberemos na ocasião da vinda de Jesus, como se lê em 1 Co 15.51-53: “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidadé, e que isto queo é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidadé, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória”.

Assim, hoje já desfrutamos de vida eterna. Vida eterna hoje e futuramente gozaremos de imortalidade e incorruptibilidadé quando se der o arrebatamento da igreja em ocasião não conhecida.

Conclusão

Quando um indivíduo salvo por Cristo morre, sua alma fica dormindo com o corpo na sepultura, aguardando até o dia da ressurreição?. Será que é isso que a Bíblia ensina? Não pode ser! Quando o ladrão da cruz clamou a Jesus: “Senhor, lembra-te de mim quando vieres no teu reino”. Jesus lhe respondeu: “Em verdade te digo que HOJE estarás comigo no paraíso” (Lc 23.42,43). Logo que Jesus morreu seu corpo foi para a sepultura, mas seu espírito foi para o Pai. Quando um crente morre, seu corpo vai para a sepultura, mas seu espírito volta para Deus. Morrer é deixar o corpo e habitar com o Senhor (2Co 5.8). É partir para estar com Cristo (Fp 1.23). Ainda mais, a alma dos salvos está no céu não dormindo, mas clamando (Ap 6.9,10), e reinando com Cristo (Ap 20.4). Não é a alma que dorme, mas o corpo. E dorme porque o sono é passageiro, uma vez que a morte não tem a última palavra. Quando Jesus voltar em glória, os mortos ouvirão sua voz e sairão dos túmulos (Jo 5.28,29). Então, os mortos em Cristo ressuscitarão e os vivos serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor Jesus nos ares (1Ts 4.16,17).

Soli Deo Gloria!

Fonte:

CACP – (Centro Apologético Cristão de Pesquisas)

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Jerônimo sobre 1°João 5.7

Jerônimo [347-420], o primeiro tradutor da Bíblia, calando a boca daqueles que afirmam que 1 Jo 5:7 não fazia parte do texto original de 1 João:

“A ordem das sete epístolas ditas canônicas não é a mesma entre os gregos que seguem a fé correta e a que se encontra nos códices latinos, onde Pedro, sendo o primeiro entre os apóstolos, também tem suas duas primeiras epístolas. Mas assim como revisamos os evangelistas para colocá-los na ordem correta, com a ajuda de Deus resolvemos isso. A primeira é uma de Tiago, depois duas de Pedro, três de João e uma de Judas. Assim como estes são devidamente compreendidos E ASSIM TRADUZIDOS FIELMENTE PARA O LATIM, sem deixar ambiguidade para os leitores nem permitir que a variedade de gêneros entrem em conflito, ESPECIALMENTE NAQUELE TEXTO ONDE LEMOS A UNIDADE DA TRINDADE SER COLOCADA NA PRIMEIRA EPÍSTOLA DE JOÃO, ONDE MUITOS ERROS OCORRERAM NAS MÃOS DE TRADUTORES INFIÉIS CONTRÁRIOS A VERDADE, QUE MANTIVERAM APENAS AS TRÊS PALAVRAS ‘ÁGUA, SANGUE E ESPÍRITO’ NESTA EDIÇÃO, OMITINDO A MENÇÃO DO ‘PAI, PALAVRA E O ESPÍRITO’, EM QUE ESPECIALMENTE A FÉ CATÓLICA É FORTALECIDA E A UNIDADE DA SUBSTÂNCIA DO PAI, FILHO ESPÍRITO SANTO É ATESTADA”(Prólogo das Epístolas Católicas, 399)

Adeptos do Texto Crítico e negadores de 1 Jo 5:7, mentira tem perna curta!

Via Jailson Serafim.

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Arrebatamento, encontro e a escatologia de 1Tessalonicenses 4.13-18 por Paulo Won



A relação da linguagem de arrebatamento e encontro, em 1Ts 4.13-18, deve ser entendida a partir da logística da vinda (παρουσία, parousia) de Cristo. Primeiramente, arrebatar (ἁρπάζω, harpazō) e encontro (ἀπάντησις, apantēsis) tem em comum o fato de serem ações de iniciativa divina. A forma passiva ἁρπαγησόμεθα (harpazómetha, arrebatados) indica que Deus é o sujeito da ação – isto é, assim como Deus ressuscitará “aqueles que dormem” (cf. ἄξει, ácsei, em 4.14 e ἀναστήσονται, anastêsontai, em 4.16), ele “raptará” os crentes vivos.[1] Assim, Deus ressuscitará os mortos por meio de (διά, diá) Jesus,[2] e arrebatará os crentes vivos, a fim de que ambos os grupos participem no encontro com o Senhor (κυριός, kyrios), nos ares (4.17). Todas as ações que compõem a parousia em 1Ts 4.13-18 tem Deus ou Cristo como agentes primários – i.e., os crentes têm uma participação passiva na parousia de Cristo.[3]

Em segundo lugar, a resposta de Paulo aos tessalonicenses sobre o destino dos crentes que se encontram mortos na ocasião da parousia de Cristo dá um sentido sequencial entre o arrebatamento e o encontro. Paulo, pedagogicamente, divide a parousia em dois sub-eventos: 1) a ressurreição dos crentes que haviam morrido em Cristo (οἱ νεκροὶ ἐν Χριστῷ ἀναστήσονται, hoi nekrói en Christô anastêsontai, 4.16); e 2) o posterior (ἔπειτα, épeita) arrebatamento “daqueles que estiverem vivos, dos remanescentes” (οἱ ζῶντες οἱ περιλειπόμενοι, hoi zôntes, hoi perileipómenoi, 4.17). Assim, o arrebatamento dos vivos é a ação correspondente à ressurreição dos mortos que serão ressuscitados por Deus, de acordo com a “fórmula credal” de 4.14.[4] Toda a passagem de 1Ts 4.13-18 mostra um movimento simultâneo:[5] Cristo desce do céu, e os crentes mortos e vivos sobem até as nuvens “ao encontro do Senhor nos ares” (εἰς ἀπάντησιν τοῦ κυρίου εἰς ἀέρα, eis apántēsin tou kyriou eis aéra, 4.17). Portanto, observa-se a sequência cronológica: arrebatamento (ressurreição) ⟶ encontro.

Em terceiro lugar, o local da parousia é um elemento essencial para compreender a relação entre arrebatamento e encontro. Candida Moss e Joel Baden consideram a imagem de “nuvens” (ἐν νεφέλαις, en nefálais) como um elemento da apocalíptica judaica nesta passagem, já que em Daniel 7.13 “as nuvens servem como meio de transporte e não como destino final para os ressuscitados”.[6] De forma semelhante, Gordon Fee relaciona a vinda do Senhor e as nuvens (4.16) à figura do filho do homem vindo com as “nuvens dos céus” (καὶ ἰδοὺ ἐπὶ τῶν νεφελῶν τοῦ οὐρανοῦ ὡς υἱὸς ἀνθρώπου ἤρχετο, kái idou epí tôn nefalôn toú ouranou hôs huiós anthôpou êrcheto, Dn 7.13, LXX[7]).[8] Além disso, no Novo Testamento, a vinda de Jesus está relacionada com as nuvens (cf. Marcos 13.26; Lucas 21.27 e Atos 1.9-11). Contudo, o uso que Paulo faz dessa expressão em 1Ts 4.13-18 é sui generis, uma vez que as “nuvens” estão relacionadas com os crentes arrebatados, e não com Deus ou Cristo. Além do mais, Paulo afirma que o lugar do encontro é nos ares (4.17). Fee, afirma que o ar é “a atmosfera imediatamente acima da superfície da terra” – i.e. o lugar entre as esferas celestial e terrena.[9] Essa região intermediária é o local do encontro dos crentes com Cristo. É nos ares em que todas as ações da parousia de Cristo alcançarão seu clímax.[10] Portanto, na lógica escatológica de Paulo nessa passagem, a terra não é lugar onde os cristãos deveriam esperar nem o arrebatamento, nem o “encontro” com o Senhor.

Em último lugar, o objetivo da parousia conecta o arrebatamento dos crentes ao encontro com Cristo.[11] A pergunta crucial é: qual o propósito fundamental da sequência arrebatamento (ressurreição) ⟶ encontro? A segunda parte de 1Ts 4.17 responde a essa pergunta, revelando o clímax da parousia: “e assim estaremos para sempre com o Senhor” (καὶ οὕτως πάντοτε σὺν κυρίῳ ἐσόμεθα, kaí houtōs pántote syn kipíō esómetha). Béda Rigaux explica que “estar com Cristo ainda é o ideal da religião paulina”.[12] John Barclay resume bem: “a esperança de todos os crentes, vivos ou mortos na ocasião da parousia, deveria ser que continuarão suas vidas com Cristo (4:17; 5:10).”[13] Dessa forma, a consequência fundamental da parousia é que os crentes estarão na presença de Cristo, desfrutando de um relacionamento pleno com ele, para sempre.

Concluindo, a relação entre arrebatar e o encontro no contexto escatológico de 1Tessalonisenses 4.13-18, é expressa numa lógica de causa e efeito – i.e., o propósito do arrebatamento é o encontro com o Senhor. Portanto, Paulo estabelece a seguinte sequência escatológica: os crentes mortos serão ressuscitados e reunidos, nas nuvens, aos irmãos e irmãs vivos, que foram arrebatados por Deus, para se encontrar com o Senhor nos ares, a fim de que possam estar com ele para sempre.

Paulo Won é formado em Relações Internacionais pela PUC-SP e obteve seu M.Div. pelo Seminário Servo de Cristo. Atualmente é mestrando em teologia, com ênfase em estudos bíblicos, na Universidade de Edimburgo. Tem pretensões de fazer Ph.D. em Novo Testamento. Tradução: Caio Peres

[1] P. Ellingworth, “Up or Down, Which Way Will We Go? Looking again at 1Thessalonians 4.13–18,” The Bible Translator 64 (2013), 229.
[2] Os estudiosos tem debatido sobre a tradução de διά em 1Ts 4.14. A maioria segue a tradução “por meio de Jesus” (ver Gordon Fee, The First and Second Letters to the Thessalonians, New International Commentary on the New Testament 12 [Grand Rapids: Eerdmans, 2009], 170-1).
[3] Παρουσία em 1Ts é sempre relacionada com κύριος (2.19; 3.13; 4.15; 5.23) (ver Bem Witherington, 1 and 2 Thessalonians: A Socio-Rhetorical Commentary [Grand Rapids: Eerdmans, 2006], 143).
[4] R. F. Collins, Studies on the First Letter to the Thessalonians, Bibliotheca Ephemeridum Theologicarum Lovaniensium LXVI (Leuven: Leuven University Press, 1984), 341–343.
[5] O uso do advérbio ἅμα, seguido por um substantivo no dativo, indica simultaneidade de ação, tempo e lugar (ver BDB §194.3 e BDAG, 49).
[6] C. R. Moss e J. S. Baden, “1 Thessalonians 4.13–18 in Rabbinic Perspective,” NTS 58 (2012), 203.
[7] Referência à Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento (nota do tradutor).
[8] Gordon Fee, The First and Second Thessalonians, 180.
[9] Gordon Fee, The First and Second Thessalonians, 181.
[10] D. Luckensmeyer, The Eschatology of First Thessalonians (Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2009), 268.
[11] H. Koester, “Imperial Ideology and Paul’s Eschatology in 1 Thessalonians,” in Paul and Empire: Religion and Power in Roman Imperial Society, ed. R. A. Horsley (Harrisburg: Trinity Press, 1997), 160-1.
[12] B. Rigaux, Saint Paul: Les Épîtres aux Thessaloniciens, ÉBib (Paris: Gabalda, 1956), 549.
[13] J. M. G. Barclay, “Death and Early Christian Identity,” in Not in the Word Alone: The First Epistle to the Thessalonians, ed. M. D. Hooker, BES 15 (Rome: Benedictina Publishing, 2003), 151.

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Teologia

A Autenticidade de 1°João 5.7

Fundamentalismo Reformado

quarta-feira, 2 de junho de 2021
Igreja Primitiva [Mais de 350 Pais da Igreja]: 1 João 5:7 [o texto coroa da Trindade] é parte da Primeira Epístola de João!!!

(a)O Testemunho da Igreja Primitiva: 1 João 5:7(‘Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um’- ACF), o texto coroa da doutrina da Santíssima Trindade, é negado, como canônico, por todos os hereges, inclusive por aqueles que endossam o corrompido e adulterado ‘Texto Crítico'(baseado nos corrompídos manuscritos Vaticano e Sinaítico), como são também igualmente negados como canônicos outros textos das Escrituras, como Mc 16:9-20; Jo 8:1-11, mas que foram comprovados como autênticos e parte das Escrituras, por pais eclesiáticos latinos, gregos e europeus, como Papias, Orígenes, Tatiano, Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, o 7º Concílio de Cartago[258)[composto de 350 bispos], Juliano de Ciílica, Gregório de Nissa, Eusébio de Cesaréia, Ambrósio, Hilário de Poitiers, Paciano, Dídimo de Alexandria, Crisóstomo, Agostinho, Vitor de Antoioquia, etc.

Com relação a 1 Jo 5:7, as ´biblias’ do TC(ARA, NVI, BLH [NTLH), Bíblia Viva, TNM dos testemunhas de jeová, etc) simplesmente o omitem ou o colocam entre colchetes [ARA], negando sua canonicidade, apesar do testemunho esmagador da igreja pós-apostólica em seu favor, como parte integrante das Escrituras:

(1)Inácio de Antioquia(37-100) em sua “Epístola aos Filipenses”(Cap. 2), disponível na internet no site ‘new advent’, cita de memória, de forma reminiscente, além de outros textos bíblicos, 1 Jo 5:7. Nesse texto, ele se refere às pessoas da Trindade, nomeando-as como “Pai”, “Palavra” e “Espírito”, que é uma fórmula trinitária encontrada apenas em 1 Jo 5:7. Da mesma forma, na versão mais longa da Epístola de Inácio aos Filadelfianos (Cap. IV) pode ser considerado uma alusão a 1 Jo 5:7, onde ele usa a mesma fórmula trinitária(Alexander Roberts., The Ante-Nicene Fathers: The Writings of the Fathers Down to A. D. 325 Volume I – [The Apostolic Fathers with Justin Martyr and Irenaeus], p.81)

(2)O “Philopatros”(166-167 d.C), uma obra escrita por um pagão contemporâneo de Luciano, (o qual menciona o judeu Trifo, com quem Justino debateu), que ridicularizando a crença dos cristãos na Trindade, afirma que os cristãos atribuíam a crença nessa doutrina ao apóstolo João, e isso remete a 1 Jo 5:7.

. Eis o texto:

“…o Deus Todo-Poderoso, o Grande, o Imortal, o Celestial, o Filho do Pai, o Espírito procedente do Pai, Um de Três e Três de Um. Considere este Ser como Júpiter, e estime-o como Deus- Eu não sei o que você diz: ‘Um é Três, e Três são Um'”.

(3)Teófilo de Antioquia(+ 186 d.C), ao se referir ao Pai, Filho e Espírito Santo como “Trindade”(2º Livro a Autólico, 15), cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7

(4)Atenágoras(133-190), cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7, quando diz que os cristãos admitem “um Deus Pai, um Deus Filho e um Espírito Santo, que mostram seu poder na unidade e sua distinção na ordem”(Petição em favor dos cristãos, 10)

(5)Irineu(130-200), ao se referir ao Pai, Filho e Espírito Santo como “Trindade”(Demonstração da Fé Apostólica, Oração), cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7

(6)Hipólito(169-215), de forma reminiscente, cita 1 Jo 5:7, quando em combate ao sabelianismo, afirma: “e estes, portanto, são três”(Contra Noécio,8)

(7)Clemente de Alexandria(155-225) o cita duas vezes, em suas obras “Eclogae propheticae”(Extratos dos Profetas, 13.1), onde ele chama o Pai, o Filho e o Espírito Santo de “três testemunhas” e no próprio “Comentário da Primeira Epístola de João”, onde ele menciona a expressão “e estes três são um”. E ao se referir ao Pai, Filho e Espírito Santo como “Trindade”(Stromata,1V,14), cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7

(8)Tertuliano(160-230), teólogo cristão, em sua obra “De Pudicitia”(21), onde menciona: “Há uma Trindade de uma só Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo”, cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7. E em outra obra, diz, também mencionando 1 Jo 5:7 =

“Assim, a conexão do Pai no Filho, e do Filho no Paráclito, produz três pessoas coerentes, uma da outra, que três são um, não uma pessoa, como se diz:’Eu e o Pai somos um'”(Contra Práxeas, 25)

Na mesma obra, ele ainda diz, tendo 1 Jo 5:7 novamente em evidência:

“Que necessidade haveria do evangelho, que é a substância da Nova Aliança, estabelecendo (como faz) que a lei e os profetas duraram até João Batista, se daí em diante o Pai, o Filho e o Espírito não existirem cridos como Três, e como um Único Deus!”(XXXI).

(9)Orígenes(184-255) o cita em sua obra “Escólio Sobre o Salmo 123:2” e em seu “Comentário do Evangelho de João”(II:4), quando os chama de “três em um”. E também ao se referir ao Pai, Filho e Espírito Santo como “três”(Comentário Sobre o Evangelho de João, 2:6) e como “Trindade”(Dos Princípios I; 3:2).Ele também cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7, e em seu “Comentário sobre o Salmo 123”, cita de forma reminiscente 1 Jo 5:7, ao se referir ao Pai, Filho e Espírito Santo como “Porque OS TRÊS SÃO UM”(2)

(10)Tratado sobre o Rebatismo(255 d.C)(xv,xix), menciona 1 Jo 5:7, usando a expressão “e estes três são um”.

(11)Cipriano(200-258), mestre de retórica, advogado e teólogo cristão, diz:

“O Senhor diz: “Eu e o Pai somos um”[Jo 10:30]; e novamente está escrito do Pai e do Filho e do Espírito Santo: ‘E estes três são um'”(Da Unidade da Igreja, 6)

Em outro lugar, ele cita novamente 1 Jo 5:7

“Se do Espírito Santo; visto que os três são um, como pode o Espírito Santo estar em paz com aquele que é o inimigo do Filho ou do Pai?”(Epistola a Jubaiano, 72:12)

(12)Hilário de Poitiers[315-368], citando 1 Jo 5:7, de forma reminiscente, diz:

“…manifestamente, isto é, de um Pai que é verdadeiramente Pai, e claramente de um Filho que é verdadeiramente Filho, e um Espírito Santo que é verdadeiramente um Espírito Santo, estas palavras não sendo apresentado ociosamente e sem significado, mas cuidadosamente significando a Pessoa, e a ordem e a glória de cada um daqueles que são nomeados, para nos ensinar que eles são três Pessoas, mas na mente um”(Sobre os Concílios, 11:29)

“Conseqüentemente, eles declararam que havia três substâncias, ou seja, três Pessoas subsistentes, e não introduzindo assim qualquer diferença de essência para separar a substância do Pai e do Filho. Para que as palavras nos ensinem que são três em substância, mas em concordância um”(Ibidem, 11:32)

“Portanto, estes são três Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo”(Da Trindade, IV:13).

“Este fim será alcançado quando as blasfêmias do ensino herético sobre este tema também forem varridas, e o mistério, puro e imaculado, da Trindade que nos regenera for fixado em termos de precisão salvadora sobre a autoridade dos Apóstolos e Evangelistas”(Da Trindade, I:36).

Quando Hilário afirma que a doutrina da Trindade repousa sobre os apóstolos e evangelistas, sem dúvida alguma, está citando 1 Jo 5:7, pois não há outro lugar nos escritos dos apóstolos, onde essa doutrina apareça tão clara e explícita.

“Os livros anteriores deste tratado, escritos há algum tempo, contêm, eu acho, uma prova invencível de que mantemos e professamos a fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo, que é ensinada pelos Evangelistas e Apóstolos”(Da Trindade, 4:1)

Quando Hilário afirma que a fé no Pai, Filho e Espírito Santo é ensino dos Evangelistas e Apóstolos, não temos nenhuma dúvida de que ele alude a 1 Jo 5:7, pois que outro lugar há nos escritos dos apóstolos, onde essa doutrina apareça tão clara e explícita, senão nesse texto?

“Cada pessoa divina está na unidade, mas nenhuma pessoa é o único Deus. A seguir, nosso propósito sendo demonstrar a verdade irrefutável deste mistério pela evidência dos Evangelistas e Apóstolos”(Da Trindade, VII:2)

Quando Hilário afirma que este mistério da Trindade tem sua evidência dos Evangelistas e Apóstolos, não temos nenhuma dúvida de que ele alude a 1 Jo 5:7, pois que outro lugar há nos escritos dos apóstolos, onde essa doutrina apareça tão clara e explícita, senão nesse texto?

(13)Poebádio(+ 350 d.C), bispo de Agen(Contra Arianos, 17:4):

“O Senhor diz: ‘Vou pedir a meu Pai e Ele lhe dará outro Consolador'(Jo 14.16) Assim, o Espírito é diferente do Filho, assim como o Filho é diferente do Pai; então, a terceira pessoa está no Espírito, como a segunda, está no Filho. Todos, entretanto, são um Deus, porque os três são um”

(14)Marcus Celedensis(370 d.C) o cita(Declaração de Fé):

“Para nós há um Pai e seu único Filho, que é verdadeiro Deus, e um Espírito Santo, que é verdadeiro Deus, e estes três são um; – uma divindade, poder e reino. E eles são três pessoas, não duas nem uma”.

(15)Lucífer de Caligari(+ 370 d.C) diz:

“E a fé apostólica da Trindade admite a divindade perfeita e única para reconhecer o Pai, o Filho e o Espírito Santo”(Sobre não conviver com os heréticos, 9)

(16)Eusebius of Vercelli(283-371), diz:

“Há três que dão testemunho no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito, e em Cristo Jesus são um”(Da Trindade).

(17)Atanásio(263-373), o renomado teólogo grego e bispo de Alexandria, diz:

“…então o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, são três pessoas e um Deus em substância”(Outras Perguntas)

“Esse batismo vivo e salvador, pelo qual recebemos a remissão dos pecados, administrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E São João diz: E estes três são um”(Disputa com Ário)

“O apóstolo ensina aqui a unidade do Filho com o Pai”(A Sinopse da 1ª Epístola de João)

Não existe outro lugar desta epístola onde a unidade entre o Pai e o Filho seja mencionada, exceto em 1 Jo 5:7, existe?

(18)Efrém, o Sírio(306-373), diz:

“Veja aqui as três testemunhas que acabaram com todas as contendas! E quem duvidaria das santas Testemunhas [Heb. 6] de Seu Batismo?”(Oitenta Harmonias sobre a fé, contra as disputas, ‘Ritmo do vigésimo oitavo’)

Em qual lugar se faz menção do Pai, do Filho e do Espírito Santo como ‘três testemunhas’, senão em 1 Jo 5:7?

(19)Basílio(330-379), diz:

“Mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo constituem a natureza divina”(Contra Eunômio, 2:6)

“Pois a divindade no Pai, Filho e o Espírito Santo é uma”(Ibidem, 2:12)

Em que lugar, Basílio encontraria que Pai, Filho e Espírito Santo constituem a natureza divina, senão em 1 João 5:7?

(20)Prisciliano(+ 380 d.C), conhecido bispo de Avila, disse:

“Como João diz: ‘e há três que dão testemunho na terra, a água, a carne o sangue, e esses três estão em um, e há três que dão testemunho no céu: o Pai, o Verbo, e o Espírito Santo, e estes três são um”(Liber Apologeticus, Tratado 1, Seções 46-48)

(21)Vigilio, então renomado bispo de Tapsus, cita 1 Jo 5:7(+380 d.C),diz:

“E João Evangelista diz: ‘E há três que dão testemunho no céu: o Pai, o Verbo, e o Espírito Santo, e estes três são um'”(Contra Varimadum; 1:5)

“Portanto, embora nos exemplos acima as Escrituras silenciam quanto aos nomes das pessoas, esta união do nome divino por todos nisto deve ser demonstrada a vocês; também como neste exemplo da verdade, em que os nomes das pessoas são claramente evidentes, e os nomes divinos unidos declarados encerrados, o evangelista João diz em sua epístola: ‘Há três que testificam no céu, o Pai e a Palavra e o Espírito, e eles são um no Senhor Jesus Cristo”(Da Trindade, XII).

(22)Gregório Naziazeno(330-390), bispo grego, menciona-o na sua “45ª Oração Teológica”:

“Te ofereçamos Sacrifícios aceitáveis sobre o Teu altar, Pai, Palavra e Espírito Santo; pois a Ti pertence toda a glória, honra e poder”(Oração 45, ‘Segunda Oração sobre a Páscoa’).

E novamente em sua “Quinta Oração Teológica”[Oração nº 31, Verso 19], Nazianzo protesta contra a omissão de 1 João 5:7 por parte de alguém da época, afirmando estar o texto gramaticalmente sem sentido com a ausência de 1 Jo 5:7:

“Mas, em minha opinião, diz ele, essas coisas são consideradas conumeradas e da mesma essência da qual os nomes também correspondem, como três homens ou três deuses, mas não três isso e aquilo. Qual é o valor dessa concessão? É adequado para quem estabelece a lei quanto aos nomes, não para quem está afirmando a verdade. Pois também afirmarei que Pedro, Tiago e João não são três ou consubstanciais, enquanto não posso dizer Três Pedro, ou Três Tiago, ou Três João; para o que você reservou para nomes comuns, exigimos também para nomes próprios, de acordo com seu acordo; ou então você será injusto em não conceder aos outros o que você assume para si mesmo. E quanto a João então, quando em sua Epístola Católica ele diz que ‘há Três que dão testemunho, o Espírito, a Água e o Sangue’? Você acha que ele está falando bobagem? Primeiro, porque ele se aventurou a contabilizar sob um número as coisas que não são consubstanciais, embora você diga que isso deve ser feito apenas no caso de coisas que são consubstanciais. Pois quem afirmaria que são consubstanciais? Em segundo lugar, porque ele não foi consistente na maneira como aconteceu em seus termos; pois depois de usar Três no gênero masculino, ele adiciona três palavras neutras, contrárias às definições e leis que você e seus gramáticos estabeleceram. Pois qual é a diferença entre colocar um Três masculino primeiro, e então adicionar Um e Um e Um no neutro, ou depois de Um masculino para usar os Três não no masculino, mas no neutro, que vós mesmos negais no caso da Divindade?”

Notaram a expressão “…que vós mesmos assumis no caso da Divindade”? E tambem notaram a expressão “…depois de usar três no gênero masculino”? Essas duas frases não são alusões as pessoas da Trindade, mencionadas em 1 João 5:7? É claro que Gregório reconheceu a inconsistência com a gramática grega, se tudo o que temos são os versículos seis e oito sem o verso sete.

Em outro lugar, novamente cita 1 Jo 5:7, afirmando:

“Pois nem o Filho é Pai, pois o Pai é Um, mas Ele é o que o Pai é; nem é o Espírito Filho porque é de Deus, pois o Unigênito é Um, mas Ele é o que o Filho é. Os Três são Um em Deus e o Um Três em propriedades; de modo que nem a Unidade é sabeliana, nem a Trindade aceita a presente distinção maligna”(5ª Oração Teológica [Oração 31], 9).

“Pois a Divindade é um em cada três, e os três são um, em quem a Divindade está, ou para falar mais precisamente, quem é a Divindade”(Oração 39, 11)

“Então, há um Deus em três, e estes três são um, como já dissemos”(Oração 39, 12).

(23)Ambrósio(337-397), bispo de Milão cita-o:

“Embora sejamos batizados com água e o Espírito, o último é muito superior ao primeiro e, portanto, não deve ser separado do Pai e do Filho… E assim essas três testemunhas são uma, como disse João…”(Do Espírito Santo, I:6)

Em outros lugares, menciona 1 Jo 5:7 novamente:

“A Divindade do Espírito Santo é sustentada por uma passagem de São João. Esta passagem foi, de fato, apagada pelos hereges, mas é uma tentativa em vão, visto que sua infidelidade poderia ser mais facilmente condenada. A ordem do contexto é considerada para que esta passagem possa ser mostrada para se referir ao Espírito. Ele é nascido do Espírito que é nascido de novo do mesmo Espírito, de quem se crê que o próprio Cristo nasceu e nasceu de novo. Novamente, a Divindade do Espírito é inferida de dois testemunhos de São João; e por último, é explicado como o Espírito, a água e o sangue são chamados de testemunhas”(Do Espírito Santo, III:10:)

“Portanto, sua confissão pela qual vocês apagaram a Palavra de Deus permanece, enquanto vocês temem o original”(Ibidem)

“Pois pela astúcia você sabe que está condenado pelas evidências dessa passagem, e que seus argumentos não podem ser aplicados contra esse testemunho”(Ibidem).

“Pois, como dizemos que há um Deus, confessando o Pai, e não negando o Filho sob o verdadeiro Nome da Trindade; assim, também, não excluímos o Espírito Santo da Unidade da Divindade”(Ibidem, 3:13)

“E assim, desde a própria passagem de São João que os hereges usaram contra Sua dignidade, a igualdade da Trindade e a Unidade da Divindade é estabelecida”(Ibidem, 3:16)

“…também o Espírito é um com o Pai e o Filho”(Ibidem, 3:19)

Ele ainda cita 1 Jo 5:7 em sua “Exposição da Fé”.

(24)O famoso Concílio da Igreja de Cartago em 415 d.C, composto de 350 bispos, cita 1 Jo 5:7 =

“E assim, nenhuma ocasião para incerteza é deixada. É claro que o Espírito Santo também é Deus e o autor de sua própria vontade, aquele que é mais claramente demonstrado que está trabalhando em todas as coisas e conferindo os dons da dispensação divina de acordo com o julgamento de sua própria vontade, porque onde se proclama que distribui graças onde quer, não pode existir condição servil, pois a servidão se entende no criado, mas o poder e a liberdade na Trindade. E para que possamos ensinar o Espírito Santo a ser uma divindade com o Pai e o Filho ainda mais claramente do que a luz, aqui está a prova do testemunho do evangelista João. Pois ele diz: ‘Há três que dão testemunho no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um'”.

(25)Jerônimo(347-420), o primeiro tradutor da Bíblia, diz:

“A ordem das sete epístolas ditas canônicas não é a mesma entre os gregos que seguem a fé correta e a que se encontra nos códices latinos, onde Pedro, sendo o primeiro entre os apóstolos, também tem suas duas primeiras epístolas. Mas assim como revisamos os evangelistas para colocá-los na ordem correta, com a ajuda de Deus resolvemos isso. A primeira é uma de Tiago, depois duas de Pedro, três de João e uma de Judas. Assim como estes são devidamente compreendidos e assim traduzidos fielmente para o Latim, sem deixar ambiguidade para os leitores nem permitir que a variedade de gêneros entrem em conflito, especialmente naquele texto onde lemos a unidade da Trindade ser colocada na Primeira Epístola de João, onde muitos erros ocorreram nas mãos de tradutores infiéis contrários a verdade, que mantiveram apenas as três palavras ‘agua, sangue e Espírito’. Nesta edição, omitindo a menção do ‘Pai, a Palavra e o Espírito’, em que especialmente a fé católica é fortalecida e a Unidade da Substância do Pai, Filho e Espírito Santo é atestada”(Prólogo das Epístolas Católicas, 399).

E em sua “Confissão de Fé”, enviada e dirigida ao bispo de Roma, Damásio, Jerônimo ainda cita 1 João 5:7, dizendo:

“Assim como, em oposição a Ário, nós afirmamos que a Trindade é de uma mesma essência, três pessoas em um só Deus; assim como condenando a heresia de Sabelio, nós distinguimos as três pessoas pelas suas respectivas propriedades, o Pai é sempre o Pai, o Filho é sempre o Filho e o Espírito Santo é sempre o Espírito Santo. Em essência, portanto, estes três são um”.

E em sua “Explanação de Fé”, dirigida a Cirilo, bispo de Jeruzalém, Jerônimo cita novamente 1 João 5:7, dizendo:

“Para nós, portanto, há um só Pai; um Filho, que é verdadeiro Deus, e um Espírito Santo, que é verdadeiro Deus: e estes três são um”.

(26)Agostinho(354-430), bispo de Hipona e teólogo, em várias de suas obras, citando 1 Jo 5:7, diz:

“Portanto, Deus supremo e verdadeiro, com Sua Palavra e Espírito Santo (que os três são um), um Deus onipotente e criador de cada alma e de cada corpo”(A Cidade de Deus, V:11)

“Então, esses três são Deus, um, sozinho, grande, sábio, santo, abençoado”(Da Trindade, VI; 5:7)

“Além disso, se não apenas o Pai é Deus, como todos, mesmo os hereges, admitem; mas também o Filho, que, queiram ou não, eles são compelidos a reconhecer, visto que o apóstolo diz: ‘Que é sobre todos, bendito Deus para sempre’; e o Espírito Santo, visto que o mesmo apóstolo diz: ‘Portanto, glorifique a Deus em seu corpo; quando ele disse acima: Não sabes que o teu corpo é o templo do Espírito Santo, que está em ti, que tens de Deus[?]’, e esses três são um só Deus, como acredita a integridade católica: não é suficientemente aparente qual pessoa da Trindade aquele anjo revelou, se ele era um dos outros anjos, e se alguma pessoa, e não da própria Trindade”(Da Trindade, II; 13:23)

“E, portanto, esses três são um”(Da Trindade; X; 11:18)

“…portanto, há três pessoas: visto que então o Pai é Deus, e o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus, por que não três Deuses? Ou então, visto que por causa de sua união inefável estes três são juntos um Deus”(Ibidem, VII; 4:8)

“Assim também o Espírito Santo é um com eles, visto que esses três são um”(Da Trindade, IV; 20:29)

“Visto que em sua própria substância em que estão, os três são um, o Pai, e o Filho e o Espírito Santo, o mesmo, por nenhum movimento temporal, acima de toda a criatura, sem qualquer intervalo de tempo e lugar, e em uma vez um e o mesmo de eternidade em eternidade, como se fosse a própria eternidade, que não é sem verdade e caridade”(Da Trindade, IV;21)

“Mas se vamos investigar o significado que as coisas por estas, não exageradamente entram em nossos pensamentos sobre a Trindade em si, que é uma única Verdade, o Supremo Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, de quem poderia mais ser realmente dito: ‘HÁ TRÊS TESTEMUNHAS, E OS TRÊS SÃO UM’. Estes são as três testemunhas, e os Três são Um. Desta forma, em seguida, as três coisas pelas quais eles são, significadas como saindo do corpo do Senhor: como a partir do Corpo do Senhor soou por diante o comando para ‘batizar as nações em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’. ‘Em nome’, não, nos nomes: ‘PORQUE ESTES TRÊS SÃO UM’, e Deus é Um destes três. E, se de outra forma esta profundidade do mistério que lemos na epístola de João pode ser exposta e compreendida agradavelmente com a fé católica, que não confunde nem divide a Trindade, nem nega que as pessoas são três, e em nenhum caso deve ser rejeitada”Contra Maximiniano[II, 22:3]).

Tomás de Aquino(1225-1274) afirma:

“Mas, como diz Agostinho: ‘Quando dizemos que há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo’”(Suma Teológica, 1ª Parte, Quest. 29, Art. 4)

(27)Crisóstomo(349-407) cita 1 Jo 5:7-8, de forma reminiscente:

“Três testemunhas abaixo, três testemunhas acima, mostrando a inacessibilidade da glória de Deus”(Discurso Contra os Judaizantes, I:3)

“Mas, ó Pai, e Palavra e Espírito, o ser Triúno, e poder e força de vontade…”(Do Conhecimento de Deus e da Santa Teofania).

(28)Teodoro de Mopsuéstia(+ 428 d.C), diz:

“…que João em sua epístola apresenta Deus como uma Trindade”(Um Tratado Sobre a Trindade Em Um Só Deus, a Partir da Epístola de João, o Evangelista)

(29)Elcherius de Lião(+ 434 d.C)(Formulae, C.XI, Seção 3), diz:

“Este número se refere a Trindade na Epístola de João”.

Onde se menciona um número ligado a Trindade na Epístola de João, senão em 1 João 5:7?

(30)Cirilo de Alexandria(378-444 d.C), o famoso patriarca de Alexandria, disse:

“Por ter dito que o Espírito de Deus enquanto é uma das testemunhas[1 Jo 5:7,8], um pouco para a frente, ele acrescenta, ‘o testemunho de Deus é maior'[1 Jo 5:9]: Como, então, ele seria uma criatura quando é dito que ele seria Deus com o Pai Universal, e completando o número da SANTA TRINDADE?”(Tesouro da Santíssima e Consubstancial Trindade)

(31)Leão, o Grande(+461), bispo de Roma, cita-o(Epístola a Flávio de Constantinopla), mencionando a expressão “e os três são um”.

(32)Proclo de Constantinopla(+ 446 d.C), cita 1Jo 5:7, dizendo:

“Ele é Deus como o Pai; o Espírito Santo é como Deus o Pai e o Filho; a pluralidade de pessoas não prejudica a unidade da natureza; a Trindade não divide a substância”(Homília 15 [Elogio ao Apóstolo João])

“Esta é uma grande graça, meus irmãos: um homem simples sobe ao céu com o pensamento de aprender sobre um mistério tão sublime e seguir a Palavra que a fé o fez contemplar saindo do seio do Pai Eterno, como Deus gerado por Deus. Ele viu o Espírito Santo adorado com o Pai e o Filho, e a Trindade em uma Unidade de natureza a quem louvor eterno foi dado”(Ibidem).

(33)O sírio Tiago de Edessa(451-521)cita, de forma reminiscente, cita 1 Jo 5:7-8, afirmando:

“A alma e o corpo e a mente que são santificados por três coisas santas: pela água e sangue e Espírito, e por meio do Pai e do Filho e do Espírito”(Sobre os Santos Mistérios Eucarísticos)

(34)Cesário de Arles(420-542) o cita, dizendo:

“No fato de que vimos três, como já foi dito, ele entendeu o mistério da Trindade, mas como ele os adorou como um, ele reconheceu que há um Deus em três pessoas”(Sermão 83)

“Os três dias que podemos chamar apropriadamente de Pai, Filho e Espírito Santo; porque o Pai é um dia, este Filho é um, e o Espírito Santo é um, e estes três são um”(Sermão 97)

(35)Victor Vitensis (+ 485 d.C), diz:

“Há três que dão testemunho no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um”(Historia persecutionis Africanae Provinciae 3.11).

(36)Fulgêncio(468-527 d.C), bispo africano de Ruspe, cita-o:

“Mas o Espírito Santo está no Pai e no Filho e em si mesmo; como o Evangelista São João tão absolutamente testifica em sua epístola: E os três são um”(De Trinitate, V).

“O bendito Apóstolo São João evidentemente diz: ‘E os três são um’; que foi dito do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como eu já mostrei, quando vocês exigiram de mim por uma razão”(Contra Fabianum).

“Ele nos ensina que um se refere à natureza deles e nós somos às pessoas deles. Da mesma maneira, é dito: ‘Há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito; e estes três são um'”(De Trinitate ad Felicem)

“No Pai, portanto, e no Filho e no Espírito Santo, reconhecemos a unidade de substância, mas não ousamos confundir as pessoas. Porque São João, o apóstolo, testifica dizendo: ‘Há três que dão testemunho no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito, e estes três são um'”(Resposta contra os arianos)

“Na carta de João, e três estão no céu, o Pai, Palavra e o Espírito, e estes três são um”(De Fide Catholica adversus Pintam episcopum Arianum)”.

(37)Zacarias de Mitilene(+552) diz:

“O Senhor e Criador de todas as coisas, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, a Trindade Divina, igualmente tripla e santa unidade”(Disputatio De Mundi)

(38)Cassiodoro(583 d.C)(S. Epistolam Parthos ad Joannis: 10.5.1):

“Além disso, há três que dão testemunho no céu: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estes três são um”(S. Epistolam Parthos ad Joannis: 10.5.1).

(39)Isidoro(560-636), diz:

“Na Epístola de João: Porque há três testemunhas na terra, o Espírito, são aqueles que são testemunhas, a água e o sangue; e os três são um Jesus Cristo; E há três que dão testemunho no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito, e os três são um”(Testemunho das Divinas Escrituras, 2)

(40)Máximo, o Confessor, em suas “Disputas sobre o Concílio de Nicéia”, também cita em grego 1 Jo 5:7

(41)André de Creta(650-740), diz:

Ó Grande Governante, ó reta, toda poderosa Santíssima Trindade: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, ó Deus, Luz e Vida, guarda o vosso rebanho”(Grande Canon)

(42)João de Damasco(675-749), pai grego, diz:

“O Pai Onipotente, a Palavra e o Espírito, três pessoas, todavia, uma natureza e substância, essência mais elevada e divindade mais elevada”(Carmina et Cantica: In Dominicam Pascha)

(43)Ansbert(760 d.C), diz:

“Embora a expressão de testemunho fiel ali encontrada se refira diretamente a Jesus Cristo somente, – ainda assim, caracteriza igualmente o Pai, o Filho e o Espírito Santo; de acordo com essas palavras de São João: ‘Há três que testificam no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e esses três são um'”(Comentário Sobre o Apocalípse)

(44)Ambrósio Autperto(730-784), abade de San Vincenzo, Itália, também cita 1 Jo 5:7:

“Quem é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o primeiro entre os reis da terra’? Por essa maneira de falar, que tem como premissa acima, a expressão da testemunha fiel refere-se apenas ao Filho, portanto, ao mesmo tempo, o Pai e o Espírito Santo dão um testemunho fiel de si mesmos, como está escrito: ‘Há três que dão testemunho no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um'(1 Jo 5:7). No entanto, deve-se saber que, assim como esses três são um, também aprendemos que esses testemunhos são um, onde o testemunho de um insinua o testemunho do outro. Pois assim o Pai dá testemunho do Filho, que ele é a vida eterna, como está escrito: ‘Se aceitarmos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior, porque Ele testificou de seu Filho, enviando-o como Salvador do mundo na Terra'(1 Jo 5:9; 4:14) e pouco depois: ‘E este é o testemunho de que Deus nos deu a vida eterna e esta vida está no Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho não tem vida'(1 Jo 5:11-12), mas também o Espírito Santo dá um testemunho do Filho de que ele é a verdade, como está escrito: ‘É o Espírito que testifica que Cristo é a verdade'(1 João 5:6b)”(Exposição do Apocalípse de João, 1:3).

(45)Pedro Lombardo(1096-1160), disse:

“Que o Pai e o Filho, diz ele, não por confusão de pessoas, mas pela Unidade da Natureza, São João nos ensinou em sua Epístola Canônica, dizendo: ‘Há três que testificam no céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo, e estes três são um”(Segunda Distinção [Libri Quattuor Sententiarum])

(46)O 4º Concílio de Latrão(1215), em um documento, escrito em grego, diz:

“Pois os fiéis de Cristo, diz ele, não são um no sentido de que são algo que é comum a todos, mas no sentido de que constituem uma Igreja em razão da unidade da fé católica e um reino por razão da união da caridade indissolúvel, como lemos na epístola canônica de São João: ‘Há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um'(1 Jo 5:7). E imediatamente é adicionado: ‘E três são os que dão testemunho na terra: o espírito, a água e o sangue; e estes três são um'(1 João 5:8), como é encontrado em alguns códices”(Canon II)

(47)Tomás de Aquino(1226-1274), disse:

“Em sentido contrário, diz a Primeira Carta de João: ‘Eles são três que testemunham no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo’. e para a pergunta Três o que[?], responde-se Três pessoas, como Agostinho diz. Portanto, há somente três pessoas em Deus”(Suma Teológica, I; Quest. 30, Art.3, v.5)

Uma explicação plausível sobre o fato de que 1 Jo 5:7 não ser encontrado nos mais antigos manuscritos gregos, é dada pelos próprios pais da igreja. Por exemplo, Ambrósio((337-397), mencionando os arianos, afirma:

“A qual passagem, Arianos, tão expressamente testifica o que se diz sobre o Espírito, que vocês as removeram de suas cópias, e que seriam suas e não também da Igreja! Pois na época em que Auxencio se apoderou da Igreja de Milão com os braços e as forças da incredulidade ímpia, a Igreja de Sirmium foi atacada por Valens e Ursatius, quando seus sacerdotes caíram da fé. Esta falsidade e seu sacrilégio foram encontrados nos livros eclesiásticos. E pode acontecer que vocês tenham feito o mesmo no passado. E vocês realmente têm sido capazes de apagar as epístolas, mas não podem remover a fé”(Do Espírito Santo, III:10)

Da mesma forma, o historiador Socrátes(380-439), aludindo a 1 João, afirma que “assim, pela própria linguagem dos antigos intérpretes, alguns corromperam esta epístola”(História Eclesiástica, VII:32). O próprio Atanásio também compartilha dessa opinião, pois afirma que era praxe entre os arianos a falsificação de documentos eclesiásticos, quando menciona “as conspirações dos arianos por meio de falsas cartas”(Apologia Contra os Arianos, I:3). Apesar dos inimigos da igreja terem extirpado esse texto de vários manuscritos gregos, sobreviveram alguns contendo 1 Jo 5:7, como o Manuscrito E (Basiliensis)(735 d.C) e o Ψ ou 044[Codex Athous Lavrensi(Século IX), bem como o lecionário conhecido como “Apóstolos”[ou ‘Coleção de Lições’], de data considerada como entre o 4º ou 5º Séculos, lecionário esse, pertencente a Igreja Ortodoxa Grega, e o lecionário ‘Ordo Romanus’ [730 d.C], e também de outros lecionários gregos(o 60 [Séc. XI] e o 173 [Séc.10]).

Assim, o testemunho dos pais da igreja, leva-nos a crer que 1 Jo 5:7 foi suprimido do texto grego, pelos hereges, os inimigos da igreja.

O texto de 1 Jo 5:9 pressupõe o texto trinitário de 1 Jo 5:7, na expressão “o testemunho de Deus é maior”(ACF). O “testemunho dos homens” com base em 1 Jo 5:8, se entende mediante eles serem, passivamente regenerados pelo ‘Espírito’, lavados pela ‘água’[a Palavra de Deus](Ef 5:26) e redimidos pelo “sangue”(Hb 9:12). Isso parece estar subtendido por todo o contexto do verso(1 Jo 5:1-6). Portanto, os homens que são objetos dessas graças divinas, são testemunhas oculares do que Deus fez por eles. Agora, uma vez omitido o texto trinitário de 1 Jo 5:7, onde temos a evidência do “testemunho de Deus”? Portanto, diante dessa evidência, somada ao testemunho dos manuscritos, lecionários gregos, bem como o testemunho dos pais da igreja, entendemos e cremos que a negação da autenticidade e canonicidade de 1 Jo 5:7 ou a sua atual e proposital omissão nas modernas bíblias, se pratica em nome da ignorância, desonestidade intelectual ou impiedade.

(b)Erasmo reconhece 1 Jo 5:7, e o citou em seus escritos:

“Pois o Espírito também é verdade, assim como o Pai e o Filho são. A verdade de que todos os três são um, assim como a natureza de todos os três é uma, assim como a natureza de todos os três é uma. Pois há três no céu que fornecem testemunho de Cristo: o Pai, a Palavra e o Espírito. O Pai, que não uma, mas duas vezes, enviou sua voz do céu e testificou publicamente que este era seu Filho unicamente amado em quem ele não encontrou ofensa; a Palavra , que, por realizar tantos milagres e por morrer e ressuscitar, mostrou que ele era o verdadeiro Cristo, tanto Deus quanto o homem, o reconciliador de Deus e da humanidade; o Espírito Santo, que desceu sobre sua cabeça no batismo e após o a ressurreição desceu sobre os discípulos. A concordância desses três é absoluta: o Pai é o autor, o Filho o mensageiro, o Espírito o inspirador. Há também três coisas na terra que atestam Cristo: o espírito humano que ele depositou na cruz, a água e o sangue que fluiu de seu lado na morte. E essas três testemunhas estão de acordo. Eles testificam que ele era um homem. Os três primeiros declaram que ele é Deus”(Obras Coletadas de Erasmos [em inglês], p. 174)

(c)Modernos Teólogos da Igreja Ortodoxa Grega citam 1 Jo 5:7 como parte da Epístola de João.

Emanual Calecas no século 14 e Joseph Bryennius [1350–1430] no século 15 fazem referência à 1 Jo 5:7 em seus escritos gregos.

Os ortodoxos aceitaram 1 Jo 5:7 como parte da Epístola de João. A Confissão de Fé Ortodoxa, publicada em grego em 1643 pelo estudioso multilíngue Peter Mogila[1596-1464], cita 1 Jo 5:7 =

“Conseqüentemente, o Evangelista ensina (1 Jo 5:7): Há três que dão testemunho no Céu, o Pai, a Palavra e o Espírito Santo e esses três são um …”([A Confissão Ortodoxa da Igreja Católica, Apostólica e Oriental, 1662, p.16], 1762. Greek and Latin in Schaff The Creeds of Christendom, 1877, p.275)

Se 1 Jo 5:7 nunca tivesse sido parte das bíblias gregas, como a Igreja Ortodoxa Grega o citaria em sua própria confissão de fé, sem ouvir-se uma única voz de protesto? Não faria nenhum sentido.

(d)O testemunho dos teólogos reformados e arminianos

(i)François Turrettini(1623-1687) defende a canonicidade de 1 Jo 5:7, apelando para os manuscritos gregos:

“Erasmo, declara que [1 Jo 5:7] é encontrado no muito antigo Códice Britânico, que ele considerou tão oficial que restaurou este versículo, omitido de suas edições anteriores, nas edições posteriores, que ele revisou com o máximo cuidado, como ele mesmo diz”(Compendium Theologiæ didactico-elencticæ, ex theologorum nostrorum institucionalibus theologicis auctum et illustratum. 1695, p.36).

(ii)O arminiano John Wesley(1703-1791), em seu “Sermão sobre a Trindade”, diz:

“Eu insistiria apenas nas palavras diretas, inexplicáveis, exatamente como estão no texto: ‘Há três que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo: E estes três são um’.

‘Como estão no texto’: – mas aqui surge uma pergunta: Esse texto é genuíno? Foi originalmente escrito pelo apóstolo ou inserido em épocas posteriores? Muitos duvidaram disso; e, em particular, a grande luz da igreja cristã, recentemente removida para a Igreja de cima, Bengel, – a mais piedosa, a mais judiciosa e a mais laboriosa de todos os modernos Comentadores do Novo Testamento. Por algum tempo, ele duvidou de sua autenticidade, porque está faltando em muitas das cópias antigas. Mas suas dúvidas foram removidas por três considerações: (1)Que embora esteja faltando em muitas cópias, ainda é encontrado em mais; e aquelas cópias da maior autoridade: – (2.)Que é citado por um ganho de escritores antigos, desde a época de São João até a de Constantino. Este argumento é conclusivo:Pois eles não poderiam tê-lo citado, se não estivesse no cânone sagrado. (3)Que podemos facilmente explicar por ele estar, depois daquela época, faltando em muitos exemplares, quando lembramos que o sucessor de Constantino foi um zeloso ariano, que usou todos os meios para promover sua má causa, para espalhar o arianismo por todo o império; em particular, o apagamento deste texto de tantas cópias quantas caíram em suas mãos. E ele prevaleceu até agora, que a era em que viveu é comumente denominada Seculum Aranium, – ‘a era ariana’; havendo então apenas um homem eminente que se opôs a ele com perigo de vida. De modo que era um provérbio, Atanasius contra mundum: ‘Atanásio contra o mundo'”.

(e)Autoridades da Igreja Católica Romana.

O sacerdote católico romano Anthony Kohlmann(1771-1836), diz:

“Existem várias formas de dar conta dessa omissão e entre outras, pode-se dizer, primeiro, que essa omissão aconteceu por negligência de alguns copistas ignorantes, que, após terem escrito as primeiras palavras do 7º verso ‘há três que dão testemunho’, por um erro dos olhos, pularam a parte restante do texto e passou para o texto imediatamente seguinte, onde as mesmas palavras se repetem; pois tais erros geralmente ocorrem na transcrição, especialmente quando os dois versos e os dois períodos começam e terminam com as mesmas palavras.Outra razão desta omissão é dada pelo autor do prólogo às sete epístolas católicas … (tradução da seção do Prólogo da Vulgata) … Com essas palavras ele não alude obscuramente aos marcionitas ou arianos, que propositalmente apagaram este versículo de todas as cópias que puderam cair em suas mãos; pois eles bem entenderam que por aquele único testemunho sua causa foi desfeita. Com uma perfídia semelhante, Santo Ambrósio(lib. Iii de spiritu sancto cap X) reprova os arianos, que haviam expurgado estas palavras das Escrituras: ‘pois eles bem entenderam que por aquele único testemunho sua causa foi desfeita'”(Unitarismo filosoficamente e teologicamente examinado, 1821, p.173).

Diante de todas estas evidências, novamente repetimos, que, com base em todas estas evidências, somadas ao testemunho dos manuscritos, lecionários gregos, bem como o testemunho dos pais da igreja, entendemos e cremos que a negação da autenticidade e canonicidade de 1 Jo 5:7 ou a sua atual e proposital omissão nas modernas bíblias, se pratica em nome da ignorância, desonestidade intelectual ou impiedade.

Jailson Serafim às 05:11

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Judas foi Predestinado a trair Jesus?

Refutando a Falácia Calvinista que Judas foi Predestinado Para Trair Jesus?


Judas Iscariotes era predestinado por Jesus ao lago de fogo mesmo antes ou depois da fundação do mundo?


O que levou Judas a participar do consórcio para matar Jesus? Será que Cristo o escolheu para tal tarefa horrorosa, ou por ventura já era profética tal atitude e ele não podia resistir? Deus havia programado Judas a participar da morte do seu filho, ou Ele pela sua presciência sabia que seria Judas? Existem algumas questões e alguns pontos que mostram que era impossível que Judas fosse predestinado ao lago de fogo simplesmente por um decreto manipulador da parte do Criador. Jesus não foi injusto com Judas em nenhum momento e que ele teve todas as chances possíveis!
1º. No capítulo 22 e nos versos 14-30 do evangelho de Lucas, é narrada uma reunião onde Cristo instituiu a ceia e que de forma indiscutível são apresentadas 13 pessoas sendo uma delas Jesus e o restante seus 12 apóstolos.
Nessa mesma festividade Jesus refaz a promessa que Ele havia feito há tempos atrás quando após anunciar as boas novas ao jovem rico ele prometeu que os 12 apóstolos se assentariam em 12 tronos para julgar as 12 tribos de Israel (Mt 19:28) e após repetir essa promessa aos 12 apóstolos ele faz mais uma, vejamos:
“E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco (os doze Apóstolos) no reino de meu Pai.” (Mt 26.29).
Observem que Jesus Cristo reforça ainda mais o seu encontro com os 12 apóstolos presentes na mesa da ceia. Para os que creem na doutrina da predestinação fatalista, ficam vários questionamentos insolúveis diante das evidências bíblicas. Isso nos mostra claramente que essa doutrina desenvolvida no século XVI nunca foi crida pelos apóstolos ou pelos pais da igreja. Os predestinacionistas fatalistas ensinam que Jesus quando fez essas promessas não incluiu a Judas pelo simples fato de não ter citado entre os nomes dos 12 que se “assentariam nos” 12 tronos para julgar as 12 tribos chegando até a insinuarem que Jesus fizera as promessas aos 11 apóstolos e que ou Paulo ou Matias estaria sendo insinuado por Jesus nessa noite, embora ele tenha citado o número de tronos que os tais que estavam na ceia se assentariam. E há os que creem que o fato de não aparecer no NT Judas chamando Jesus de Senhor é uma forte prova que ele não era crente de verdade. Todavia essa forma de pensar se torna um erro gravíssimo de interpretação de texto, pois nos textos onde aparece Jesus fazendo essas promessas, sempre é citado os pronomes oblíquos átonos e tônicos, VÓS, VOS e CONVOSCO, pronomes aplicados aos 12 apóstolos originais dentro desse contexto, pois como foi dito no início só estavam presentes Jesus e os seus 12 discípulos. E o fato de não aparecer no Novo testamento o apóstolo Judas chamando Jesus de Senhor em nada influi uma vez que também não vemos Bartolomeu e nem Simão o Zelote assim o chamar.
2ª Judas não foi predestinado ao lago de fogo por um decreto arbitrário da parte de Deus, visto que no texto bíblico são mostradas várias dádivas que somente um crente verdadeiro pode tê-las, como bem podemos ver a seguinte:
“Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.
A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos;
“Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mt 10:1-8 ARA).
Como lemos, Judas recebeu dádivas espirituais na mesma proporção dos demais apóstolos e ainda Jesus o enquadrou naqueles que iriam ser entregues aos sinédrios por amor do seu nome, mas que nenhum dos apóstolos temessem na hora de falar, uma vez que quem falaria por ele seria o Espírito Santo, mas que somente os que perseverassem até o fim poderiam ser salvos (Mt 10.22).
Mas há quem questione que Judas era o diabo, porem o texto diz “um diabo” e não “o diabo”, não há esse artigo definido no texto grego e sim o adjetivo cardinal εἷς: ἀπεκρίθη αὐτοῖς ὁ Ἰησοῦς• οὐκ ἐγὼ ὑμᾶς τοὺς δώδεκα ἐξελεξάμην; καὶ ἐξ ὑμῶν ➜ εἷς διάβολός ἐστιν. (João 6:70 BNT).
Logo, quando Jesus se referiu dessa forma, ele estava comparando a atitude que Judas iria cometer como as do diabo e não que ele fosse o adversário de nossas almas, posto que se Judas fosse o diabo como alguns acham, como Jesus iria dar-lhe poder para exorcizar Satanás se ele era o próprio?
“Como pode Satanás expelir a Satanás?” (Mc 3:23).
3º Se Judas fosse predestinado por Deus ao sofrimento eterno e sem nenhuma chance de ter outro destino, como poderia Jesus ter pronunciado a palavra “amigo”? Palavra explicitada em aramaico e registrada pelo apóstolo João em grego como ἑταῖρε, que segundo os léxicos e dicionários de Walter Bauer BDAG; TDNT; EDNT; FRIBERG; LS; LEH; UBS; THAYER; GNT; LIDDELL-SCOTT e ainda LOW-NIDA da Sociedade Bíblica do Brasil pág/ 400 e o dicionário de STRONG atestam que esse vocábulo significa amigo, companheiro de lutas, camarada, meu amigo e etc…, ele a teria pronunciado como forma hipócrita, pois eu creio que Jesus quando disse “amigo”, Judas era seu amigo mesmo e que Jesus o amou até o fim (Jo 13) como fez ao orar ao Pai que não imputasse culpa aos que o crucificavam visto que eles NÃO sabiam o que estavam fazendo (Mt 27:3-4)?
Deus, na sua presciência, sempre soube que Judas faria tudo o que fez, mas isso não significa que ele não teve todas as oportunidades de fazer seu destino diferente. Judas não poderá acusar ao Soberano do Universo de ter manipulado seu destino e o predestinado de maneira arbitrária a ser um traidor desprezível. Judas deu lugar ao diabo tanto quanto Pedro. Matias poderia ter tomado o lugar de qualquer um, mas Judas fez por merecer o epiteto de TRAIDOR.
Conclusão: Se Judas fosse um “predestinado incondicional” ao lago de fogo, ele não deveria ter recebido as promessas de:
1º Ser um dos juízes que se assentaria em um dos 12 tronos (Lc 22.30).
2º Participar da mesa com Cristo e os demais servos de Deus na glória (Mt 26.29).
3º Ser entregue aos sinédrios por amor ao nome de Jesus (Mt 10.17).
4º Receber a segurança de falar às autoridades inspirado pelo Espírito Santo (Mt 10.20).
5º E não seria jamais considerado com um amigo íntimo de Jesus, pois aquele que é amigo do mundo ou do mal se constitui INIMIGO de Deus-Jesus (Tg 4.4).
Mas por que nenhuma dessas profecias se cumpriu sobre a pessoa do apóstolo Judas? Pelo simples fato de ele não ter escolhido permanecer ou perseverar como ministro do evangelho e obedecer à voz de Deus. Outro caso de promessas não cumpridas é a de Moisés. Moisés que tinha a promessa de entrar na terra prometida com a sua congregação, todavia essa promessa nunca se cumpriu por justamente ele ter escolhido desobedecer a Deus ao ferir a rocha ao invés de falar á rocha como o Senhor ordenara (Nm 20:8-12; Dt 32.50-52). Ou seja, o que se cumpriu em Judas foi nada mais e nada menos do que a exclusão do seu nome do livro da vida como colheita daquilo que ele plantou como bem frisou Deus ao dizer:
“Então, disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro.” (Ex 32.33).
Isto é, qualquer que tiver seu nome escrito no livro da vida, pode tê-lo riscado, basta somente permanecer em desobediência (1ª Tm 4.1-2; 2ª Pe 2). A crença de que Judas nasceu condenado nunca passou pela mente dos cristãos primitivos. Essa ideia equivocada somente passou a ter alguma credibilidade após o movimento estatal de reforma do século XVI e não antes como podemos ver na citação de Crisóstomo: “Judas, meu amado, foi no princípio um filho do reino, e ouviu o que lhe foi dito com os discípulos, Vós sentareis sobre doze tronos; mas depois se tornou um filho do inferno”.
Jesus Morreu Por Judas
Ainda podemos acrescentar que em Lucas 22.19-21 mostra claramente que Jesus morreu também por Judas.
E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós. Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa.
Jesus diz que o sangue derramado por vós (plural) mostrando que é pra todos, no caso inclui os 12 naquela mesa, no versículo 21 deixa claro que Judas estava na mesa com eles.
F. F Bruce comenta o seguinte: “Judas podia ter atendido ao último apelo que Jesus fez naquele gesto de comunhão no cenáculo, mas decidiu, em vez disto, entender-se com o grande adversário. Jesus não tem responsabilidade pela decisão fatal de Judas. Este com os outros discípulos fora dado ao Filho pelo Pai, mas a APOSTASIA é uma possibilidade solene mesmo entre aqueles assim confiados a Jesus”


(F. F. Bruce, João. Introdução e Comentário, Vida Nova. Pg 283, 290).

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Eleição Corporativa no Arminianismo

Sinopse

Uma Visão Corporativa da Eleição

A “eleição” é um dos temas mais relevantes e, ao mesmo tempo, controversos de toda a Bíblia. Aliás, a gênese da polêmica em torno deste assunto, na perspectiva soteriológica, remonta aos embates filosóficos travados no passado entre Pelágio (350-423 d.C.) e Agostinho (354-430 d.C.),1 e, posteriormente – especialmente a partir dos séculos XVI e XVII – assumiu contornos ainda mais bem definidos nos debates estabelecidos entre os proponentes dos sistemas teológicos que ficaram conhecidos como Calvinismo e Arminianismo.

De modo resumido, podemos definir eleição como “a ideia de que Deus escolhe um povo ou indivíduos para pertencer a ele de uma forma única”.2 De maneira mais ampla, no entanto, no Antigo e Novo Testamentos esse termo é empregado para referir-se à “escolha divina de homens, individualmente ou corporativamente, ou para a salvação e para a vida eterna, ou para um ofício ou obra especial”.3 O livro que o leitor tem em mãos buscará dedicar as suas páginas principalmente ao estudo de um dos tipos de eleição encontradas nas Escrituras, a saber, a Eleição Corporativa, doutrina esta segundo a qual, Deus, na antiga aliança, escolheu Israel como povo e, na nova aliança, elegeu a Igreja como povo.

Nas páginas do Antigo Testamento, várias escolhas/eleições divinas podem ser encontradas. Deus escolhe, por exemplo, Abraão (Gn 12:1-3; 18:17-19; Ne 9:7), Moisés (Êx 3:1-10), Arão (Nm 17:5,8), Israel (Dt 7:6-8; Is 44:1-2; Ez 20:5), Davi (1

Rs 8:16; 2 Cr 6:6b), Salomão (1 Cr 28:6), Jerusalém (2 Cr 6:6a), o templo (2 Cr 7:12,16), Jeremias (Jr 1:4-5) e Zorobabel (Ag 2:23), entre tantos outros. Já no Novo Testamento, diversos personagens também são retratados como objetos da eleição/escolha divina. Como exemplo, citamos: os doze apóstolos (Mt 10:1-4; Mc 3:13-19; Lc 6:12-16; Jo 6:70), Matias (At 1:21-26), Paulo (At 9:15; 13:47), Rufo (Rm 16:13), alguns anjos (1 Tm 5:21), Jesus (1 Pd 2:4) e, inclusive, a própria Igreja (1 Pd 2:9).

Além disso, em tempos mais recentes outras interpretações sobre o conceito de eleição surgiram. Dentre elas podemos destacar dois exemplos. Em primeiro lugar, temos a eleição cristológica. Segundo Karl Barth (1886-1968), expoente deste ponto de vista, “Jesus Cristo é o Deus eleito” e, ao mesmo tempo, “Jesus Cristo é o homem eleito”.4 Contudo, embora esta eleição seja primariamente de Jesus Cristo, ela também inclui o homem, ou, para sermos mais precisos, inclui a comunidade de fé, a Igreja, uma vez que Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens.5 Em segundo lugar, temos aquilo que denominamos de eleição de uma classe humana oprimida. De acordo com Gustavo Gutiérrez (1928-presente), um dos idealizadores desse pensamento, “toda a Bíblia, desde o relato de Caim e Abel, está marcada pelo amor e predileção de Deus pelos fracos e maltratados da história humana”.6 Em outras palavras, para o teólogo peruano, Deus “elegeu” os pobres e oprimidos da sociedade humana como objeto especial de seu cuidado e afeição.

A partir dessas breves considerações, podemos perceber a importância que as Escrituras atribuem ao tema da eleição divina em suas páginas. E é sobre esse assunto que o presente livro trata.

Em O Novo Povo Escolhido: Uma Visão Corporativa da Eleição, o autor, William W. Klein, aborda de forma erudita e, ao mesmo tempo, com uma linguagem bastante acessível, o intrigante tema da eleição divina a partir da perspectiva de sua concepção corporativa.

A presente obra, que se encontra em sua edição expandida e revisada, está dividida em quatro seções principais.

Na primeira seção, o conceito de eleição é analisado a partir do Antigo Testamento e de várias fontes judaicas. Esta seção, por sua vez, está subdividida em quatro partes.

Em primeiro lugar, tomando como ponto de partida o verbo hebraico bāchar (“escolher”) – e tendo em mente o próprio Deus como sujeito que escolhe – o autor explica os dois tipos de eleição presentes nas páginas do Antigo Testamento: Deus escolhe indivíduos particulares e também escolhe grupos ou povos. Em seguida, justifica-se o propósito divino por trás da eleição de Israel, bem como define-se a natureza da eleição corporativa e o conceito de solidariedade ou identidade corporativa. Ao término deste item, são apresentadas algumas objeções seguidas de suas respectivas respostas ao conceito de “personalidade corporativa”, e, ao mesmo tempo, argumenta-se em prol da concepção de “solidariedade corporativa”.

Em segundo lugar, a noção de eleição é examinada em vários livros apócrifos e pseudoepígrafos. Estas fontes extra-bíblicas, apesar de não serem consideradas como canônicas por parte do protestantismo cristão evangélico, fornecem, entretanto, farto material de apoio para a compreensão do assunto no contexto judaico em que os escritos neotestamentários surgiram. Nesse trecho da obra, Klein cita com profusão as principais fontes apócrifas e pseudoepígrafas sobre o tema em questão.

Em terceiro lugar, atenção especial é devotada à noção de eleição nos manuscritos de Qumran. Esses documentos, desde os inícios de sua descoberta, em 1947, têm contribuído substancialmente para os estudos bíblicos e teológicos, o que pode-se verificar de igual modo no estudo da eleição.

Em quarto lugar, o tema da eleição também é investigado nos escritos rabínicos. Embora documentos como o Talmude (c. 200-600 d.C.), entre outros mencionados pelo autor neste trecho de sua pesquisa, datem de épocas posteriores àquela dos eventos retratados no Novo Testamento (I Século d.C.), todavia, não é anacrônico pesquisar a sua contribuição para a compreensão dos estudos bíblicos, visto que a “tradição oral” contida nesses documentos pode refletir tradições muito mais antigas do que aquelas sedimentadas em seu registro escrito.7

Na segunda seção, o conceito de eleição é examinado levando-se em consideração os documentos do Novo Testamento. Esta seção está subdividida em seis partes: os evangelhos sinóticos, o livro de Atos dos apóstolos, os escritos joaninos, os escritos paulinos, Hebreus, e, por fim, as epístolas de Tiago, Pedro e Judas. Nesses livros neotestamentários, temas como “a eleição de Deus de seu povo”, assim como “o papel de Deus na aquisição/aplicação da salvação” são explorados a partir da análise detalhada de diversos textos bíblicos. Nesse trecho de sua pesquisa, Klein busca elucidar o sentido dos principais termos gregos que se relacionam de modo direto ou indireto ao tema da eleição, tais como, eklegomai (“escolher”), eklektos (“eleito”), proxeirotoneō (“escolher de antemão”), ginōskō (“conhecer”), proginōskō (“conhecer de antemão”), prognōsis (“presciência”), keimai (“destinar, ordenar”) e tassō (“destinar”), entre outros.

Na terceira seção, algumas conclusões derivadas das seções anteriores começam a ser apresentadas. Nesse ponto de seu exame, Klein discorre com profundidade sobre várias questões, como, a natureza corporativa da eleição para a salvação, as implicações de uma visão corporativa da eleição, a eleição de Cristo, dos doze apóstolos, de Paulo e de outros indivíduos, as implicações da eleição individual para o ministério, a chamada de Deus para a salvação, a presciência e a predestinação de Deus, e, finalmente, o lugar que a vontade de Deus ocupa no plano da salvação.

Por fim, na quarta e última seção, o autor busca fornecer respostas às principais perguntas concernentes à eleição para a salvação no Novo Testamento. Os exemplos a seguir oferecem uma boa amostra das intrigantes perguntas propostas (e respondidas) neste capítulo: “o que o NT diz sobre a base em que uma pessoa se torna eleita enquanto outra não?”, “como o NT compreende a ‘presciência’, ‘predestinação’ e ‘soberania’ (divina) em relação à eleição para a salvação?”, “Deus ama todas as pessoas (incluindo seus inimigos) ou apenas aqueles que ele salva? Deus tem diferentes graus ou tipos de ‘amor’ para os eleitos e os não-eleitos?”, “qual é a natureza da regeneração? A regeneração é simultânea à ‘conversão’ ou ela precede a conversão do pecador?” e, por último, “como esta visão da eleição corporativa pode vir a apoiar a questão do destino dos não-evangelizados (incluindo as crianças)?”.

Em suma, O Novo Povo Escolhido: Uma Visão Corporativa da Eleição é uma das mais importantes obras já publicadas em português, se não a mais relevante, sobre a natureza corporativa da eleição divina. Nesse livro, William W. Klein soube combinar com muita habilidade, exegese bíblica sadia, extensa erudição teológica, vasto conhecimento das fontes judaicas e, o mais importante, um profundo amor pela Palavra de Deus e pelas verdades nela ensinadas.

Parabenizamos a Cânon Editora por disponibilizar ao público brasileiro, bem como ao mundo de fala portuguesa, esta obra de valor inestimável para os estudos bíblicos e teológicos.

Carlos Augusto Vailatti

Doutor em Estudos Judaicos pela USP, Bacharel e Mestre em Teologia.

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A Origem da Alma.

TRÊS PONTOS DE VISTA ACERCA DA ORIGEM DA ALMA HUMANA

Os cristãos têm tido três pontos de vista básicos acerca da origem da alma, o primeiro, a visão da pré-existência, a qual foi, subseqüentemente considerada herética, um a vez que contradiz o ensinamento claro das Sagradas Escrituras acerca da criação dos seres humanos.
O ponto de vista da pré-existência apresenta duas variantes: a platônica (não-criada) e a cristã (criada).

A primeira serve como pano de fundo para a compreensão da segunda.
Duas Formas de Perspectiva da Pré-existência
A Visão da Pré-existência Não-criada.
De acordo com Platão (c. 427-347 a.C.), a alma do ser humano não é intrinsecamente imortal, contudo ela também é eterna, ela nunca foi criada, mas é parte integrante do mundo eterno que existe à parte de Deus (os Demiurgos),tal qual ocorre com o mundo das Formas eternas (das Idéias) proposto por Platão, também existem, segundo o mesm o filósofo, almas eternas que existem em virtude da Alma Cósmica, a qual
anima todas as coisas.

Antes do nascimento, supostamente, estas almas entrariam em um corpo (no ventre de uma mulher) e se “encarnam ” em um corpo humano. Assim, os seres humanos são, essencialmente, almas eternas que habitam temporariamente em
corpos físicos. Assim se apresenta a visão da pré-existência, e os problemas com ela se
agrupam em três categorias:

(1) ela não é bíblica, (2) ela não é científica e (3) também não é filosoficamente consistente.

Primeiro, a Bíblia declara de forma clara que os seres humanos foram criados, tanto o corpo, quanto a alma.
E, se foram trazidos à existência em um determinado momento no tempo, pode-se afirmar que não existiam na eternidade passada.
Segunda, as evidências científicas indicam que a vida individual se inicia na concepção.
Terceiro, um número infinito de momentos é algo impossível, já que o momento presente é o final de todos os momentos que o antecederam, e uma série infinita de momentos não pode apresentar fim (vide Craig, K C A ).

Assim, nenhum ser humano(temporal) pode ser eterno.
A Visão da Pré-existência Criada.
A visão da pré-existência criada, sustentada por alguns pais da igreja pós-apostólica,apresenta muitas semelhanças com o ponto de vista de Platão. Orígenes (c. 185-C.254 d.C.) e até mesmo Agostinho (na sua juventude) acreditavam que a alma existia antes do nascimento, com a diferença de que em vez de possuir existência independente da sua criação na eternidade, ela teria sido criada por Deus, desde a eternidade.

Ao insistir na criação, os aderentes da visão da pré-existência criada esperavam preservar a dimensão cristã da visão platônica, mas, apesar disso, foram condenados como hereges.
Agostinho corretamente reverteu esta ligação errônea com o Pré-encarnacionismo na sua obra Retractions (Retrações); pois a Bíblia declara que os seres humanos tiveram um começo(cf. Gn 1.27; Mt 19.4).
A Perspectiva da Criação: A Alma Foi Criada Diretamente por Deus.

Depois de abordarmos as duas formas insustentáveis de visão da pré-existência, restam-nos ainda duas outras perspectivas básicas, defendidas pelos teólogos ortodoxos, acercada origem da alma humana depois da criação original, a primeira é o Criacionismo, ao qual examinaremos neste momento, e a segunda é o Traducionismo, que veremos mais adiante.

A essência do Criacionismo, a respeito da alma humana, é que Deus cria diretamente um novo indivíduo para todas as pessoas que nascem neste mundo,apesar do corpo de cada novo ser humano ser gerado pelos seus pais por intermédio de um processo natural, a alma é sobrenaturalmente criada por Deus.
Vários autores cristãos têm defendido o momento desta criação direta da alma em diferentes pontos do desenvolvimento do corpo humano.

Existem várias vertentes acerca deste tema:
A Criação da Alma na Concepção
A maior parte dos cristãos evangélicos que defendem a visão criacionista sustenta
que a criação da alma por Deus ocorre no momento da concepção,existem evidências
bíblicas e científicas a favor desta posição.
As Evidências Bíblicas Davi escreveu: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (SI 51.5). Jesus foi o Deus-homem a partir do momento da concepção, pois o anjo declarou: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo”.

As Evidências Científicas.
A ciência moderna nos proporcionou uma janela para o ventre feminino,como resultado, hoje em dia as evidências são mais claras do que nunca: o início da vida individual (da alma humana) dar-se no exato momento da concepção (fertilização).

Primeiro, constitui-se num fato genético o fato de um óvulo humano fertilizado ser cem por cento humano,a partir daquele exato momento, toda a informação genética já está presente naquela vida, e nada mais se acrescenta do momento da concepção até a morte do indivíduo.
Segundo, todas as características físicas daquela vida já estão contidas no código genético presente na concepção.
Terceiro, o sexo daquela criança já é determinado no momento da concepção.
Quarto, um óvulo feminino apresenta vinte e três cromossomos; um espermatozóide
masculino, outro vinte e três; um ser humano normal apresenta quarenta e seis cromossomos. No exato momento da concepção, quando o espermatozóide masculino se une com o óvulo feminino, surge um novo ser humano minúsculo com quarenta e seis cromossomos.
Quinto, do momento da concepção até a morte, nada mais é acrescentado, salvo alimento, ar e água.
Sexto, e último, Jerom e Lejeune, geneticista mundialmente renomado (1925/[…])
declarou:
Aceitar o fato de que depois da fertilização ocorrer, um novo ser humano é formado,
não é mais uma questão de gosto ou opinião,a natureza do ser humano, a partir da concepção até a idade avançada, não se trata de controvérsia metafísica, mas sim, fruto de
evidências claras experimentais. (Conforme citado por Geisler e Beckwith, MLD, 16)
Criação da Alma na Fixação do Óvulo.
Outros escritores cristãos sustentam que a alma é criada no momento em que o óvulo fertilizado se fixa ao útero,a base para isto é, supostamente, o fato de que gêmeos idênticos podem ocorrer até o estágio embrionário (duas semanas ou quatorze dias depois da concepção); logo, parece não ser plausível se falar de um indivíduo humano onde existe a possibilidade de se haver dois,Neste caso, teríamos que considerar, por exemplo, que o indivíduo original (o zigoto) morre quando ele se torna dois gêmeos,além disso,argumenta-se que experimentos em ovelhas e camundongos, os quais, a exemplo dos seres humanos, também têm gestações intra-uterinas, mostram que não existe um ser individual antes do término da fixação do óvulo no útero,todavia, existem boas razões para se rejeitar esta conclusão.
A Criação da Alma depois da Implantação.
Tomás de Aquino, seguindo os passos de Aristóteles (384-322 a.C.), colocou a criação da alma logo após à concepção, ele argumentou que apesar da alma animal ter sido gerada pelos pais, a alma racional, na qual reside a humanidade da pessoa, não se forma antes dos quarenta dias para os indivíduos do sexo masculino e dos noventa dias para os do sexo feminino (CSPI, Dist. III, Art. II).
Esta visão se baseava em um modelo aristotélico antiquado da biologia.

Este conceito não tinha qualquer base científica, tampouco escriturística,ele é motivo de constrangimento tanto para os católicos como para o movimento a favor da vida em geral, já que se fosse verdadeiro, um óvulo fertilizado, inicialmente, não seria verdadeiramente humano e estaria, portanto, sujeito ao aborto nas primeiras semanas depois da concepção.
A maior parte dos teólogos católicos está convencida de que Tomás de Aquino teria repudiado esta visão pós-fixação se tivesse tido contato com os fatos científicos que hoje nos estão disponíveis (vide Heaney, “AHC” in H LR, 63-74).
A Criação da Alma no Momento da Animação
Alguns teólogos especulam que Deus não cria a alma humana até momentos antes de um bebê começar a se mexer no útero da mãe,Isto, entretanto, baseia-se em uma teoria científica desatualizada bem como em um entendimento inadequado da alma.

(A alma era considerada o “princípio do automovimento”; logo, quando a vida começava a se mexer no útero, a mãe considerava que Deus havia colocado uma alma nela.)
A Criação da Alma no Nascimento por último, alguns cristãos argumentam em defesa da visão de que as almas humanas individuais são criadas no nascimento,para isso, eles apresentam dois argumentos principais:
Primeiro, a vida humana é designada biblicamente a partir do nascimento (cf. Gn
5.1ss).
Segundo, Adão não era humano até que começou a respirar, como declara Gênesis 2.7:
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego
da vida; e [então] o homem foi feito alma vivente” (grifo acrescentado).
Respondendo a estes argumentos em ordem invertida, Adão foi, na verdade, um caso atípico, já que foi criado diretamente por Deus, contudo o fato de ele não ter se tornado humano antes de respirar, não é decisivo para concluirmos quando a vida de um indivíduo inicia-se, isto, pelas várias razões a seguir:
Primeiro, Adão não foi concebido, nem nasceu como os outros seres humanos; como
já observamos, ele foi criado diretamente por Deus.
Segundo, o fato de Adão não ter sido humano antes de começar a respirar não serve de
prova para o momento em que a vida humana inicia-se, da mesma forma que o fato dele
ter sido criado já adulto não prova também que a vida humana não começa enquanto
não atingimos a idade adulta.
Terceiro, a respiração em Gênesis 2.7 (hebraico: ruach) denota a origem da “vida” (cf. Jó33.4). Isto indica, portanto, que a vida começou quando Deus concedeu a vida a Adão, e não simplesmente porque Adão começou a respirar.

A vida humana foi mais tarde concedida à sua posteridade na fertilização ou concepção (Gn 4.1).
Quarto, os animais apesar de respirarem, não são pessoas (Gn 7.21-22). Obviamente, a
respiração, por si mesma, não era o fator determinante da humanidade de Adão.
Quinto, falando pela ótica da medicina, muitas pessoas que, em algum momentoda vida, deixam de respirar mais tarde, são reanimados e retornam à vida (ou acabam vivendo com o auxílio de equipamentos),o ser humano não nascido não pode ser visto(sem o uso de instrumentos) no útero e, portanto, não faz parte da cena social até onascimento.
Sexto, se a “respiração” for equiparada à “presença da vida hum ana,” então, a perda da
respiração significaria a perda da humanidade. Todavia, a Palavra de Deus ensina que o
ser humano continua a existir mesmo depois que a respiração esvaice (Fp 1.23; 2Co 5.6-8;
Ap 6.9).
Sétimo, e por último, as Sagradas Escrituras já falam da existência de vida humana no útero muito antes da respiração iniciar, ou seja, desde o momento da concepção (SI 51.5;
M t 1.20).Com relação ao argumento de que a vida humana é designada na Bíblia a partir do
nascimento [Gn 5.1ss], deve-se observar que os versículos que tratam da respiração não
falam do início da vida humana, mas simplesmente da ocorrência da primeira manifestação do ser (quando o ser humano começa a respirar). Estas passagens tratam do início da vida observável, não do início da vida em si mesma,mesmo nos tempos bíblicos, as pessoas sabiam que um bebê já estava vivo no útero da mãe (cf. Lucas 1.44). O nascimento não era visto como o começo da vida humana, mas simplesmente como o começo ou o surgimento — a estréia humana — da vida neste mundo natural visível.

A Visão Traducionista:

A Alma é Criada indiretamente por Intermédio dos Pais,o termo traducionista tem sua origem no vocábulo latino tradux, que significa “ramo de uma videira.” Ao ser aplicado à origem da alma, segundo os traducionistas, a palavra significa que cada novo ser humano é um ramo que sai dos seus pais, isto é, tanto a alma, quanto o corpo são gerados pelo pai e pela mãe,em resposta à visão criacionista (a qual defende que Deus cria cada vida nova diretamente no útero), os traducionistas (ou traducianos) observam, primeiramente, que a criação só foi completada no sexto dia
(G n 2.2; D t 4.32; M t 13.35) e que Deus agora está em descanso e nada mais criou depois
daquele momento (Hb 4.4). Além disso, os traducionistas observam que as evidências
científicas indicativas do início da vida humana (da alm a) são claras: a vida surge na união entre o espermatozóide e do óvulo dos pais, sendo primeiram ente concebida no útero, formando um indivíduo completo.
Por fim, o Traducianismo aponta que a visão criacionista não explica a herança do pecado original,certamente, um Deus perfeito não criaria uma alma decaída,tampouco podemos aceitar a idéia gnóstica de que o contato de um a alma pura com o corpo material (no ventre materno) precipita a sua Queda,a explicação mais razoável é que tanto a alma quanto o corpo decaídos são gerados naturalmente a partir dos nossos pais.

RESUMO E CONTRASTE DOS TRÊS PONTOS DE VISTA BÁSICOS
Apesar de tanto os criacionistas quanto os traducionistas acreditarem que é Deus quem cria todas as almas, os criacionistas afirmam que Ele faz isto diretamente no útero materno, ao passo que os traducionistas insistem que ele faz isto de forma indireta por intermédio dos pais.
Especificamente falando, o Criacionismo defende que apesar de cada novo corpo humano ser gerado pelos pais, cada nova alma humana é diretamente criada por Deus.
A visão da pré-existência, originada em Platão, declara que todas as almas existiam antes do mundo ser criado — que elas são modelo ideológico, alguns pais da igreja acreditavam que cada alma havia sido criada por Deus antes do início deste mundo e, mais tarde, antes do nascimento, entrava em um corpo,todavia, diferentemente da visão platônica e das outras visões não-cristãs, Orígenes e o “Agostinho inicial,”por exemplo, não acreditavam que havia a reencarnação da alma depois da morte (vide Geisler e Amano, RS).

Lembrando que há cinco teorias sobre a Origem da Alma*:
1) preexistência;
2) criacionismo;
3) traducianismo;
4) Emanacionismo e
5) participativa ou cooperativa



Texto em caixa alta (Madson Junialysson)
Norman Geisler
Teologia sistemática CPAD vo.l 2

Madson Junialysson.

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Os Elementos do Dispensacionalismo


Charles Ryrie é respeitado como uma voz normativa do dispensacionalismo clássico. No seu livro Dispensationalism[ii] [Charles Ryrie, Dispensationalism (Moody Press, 1995)] ele propõe três elementos essenciais ou sine qua non do dispensacionalismo (pgs. 38–41):

Um dispensacionalista faz uma distinção entre Israel e a Igreja.
Um dispensacionalista sempre usa o método literal de interpretação no seu sistema de hermenêutica bíblica.
Um dispensacionalista entende que a glória de Deus é o propósito fundamental de toda a história.
Antes de analisar mais profundamente esses sine qua non, é interessante notar o que não é essencial ao dispensacionalismo. Primeiro, não é o uso da palavra dispensação que faz de um teólogo um dispensacionalista. Charles Hodge, por exemplo, cria em quatro dispensações, mas era um teólogo do pacto [Charles Hodge, Teologia Sistemática]. Segundo, ser pré-milenista não é ser dispensacionalista. George E. Ladd, entre outros é pré-milenista, mas não é dispensacionalista. Terceiro, o número de dispensações que uma pessoa reconhece não é um elemento essencial ao dispensacionalismo. Embora o número mais comum seja sete, esse número não é sagrado e alguns dispensacionalistas não aceitam as sete. Essencial é reconhecer a distinção entre Israel e a Igreja, ou seja, entre a dispensação da lei e da graça.

Como se deve pensar sobre esses elementos essenciais? O terceiro sine qua non, que a glória de Deus é o propósito fundamental de toda a história, foi desenvolvido em contraste com a ênfase da teologia do pacto sobre a redenção. Ryrie diz: “O teólogo do pacto, na prática, crê que esse propósito é a salvação…, e o dispensacionalista diz que o propósito é mais amplo do que este; a saber, a glória de Deus” [Dispensationalism, p. 40]. O problema com isto é que nenhum teólogo conservador rejeitaria a glória de Deus como sendo o tema principal das Escrituras. Então, esse sine qua non é um distintivo que não distingue.

O segundo sine qua non é mais distintivo, mas precisa ser elaborado e explicado. Primeiro, isso não significa que só os dispensacionalistas praticam uma hermenêutica gramático-histórica. Porém, só o dispensacionalista faz questão de ser consistente na sua prática desta hermenêutica. O teólogo do pacto, por exemplo, que é a-milenista e não crê que haverá um futuro para a nação de Israel, tende a espiritualizar aquelas passagens no AT que falam de uma futura restauração de Israel (por exemplo, Ez 37:1–14) e substituir a igreja no lugar de Israel. O dispensacionalista progressivo pratica uma hermenêutica complementar que é, às vezes, denominada sensus plenior (sentido mais pleno). Blaising e Bock explicam:

O Novo Testamento introduz mudanças e avanços; não apenas repete a revelação do Antigo Testamento. Ao fazer adições complementares, porém, não descarta as antigas promessas. A melhoria não vem às custas da promessa original.

A promessa do Antigo Testamento não foi substituída; foi aberta, esclarecida, e adaptado a um período no progresso da reflexão apostólica sobre os ensinamentos e ações de Jesus. [ A. Blaising e Darrell CraigL. Bock, eds., Dispensationalism, Israel, and the Church (Zondervan, 1992), pgs. 392–393, 59.]

O dispensacionalista tradicional rejeitaria essa hermenêutica complementar.

Thomas Ice resume bem a questão da interpretação literal:

Embora a hermenêutica gramático-histórica seja usada por todos os evangélicos, muitos acreditam que somente os dispensacionalistas tentam aplicá-la consistentemente de Gênesis a Apocalipse. Evangélicos não dispensacionalistas tendem a usar uma hermenêutica gramático-histórico-teológica (uma forma branda de espiritualização, já que substituem Israel do AT com a igreja baseados no que acreditam ser uma base teológica do NT). A essa altura, dispensacionalistas simplesmente crêem que a interpretação gramático-histórica precisa ser consistentemente aplicada. [Thomas D. Ice, “Dispensational Hermeneutics” em Issues in Dispensationalism, ed. Wesley R. Willis e John R. Master (Moody, 1994), p. 45.]

Segundo, esse distintivo do dispensacionalismo não significa que o dispensacionalista não reconhece a existência de figuras de linguagem. Ele as reconhece. Quando ele diz “interpretação literal” está referindo à interpretação normal.

Terceiro, esse distintivo não significa que a interpretação de cada passagem bíblica é direta e simples. O dispensacionalista reconhece dois problemas de grande porte com o seu sistema: (1) o relacionamento da igreja com a Nova Aliança (Hb 10:15s) e (2) o uso de algumas passagens do AT no NT quando se referem no seu contexto original a um Israel futuro, mas que o NT afirma serem cumpridas na presente igreja (e.g., Jl 2 e At 2:16s). Esses problemas são difíceis, mas há soluções exegeticamente aceitáveis que partem de uma hermenêutica gramático-histórica.

O que é, então, a essência do dispensacionalismo? Myron Houghton responde: “A essência do dispensacionalismo é que Israel e a Igreja, assim como o programa divino para cada um desses, são clara e consistentemente distinguidas. A revelação concernente ao programa divino para cada um não trata de meios de salvação, mas de meios de administrar a vida” [Myron Hougton, “Progressive Dispensationalism: A Traditional Dispensational Critique”, Faith Pulpit (Janeiro de 1995), p. 1.] A Bíblia enfatiza a continuidade da salvação. Ela é, e sempre foi, somente pela graça por meio da fé (2Tm 3:15). Na mente de Deus ela sempre se baseou na morte sacrificial de Jesus Cristo (1Pe 1:19–20). Ao mesmo tempo, a Bíblia enfatiza a descontinuidade entre maneiras diferentes de ordenar a vida (Jo 1:17).

REFERÊNCIAS:

Dispensationalism[ii] [Charles Ryrie, Dispensationalism (Moody Press, 1995)]
” [Dispensationalism, p. 40].
. [ A. Blaising e Darrell CraigL. Bock, eds., Dispensationalism, Israel, and the Church (Zondervan, 1992), pgs. 392–393, 59.]
[Thomas D. Ice, “Dispensational Hermeneutics” em Issues in Dispensationalism, ed. Wesley R. Willis e John R. Master (Moody, 1994), p. 45.]
[Myron Hougton, “Progressive Dispensationalism: A Traditional Dispensational Critique”, Faith Pulpit (Janeiro de 1995), p. 1.]Pr. Mark A. Swedberg

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Quem Matou Jesus?

Acts 2:23 τουτον τη ωρισμενη βουλη και προγνωσει του θεου εκδοτον λαβοντες δια χειρων ανομων προσπηξαντες ανειλετε
Atos dos Apóstolos 2:23 a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos;

” a este que vos foi ” “*entregue*

At 2:23: “…ele, que foi entregue pelo conselho determinado e pela presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o pelas mãos de ímpios…” ( Versão Almeida séc. XXI )

At 2:23: “Este homem, entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus, vós o matastes, crucificando o pela mão dos ímpios.” ( Versão BDJ – 1981 ).

As duas versões como outras , expressam o verbo *entregar* , da onde se origina a palavra grega ” *εκδοτος* ” , com o Sig.: *Entregue a alguém ou abandonado voluntariamente por alguém à outrem* , **para um propósito.*
*
A expressão grega τοῦτον…ἔκδοτον traduzida por ” *entregue* ” se trata de uma entrega de Jesus previamente permitida por Deus,porém toda ação foi feita pelos judeus fazendo que Ele fosse morto pelos romanos.

Em João 10:17 – 18 diz
Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la, Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Ao que tudo indica,parece um paradoxo, porém se entende que em Atos o sujeito é Deus que entrega , mas em João, o sujeito é o próprio doador, Cristo,No caso de João, não há responsabilidade humana, como no texto lucano em atos.Deus é o Agente,o Doador é Cristo.

Em Atos A expressão pelo *Determinado* *ὡρισμένῃ*de *ὁρίζω*, fixar,colocar, Determinar, **Conselho*βουλή*que significa *Plano*, *Propósito*,se tratando de um dativo juntamente com **προγνώσει**de **prognosis*conhecer* de *antemão* , conhecer antecipadamente,fica explícito que o autor tem em mente em 2.23 a idéia de que na *Presciência de Deus,ele viu que era Necessário enviar um Salvador para os homens,Deus Determinou e *βουλή, planejou **, *um sacrifício que salvasse os homens e permitiu que as mãos ímpias dos homens o executassem.*

Ou seja,O *desígnio* de Deus *é o plano salvifico* , onde ele envia seu filho para morrer pelos nossos Pecados, é isso que o apóstolo tem em mente.*

Quanto a maldade dos homens, eles mesmos que faziam suas atrocidades Deus não teve nada haver com isso.
Calvinistas usam o compatibilismo para defender sua tese, Porém se formos pela lógica do compatibilismo, entenderemos que tudo não passa de um Teatro.

Referências:

Bíblia Sagrada,Texto Majoritário.

Novo Testamento interlinear Analítico Paulo Sérgio Gomes e Odayr Olivetti.

Dicionário Strong Novo Testamento.

Madson Junialysson

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Teologia

50 razões para um arrebatamento pré-tribulacional por Dr. John F. Walvoord

50 razões para um arrebatamento pré-tribulacional por Dr. John F. Walvoord
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Na discussão anterior do pré-milenismo em relação à Tribulação, os respectivos argumentos para pré-tribulacionismo, arrebatamento parcial, pós-tribulacionismo e médio-tribulacionismo foram examinados e a posição pré-tribulacional em geral sustentada. A título de conclusão e resumo, cerca de cinquenta argumentos para o pré-tribulacionismo podem agora ser propostos. Não se presume que a declaração desses argumentos em si estabeleça sua validade, mas sim que a discussão anterior apóie e justifique esse resumo de razões para a visão pré-tribulacional.

Por uma questão de brevidade, o termo arrebatamento ou tradução é usado para a vinda de Cristo para Sua igreja, enquanto o termo segunda vinda é uniformemente usado como uma referência à Sua vinda à terra para estabelecer Seu reino milenar, um evento que todos consideram pós-tribulacional. Embora as palavras arrebatamento e tradução não sejam exatamente idênticas, elas se referem ao mesmo evento. Pelo termo arrebatamento, faz-se referência ao fato de que a igreja é “arrebatada” da terra e levada para o céu. Pelo termo tradução, o pensamento é transmitido que aqueles que são assim arrebatados são transformados em seus corpos físicos de corpos naturais e corruptíveis para corpos espirituais, incorruptíveis e imortais. Estritamente falando, os mortos são ressuscitados enquanto os vivos são trasladados. No uso comum, no entanto, essa distinção normalmente não é mantida.

Na discussão, a visão pós-tribulacional é considerada a principal concorrente contra o pré-tribulacionismo e está principalmente em mente na reformulação dos argumentos. As outras posições, no entanto, também são mencionadas na medida em que se opõem ao pré-tribulacionismo em algum ponto especial. A discussão anterior apontou para a preponderância do argumento em apoio da posição pré-tribulacional, e a reafirmação a seguir deve servir para esclarecer as questões envolvidas.

_ Argumento histórico

1. Embora o pós-tribulacionismo tenha aparecido já em 2 Tessalonicenses 2, muitos na igreja primitiva acreditavam na iminência do retorno do Senhor, que é uma doutrina essencial do pré-tribulacionismo.

2. O desenvolvimento detalhado da verdade pré-tribulacional durante os últimos séculos não prova que a doutrina seja nova. Seu desenvolvimento é semelhante ao de outras doutrinas importantes na história da igreja. Hermenêutica

3. O Pré-tribulacionismo é a única visão que permite a interpretação literal de todas as passagens do Antigo e do Novo Testamento sobre a Grande Tribulação.

4. O Pré-tribulacionismo distingue claramente entre Israel e a igreja e seus respectivos programas.
_Natureza da Tribulação

5. O Pré-tribulacionismo mantém a distinção bíblica entre a Grande Tribulação e a tribulação em geral que a precede.

6. A Grande Tribulação é interpretada apropriadamente pelos pré-tribulacionistas como um tempo de preparação para a restauração de Israel (Dt 4:29-30; Jr 30:4-11). Não é o propósito da Tribulação preparar a igreja para a glória.

7. Nenhuma das passagens do Antigo Testamento sobre a Tribulação menciona a igreja (Deut. 4:29-30; Jer. 30:4-11; Dan. 8:24-27; 12:1-2).

8. Nenhuma das passagens do Novo Testamento sobre a Tribulação menciona a igreja (Mateus 13:30, 39-42, 48-50; 24:15-31; 1 Tessalonicenses 1:9-10, 5:4-9; 2 Tessalonicenses 2:1-11; Ap. 4-18).

9. Em contraste com o Midtribulationism, a visão pré-tribulacional fornece uma explicação adequada para o início da Grande Tribulação em Apocalipse 6. Midtribulationism é refutado pelo ensino claro das Escrituras de que a Grande Tribulação começa muito antes da sétima trombeta de Apocalipse 11.

10. A distinção adequada é mantida entre as trombetas proféticas das Escrituras pelo pré-tribulacionismo. Não há base adequada para o argumento central do meio-tribulacionismo de que a sétima trombeta de Apocalipse é a última trombeta, pois não há conexão estabelecida entre a sétima trombeta de Apocalipse 11, a última trombeta de 1 Coríntios 15:52 e a trombeta de Mateus 24:31. São três eventos distintos.

11. A unidade da septuagésima semana de Daniel é mantida pelos pré-tribulacionistas. Em contraste, o pós-tribulacionismo e os mesotribulacionistas destroem a unidade da septuagésima semana de Daniel e confundem o programa de Israel com o da igreja.

_Natureza da Igreja

12. A trasladação da igreja nunca é mencionada em nenhuma passagem que trata da segunda vinda de Cristo após a Tribulação.

13. A igreja não é designada para a ira (Romanos 5:9; 1 Tessalonicenses 1:9-10; 5:9). A igreja, portanto, não pode entrar “no grande dia da sua ira” (Ap 6:17).

14. A igreja não será vencida pelo dia do Senhor (1 Tessalonicenses 5:1-9), que inclui a Tribulação.

15. A possibilidade de um crente escapar da Tribulação é mencionada em Lucas 21:36.

16. A igreja de Filadélfia recebeu a promessa de libertação da “hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro para provar os que vivem na terra” (Ap 3:10).

17. É característico do trato divino libertar os crentes antes que um julgamento divino seja infligido ao mundo, conforme ilustrado na libertação de Noé, Ló, Raabe, etc. (2 Pedro 2:5-9).

18. Na época da transladação da igreja, todos os crentes vão para a casa do Pai no céu (João 14:3) e não retornam imediatamente à terra depois de encontrarem Cristo nos ares, como ensinam os pós-tribulacionistas.

19. O Pré-tribulacionismo não divide o corpo de Cristo no Arrebatamento em um princípio de obras. O ensino de um arrebatamento parcial é baseado na falsa doutrina de que a transladação da igreja é uma recompensa por boas obras. É antes um aspecto climático da salvação pela graça.

20. As Escrituras ensinam claramente que todos, não parte, da igreja serão arrebatados na vinda de Cristo para a igreja (1 Coríntios 15:51-52; 1 Tessalonicenses 4:17).

21. Em oposição à visão de um arrebatamento parcial, o pré-tribulacionismo é fundado no ensino definitivo das Escrituras de que a morte de Cristo liberta de toda condenação.

22. Os remanescentes piedosos da Tribulação são retratados como israelitas, não como membros da igreja como sustentados pelos pós-tribulacionistas.

23. A visão pré-tribulacional, em oposição ao pós-tribulacionismo, não confunde termos gerais como eleitos e santos, que se aplicam aos salvos de todas as eras, com termos específicos como igreja e aqueles em Cristo, que se referem apenas aos crentes desta era.

_Doutrina da Iminência

24. A interpretação pré-tribulacional ensina que a vinda de Cristo é realmente iminente.

25. A exortação para ser consolado pela vinda do Senhor (1 Tessalonicenses 4:18) é muito significativa na visão pré-tribulacional e é especialmente contrariada pela maioria dos pós-tribulacionistas.

26. A exortação para esperar “a manifestação gloriosa” de Cristo aos Seus (Tito 2:13) perde seu significado se a Tribulação deve intervir primeiro. Os crentes nesse caso devem procurar por sinais.

27. A exortação para nos purificarmos em vista da volta do Senhor tem mais significado se Sua vinda for iminente (1 João 3:2-3).

28. A igreja é uniformemente exortada a esperar a vinda do Senhor, enquanto os crentes na Tribulação são orientados a esperar por sinais.

_A Obra do Espírito Santo

29. O Espírito Santo como o limitador do mal não pode ser tirado do mundo a menos que a igreja, na qual o Espírito habita, seja trazida ao mesmo tempo. A Tribulação não pode começar até que esta restrição seja levantada.

30. O Espírito Santo como o limitador deve ser retirado do mundo antes que “o iníquo”, que domina o período da tribulação, possa ser revelado (2 Tessalonicenses 2:6-8).

31. Se a expressão “a não ser que primeiro venha a apostasia” (KJV) for traduzida literalmente, “a não ser que venha primeiro a partida”, isso mostraria claramente a necessidade do Arrebatamento ocorrer antes do início da Tribulação.

_Necessidade de um intervalo entre o arrebatamento e a segunda vinda

32. De acordo com 2 Coríntios 5:10, todos os crentes desta era devem comparecer perante o tribunal de Cristo no céu, um evento nunca mencionado nos relatos detalhados relacionados com a segunda vinda de Cristo à terra.

33. Se os vinte e quatro anciãos de Apocalipse 4:1-5:14 são representativos da igreja como muitos expositores acreditam, seria necessário o arrebatamento e recompensa da igreja antes da Tribulação.

34. A vinda de Cristo para Sua noiva deve ocorrer antes da Segunda Vinda à terra para a festa de casamento (Ap 19:7-10).

35. Os santos da tribulação não são trasladados na segunda vinda de Cristo, mas exercem ocupações comuns, como lavrar e construir casas, e terão filhos (Isaías 65:20-25). Isso seria impossível se todos os santos fossem trasladados na Segunda Vinda à terra, como ensinam os pós-tribulacionistas.

36. O julgamento dos gentios após a Segunda Vinda (Mt 25:31-46) indica que tanto os salvos quanto os não salvos ainda estão em seus corpos naturais. Isso seria impossível se a tradução tivesse ocorrido na Segunda Vinda.

37. Se a tradução ocorresse em conexão com a Segunda Vinda à Terra, não haveria necessidade de separar as ovelhas dos bodes em um julgamento subseqüente, mas a separação teria ocorrido no próprio ato da tradução do os crentes antes de Cristo realmente estabelecem Seu trono na terra (Mt 25:31).

38. O julgamento de Israel (Ez 20:34-38), que ocorre após a Segunda Vinda, indica a necessidade de reunir Israel. A separação dos salvos dos não salvos neste julgamento obviamente ocorre em algum momento após a Segunda Vinda e seria desnecessária se os salvos tivessem sido previamente separados dos não salvos pela tradução.

_Contrastes entre o arrebatamento e a segunda vinda

39. Na época do Arrebatamento os santos encontram Cristo nos ares, enquanto na Segunda Vinda Cristo retorna ao Monte das Oliveiras para encontrar os santos na terra.

40. Na época do Arrebatamento, o Monte das Oliveiras permanece inalterado, enquanto na Segunda Vinda ele se divide e um vale é formado ao leste de Jerusalém (Zac. 14:4-5).

41. No Arrebatamento, os santos vivos são trasladados, enquanto nenhum santo é trasladado em conexão com a segunda vinda de Cristo à terra.

42. No Arrebatamento os santos vão para o céu, enquanto na Segunda Vinda à terra os santos permanecem na terra sem trasladação.

43. Na época do Arrebatamento o mundo não é julgado e continua em pecado, enquanto na Segunda Vinda o mundo é julgado e a justiça é estabelecida na terra.

44. A trasladação da igreja é retratada como uma libertação antes do dia da ira, enquanto a Segunda Vinda é seguida pela libertação daqueles que creram em Cristo durante a Tribulação.

45. O Arrebatamento é descrito como iminente, enquanto a Segunda Vinda é precedida por sinais definidos.

46. A tradução de crentes vivos é uma verdade revelada apenas no Novo Testamento, enquanto a Segunda Vinda com seus eventos concomitantes é uma doutrina proeminente de ambos os Testamentos.

47. O Arrebatamento diz respeito apenas aos salvos, enquanto a Segunda Vinda trata dos salvos e dos não salvos.

48. No Arrebatamento Satanás não é amarrado, enquanto na Segunda Vinda Satanás é amarrado e lançado no abismo.

49. Nenhuma profecia não cumprida fica entre a igreja e o Arrebatamento, enquanto muitos sinais devem ser cumpridos antes da Segunda Vinda.

50. Nenhuma passagem que trata da ressurreição dos santos na Segunda Vinda menciona a translação de santos vivos ao mesmo tempo. A bendita esperança do retorno do Senhor para Sua igreja é um aspecto precioso da fé e da expectativa. Embora os santos eruditos e devotos nem sempre tenham concordado quanto ao conteúdo dessa esperança, a presente discussão tentou justificar esse importante aspecto da verdade. Que a promessa de nosso Senhor “Voltarei e os levarei comigo para que também vocês estejam onde eu estiver” (João 14:3) traga conforto e esperança para nós em um mundo moderno, como foi planejado para fazer para os discípulos no cenáculo naquela noite escura antes da crucificação. “O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E quem ouve diga: ‘Vem!’… Aquele que dá testemunho destas coisas diz: ‘Sim, venho em breve’” (Ap 22:17, 20).

[Artigo adaptado de John F. Walvoord. A Questão do Arrebatamento. Grand Rapids, MI. Zondervan, 1979 (Capítulo 20).]

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Teologia

A Anemia da Adoração Moderna

A PREGAÇÃO EXPOSITIVA COMO ANTÍDOTO PARA ANEMIA DA ADORAÇÃO

Dr. Albert Mohler, diretor do Southern Seminary.

27 de fevereiro de 2017

A anemia da adoração evangélica está diretamente relacionada à falta da genuína pregação expositiva. Cristãos evangélicos foram levados a enfatizar a adoração nos últimos anos, provocando um renascimento do pensamento e debate sobre o que adoração realmente é e como deve ser feita. Mesmo que este interesse tenha em algumas igrejas sido uma ”guerra da adoração”, parece que aquilo A. W. Tozer chamou de “jóia perdida” da adoração evangélica estava sendo recuperado. No entanto, enquanto muitos concordam que adoração é central para a vida da igreja, não haveria consenso de resposta a uma inevitável pergunta: o que é central para culto cristão?

Historicamente, as igrejas mais litúrgicas têm argumentado que os sacramentos formam o coração de um culto cristão. Estas igrejas argumentam que os elementos da ceia do Senhor e a água do batismo apresentam o Evangelho de maneira mais poderosa. Entre evangélicos recentes, alguns dizem que a evangelização é o coração do culto, e planejam cada aspecto do culto, músicas, orações, o sermão, com um convite evangelístico em mente. Embora a maioria dos evangélicos mencionem a pregação da Palavra como necessária ou importante parte do culto, o modelo de culto predominante nas igrejas é cada vez mais definido pela música, juntamente com inovações, como drama e vídeos. Quando pregação a Palavra se retira, uma série de entretenimento e inovações tomam o seu lugar. As normas tradicionais de adoração estão agora subordinadas a uma demanda por relevância e criatividade. Uma cultura moldada pela mídia e imagens substituiu a cultura moldada pela Palavra, que deu à luz a Reforma. Em certo sentido, a cultura moldada pela mídia do moderno evangelicalismo é um retorno exatamente às práticas rejeitadas pelos reformadores em sua busca pela adoração verdadeiramente bíblica.

A música preenche a maior parte do espaço da adoração evangélica, e muitas dessas músicas vem sob a forma de modas contemporâneas marcadas por pouco conteúdo teológico. Além da popularidade da música em moda, muitas igrejas parecem intensamente preocupadas em replicar a qualidade de estúdio musical nas suas apresentações. Em termos de estilo musical, as igrejas mais tradicionais usam grandes corais – muitas vezes com orquestras – e cantam os antigos hinos da fé. As apresentações de corais são muitas vezes enormes em escala e profissionais em termos de qualidade. Em qualquer evento, a música preenche o espaço e conduz a energia do culto. Intenso planejamento, investimento financeiro e prioridade de preparação focam na dimensão musical do culto. Profissionais e voluntários gastam muito da semana em ensaios e reuniões. Alguns cristãos procuram igrejas que oferecem adoração no estilo e experiência que se encaixam nas suas expectativas. Na maioria das comunidades, igrejas são conhecidas por seu estilo de adoração e programas musicais. Os insatisfeitos com o que acham em uma igreja podem rapidamente mover-se para outra, às vezes, usando a famosa expressão para explicar que a nova igreja “satisfaz as nossas necessidades” ou “permite-nos adorar.”

Uma preocupação com a verdadeira adoração bíblica estava no coração da Reforma. Mas mesmo Martinho Lutero, que escreveu hinos e dizia que pregadores deviam ser treinados em música, não reconheceria esta preocupação moderna com a música como sendo algo legítimo ou saudável. Por quê? Porque os reformadores estavam convencidos de que o coração da verdadeira adoração bíblica era a pregação da Palavra de Deus. Graças a Deus, o evangelismo tem lugar em um culto cristão. Confrontados pela apresentação do Evangelho e a pregação da Palavra, pecadores são atraídos para a fé em Jesus Cristo e a oferta de salvação é apresentada a todos. Da mesma forma, a ceia do Senhor e o batismo são honradas como ordenanças do Senhor, e cada uma delas encontra o seu lugar na verdadeira adoração. Além disso, a música é um dos dons mais preciosos de Deus ao Seu povo, e é uma linguagem na qual podemos adorar a Deus em espírito e verdade. Os hinos antigos transmitem um rico conteúdo teológico e confessional, e muitos cânticos recuperam um senso de doxologia perdido em muitas igrejas. Mas a música não é o ato central da adoração cristã, nem o evangelismo nem as ordenanças.
O coração do culto cristão é a autêntica pregação da Palavra de Deus. A pregação expositiva é central, irredutível e inegociável numa adoração bíblica que agrada a Deus.

John Stott fez uma declaração que reforça: “A pregação é indispensável ao Cristianismo.” Mais especificamente, a pregação é indispensável para o culto cristão, e não apenas indispensável, mas central. A centralidade da pregação é o tema de ambos os Testamentos. Em Neemias 8 encontramos as pessoas exigindo que Esdras trouxesse o Livro da Lei para a assembleia. Esdras e seus colegas se levantam em uma plataforma para ler o livro. Quando ele abre o Livro, a assembleia se põe de pé em honra a Palavra de Deus e respondem, “Amém, Amém!” É interessante notar que o texto explica que Esdras e os assistentes liam o livro da lei de Deus dando a interpretação para que todos pudessem entender (Ne 8:8). Este notável texto apresenta um retrato da pregação expositiva. Uma vez que o texto foi lido, foi cuidadosamente explicado a congregação. Esdras não fez um evento ou trouxe uma orquestra para um espetáculo, ele simples e cuidadosamente proclamou a Palavra de Deus. Este texto é uma denúncia para o Cristianismo contemporâneo. De acordo com o texto, uma demanda por pregação bíblica eclodiu dentro do coração do povo. Eles se reuniram como uma congregação e convocaram o pregador. E isso reflete uma intensa fome e sede pela pregação da Palavra de Deus. Onde está esse desejo entre os evangélicos de hoje? Na maioria das igrejas, a Bíblia fica quase que em silêncio. A leitura pública da Escritura desapareceu de muitos cultos, e o sermão foi marginalizado, reduzido a um breve devocional anexado a uma música. Muitos pregadores aceitam isso como uma necessária concessão numa era de entretenimento. Alguns colocam uma pequena mensagem de encorajamento ou exortação no fim dos cultos. Como Michael Green enfatizou: “Esta é a era do ‘sermãozinho’, e esses ‘sermõeszinhos’ fazem ‘cristãozinhos…” A anemia da adoração está diretamente relacionada à ausência da genuína pregação expositiva. Esse tipo de pregação iria confrontar a congregação com nada menos que a viva Palavra de Deus. Esse confronto forma a congregação no modelo do Espírito Santo, equanto este acompanha a Palavra, abre os olhos e aplica essa Palavra aos corações.

Tradução: Pablo Monteiro

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FEBE, DIACONISA?

FEBE – DIAKONOS DA IGREJA EM CENCRÉIA?

Συνίστημι δὲ ὑμῖν Φοίβην τὴν ἀδελφὴν ἡμῶν, οὖσαν
recomendo[2] E[1] a vós Febe a irmã[2] nossa[1], sendo
[καὶ] διάκονον τῆς ἐκκλησίας τῆς ἐν Κεγχρεαῖς.
também diakonos da igreja da em Cencréia.

Em Romanos 16,1-2, o apóstolo Paulo faz uma breve recomendação aos cristãos romanos para que recebam Febe, que estava indo para Roma, com uma acolhida digna de uma representante da Igreja de Cristo. E Febe é, por ele, mencionada no exercício de uma função eclesiástica deveras importante naqueles dias: διάκονος (diakonos).
Em sua origem etimológica no grego, διάκονος significa “ministro, servo, mensageiro, atendente”. Transmite a ideia de alguém que executa os pedidos de outro, especialmente de um superior, como um servo.[1] O termo διάκονος é empregado neste sentido tanto na Septuaginta (Et 2,2; 6,3) como em todo o Novo Testamento, sendo neste utilizado 31 vezes. Destas, aparece por 21 vezes somente nas epístolas de Paulo.[2]
O termo grego διάκονος é transliterado por “diáconos” por quatro vezes no Novo Testamento (cf. Fl 1,1; 1Tm 3,8,12,13). Os autores bíblicos neotestamentários usam esta mesma palavra para descrever vários ministérios e serviços. Entre seus usos comuns, diakonos se refere a quem serve a refeição (Jo 2,5,9), servo do rei (Mt 22,13), servo armado de uma pessoa de autoridade, um oficial do tribunal da justiça (Jo 18,3,12,18,22). No mais das vezes, diakonos designa o papel de anunciadores do evangelho (1Co 3,5), ministro de justiça (2Co 11,15), ministro de Deus (Rm 13,4; 2Co 6,4; 1Ts 3,2), ministro de Cristo (2Co 11,23; Cl 1,7; 1Tm 4,6), fiel ministro do Senhor (Ef. 6,21; Cl 4,7), ministro da circuncisão (Rm 15,8), ministro de uma nova aliança (2Co 3,6), ministro do evangelho (Ef 3,7; Cl 1,23); servidores de Deus ou ministros (1Co 3,5), ministro do pecado (Gl 2,17).[3]
Visto que Febe é literalmente chamada de διάκονος da Igreja em Cencréia, imperioso contestar a tradução androcêntrica[4] frequentemente encontrada em Romanos 16,1, quando da leitura de certas versões bíblicas em língua portuguesa. Senão, vejamos:
“Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia…” (ARA).
“Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia…” (ACF, ARC).
“Recomendo-lhes nossa irmã Febe, serva da igreja em Cencréia…” (NVI).
“Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual é serva na igreja que está em Cencreia…” (SBTB).
“Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que é serva da igreja que está em Cencreia…” (IBB).
“Recomendo-vos nossa irmã Febe, que está a serviço da Igreja de Cencréia…” (BMD).
Ora, sempre que Paulo chama-se a si mesmo, a Apolo, a Timóteo ou Títico de διάκονος, os tradutores da Bíblia vertem este termo por “ministro”. Mas, quando o vocábulo se refere à Febe, uma mulher, traduzem-no por “serva” (NVI), “que está servindo” (ARA) ou “a qual serve” (ARC), entre outras traduções no mesmo sentido.
De acordo com Elisabeth Fiorenza, o vocábulo grego não permite semelhante estereotipificação feminina de Febe. Uma vez que ela é chamada de διάκονος da Igreja de Cencréia, porto de Corinto, recebe este título porque seu serviço e função eram influentes naquela comunidade.[5]
No caso, a ideia transmitida pelos tradutores/intérpretes é que Febe age como uma serva, isto é, serve a alguém. Acontece que, nesse texto, o termo grego διάκονος (diakonos) é um substantivo acusativo singular, não um verbo. É por este motivo que alguns linguistas traduzem o termo grego διάκονον por “diaconisa”.
Nesse sentido, a Bíblia de Jerusalém, em sua tradução, diz: “Recomendo-vos Febe, nossa irmã, diaconisa da Igreja de Cencréia”. No mesmo diapasão, seguem a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, a Bíblia Ave Maria, a King James Atualizada e a Edição Pastoral, entre outras.
Interessante é que a versão Almeida Revista, Corrigida e Anotada, assim traduz o versículo 1: “Recomendo-vos, pois, Febe, nossa [querida] irmã, a qual serve (Gr. diakonon: diaconisa, ministra) na congregação que está em Cencréia”. (grifamos)
Digno de nota é a Tradução do Novo Mundo, que diz: “Recomendo-vos Febe, nossa irmã, que é ministra da congregação que está em Cencréia”. (grifamos)
Na tradução da Vulgata Latina não se fala de diaconisa, mas se diz da irmã Febe “quae est ministra ecclesiae, quae est Cenchreis”.
O problema aqui, então, é saber se este ministério era fixo ou não.
Stanley Grenz afirma que a referência a Febe é única em dois aspectos. Primeiro, Paulo se refere a ela usando a forma substantiva especificamente masculina (diakonos), em lugar de alguma alternativa feminina. Segundo, o apóstolo coloca o ministério de Febe numa congregação específica – “diakonos da igreja de Cencréia” –, sendo esta a única ocorrência da palavra no Novo Testamento, seguida de uma construção genitiva, ligando o serviço (diaconia) da pessoa a uma igreja local.[6] A conclusão é que Febe era uma diaconisa, cargo esse para o qual a congregação podia nomear tanto homens como mulheres.
O posicionamento contrário à ideia de ordenação de diaconisas alega que no grego existe uma palavra específica para designar diaconisa (diakonissa), mas que ela não é usada no Novo Testamento. Reconhecem que a irmã Febe foi chamada por Paulo de diakonon, uma forma masculina do substantivo, e que esse título era usado para falar de alguém que possuía um ofício ou função na sociedade. Argumentam, porém, que na Bíblia não há exemplos conhecidos desse termo sendo usado para falar de uma mulher, e que “a nossa irmã Febe” é a única exceção.[7]
De fato, a dupla função atribuída a Febe (diakonos e prostatis) não é dada a nenhuma outra mulher em o Novo Testamento e, a contrário sensu, isso nos conduz a outro aspecto até então desconsiderado por muitos estudantes da Bíblia: a diacronia[8] do termo diakonos. Em outras palavras, sua conotação não seria a mesma de diaconisa ou diácono, conforme se entende hoje, qual seja, de um cargo menor que o de presbítero.
De acordo com Elisabeth Fiorenza, qualificar Febe como uma diaconisa, no sentido que tornou séculos depois, ou seja, uma função subordinada ao bispo, é equivocado e anacrônico, pois não vislumbra o sentido empregado por Paulo para a função por ela ocupada na comunidade de Cencréia. E isso porque Paulo utiliza a palavra grega diakonos para descrever o seu próprio ministério da Palavra, quanto questiona aos coríntios: “Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros [diakonoi] pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?” (1Co 3,5 – ARC). Ora, se a palavra diakonos, quando aplicada a homens, significava uma atividade ministerial e estava ligada à pregação e ao ensino da Palavra, o mesmo termo aplicado a Febe também deveria ter o mesmo significado e não outro! Portanto, conclui a autora, o termo diakonon, empregado a Febe, não transmite a ideia de uma simples servidora ou assistente da comunidade local, mas sim a de uma missionária dessa comunidade. Ela não apenas servia, mas estava à frente da Igreja de Cencréia, como uma verdadeira ministra do Senhor.[9]

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[1] THAYER, Joseph Henry. Thayer’s Greek-English lexicon of the New Testament. Grand Rapids: Hendrickson, 1996, p. 138.
[2] FABRIS, Rinaldo. Para ler Paulo. São Paulo: Loyola, 1996, p. 71.
[3] COENEN, Lothar; BROWM, Colin (Orgs.). Dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1981, p. 448-452.
[4] Teoria androcêntrica é o ponto de vista segundo o qual o sexo masculino é essencial e o sexo feminino secundário no plano orgânico, que tudo está centrado, por assim dizer, no macho.
[5] FIORENZA, Elisabeth S. Em memória dela: as origens cristãs a partir da mulher. São Paulo: Paulus, 1992, p. 72-74.
[6] GRENZ, Stanley J. Mulheres na igreja: teologia bíblica para mulheres no ministério. São Paulo: Candeia, 1998, p. 96.
[7] RYRIE, Charles Caldwell. Teologia básica: ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 487.
[8] Diacronia é a descrição de uma língua ao longo de sua história, com as mudanças que sofreu. A diacronia refere-se, portanto, à evolução de uma determinada língua no tempo.
[9] FIORENZA, Elisabeth S. Op. cit., p. 220.

Via Daniel Miranda Gomes.

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Teologia

LUTERO E OS MILAGRES

LUTERO E OS MILAGRES
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Às vezes Lutero é tido como alguém que se opôs ao ministério miraculoso do Espírito Santo. Essa concepção errônea surgiu por pelo menos dois motivos. Primeiramente, porque ele escreveu contra a superstição e a ganância que se foi associando aos milagres da Igreja Católica Romana medieval. Em segundo lugar, porque se opôs a certos anabatistas que alegavam estar sendo guiados diretamente pelo Espírito Santo em seus ensinamentos e ações estapafúrdias.
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Em vez disso, Lutero deixou evidências claras de sua crença no guiamento pessoal e direto do Espírito Santo. Parte dessas evidências foi apresentada no livro Luther and the mystics (Lutero e os místicos) pelo professor Bengt Hoffman, do Seminário Teológico Luterano de Gettysburg, na Pensilvânia. Ele relata uma conversação em que Cochlaeus pergunta a Lutero se ele já recebera revelações pessoais. Lutero manteve-se silente por um momento e respondeu:
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“Est mihi revelatum” (sim, ele tivera revelações)” [155]. Parece que uma dessas foi similar ao arrebatamento de Paulo até o terceiro céu (2 Co 12) [156].
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LUTERO E A AUTORIDADE
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Lutero também defendeu a atividade do Espírito Santo como fonte de autoridade e ensino. Em um de seus primeiros escritos, chamado O cativeiro babilônico da igreja, ele certificou aos seus leitores que, quanto à verdade ali apresentada, ele a aprendera “sob o guiamento do Espírito Santo” [157]. Além disso, quando foi desafiado pela Igreja e pelas autoridades civis em Worms acerca da origem da autoridade, “ele confiou na revelação que Deus lhe deu – pela Palavra –, mas, de uma maneira pessoal, pela via do Espírito” [158].
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LUTERO E O DOM PROFÉTICO
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Muitos dos primeiros seguidores de Lutero criam que ele fosse um profeta. Um dos seus primeiros biógrafos, Johann Mathesius, menciona várias profecias ditas por Lutero que foram cumpridas. Mathesius aponta: “Com muitas profecias corretas ele confirmou sua doutrina” [159]. Até seu amigo Melanchton, em certo ponto, referiu-se a Lutero como “Elias”, dizendo: “E assim o Espírito Santo profetizou de seu terceiro Elias, o Dr. Martim Lutero” [160].
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LUTERO E A CURA DIVINA
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Lutero orou pela cura dos doentes: “Isso aconteceu várias vezes e ainda acontece: que os demônios são expulsos no nome de Cristo; e quando invocam Seu nome em oração, também são curados” [161].
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Em certa ocasião, Filipe Melanchton, colega e amigo íntimo de Lutero, adoeceu severamente e estava à beira da morte. Alega-se que Lutero orou com fervor usando todas as promessas relevantes da Escritura que pôde repetir. Segurando a mão de Melanchton, ele disse: “Tende bom ânimo, Filipe, tu não morrerás”. Melanchton se reanimou imediatamente e recuperou sua saúde em pouco tempo. Depois disso ele afirmou: “Eu deveria estar morto se eu não tivesse sido reivindicado das mãos da própria morte pela voz de Lutero” [162].
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Em outra ocasião, Frederick Myconius, colega de Lutero, estava moribundo, nos últimos estágios da tuberculose. Quando Lutero soube da condição do seu amigo, escreveu-lhe uma carta que exala sua fé nos milagres:
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Eu ordeno que tu vivas no nome de Deus, pois ainda preciso de ti para a obra de reformar a Igreja. O Senhor nunca me permitirá ouvir que tu estás morto, pois tu viverás mais que eu. Pois eu estou orando, essa é a minha vontade, e ela será cumprida porque eu quero somente glorificar o Nome de Deus [163].
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Myconius disse que, quando ele leu a carta, foi como se tivesse ouvido o próprio Cristo dizer: “Lázaro, vem para fora!”. A oração de Lutero foi respondida. Myconius foi curado e viveu dois meses a mais que Lutero.
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(…)
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LUTERO E O CESSACIONISMO
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Apesar de sua crença na presença imediata e no poder do Espírito Santo, Lutero e os reformadores de seu tempo dividem a culpa pela difusão da crença na cessação dos milagres. Quando desafiado pelas autoridades católicas romanas a provar sua autoridade pelos milagres, Lutero buscou refúgio na autoridade da Escritura e de sua própria consciência. Ele alegou que os milagres estiveram circunscritos particularmente à Era Apostólica e não eram mais necessários para confirmar a autoridade de alguém que está do lado da Escritura [165] . Ele usou o mesmo tipo de argumento em resposta aos anabatistas que, em sua opinião, confiavam excessivamente na presença direta do Espírito Santo.
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Suas expressões foram retiradas do contexto e codificadas num sistema legal, que resultou nas alas reformada e luterana da Igreja, e que deram abrigo a um viés excêntrico contra a possibilidade de milagres na atualidade.
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HYATT, Eddie L. 2000 Anos de Cristianismo Carismático. Natal, RN: Carisma, 2018 p. 71-73 (versão e-book).

155. Bengt Hoffman. Luther and the mystics. Minneapolis, MN: Augsburg, 1976, p. 190.
156. Ibid., p.154.
157. Martin Luther. The Babylon captivity of the church, vol. 36 of Luther’s works. Helmut T. Lehman &
Jaroslav Pelikan (eds.). Philadelphia, PA: Muhlenberg, 1958, p. 77.
158. John S. Oyer. Lutheran reformers against the Anabaptists. The Hague, Netherlands: Martinus Nijhoff,
1964, p.231.
159. Johann Mathesius, Luther’s leben in predigten. Prague, Czech Republic: herausgegeben von G.
Loesche, 1906, 399 apud John Horsch. “The faith of the Swiss brethren, II”. Mennonite Quarterly Review,
5, n. 1, 1931, p.16.
160. Horsch. “The Faith of the Swiss Brethren, II”, p.16.
161. Gordon, The ministry of healing, p.92.
162. Ibid., p.94.
163. Change the world school of prayer. Studio City, NY: World Literature Crusade, 1976, C-35.
(…)
165. Oyer. Lutheran reformers against the Anabaptists, p. 234.

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Teologia

DÍZIMO:UM ATO DE AMOR.

Nenhuma doutrina bíblica tem sido mais combatida nas redes sociais, em nossos dias, do que a doutrina da mordomia cristã,especialmente os dízimos e as ofertas.Aqueles que defendem a contemporaneidade do dízimo são taxados de hereges,mal informados ou enganadores do povo.

Um exame mais cuidadoso das.Escrituras, entretanto, deixa claro que o ensino bíblico sobre o dízimo não mudou.

O mesmo preceito ensinado no Antigo
Testamento está estabelecido no Novo Testamento e deve continuar sendo praticado pelo povo de Deus até a volta de Jesus.
Os desvios de uns não devem nos levar para outro extremo.Não é porque alguns falsos mestres distorcem a doutrina do dízimo,e exploram o povo em nome de Deus, que devemos negar a legitimidade e a contemporaneidade dessa doutrina. Vejamos alguns dos principais argumentos usados contra a prática do dízimo:


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O DÍZIMO FAZ PARTE DA LEI CERIMONIAL,
QUE FOI ABOLIDA NA CRUZ


De todas as críticas feitas à doutrina do dízimo, talvez a mais frequente seja essa. Respondemos que a prática do dízimo está presente em toda a Bíblia.No Antigo Testamento,está presente nos Livros da lei (Nm. 18.21-32),nos Livros Históricos (Ne. 13.10-14),nos Livros Poéticos (Pv. 3.9-10) e nos Livros Proféticos (Ml. 3.8-12).No Novo Testamento,está presente tanto nos Evangelhos (Mt.23.23)como nas Epístolas (Hb.7.1-19;lCo.9.13-14).
A prática do dízimo também é anterior à lei cerimonial (Gn. 14.20; 28.18-22).
Abraão, quatrocentos anos antes da lei ser instituída, entregou o dízimo a Melquisedeque, um tipo de Cristo (Gn. 14.20; Hb. 7.1-10). O dízimo foi incluído na lei, pois foi a maneira de Deus prover o sustento da tribo de Levi, aqueles que
trabalhavam no ministério (Lv. 27.30-33;Nm. 18.21-32; Dt. 14.22-29; 18.1-8).Os mesmos princípios de sustento dos sacerdotes e levitas no Antigo Testamento são usados para o sustento dos obreiros de Deus no Novo Testamento:
“Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? […]. Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tiram o seu sustento?
Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (ICo. 9.11-14). Logo, os que estão no ministério hoje, na vigência da nova aliança, devem viver do ministério.
Embora a ordem levítica tenha cessado com o advento da nova aliança (Hb.
7.18), os dízimos não cessaram, porque Abraão, como pai da fé, entregou o dízimo a Melquisedeque, um tipo de Cristo, e nós, como filhos de Abraão,entregamos o dízimo a Cristo, sacerdote da ordem de Melquisedeque.
Ainda com relação à Lei Cerimonial, alguns fazem um paralelo entre o dízimo e a circuncisão, e dizem que Abraão foi circuncidado antes da lei. Como hoje não praticamos mais a circuncisão, igualmente não devemos mais entregar o dízimo. É verdade que Abraão foi circuncidado antes da lei (Gn. 17.9-14), porém a circuncisão foi o selo da fé antes da outorga da lei, como escreveu o apóstolo Paulo em Romanos 4.11-12.A circuncisão era o sinal do pacto (Gn. 17.9).Não era apenas um ritual físico, mas, sobretudo, espiritual. No Novo Testamento está
clara a transição da circuncisão para o batismo, conforme lemos em Colossenses 2.11-12.
Aqueles que usam Mateus 23.23, para dizer que Jesus sancionou o dízimo antes da inauguração da nova aliança, mas que depois de sua morte essa sanção não é mais válida, esquecem-se de que junto com o dízimo Jesus menciona também outros preceitos da mesma lei – a justiça,a misericórdia e a fé: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt.23.23).Se estamos desobrigados do dízimo, por ser da lei, deveríamos também estar desobrigados da justiça, da misericórdia e da fé,pois também são da lei.
Fica evidente que Jesus reprova os escribas e fariseus por sua prática legalista e meritória do dízimo, uma vez que pensavam que o dízimo era uma espécie de salvo-conduto. Imaginavam que, por serem dizimistas, tinham licença para negligenciar os outros preceitos da lei. Os escribas e fariseus estavam superestimando o dízimo e menosprezando os principais preceitos da lei. Jesus e prova essa visão distorcida dos escribas e fariseus.
É preciso deixar claro que o dízimo não é uma questão meramente financeira. Trata-se do reconhecimento de que tudo que existe é de Deus. Não trouxemos nada para o mundo nem nada dele levaremos (lTm. 6.7).Somos apenas mordomos de Deus, e no exercício dessa mordomia devemos ser achados fieis (lCo. 4.2).O dízimo, mais do que um valor, é um emblema.É um sinal de fidelidade a Deus e confiança em sua providência. A entrega dos dízimos é uma ordenança divina.Não temos licença para retê-lo, subtraí-lo nem administrá-lo (Ml. 3.8-10).

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O DÍZIMO ERA PARA SUSTENTO DOS
SACERDOTES E LEVITAS QUE NÃO EXISTEM MAIS


É verdade que o dízimo era para o sustento dos sacerdotes e levitas (Lv. 27.30-34; Nm. 18.1-32; Dt. 14.22-29). Também é verdade que a ordem levítica cessou (Hb. 7.11-19).De igual modo,é verdade que todos nós, que cremos em Cristo, fomos feitos sacerdócio real (lPe. 2.9; Ap. 1.5-6).
O dízimo, porém, era uma prática anterior aos levitas. Abraão já entregava o dízimo antes mesmo da nação de Israel existir (Gn. 14.20). Jacó, neto de Abraão, prometeu dar o dízimo a Deus antes de nascerem seus filhos, que formaram as
doze tribos de Israel (Gn. 28.22). Fica evidente que o dízimo é anterior à lei e aos levitas.
Entender o ensino das Escrituras sobre o sustento da casa de Deus e dos obreiros de Deus no Antigo Testamento é muito importante. O êxodo do Egito
trouxe não apenas libertação para Israel, mas também fez dele uma nação. Todo o povo era visto como um “reino sacerdotal”, portanto uma nação santa (Êx. 19.6). Dentro desse contexto, as atividades sacerdotais específicas pertenciam a três ordens: sumo sacerdote, sacerdotes e levitas. Cabia ao sumo sacerdote entrar no lugar santíssimo uma vez por ano para fazer expiação pelo povo (Lv. 16.1-34). As principais funções do sacerdócio ocorriam no santuário. Cabia a eles o cuidado das coisas sagradas, além de atividades sanitárias (Lv. 13—15). Os levitas auxiliavam os sacerdotes e serviam à congregação no templo. Levi, como tribo, não poderia possuir nenhum território na distribuição das terras. O próprio Deus era a sua herança (Nm 18.20). Uma vez que a tribo de Levi não podia acumular riquezas, deveria ser sustentada por ofertas e dízimos (Nm
18.21). Assim como a viúva, o órfão e o estrangeiro, eles eram recomendados aos
cuidados do povo de Deus (Dt. 14.29).
O povo devia trazer à casa de Deus,e não a outro lugar qualquer, seus dízimos e ofertas (Dt. 12.6). Deixar de fazer isso era desamparar os levitas. A
ordem de Deus é expressa: Guarda-te, não desampares o levita todos os teus dias na terra (Dt. 12.19).
O povo devia dar os dízimos de todo o fruto das suas sementes (Dt. 14.22), ou vender esse produto e entregá-lo em dinheiro (Dt. 14.25-26). De três em três anos, os dízimos deviam também assistir o estrangeiro, o órfão e a viúva (Dt.14.28-29; 26.12). Mesmo que as circunstâncias fossem difíceis, o povo devia ser fiel a Deus na entrega dos dízimos em vez de comê-lo na sua aflição (Dt.
26.14-15).Os dízimos e as primícias foram dados por Deus a Arão e sua casa (Nm.18.8,12-13). O dízimo será santo ao Senhor (Lv. 27.32). Porque Arão não tinha herança entre as tribos, Deus lhe disse: “Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel. Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo
serviço que prestam, serviço da tenda da congregação” (Nm. 18.20-21). Os dízimos são
apresentados ao Senhor, e o Senhor os dá aos levitas, e os levitas entregavam também o dízimo dos dízimos (Nm. 18.25-26).
O dízimo passou a ser um termômetro espiritual na vida do povo de Israel.
Sempre que o povo se afastava de Deus, negligenciava a entrega dos dízimos.
Sempre que havia um reavivamento espiritual, o povo trazia de volta os dízimos à casa do Senhor (IICr. 31.11-12). Neemias chegou a dizer que não entregar os dízimos era desamparar a casa de Deus (Ne. 13.11).Malaquias foi mais
contundente, ao afirmar que reter o dízimo era roubar a Deus (Ml. 3.8).
Deus regulamentou a destinação dos dízimos para o sustento dos levitas,que deviam cuidar exclusivamente do culto divino. Viver exclusivamente do ministério. Deus era a sua herança e o seu provedor (Nm. 18.1-32).
Se no culto levítico, quando a ação do povo da promessa era centrípeta, ou seja, voltada para o tabernáculo e depois para o templo, quanto mais hoje,quando a dinâmica da igreja é centrífuga, ou seja, levar o evangelho a toda criatura, em todo o mundo, até os confins da terra, em cada geração. Se na antiga aliança os dízimos e as ofertas foram os meios estabelecidos por Deus para sustentar sua obra, quanto mais na nova aliança, quando as demandas da obra se desdobram para horizontes muito mais largos.
O fato de hoje não existir a ordem levítica não dispensa a prática dos dízimos. Ao contrário, temos hoje uma gama imensa de ministros e obreiros que trabalham no ministério, pregando o evangelho e vivendo do evangelho. Quando
o apóstolo Paulo trata do sustento dos obreiros na nova dispensação, recorre ao texto que fala do sustento dos levitas:
“Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?
Porventura, falo isto como homem ou não o diz também a lei? Porque na lei de Moisés está
escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa? Ou é, seguramente, por nós que ele o diz? Certo que é por nós que está escrito;pois o que lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo. Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do
altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho
que vivam do evangelho” (ICo 9.7-14).
Com isso, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, demonstra que há uma estreita conexão entre o modo usado no sustento dos levitas com o modo usado no sustento dos obreiros do Novo Testamento.O salário dos obreiros na nova dispensação é tão legítimo como o era o sustento dos levitas na antiga dispensação.Portanto, os mesmos princípios quanto ao sustento da obra e dos obreiros devem ser observados na nova dispensação (Rm. 15.27).
Paulo, mesmo tendo esse direito, abriu mão dele por causa do evangelho (lCo 9.15),mas recriminou mais tarde a atitude da igreja de Corinto por não pagar-lhe o salário que tinha direito: “Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir, e, estando entre vós, ao passar privações, não me fiz pesado a ninguém; pois os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram o que me faltava; e, em tudo, me guardei e me guardarei de vos ser pesado” (IICo 11.8-9).
É preciso enfatizar, outrossim, que mesmo na antiga dispensação os dízimos tinham um propósito mais amplo do que meramente sustentar os levitas.
Também deveriam assistir os pobres, as viúvas e os estrangeiros (Dt. 14.28-29).
De igual modo, na nova dispensação, os dízimos e ofertas são destinados não apenas ao sustento dos obreiros, mas também, e de igual modo, a socorrer os aflitos e necessitados na igreja (At. 4.32-37; 11.27-30; Gl. 2.10) e alavancar a obra
missionária no mundo.
Hoje, muitas igrejas, no cumprimento de sua missão de pregar o evangelho e socorrer os necessitados, investem vultosas quantias em trabalhos sociais, como creches, asilos, escolas, hospitais e centros de recuperação de dependentes químicos. Tudo isso custa muito dinheiro. Quando a igreja é fiel na entrega dos
dízimos e generosa nas ofertas, ela atende a todas essas demandas, pois o método estabelecido por Deus é suficiente para a igreja cumprir cabalmente a sua missão de pregação e ação social.
As demandas hoje são imensas, quando se trata também da expansão da igreja. A compra de terrenos, a construção de templos, o aluguel de salões para os cultos públicos, a manutenção dos lugares consagrados ao culto divino, tudo
isso custa caro. A igreja não precisa nem deve lançar mão de expedientes estranhos às Escrituras para manter sua obra, como bazares, livro de ouro,churrascadas, bingos etc. O próprio Deus já estabeleceu o método de sustento de
sua obra: dízimos e ofertas.

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O DÍZIMO ERA TRAZIDO AO TEMPLO E HOJE
NÓS SOMOS O TEMPLO


É verdade que o dízimo era levado ao templo, onde havia um lugar reservado para o seu recolhimento (Ml. 3.10). O dízimo era mais para o sustento de pessoas do que para a manutenção física de uma casa. É bem verdade que a
negligência na entrega dos dízimos era desamparar a casa de Deus (Ne. 13.10-13),
e isso significa descaso com o Deus da casa. Nos dias do profeta Ageu, o povo estava investindo todos os seus recursos na construção de suas próprias casas luxuosas, enquanto o templo estava em ruínas (Ag. 1.2-4). O profeta denuncia
esse pecado de negligência do povo, que trazia para Deus apenas as sobras. Deus não aceita sobras. Ele não é Deus de resto. Ele exige primícias. O resto seria assoprado por Deus, e o salário que o povo recebesse seria colocado num saquitel furado (Ag. 1.6). A ordem de Deus é clara: “Honra ao Senhor com os teus bens e com
as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares” (Pv. 3.9,10).
Nós que cremos em Jesus, o Filho de Deus, somos o santuário do Espírito Santo (ICo. 3.16; 6.19), mas reunimo-nos em templos. E para a construção e a
manutenção desses templos são necessários recursos, que vêm dos dízimos e das ofertas.
Aqueles que dizem que a igreja primitiva não tinha templos, e também não devemos tê-los, não fazem uma correta interpretação das Escrituras nem da história da igreja.Os cristãos primitivos não tinham templos, não porque fossem contra a construção de templos,mas porque eram impedidos pela lei romana de construí-los. Somente no século IV da era cristã é que esse embargo legal foi removido, e então templos passaram a ser construídos. Mesmo aqueles que são contrários à construção de templos reúnem-se em algum lugar, como uma sala de um hotel, de uma escola, um galpão alugado etc.
Seria insensato negarmos a necessidade de um lugar seguro para nos reunirmos.
Precisamos nos proteger do calor do dia e do frio da noite, do sol escaldante e da chuva torrencial. Precisamos nos proteger do barulho externo e também não perturbar o silêncio de nossos vizinhos. Precisamos pagar essa conta, e os dízimos e as ofertas são o método de manutenção da casa de Deus, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Os tempos mudam, mas a palavra de Deus permanece para sempre!

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE NÃO ENTREGAR OS DÍZIMOS ACARRETAVA
MALDIÇÃO E CRISTO SE FEZ MALDIÇÃO POR NÓS


Quando a Bíblia diz que Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (Gl. 3.13), não está dizendo com isso que ficaremos imunes às consequências de nossos pecados, mas garantiu que aquele que está em Cristo encontra-se seguro nas mãos de Jesus, de onde ninguém pode arrebatá-lo (Jo. 10.28). Nada nem ninguém pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, pois sua morte foi vicária. Ele morreu em nosso lugar e
nós fomos declarados justos diante do tribunal de Deus. Não pesa mais sobre nós nenhuma condenação (Rm. 8.1). Ele se fez maldição por nós, porque a maldição da lei que devia cair sobre nós, por não guardarmos os estatutos e preceitos
divinos, caiu sobre ele. Ele morreu a nossa morte. Sua morte foi vicária, substitutiva. De fato, na cruz, Jesus levou essa maldição! Porém,mesmo depois de salvos pela graça, não ficamos isentos das consequências graves da nossa desobediência aos preceitos de Deus.


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE HOJE A CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ DEVE SER
VOLUNTÁRIA, E NÃO IMPOSTA COMO É O DÍZIMO


Alguns pregadores defendem que temos duas contribuições na Palavra de Deus:uma compulsória e outra voluntária.A contribuição para o governo é sempre compulsória, mas a contribuição para Deus é sempre voluntária. Será? Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt. 22.21).
Onde está a diferença entre a contribuição a César e a Deus? Ambas são compulsórias! Quando entregamos o dízimo a Deus, estamos adorando-O por sua fidelidade; quando pagamos tributo ao governo, estamos dando a ele o que lhe é de direito (Rm. 13.7).
Aqueles que usam o texto de IICoríntios 9.7: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria”, para regulamentar a contribuição cristã em substituição aos dízimos, cometem um sério equívoco hermenêutico. Paulo não estava tratando de dízimo, mas de uma oferta especial, levantada para atender os pobres da Judeia (Gl. 2.10; lCo. 16.1; IICo. 8.1-5; 9.1). Uma oferta que seria feita e depois cessada. É bem verdade que os princípios ali colocados são permanentes e de forma alguma estão em contradição com o dízimo, pois falam de individualidade,de sistematicidade e de proporcionalidade.
Nenhum teólogo,pastor, igreja ou concílio tem autoridade ou competência para desautorizar uma ordem divina. Os dízimos e as ofertas não deixaram de vigorar, porque este ou aquele líder religioso escreveu uma tese de doutorado contra eles e está ensinando que essa prática foi prescrita.“Seja Deus verdadeiro, e mentiroso todo homem. Seca-se a erva, e cai a sua flor,mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente”(Is. 40.8). A verdade de Deus não deixa de ser verdade porque é negada por uns e distorcida por outros.

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O DÍZIMO TEM SIDO USADO PARA
ENRIQUECER IGREJAS E PASTORES


O fato de muitos obreiros inescrupulosos usarem de forma ardilosa esse ensino bíblico para se locupletarem, não anula a verdade bíblica. A existência de um médico charlatão não desautoriza outro médico sério a exercer seu trabalho; assim também, o fato de existirem pastores lobos não significa que não existam
pastores verdadeiros, que trabalham com integridade e transparência.
Reprovamos toda artimanha espúria às Escrituras para arrecadar dinheiro.
Rechaçamos os aproveitadores que debandam para a teologia da prosperidade para arrancar a lã das ovelhas. Rejeitamos os artifícios místicos dos roubadores do templo, que transformam a casa de Deus em covil de salteadores. Repudiamos a prática daqueles líderes e igrejas, que não são transparentes na prestação de
contas de todos os haveres que entram na tesouraria da igreja. Mas reiteramos nossa plena confiança no ensino das Escrituras.
Pastores são homens chamados por Deus para apascentar e pastorear as ovelhas de Cristo. Devem amar a Cristo, e não o dinheiro. Devem cuidar do rebanho de Cristo, e não explorá-lo. Devem servir às ovelhas de Cristo, e não se
servirem delas. O ministério pastoral não é uma plataforma de enriquecimento pessoal. Entretanto, o pastor deve receber um salário digno da igreja, para não ter que se envolver nos negócios desta vida (IITm. 2.4). Digno é o trabalhador do seu salário, e aqueles que servem ao altar, do altar devem tirar o seu sustento.
O pastor não pode ser motivado por dinheiro. O apóstolo Paulo deu seu testemunho aos presbíteros de Éfeso: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes” (At. 20.33). O apóstolo Paulo fazia tendas para complementar seu salário sempre que as igrejas deixavam de pagar por completo seu salário (At. 18.1-3; 20.34,35). Uma igreja que deixa de pagar dignamente o seu pastor torna-se inferior às demais igrejas que cuidam do seu pastor (IICo 11.8,9; 12.13).

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE EM MATEUS 23.23 JESUS ESTAVA
CONDENANDO A HIPOCRISIA DOS ESCRIBAS E FARISEUS, E NÃO
REFERENDANDO O DÍZIMO


É verdade que Jesus estava denunciando a hipocrisia dos escribas e fariseus
que faziam da entrega dos dízimos uma espécie de amuleto espiritual. Ostentavam sua observância criteriosa dos dízimos como um salvo-conduto para transgredir os principais preceitos da lei, que eram a justiça, a misericórdia e a fé.
A entrega dos dízimos não deve ser uma prática ostensiva nem meritória. Se subestimar os dízimos é um erro, superestimá-lo também o é. A fidelidade da entrega dos dízimos não nos autoriza a viver relaxadamente nas outras áreas da vida cristã. A mordomia dos bens é apenas um dos pontos da vida cristã, e não o
todo da vida cristã.
Há aqueles que ousam dizer que quando alguém é fiel na entrega dos dízimos nenhuma tragédia financeira lhe ocorre. Há alguns que, beirando a
blasfêmia, chegam mesmo a afirmar que o patriarca Jó não era dizimista, pois, se
o fosse, nem mesmo Deus poderia tocar em sua vida. Que grande equívoco! Jó não sofreu revés em sua vida financeira por ser infiel a Deus; não enterrou seus filhos porque era culpado de transgressão; não se tornou uma carcaça humana e uma ferida aberta por ter sonegado a Deus os dízimos. O que encontramos nas
Escrituras é a afirmação peremptória de Deus de que Jó era o homem mais piedoso de sua geração (Jó 1.8; 2.3). Apesar disso, foi provado com a permissão divina. Quando os filhos de Deus são provados, não é para destruí-los, mas para
fortalecê-los. Deus restaurou a sorte de Jó, e no segundo estágio de sua vida ele foi ainda mais próspero (Jó 42.10-16)!


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO DIZ QUE
100% É DE DEUS, E NÃO APENAS 10%


Isso é a mais pura verdade. Tudo o que somos e temos em nossas mãos veio de Deus, é de Deus e deve estar a serviço de Deus. Mas esse é também o claro ensino do Antigo Testamento: Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se
contém, o mundo e os que nele habitam (SI. 24.1). Sempre tudo foi, é e será de Deus. Nós nunca tivemos nada, não temos nada e não teremos nada. Não trouxemos nada nem levaremos nada (Jó 1.21; ITm. 6.7). Tudo é de Deus. Nós somos apenas mordomos.
É muito importante entender que o dízimo não é uma soma matemática, mas um símbolo. Não é uma cifra, mas um emblema. Quando Deus requer do seu povo a devolução de 10%, está nos ensinando que ele quer não dinheiro, mas fidelidade. Até porque os 90% que ficaram em nossas mãos também pertencem ao Senhor. Deus não quer nossas coisas, mas nosso coração. Não quer nosso sacrifício, mas nossa fidelidade. Se não conseguimos ser fieis no pouco, como o
seremos no muito? Se não conseguimos ser fieis no que pertence a outrem, como o seremos naquilo que nos foi dado? Quando Deus requer de nós o dízimo, não está tratando apenas com o
sustento de sua obra; está tratando com o nosso coração. Podemos ilustrar essa verdade com a experiência de Abraão. Quando Deus pediu a Abraão para sacrificar Isaque, não era Isaque que Deus queria, mas Abraão. Deus não aceita
sacrifícios humanos. Deus queria o coração de Abraão. Deus queria sua obediência. Assim, quando Deus requer do seu povo a entrega dos dízimos, a essência dessa exigência não tem a ver com dinheiro, pois Deus não precisa de dinheiro. Ele é o dono de todo o ouro e de toda a prata (Ag. 2.8). O dízimo é,prioritariamente, uma questão de reconhecimento de que tudo pertence a Deus e
que, como seus mordomos, precisamos ser fiéis

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE NO NOVO TESTAMENTO O DÍZIMO É
SEMPRE DESCRITIVO, E NUNCA PRESCRITIVO


A palavra “dízimo” aparece sete vezes no Novo Testamento (Mt. 23.23; Lc. 11.42; 18.12; Hb. 7.2; 7.4; 7.5; 7.8). Embora os textos sejam descritivos, não estão em oposição ao prescritivo, se levarmos em conta a unidade das Escrituras. O
Novo Testamento não está em oposição ao Antigo Testamento. Concordo com Agostinho de Hipona, quando disse que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo Testamento está patente no Novo. Não há qualquer mandamento explícito revogando a prática do dízimo no Novo Testamento. Ao contrário, Jesus condena não a prática do dízimo, mas a prática errada dele.
Condena não o princípio, mas a inversão de valores dos escribas e fariseus, que faziam do dízimo uma espécie de salvo-conduto para viverem cheios de arrogância e orgulho espiritual. Jesus deixa claro que devemos guardar os preceitos principais da lei, como a justiça, a misericórdia e a fé, sem deixar de
praticar o dízimo. na administração daquilo que ele nos confiou.

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O APÓSTOLO PAULO NÃO ORIENTOU AS
IGREJAS A ENTREGAR OS DÍZIMOS, MAS ORIENTOU-AS A OFERTAR


Paulo não usou a palavra “dízimo” em suas epístolas, mas ensinou o seu princípio, quando diz que os obreiros no Novo Testamento devem ser sustentados da mesma forma que os levitas eram sustentados no Antigo Testamento (lCo 9.1-14). Por outro lado, a prática do dízimo não dispensa os crentes de serem generosos nas ofertas. Os crentes devem semear com abundância na vida das pessoas, e isso não em substituição ao dízimo, mas além dele. Vemos nessa atitude o mistério do pobre e o mistério do rico. Quem tem mais deve repartir com quem tem menos. Os ricos devem ser generosos na
prática de boas obras (lTm. 6.17-18). Usar a voluntariedade das ofertas, conforme ensinada nas Epístolas aos Coríntios, em substituição ao dízimo, é não compreender o caráter específico daquela oferta levantada entre as igrejas
gentílicas para socorrer os santos da Judeia, em situação de emergência IICo. 8.1-4; ICo. 16.1-4.
Reafirmamos, portanto, que, embora o apóstolo Paulo não tenha usado o termo “dízimo” em suas epístolas, ensinou os princípios do dízimo. Quando se trata do sustento dos obreiros, o apóstolo Paulo recorreu ao mesmo princípio do
sustento dos levitas (lCo 9.13-14). Quando falou das ofertas voluntárias para os pobres da Judeia, ensinou que elas precisam ser pessoais, metódicas e proporcionais (lCo 16.1-2). Não são esses os mesmos princípios que regulamentam os dízimos?


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE É DEVER DA IGREJA PAGAR SUAS CONTAS,
ISSO PODE SER FEITO ESTABELECENDO-SE UMA TAXA PARA OS MEMBROS


Esse argumento é pragmático, mas não bíblico. Não temos autoridade para mudar os preceitos da palavra de Deus. A igreja não é um clube nem um condomínio, onde cada um paga sua taxa de utilização. A igreja não vive para si. Ela é uma comunidade de peregrinos que estão no caminho, indo por todo o mundo, fazendo discípulos de todas as nações (Mt. 28.18-20). Sua missão é
glorificar a Deus, através da pregação do evangelho, do discipulado dos novos crentes e do pastoreio das ovelhas de Cristo. As igrejas que vivem para si mesmas,fechadas em si mesmas, como se fossem um condomínio fechado, ficam
estagnadas. As igrejas, porém, que entendem que o seu chamado é para a multiplicação e que precisam ser testemunhas de Cristo aqui, ali e além-fronteiras ao mesmo tempo (At. 1.8), precisam fazer robustos investimentos na obra. A obra missionária necessita de recursos, e aquele que ganha almas é sábio (Pv. 11.30).
Investir na obra missionária é investir numa causa de consequências eternas.
Bens materiais ficarão aqui e serão entesourados para o fogo (IIPe. 3.1-12), mas o dinheiro que investimos na evangelização dos povos produzirá um resultado que transcende o tempo e refletirá na eternidade. Jim Elliot, o mártir do cristianismo
pelos índios do Equador, estava certo ao dizer: “Não é tolo aquele que dá o que pode reter para ganhar o que não pode perder”.A imensa maioria das igrejas está estagnada. Essas igrejas não crescem,vegetam. Outras buscam apenas o seu conforto, num trabalho de manutenção,
mas não se afligem com os perdidos que estão à sua porta. Há igrejas que só investem em si mesmas, empanturram-se, e se tornam culpadas porque não dizem para aqueles que perecem de fome que encontraram pão com fartura (IIRs.
7.9). Há igrejas que são estéreis, não geram filhas espirituais. Não plantam outras igrejas. Passam anos e décadas, e elas apenas se mantêm; não se multiplicam,não alargam as fronteiras do reino de Deus. Uma igreja que entende que o seu
campo é o mundo e que a visão de Deus é o mundo inteiro é fiel na entrega dos dízimos e generosa nas ofertas, porque compreende que é parceira de Deus na obra gloriosa da implantação de seu reino na terra.


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE O QUE GANHO É POUCO E NÃO SOBRA


Esse argumento pressupõe que devemos entregar a Deus as sobras, e não as primícias. Dízimo não é sobra, mas primícias. A Bíblia nos ensina a honrar a Deus com as primícias de toda a nossa renda (Pv. 3.9). Deus não é Deus de sobras. Ele é
a fonte de todo bem, e merece o primeiro, o melhor, as primícias.
A Bíblia nos ensina a trazer todos os dízimos. E esse mandamento não é apenas quando sobra. Deus é o nosso provedor, e devemos confiar mais no provedor do que na provisão. Vivemos pela fé.Portanto, devemos obedecer ao
que Deus ordena e descansar no seu cuidado providente.O profeta Ageu diz que, quando trazemos as sobras para Deus, ele as rejeita,
porque não é Deus de resto. Ele as assopra e as dissipa (Ag. 1.9). O profeta Malaquias denunciou o povo que trazia para Deus os animais doentes e
dilacerados (Ml. 1.8,9). Isso é trazer o que não tem valor. É trazer a sobra. E entregar para Deus o que não nos custa nada nem tem valor para nós. Isso é oferecer o pior para Deus. Essa atitude é indigna de Deus. Desonra a Deus.
Ofende o Deus todo-poderoso. Os homens fiéis sempre separaram o melhor para Deus, ou seja, as primícias (Êx. 23.19; lCr. 29.16; Ne. 10.37). Quando dizemos que a razão de retermos o dízimo é que, se o entregarmos, vai nos faltar o básico, estamos permitindo que Satanás encha o nosso coração de incredulidade. É Deus quem cuida do seu povo. Dele vem a nossa provisão.
Cabe-nos obedecer a Deus e deixar as consequências em suas mãos. Ele é fiel!

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE AS IGREJAS NÃO ADMINISTRAM BEM O
DÍZIMO


A ordem de Deus para o seu povo é trazer todos os dízimos à casa do tesouro (Ml. 3.10), mas Deus não nos constituiu juízes do dízimo. Aqueles que
têm a responsabilidade de administrar os dízimos prestarão contas a Deus pela sua administração. Porém, não temos o direito de reter o dízimo porque discordamos da forma que a igreja o administra. Podemos e devemos
acompanhar como os líderes de nossa congregação lidam com os dízimos.
Podemos, à luz das Escrituras, exortar e admoestar uns aos outros (Rm. 15.14).
Devemos ser submissos aos nossos líderes enquanto eles forem fieis às Escrituras
(Hb. 13.17).Por outro lado, é importante ressaltar, que quando levamos o dízimo ao
gazofilácio, não estamos entregando o que é nosso. Estamos, na verdade, devolvendo o que é de Deus. Na verdade, não damos o dízimo; devolvemo-lo. Não entregamos o que é nosso, mas o alheio. Ao levarmos o dízimo ao
gazofilácio, cumprimos nossa responsabilidade. Aqueles que são incumbidos de gerir os recursos são mordomos de Deus e devem ter responsabilidade nessa administração. Podemos até mesmo alertar aqueles que administram de fazê-lo com critério e transparência. Porém, se identificarmos falta de integridade na
administração dos dízimos, devemos confrontar a liderança. Se essa liderança não se arrepender, temos o dever de sair e buscar uma igreja que seja fiel às Santas Escrituras.
Reafirmamos que o nosso compromisso de obediência às autoridades constituídas da igreja vai apenas até o momento em que elas permanecerem fiéis à palavra de Deus. Se a liderança, depois de exortada, abandonar a palavra de Deus e usurpar os recursos que deveriam ser investidos na promoção do reino, é
nossa responsabilidade abandonar essa igreja e buscar outra que ande de acordo com os preceitos divinos. Colocar-se sob a autoridade de pastores e líderes inescrupulosos, que de forma desonesta e avarenta se apropriam dos dízimos e
ofertas para seu proveito próprio, como os filhos do sacerdote Eli faziam, é incorrer em desobediência ao próprio Deus.


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE JÁ DOU OFERTA E POR ISSO ESTOU
DISPENSADO DO DÍZIMO


Esse argumento parece espiritual, mas não está de acordo com a Escritura. A Bíblia fala de dízimos e ofertas (Ml 3.8). São duas coisas distintas. Não podemos praticar uma e omitir a outra. Não há fidelidade parcial.Os mandamentos de Deus nos foram dados para os cumprirmos à risca.O dízimo é dívida. Por isso, retê-lo é considerado roubo (Ml. 3.8-9). Primeiro
pagamos a dívida e, depois, ofertamos. Ofertar para ficar isento da dívida não é correto. Imagine se eu devesse dez mil reais ao banco. Eu não quero quitar a dívida, mas vou ao gerente do banco e levo para ele um presente no valor de dois mil reais, com a intenção de ficar isento da dívida. O gerente aceitaria isso? Seria
isso legal? Seria ético? Seria aceitável Obviamente não!Não temos autorização para mudar os preceitos divinos, ainda que em nome
das mais puras motivações. Não podemos limitar a contribuição cristã apenas às ofertas, nem podemos substituir o dízimo pelas ofertas. Dízimos e ofertas caminham lado a lado. O dízimo é a forma de Deus sustentar a sua casa e manter seus obreiros. As ofertas são um tributo de gratidão a Deus, para atender a necessidades especiais, em ocasiões especiais.


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE NÃO SINTO NO CORAÇÃO O DESEJO DE
ENTREGAR O DÍZIMO


A vida do cristão não é dirigida por sentimentos. Vivemos pela fé, e não pelo que sentimos. Nossa norma de fé e conduta é a palavra de Deus, e não nossos sentimentos. A verdade não é privativa nem subjetiva. A verdade é universal e
objetiva. Na vida cristã, o fazer precede o sentir. Devemos obedecer ainda que nosso
coração não esteja sentindo vontade. Fazemos muitas coisas, mesmo quando não temos desejo. Levantamo-nos de manhã para trabalhar, mesmo com o desejo de ficar um pouco mais na cama. Vamos à escola fazer uma prova, mesmo com
vontade de nos ausentarmos dela. Tomamos um remédio amargo para tratar de uma enfermidade, mesmo que sem nenhuma vontade de tomá-lo. Compromisso,e não sentimento, é o que nos move. Dever, e não emoção, é o que nos
impulsiona. A verdade, e não nossos sentimentos, é o que nos inspira. Obediência, e não emoção, é o vetor que nos move à ação. Não pagamos conta
com sentimentos. Não fazemos o bem apenas tendo boa vontade.O nosso coração é enganoso e assaz egoísta. Se dependermos de sentir para
fazer, ficaremos limitados às emoções e viveremos no território ilusório das promessas vazias. Não fazemos a obra de Deus com emoções. Não construímos templos com sentimentos. Não sustentamos missionários com boas intenções.
Obediência é o que Deus requer de nós. Ação é o que Deus exige de nós. O fundamento da fidelidade a Deus nos dízimos e a generosidade nas ofertas é uma questão de submissão à palavra, e não uma frágil inclinação da nossa vontade.

NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE PRECISO CUIDAR PRIMEIRO DAS MINHAS
COISAS PARA DEPOIS INVESTIR NA OBRA DE DEUS


O dizimista fiel compreende que Deus é o dono de todo o ouro e de toda a prata. Deus não apenas é o dono de tudo, mas também o nosso provedor. Toda boa dádiva vem dele. Ele é quem nos dá o sol e a chuva, as estações do ano e os
frutos da terra. Deus é quem nos dá saúde e inteligência para trabalharmos. Deus
é quem nos dá a vida, a respiração e tudo o mais (At. 17.25).Devemos trazer a Deus as primícias de toda a nossa renda, e Deus promete
fazer transbordar nossos celeiros e encher de vinho os nossos lagares (Pv. 3.9-10).
O profeta Ageu denunciou o povo de Israel que voltou do cativeiro e, em vez de construir a casa de Deus, voltou-se para construir suas próprias casas, deixando desamparada a casa do Senhor. O pouco que o povo trazia, Deus assoprava. O
salário que o povo recebia, recebia-o para colocá-lo num saco furado. Reter os dízimos e as ofertas é desamparar a casa de Deus. Reter os dízimos é colocar-nos em primeiro plano e relegar a casa de Deus a segundo plano. Reter
os dízimos é afirmar que somos os donos, e não os mordomos, dos recursos que temos nas mãos. Reter os dízimos é dizer que Deus não é sábio o suficiente quando nos insta a trazer a ele as primícias de toda a nossa renda

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NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE CONHEÇO MUITOS CRENTES QUE NÃO
PAGAM O DÍZIMO E SÃO RICOS E OUTROS QUE ENTREGAM O DÍZIMO E SÃO
POBRES


Não basta apenas ser dizimista; é preciso ter a motivação correta. É ledo engano pensar que as bênçãos de Deus limitam-se apenas às coisas materiais.Dízimo não é barganha nem negócio com Deus. Precisamos servir a Deus por
quem ele é, e não pelo que vamos receber em troca. A prosperidade financeira sem Deus pode ser um laço. Um homem nunca é tão pobre como quando ele só possui dinheiro. O máximo que o dinheiro pode oferecer ao homem é um rico
funeral. Riqueza sem salvação é a mais consumada miséria. O fascínio da riqueza
sufoca a semente da palavra de Deus no coração humano. Este argumento, portanto, tem em sua raiz graves mal entendidos. O primeiro deles é que Deus nunca prometeu riqueza àqueles que são fieis na entrega dos dízimos. Deus prometeu abrir as janelas do céu e derramar bênçãos
sem medida (Ml. 3.10). Deus prometeu celeiros cheios e lagares transbordantes (Pv. 3.10). Embora as bênçãos na antiga aliança fossem medidas em termos materiais, isso não significava necessariamente riqueza, mas prosperidade. Nem todas as pessoas ricas são prósperas e nem todas as pessoas prósperas são ricas.Há ricos pobres e pobres ricos. A palavra de Deus diz: Uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos (Pv. 13.7). O ensino da palavra de Deus é que a bênção do Senhor enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto (Pv. 10.22). A riqueza em si mesma não satisfaz. O apóstolo Paulo escreveu: Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição (lTm. 6.9).O cristão não vê a riqueza em termos de cifras, mas de satisfação interior.
Ainda escreve Paulo: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes (lTm. 6.6-8). O contentamento do cristão não está no dinheiro. Paulo dá seu testemunho: “porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp. 4.11-13). O cristão mesmo pobre é muito rico: “Entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (IICo. 6.10).
O segundo mal entendido é que o dízimo seja um negócio com Deus para nos enriquecer. Quando cuidamos das coisas de Deus, ele cuida das nossas coisas. Jesus ordenou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt. 6.33). Quando somos fiéis a Deus, ele promete
suprir nossas necessidades. O rei Davi dá o seu testemunho: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (SI. 37.25). O que Deus promete é multiplicar nossa sementeira, para continuarmos semeando generosamente: “Ora, aquele que dá semente ao que semeia
e pão para alimento também suprirá eaumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça; enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus” (IICo 9.10-11). O que a palavra de Deus nos ensina é sermos ricos para com Deus em vez de
retermos tudo em nossas mãos com avareza. Jesus nos adverte: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo,
dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (Lc. 12.15-21).
O terceiro mal entendido é julgarmos que os crentes dizimistas pobres não são abençoados como os não dizimistas ricos. Na dispensação da graça, nossas riquezas não são avaliadas apenas pelo critério de bens materiais, mas,sobretudo, pelas bênçãos espirituais. O apóstolo Paulo escreve: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef. 1.3).


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE A IGREJA É RICA E NÃO PRECISA DO MEU
DÍZIMO


O ensino claro das Escrituras é que o dízimo não é meu, mas de Deus. Portanto, meu dever é entregá-lo com fidelidade, como Deus me ordenou e onde Deus me ordenou.
Ainda perguntamos: será que temos tomado conhecimento das necessidades da igreja? Vislumbramos as possibilidades de investimento em prol do avanço da obra? Além do mais, o dízimo não é da igreja; é do Senhor. É ele
quem o recebe (Hb. 7.8). Aqueles que compreendem a grandeza da obra, a imensidão da seara e urgência da missão, não encolhem as mãos para contribuir. Aqueles que investem
nas causas de consequências eternas não sonegam o dízimo nem deixam de
ofertar.A pobreza de uma igreja consiste na miopia de sua visão, mais do que na
escassez de recursos. Quando a igreja compreende que seu campo é o mundo,
quanto mais recursos ela tem nas mãos, mais ela investe na obra missionária, e mais relevante ela se torna para a sociedade!


NÃO SOU DIZIMISTA PORQUE NÃO CONCORDO COM O DÍZIMO


Temos o direito de discordar; só não temos o direito de escolher as consequências das nossas decisões. Quando discordamos do dízimo, estamos discordando da palavra de Deus que não pode falhar. Quando discordamos do dízimo, estamos indo contra a palavra dos patriarcas, dos profetas e, acima de tudo, do Senhor Jesus, que disse: “Dai, pois, a César o que é de César [os tributos] e a Deus o que é Deus [os dízimos e as ofertas]” (Mt. 22.21).

OFERTAS ESPECÍFICAS E VOLUNTÁRIAS
Ofertas Para Construção do Tabernáculo
Deus desejou hbitar no meio do seu povo. O modo que ele mesmo escolheu foi através de uma tenda ou tabernáculo. O modelo desse santuário, bem como o de todos os seus móveis, foi fornecido por Deus. O Tabernáculo a ser erigido destinava-se ao benefício, segurança, orientação e conforto do próprio povo. O povo deveria arcar com a despesas de sua construção e mobília.
1) A oferta é para Deus. “Disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel que me tragam oferta” (Êx. 25.1-2). Destaque: que me tragam oferta. Em Êxodo 35: uma oferta para o Senhor”. As pessoas não estavam dando para que Moisés
ficasse rico. Suas ofertas não eram para benefício pessoal de Arão e dos sacerdotes. Sua oferta foi antes de tudo para a glória de Deus e um ato de
adoração. Quando a obra é de Deus, o obereiro responsável deve pedir ao povo que contribua. 2) A oferta é para a obra de Deus. “E trouxe a oferta ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para as vestes sagradas” (Êx.35.21). “Uma oferta para toda a obra que o Senhor tinha ordenado se fizesse por
intermédio de Moisés” (Êx. 35.29). Deus se identifica com a sua obra e com os
seus obreiros.3) A oferta deve ser feita pelos “filhos de Israel”. “Disse o Senhor a Moisés:
Fala aos flhos de Israel que me tragam oferta (Êx. 25.1). Disse mais Moisés a toda congregação dos filhos de Israel: Esta é a palavra que o Senhor me ordenou,dizendo” (Êx. 35.4). É privilégio do povo de Deus contribuir para a obra de Deus.
Assim como a adoração é uma prática exclusiva da igreja, ofertar também o é.4) O que poderia ser ofertado. A oferta poderia ser de dois tipos: 1) oferta de materiais ou dinheiro: metais preciosos, bronze, tecidos, peles de animais,madeiras, azeite, pedras e especiarias (Êx. 35.5-9); 2) oferta de serviços: muitos ofertaram mão-de-obra: desenhistas, artesãos, lapidadores, carpinteiros, artífices,bordadeiras, tecelões e outros profissionais requeridos para a execução do
projeto (Êx. 35.30-35).5) Como o povo deveria ofertar. de todo coração homem cujo coração se
mover para isso (Êx. 25.2) desejo livre do coração para dar seus recursos para a obra do Senhor; daquilo que tinha (Êx. 35.5) Deus não requer aquilo que não temos; cada um (Êx. 35.5) uma oferta individual; voluntariamente a trará (Êx.
35.5) a oferta não podia ser sob coação; toda a congregação de Israel saiu da
Presença de Moisés (Êx. 35.20) o povo foi para casa separar sua oferta de forma consciente; abundantemente (Êx. 36.6) as ofertas foram maiores que as necessidades, então Moisés ordenou que não trouxessem mais. Ele poderia
deixar o povo continuar trazendo para tirar proveito pessoal. Não fez isso porque
temia a Deus.

Ofertas Para a Construção do Templo
Davi resolveu construir um templo para Deus em Jerusalém. Ele teve autorização de Deus, mas não seria o construtor. Salomão, seu filho, realizaria
essa obra. Em ICrônicas 29, Davi se dirige ao povo para pedir ofertas para a construção e ora a Deus para agradecer-lhe o privilégio de ofertar. Os mesmos princípios espirituais usados por Moisés nas ofertas levantadas para o Tabernáculo foram observados quanto à destinação da obra e o modo de coletar as ofertas:
1) A oferta é para Deus e para sua obra (ICr. 29.1). Três detalhes sobre a obra de Deus: a) Ela é feita por seus escolhidos, Salomão foi escolhido para liderar a construção, e quem a realizou foram homens escolhidos por Deus (Ne. 2.20); b)
A obra é grande. A palavra “palácio”, usada tem uma conotação de um grande palácio real (ICr. 29.19); c) A obra é para Deus. Toda a planta do Templo foi feita sob orientação divina (ICr. 28.19).2) O povo deveria ofertar com todo esforço com todas as minhas forças (ICr. 29.2). A ideia é de intensidade de esforço (Dt. 6.5). Quem oferta dessa forma dá com abundância.
3) O povo deveria ofertar com todo amor e ainda, porque amo a casa de meu Deus (Icr. 29.3). Por amor o limite é sacrificial, como fez a viúva pobre (Mc.12.44). 4) Daquilo que temos particulares que tenho dou. Davi deu de seu tesouro particular 110 toneladas de ouro e 240 toneladas de prata. Ele deu tudo que tinha.
5) Liberalmente quem, pois, está disposto, hoje, a trazer ofertas liberalmente ao Senhor? (ICr. 29.5). Significa livre, espontânea e voluntariamente (ICr. 29.6).
6) Alegria também o rei Davi se alegrou com grande júbilo (ICr. 29.9) ninguém
foi coagido a ofertar.
7) Integridade porque de coração íntegro deram eles liberalmente ao Senhor
(ICr. 29.9). Integridade relaciona-se com motivação: sincera, verdadeira e sem
segundas intenções.
Na oração que Davi fez pelas ofertas levantadas, em ICrônicas 29.10-22, ele acrescentou outros ensinamentos sobre como ofertar: Como ato de adoração e louvor; Como um privilégio que Deus concede a seu povo; Entendendo que estavam devolvendo um pouco do muito que ele nos dá;
Sentindo no coração que ofertar é um ato divino.

Ofertas Para os Pobres da Judeia
Ofertar é um privilégio do povo de Deus. Por isso Paulo pede ofertas para todas as igrejas, com o intuito de socorrer os crentes que passavam necessidade.Paulo usou várias palavras para conceituar aquela oferta que estava levantando:
1) Coleta (logeia) — significa uma contribuição feita nos templos religiosos. Segundo William Barclay “era o oposto de um imposto; era uma maneira de ofertar extraordinariamente”. Ofertar é uma forma de abençoar o outro que
precisa.2) Graça (charis) — descreve um dom ou privilégio imerecido. Contribuir
deve ser visto como um favor concedido por Deus. A palavra “dádiva” (charis) significa “um dom”, um “presente”. Por isso quem dá é mais bem-aventurado, mais abençoado e mais feliz (At. 20.35).3) Comunhão (koinonia), traduzido por “participarem” ou “partilharem”. O ato de ofertar é partilhar com o outro os seus bens (IICo. 8.4).
4) Serviço (diakonia) indica que a oferta é um serviço prático, uma assistência, um ministério contínuo do cristão (IICo. 8.4; 9.1,12-13; Fp. 4.14-20).5) Liturgia (leitourgia) traduz a oferta como um ato de culto, um serviço em
forma de adoração voluntária (IICo. 9.12; Fp. 2.30).Como a Oferta Deveria ser Feita
Os princípios que apareceram na coleta para a construção do tabernáculo e do templo de Salomão são os mesmos usados por Paulo.
1) Oferta específica: coleta para os santos (lCo 16.1) indica que a oferta era específica, possuía um alvo definido. Era uma oferta temporária, intencional e com um propósito específico.
2) Oferta como um mandamento de Deus: Como ordenei às igrejas da Galácia (v. 1). Ordenei (diatassô) revela que ofertar era um mandamento ou uma ordenança apostólica (ICo. 7.19; 9.14). Todo verdadeiro cristão é um ofertante generoso.3) Oferta sistemática: No primeiro dia da semana (lCo. 16.2). A oferta seria sistemática, isto é, aos domingos. O primeiro dia da semana é o dia de culto. Logo, a oferta é um dos elementos do culto cristão. Todo culto dominical tinha ofertório.4) Oferta individual: Cada um de vós (v. 2) revela a individualidade e a personalidade de cada ofertante. Deus quer a oferta de todos,independentemente do seu poder aquisitivo. A oferta elogiada por Jesus Cristo foi
a de uma viúva pobre.5) Oferta preparada: Ponha de parte, em casa (v. 2) exige do ofertante um
trabalho preparatório, deveria separar o dinheiro em casa antes de trazê-lo para a igreja. Eles jamais foram pressionados a dar de maneira rápida e impensada.6) Oferta de acordo com o que tinha: conforme a sua prosperidade (v. 2) ou de acordo com o sucesso nos negócios particulares. Deus nunca pede aquilo que
não temos. Sempre ele pede um pouco do muito que nos dá.7) Oferta que deveria ser administrada com zelo: e vá juntando, para que
não se façam coletas quando eu for. Expressa o cuidado de Paulo em ordenar o levantamento do dinheiro, sem permitir que dúvidas sejam levantadas sobre o seu caráter (IICo. 2.17).
Após a análise desses três exemplos bíblicos de coletas (tabernáculo, templo e para os pobres), concluímos que eles norteiam as ofertas específicas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e podemos fazer algumas aplicações práticas sobre o assunto:
• Ofertar a Deus é um ato de fé e obediência. É um privilégio exclusivo do povo de Deus, tanto da Antiga Aliança como da Nova Aliança; tanto daqueles que viveram antes de Cristo como daqueles que vieram depois de Cristo. O incrédulo jamais entenderá isso e sempre criticará os que ofertam.• Ofertar a Deus é um ato de culto. Adoramos a Deus com o que somos e
temos. As nossas ofertas são “sacrifícios espirituais” ao Senhor. Todas as igrejas
verdadeiras devem ter o ofertório como parte integrante de culto. Pregar, ensinar e tirar ofertas na igreja não devem ser motivos de constrangimento para pastores e líderes. Ensinar a Palavra ao povo de Deus é um dever e uma responsabilidade muito grande: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e
doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário,
cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (IITm. 4.2-4).
• Ofertar a Deus é um ato voluntário, espontâneo e liberal. Oferte individualmente, conforme a sua prosperidade e de forma sistemática. Oferte
com amor, alegria e generosidade para o progresso da obra de Deus.Fuja de qualquer igreja ou líder religioso que o pressione ou o constranja a dar dinheiro.Rejeite qualquer tipo de barganha de dinheiro por vãs esperanças.

CONCLUSÃO


Talvez você argumente que está discordando da interpretação que fizemos do assunto, e não da palavra de Deus. Porém, rogo a você que se aproxime das Escrituras sem formulações preconcebidas. Não imponha ao texto suas
conclusões prévias. Extraia do texto o que está nele. Examine cuidadosamente os textos do Antigo e do Novo Testamentos. A Bíblia interpreta a Bíblia. Há uma harmonia nas Escrituras. Elas falam por si mesmas.

Minha ardente oração é que você descubra o privilégio de ser um dizimista.Minha súplica a Deus é que você, que já é dizimista, renove seu compromisso de continuar sendo fiel ao Deus fiel. Que você seja um mordomo de Deus, pronto a
colocar a serviço de Deus os recursos dele que estão sob sua administração.


Bibliografia:
Dízimos e Ofertas São Para Hoje?, Hernandes Dias Lopes e Arival Dias Casimiro, United Press,
2017.

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Teologia

DEUS ENDURECEU O CORAÇÃO DE FARAÓ?

QUEM ENDURECEU O CORAÇÃO DE FARAÓ? Êx 4:21; 7:3; X 7:13,14

Os calvinistas respondem que foi Deus, citando Êx 4:21; 7:3 e Rm 9:17,18.

Os arminiano/wesleyanos afirmam que Faraó endureceu o seu próprio coração e Deus apenas o fortaleceu: Êx 3.19; 7:13,14.

Se foi Deus que endureceu o coração de Faraó, onde fica o livre arbítrio?

Por outro lado, se ficar provado que não foi Deus quem endureceu o coração de Faraó, fica valendo o argumento arminiano de que o homem tem o livre arbítrio.

Deus não endureceu o coração de Faraó, mas apenas fortaleceu a dureza de um coração obstinado, duro, arrogante e teimoso. Portanto, Faraó endureceu o seu próprio coração.

O verbo endurecer, ligado a Faraó, aparece cerca de 2O vezes no texto do livro de Êxodo. Das 2O vezes, 1O estão ligadas a Deus e 1O ao próprio Faraó.

As 10 vezes ligadas a Deus:

1 “Eu endurecerei o seu coração” (Êx 4:21- Chazaq, em Piel).

2 “Endurecerei o coração de Faraó” (Êx 7:3 Qasha, em Hifil).

3 “O Senhor endureceu o coração de Faraó” (Êx 9:12 Chazaq, em Piel)

4 “Tenho agravado o seu coração” (Êx 10:1 Kabed, em Hifil).

5 “O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó” (Êx 10:20 Chazaq, em Piel).

6 “O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó” (Êx 10:27 Chazaq, em Piel).

7 “O Senhor endureceu o coração de Faraó” (Êx 11:10 Chazaq, em Piel).

8 “Eu endurecerei o coração de Faraó” (Êx 14:4 Chazaq, em Piel).

9 “O Senhor endureceu o coração de Faraó” (Êx 14:8 Chazaq, em Piel).

10 “E eis que endurecerei o coração dos egípcios” (Êx 14:17 Kabed, em Piel).

É muito importante analisar que, Deus só endurece o coração de Faraó após a sexta praga (Êx 9:12). Deus apenas diz que vai endurecer (Êx 4:21; 7:3), mas não endurece antes da sexta praga. Faraó teve 6 chances de se arrepender, amolecendo o seu coração, mas não o fez.

“O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura” (Pv 29:1).

Deus não tem prazer na morte do ímpio (Ez 33:11; I Tm 2:1-4; II Pe 3:9), mas se este continua endurecendo o seu coração será punido.

Confira as passagens a seguir:

As 10 vezes ligadas ao próprio Faraó:

1 “Porém o coração de Faraó se endureceu” (Êx 7:13 Chazaq, em Qal).

2 “O coração de Faraó está obstinado” (Êx 7:14 Kabed, na forma adjetiva).

3 “O coração de Faraó se endureceu” (Êx 7:22 Chazaq, em Qal).

4 “Faraó…agravou o seu coração” (Êx 8:15 Kabed, em Hifil).

5 “O coração de Faraó se endureceu” (Êx 8:19 Chazaq, em Qal).

6 “Endureceu Faraó ainda esta vez seu coração” (Êx 8:32 Kabed, em em Hifil).

7 “O coração de Faraó se endureceu” (Êx 9:7 Kabed, em Qal).

8 “E agravou o seu coração” (Êx 9:34 Kabed, em Hifil).

9 “O coração de Faraó se endureceu” (Êx 9:35 Chazaq, em Qal).

10 “Endurecendo-se Faraó, para não nos deixar ir” (Êx 13:15 Qasha, em Hifil).

11- É possível deduzirmos de Êx 7:23 que o coração de Faraó continuará duro. Considerando esta passagem de Êx 7:23, por inferência, Faraó, mais uma vez, está endurecendo o seu coração, somando um total de 11 vezes.



ROMANOS 9.17 E A EXEGESE CALVINISTA:

O texto de Rm 9.17 é considerado dentro do calvinismo como um texto prova para a eleição incondicional. Assim diz o texto:

“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para em ti mostrar o meu poder e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra” (Rm 9.27).

A expressão “te levantei” é interpretada pelos calvinistas como que se Deus quisesse dizer: “eu te fiz surgir na história, eu te elegi para esse fim”.

Mas será que é isso mesmo que o texto, à luz do contexto, está querendo dizer ou são os calvinistas que estão plantando esta interpretação no texto para forçar um ponto de vista? (eixegese).

Vejamos o que diz William Hendriksen, calvinista e ex-professor do Seminário João Calvino, nos EUA:

“Uma vez que essa passagem é apresentada como sendo uma citação direta, a própria mensagem do Senhor a Faraó, mensagem comunicada àquele rei por meio de Moisés e registrada na Escritura – observe “diz a Escritura” – é aconselhável estudar o texto (Êx 9.16) onde primeiro foi registrada. Seu contexto mostra-nos que tinham ocorrido seis pragas no Egito: água convertida em sangue, rãs, piolhos, moscas, doença infecciosa no gado, furúnculo no homem e nos animais. Mais quatro estavam por vir: granizo, gafanhotos, três dias de intensa escuridão e a matança de todos os primogênitos do Egito. Entre a sexta e a sétima pragas, Deus ordenou a Moisés que falasse a Faraó: “Pois já eu poderia ter estendido a mão para te ferir a ti e a teu povo com pestilência, e terias sido cortado da terra; mas deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostrar-te o meu poder, e para que seja o meu nome anunciado em toda a terra” (Êx 9.15,16).

É evidente, pois, que, em Êx 9.16, a expressão “te hei mantido” ou “[mantive] vivo” significa “te poupei”. Por conseguinte, não há razão para interpretar Romanos 9.17 de forma diferente. Por certo, o verbo grego tem também outros significados, mas tais significados não se adéquam ao relato de Êxodo… Deus poupou Faraó com o intuito de exibir nele o seu poder, castigando a ele e a seu povo”.

“POR ISSO, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;” Rm 1.24

“POR CAUSA DISSO, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;” Rm 1.26

“E, POR HAVEREM DESPREZADO O CONHECIMENTO DE DEUS, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,” Rm 1.28

Ou seja, o endurecimento destes pecadores não foi incondicional, mas devido a perseverança nestes pecados.

Ninguém foi eleito para ser um idólatra e homossexual, mas se perseverar nestes pecados certamente Deus endurecerá os seus corações. Aliás aquele que persevera no pecado está desprezando até mesmo vontade de Deus, sendo que esta não é que eles continuem no pecado.

SOBRE O ENDURECIMENTO DO CORAÇÃO DE FARAÓ:

Deus endureceu o coração de Faraó por causa de ele (Faraó) ter obstinado e endurecido seu próprio coração ao dizer:

“Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel” (Êx 5:2).

A figura de Faraó para o povo (e o próprio Faraó) era de um “deus”. Portanto essas palavras de Faraó era um desafio ao próprio Deus dos hebreus, pois na mente dos Egípcios Faraó nao poderia e nem os deuses da maior potencia da época perder para um Deus de escravos. Portanto faraó endureceu seu próprio coração contra Deus e por este motivo Deus mostrou quem ele é para o Egito derrubando todos os “deuses” que eles pensavam ser invencíveis ,se Deus endureceu o coração de Faraó, então este não pode ser responsabilizado por seus atos, já que não os praticou segundo a sua própria vontade, mas por ter sido forçado a isso (cf. 2 Co 9:7; 1 Pe 5:2).

SOLUÇÃO: Deus não endureceu o coração de Faraó contrariamente ao que o próprio Faraó por sua livre vontade determinou. A Escritura deixa claro que Faraó endureceu o seu coração.

Ela declara que “o coração de Faraó se endureceu” (Êx 7:13), que Faraó “continuou de coração endurecido” (Êx 8:15) e que “o coração de Faraó se endureceu” (Êx 8:19). Novamente, quando Deus enviou a praga das moscas, “ainda esta vez endureceu Faraó o coração” (Êx 8:32). Esta frase, ou uma equivalente, é repetida vez após vez (cf. Êx 9:7, 34-35).

De fato, exceto quando Deus o que aconteceria (Êx 4:21), Faraó foi quem endureceu o seu próprio coração em primeiro lugar (Êx 7:13; 8:15 ; 8:32 etc), e só mais tarde Deus o endureceu (cf. Êx 9:12; 10:1, 20, 27).

Além disso, o sentido em que Deus endureceu o coração de Faraó é semelhante ao modo pelo qual o sol endurece o barro ou derrete a cera. Se Faraó tivesse sido receptivo às advertências de Deus, o seu coração não teria sido endurecido por Deus. Mas quando Deus dava alívio de cada praga, Faraó tomava vantagem da situação.

“Vendo, porém, Faraó que havia alívio, continuou de coração endurecido, e não os [a Moisés e Arão] ouviu, como o Senhor tinha dito” (Êx 8:15).

Comentário do Novo testamento, Romanos, 2ª Edição, páginas 410,411, Ed. Cultura Cristã – São Paulo 2011).O Pentateuco de Victor. P. Hamilton e Comentário do NT, Romanos, de Willian Hendriksen.

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O Pré Tribulacionismo.

Uma das muitas razões do Porque creio ser o arrebatamento da igreja pré-tribulacionista,ser mais Coerente com as Escrituras.

A septuagésima semana de Daniel

A natureza da septuagésima semana. Existem várias palavras usadas no Antigo e no Novo Testamento em referência ao período da septuagésima semana, as quais, quando examinadas em conjunto, oferecem a natureza essencial ou o caráter desse período:
1) ira (Ap 6.16,17; 11.18; 14.19; 15.1,7; 16.1,19; l Ts 1.9,10; 5.9;
Sf 1.15,18);
2) julgamento (AP 14.7; 15.4; 16.5-7; 19.2);
3) indignação (Is 26.20,21; 34.1-3);
4) castigo (Is 24.20,21);
5) hora do julgamento (Ap 3.10);
6) hora de angústia (Jr 30.7);
7) destruição (Jl 1.15);
8) trevas (Jl 2.2; Sf 1.14-18; Am 5.18).
Devemos mencionar que essas referências abrangem todo o período, não apenas parte dele, de modo que todo o período é assim caracterizado.
No que diz respeito à natureza da tribulação (apesar de limitá-la à última metade da semana),Harrison afirma:Vamos entender claramente a natureza da tribulação, que é “ira” divina (11.18; 14.8,10,19; 15.1,7; 16.1,19 [observem que ele omite 6.16,17] e “julgamento” divino (14.7; 15.4; 16.7; 17.1; 18.10; 19.2). Sabemos que nosso abençoado Senhor suportou a ira e o julgamento de Deus em nosso lugar; portanto, nós, que estamos Nele, “não seremos julgados”. A antítese de 1Tessalonicenses 5.9 é uma evidência conclusiva: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo”. Ira para outros, mas salvação para nós no arrebatamento, “quer vigiemos, quer durmamos” (v.10). (Norman
B. HARRISON, The end, p. 120)

A extensão da septuagésima semana.

Não há dúvida de que esse período testemunhará o derramamento da ira divina por toda a terra. Apocalipse 3.10; Isaías 34.2;24.1,4,5,16,17,18-21 e muitas outras passagens esclarecem isso muito bem. Contudo, embora esteja em questão toda a terra, esse período é particularmente dirigido a Israel. Jeremias 30.7, que chama esse período “tempo de angústia de Jacó”, confirma isso.
Os acontecimentos da septuagésima semana são acontecimentos do “dia do SENHOR” OU “dia de Jeová”.
O uso do nome da divindade
realça o relacionamento peculiar de Deus com aquela nação.
Quando esse período está sendo profetizado em Daniel 9, Deus diz ao profeta: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade” (v. 24). Todo esse período faz, então, referência ao povo de Daniel, Israel, e à cidade santa de Daniel, Jerusalém.
Visto que muitas passagens do Novo Testamento como Efésios 3.1-6 e Colossenses 1.25-27 mostram claramente que a igreja é um mistério e sua natureza como um corpo composto por judeus e gentios não foi manifestada no Antigo Testamento, a igreja não poderia estar nessa e em nenhuma outra profecia do Antigo Testamento.
Já que a igreja não teve sua existência senão depois da morte de Cristo (Ef 5.25,26), senão depois da ressurreição de Cristo (Rm 4.25; Cl 3.1-3), senão depois da ascensão (Ef 1.19,20) e senão depois da descida do Espírito Santo em Pentecostes, com o início de todos os Seus ministérios a favor do crente (At 2), não poderia constar das primeiras 69 semanas dessa profecia. Já que a igreja não faz parte das primeiras 69 semanas, que estão relacionadas apenas ao plano de Deus para com Israel, ela não pode fazer parte da septuagésima semana, que está, mais uma vez,relacionada ao plano de Deus para Israel, depois que o mistério do plano de Deus para a igreja for concluído.
Em um extenso tratamento de cada passagem importante da Palavra sobre a tribulação, (Wm. KELLY, Lectures on the second coming
of the Lord Jesus Christ, p. 186-237) em que lida com passagens como Mateus 24, Daniel 12, Lucas 21, Marcos 13, Jeremias 30 e Apocalipse 7, Kelly conclui:… a posição aqui sustentada segue uma investigação precisa de todas as passagens distintas que as Escrituras oferecem sobre a grande tribulação. Eu ficaria grato a qualquer um que me apresentasse outras passagens que se referem a ela; mas não as conheço. Exijo daqueles […] que sejam capazes de apontar uma palavra que supõe que um cristão ou a igreja estejam na terra quando chegar a grande tribulação. Não vimos que a doutrina do Antigo e do Novo Testamento — de Jeremias, de Daniel, do Senhor Jesus Cristo e do apóstolo João — é esta, que, logo antes de o Senhor aparecer em glória, surgirá o último e inigualável sofrimento de Israel, apesar de Jacó vir a ser salvo; que haverá […] “a grande tribulação”, da qual surge uma multidão de gentios; mas tanto Jacó quanto os gentios são totalmente distintos dos cristãos ou da igreja.
No que diz respeito aos cristãos, a promessa positiva do Senhor é que aqueles que mantiveram a palavra de Sua paciência, Ele livrará da hora do juízo, que está prestes a vir sobre todo o mundo habitável, para provar os que habitam sobre a terra. (Ibid., p. 235).
Devemos concluir com o autor acima que, como todas as passagens que tratam da tribulação se relacionam ao plano de Deus para Israel, a finalidade da tribulação impede que a igreja dela participe.

O propósito da septuagésima semana.

As Escrituras indicam que existem dois propósitos principais a ser cumpridos na septuagésima semana.

1. O primeiro propósito está declarado em Apocalipse 3.10: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra”. Independentemente de quem participará desse período de provas, há várias outras considerações importantes no versículo.

1) Primeiramente vemos que esse período tem em vista “os que habitam sobre a terra”, e não a igreja.
A mesma expressão ocorre em Apocalipse 6.10; 11.10; 13.8,12,14; 14.6 e 17.8.
Na sua utilização, João oferece não uma descrição geográfica, mas sim uma classificação moral.

Thiessen escreve:
A palavra “habitam” usada aqui (katoikeo) é forte. É usada para descrever a totalidade do Deus que habitava em Cristo (Cl
2.9); é usada para a moradia permanente de Cristo no coração do crente (Ef 3.17) e dos demônios retornando para obter posse absoluta de um homem (Mt 12.45; Lc 11.26). Ela deve ser diferenciada da palavra oikeo, que é o termo geral para “habitar”, e de paroikeo, que tem a idéia de transitório, “visitar”. Thayer destaca que o termo katoikeo inclui a idéia de permanência. Dessa maneira, o julgamento referido em Apocalipse 3.10 dirige-se aos habitantes da terra daquele dia, aos que se estabeleceram na terra como se fosse sua verdadeira casa, aos que se identificaram com o comércio e a religião da terra. (Henry C. THIESSEN, Will the church pass through the tribulation?, p. 28-9).

Visto que esse período está relacionado com os “que habitam a terra”, os que se estabeleceram em ocupação permanente, não pode ter nenhuma referência à igreja, que seria sujeita às mesmas experiências se estivesse aqui.

2) A segunda consideração a ser notada aqui é o uso do infinitivo peirasai (tentar) para expressar propósito. Thayer define essa palavra, quando Deus é o seu sujeito, como “infligir males a alguém para provar seu caráter e sua constância na fé”. (Joseph Henry THAYER, Greek-English lexicon of the New Testament, p. 498).
Como o Pai nunca vê a igreja exceto em Cristo, nele aperfeiçoada, esse período não pode ter nenhuma referência à igreja, pois sua legitimidade não precisa ser testada.

2. O segundo propósito principal da septuagésima semana é em relação a Israel.

Malaquias 4.5,6 afirma:
Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.
O profeta declara que o ministério desse Elias seria preparar para o Rei que estava prestes a vir. Em Lucas 1.17 promete-se que o filho de
Zacarias “irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias” para atuar nesse ministério e “habilitar para o Senhor um povo preparado”. Com respeito à vinda de Elias que deveria ter sido um sinal para Israel, o Senhor declara:

Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará todas as cousas; como, pois, está escrito sobre o Filho do homem que sofrerá muito e será aviltado? Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito (Mc 9.12,13).

O Senhor estava mostrando a seus discípulos que João Batista tinha o ministério de preparar o povo para Ele. E, para dirimir toda dúvida,a palavra em Mateus 11.14 é conclusiva: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir”. O primeiro ministério de João era preparar a nação de Israel para a vinda do Rei.
Só podemos concluir,então, que Elias, que está por vir antes do terrível dia do Senhor, tem um único ministério: preparar um remanescente em Israel para a chegada do Senhor.

E evidente que tal ministério não é necessário à igreja, já que ela, por natureza, é sem mancha, ruga ou qualquer outra coisa, mas é santa e sem mácula.
Esses dois propósitos, a provação dos habitantes da terra e a preparação de Israel para o Rei, não têm nenhuma relação com a igreja.

Essa é a evidência complementar de que a igreja não estará na septuagésima semana.

A unidade da septuagésima semana.

Devemos observar, com base nessas três considerações precedentes, que está em vista toda a septuagésima semana quando descrita e prevista na profecia.
Embora todos concordem, baseados em Daniel 9.27, em Mateus 24.15 e em Apocalipse 13, que a semana é dividida em duas partes de três anos e
meio cada, a natureza e o caráter da semana, no entanto, é um só,permeando ambas as partes na sua totalidade. E impossível admitir a existência da igreja na semana como uma unidade e ainda mais impossível adotar a posição de que a igreja, embora isenta de parte da septuagésima semana, poderá estar na sua primeira metade, pois sua natureza é a mesma do começo ao fim.
A impossibilidade de incluir a igreja na última metade torna igualmente impossível incluí-la na primeira parte, pois, embora as Escrituras dividam o período da semana, não fazem distinção a respeito da natureza e do caráter das duas partes.

Manual de Escatologia (J.Dwuight Pentecost)uma análise detalhada dos eventos futuros.

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Refutando a Eleição Incondicional

Refutando a Eleição Incondicional

“O sistema Calvinista implica uma verdade positiva: a eleição para a vida eterna pela livre graça; e uma inferência negativa: a
condenação à morte eterna por uma justiça arbitrária”.


“Justiça Arbitrária”? Acaso pode haver alguma justiça fundada sobre a arbitrariedade ou a parcialidade?
A declaração acima, de um dos mais importantes historiadores da igreja, conquanto Calvinista, deixa claro que a eleição incondicional do Calvinismo requer a admissão de um aspecto ou “inferência negativa” deste ensino, como vários
Calvinistas admitem. As palavras são de Philip Schaff, em seu livro História da Igreja Cristã.


Segundo a eleição incondicional Calvinista, Deus já “alistou” desde a eternidade passada aqueles que a Ele aprouve “eleger para a salvação”. Na melhor das hipóteses, portanto, a consequência lógica deste decreto absoluto de salvação eterna (como Schaff parece reconhecer) é que – ainda que por omissão divina,esta deliberação é igualmente responsável pela condenação incondicional dos réprobos (aqueles que poderiam ser salvos,porém foram rejeitados por Deus).
Alguns Calvinistas, a maioria para ser exato, tentam justificar a falha divina em salvar àqueles a quem Ele poderia caso desejasse, alegando que todos são igualmente perdidos e que Deus jamais esteve obrigado a salvar ninguém. Iain Murray, por exemplo, em seu livro Spurgeon Versus Hipercalvinismo declara que:


“Todos os homens são igualmente condenados em pecado, mas, por razões desconhecidas para nós, e para o louvor de Sua graça,Deus não trata igualmente aqueles que são igualmente imerecedores”.
Outro Calvinista, em resposta a Dave Hunt, autor da obra mencionada no subtítulo deste livro, afirma:
“Deus não está sob nenhuma obrigação de estender Sua graça àqueles que Ele predestinou ao julgamento eterno”.Certamente, Deus não poderia estar sob qualquer obrigação
de salvar ninguém se a eleição incondicional Calvinista fosse verdadeira e se Deus de fato “predestinou ao julgamento eterno”
aqueles que “são igualmente imerecedores”. Afinal, sendo este o quadro pintado pelos Calvinistas, Deus, ao contrário do que a Bíblia ensina, não somente faz acepção de pessoas, como também se compraz na condenação do ímpio (Ver Deuteronômio 10:17; 2 Crônicas 19:7; Jó 34:19, Ezequiel 18:23; 33:11; Atos 10;34).
Contudo, este nem de longe é o caso; não com respeito ao Deus da Bíblia! Além disso, ao contrário das alegadas “razões desconhecidas” de Murray e da “não-obrigação imposta a Deus de salvar alguém”, a Bíblia claramente ensina que Deus jamais rejeita aqueles que arrependidos e em fé se voltam para Cristo (Mateus 11:28; João 6:37; Atos 3:17, etc.). De fato, apenas Deus pode
salvar, e Ele não obriga ninguém a aceitar Seu socorro, ainda que a todos seja estendida Sua mão salvadora (João 3:15-16; Marcos 16:15; Atos 1:8; 10:34, Romanos 1:16; 1 João 2:2, etc.). Se por outro lado, não há qualquer “obrigação moral” em Deus que o faça estender Sua misericórdia àqueles que, necessitados dela (e todos necessitam), clamam por Seu socorro cientes de que somente Ele tem o poder de socorrê-las, então nenhum de nós pode julgar a moral ,a atitude, por exemplo, de um socorrista que mesmo tendo em suas mãos todos os recursos necessários para salvar a vida de uma vítima de atropelamento, simplesmente se nega a fazê-lo.
Um dos textos mais utilizados pelos Calvinistas em apoio à doutrina Calvinista da eleição incondicional é João 6:37 (Já o referenciamos acima e o destacamos em negrito). O texto diz:“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.
Note que a segunda parte do texto, “e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”, é prova do que já afirmamos antes, a saber, que Deus de fato não rejeita àqueles que em arrependimento e fé se achegam a Cristo.

O “problema” com a interpretação não-Calvinista desta passagem alegam osCalvinistas – está na primeira parte do verso, “Todo o que o Pai me dá virá a mim”. De fato, segundo afirmam os Calvinistas, o texto é “claro” e, portanto, “inquestionável” quanto ao fato de que
somente aqueles que Deus o Pai elegeu incondicionalmente virão a Cristo.
Mas será que é isso o que de fato diz o texto? Será que há realmente algum problema com a interpretação não-Calvinista desta passagem?
Ao comentar sobre esse texto, Calvino disse:
“[Cristo] diz que todos quantos o Pai lhe deu vão a ele… significando que a fé não é algo que dependa da vontade dos homens, de modo que esta ou aquela pessoa crê, de maneira indiscriminada e à revelia, mas que Deus elegeu aqueles a quem ele estendeu, por assim dizer a seu Filho. Pois quando ele diz que,
todo o que é dado vem, disto inferimos que nem todos vêm”.
Antes de analisarmos melhor esta passagem, com o propósito de esclarecer o que nela é e não é dito, vejamos o que Calvino ainda tem a declarar. Ele prossegue:“… inferimos que Deus opera em seus eleitos com tal eficácia do Espírito Santo, que nenhum deles apostata [isto é, retrocede], pois o verbo dar tem o mesmo significado como se Cristo dissesse: ‘Aqueles que o Pai escolheu, ele os regenera e me dá, para que obedeçam ao evangelho’” (ênfase adicionada; os colchetes são meus).Bem, para começar, espero que os Calvinistas estejam cientes de quão grave é o pecado de acrescentar às Escrituras o que ela não diz.


Note que Calvino encerra seu comentário sobre o texto “reconstruindo” aquilo que Cristo disse e afirmando que a força semântica do verbo dar, nesta passagem, tem o mesmo significado daquilo que ele de fato tenta impor ao texto.
Observe atentamente o que Cristo realmente disse e aquilo que Calvino “propõe”. Acompanhe abaixo:
Cristo disse:“Todo o que o Pai me dá virá a mim…” (João 6:37)
Calvino, por sua vez, alega que essa afirmação do Senhor equivale a: “Aqueles que o Pai escolheu, ele os regenera e me dá, para que obedeçam ao evangelho”.
Ao que parece, ao contrário do que afirmam seus seguidores,Calvino não era o “grande exegeta” que os Calvinistas tanto enaltecem.
Honesta e particularmente, creio que nenhum erudito sério poderia sustentar o que Calvino conscientemente acrescenta ao texto. Contudo, se houver algum, o tal torna-se cúmplice do mesmo pecado.
Devo deixar claro que não estou me referindo unicamente às palavras, mas à tentativa feita por Calvino de forçar sobre o texto toda uma cosmovisão teológica particular em favor da eleição incondicional Calvinista. Mas onde lemos na passagem que Deus o Pai “escolhe” (ou elege) alguém e, em seguida, o “regenera” para,enfim, dar ao filho? De fato, há um salto quântico entre o que Cristo realmente diz e o que Calvino diz que Ele diz. E para que não fique “o dito pelo não dito”, vejamos o que de fato pode e o que não pode ser inferido deste texto.
Calvino não está errado ao afirmar que “nem todos vêm”, contudo, isso não é uma implicação logicamente necessária à afirmação de que “todo o que é dado vem”. Além disso, a razão que as Escrituras apresentam para o fato de que nem todos vêm (em particular, o próprio contexto da passagem) é que aqueles que não vêm à Cristo, não vêm por causa de sua incredulidade (v. 36), e não porque o Pai “não os elegeu” e “nem os regenerou” para dar ao Filho, como alega Calvino (e a maioria, senão todos os Calvinistas).
O texto, em sua versão mais fiel, diz que “todo o que o Pai me dá virá a mim…”. Inquestionavelmente, o “todo o que o Pai” dá ao Filho refere-se àqueles que creem em Cristo, e não a uma suposta classe a quem Deus “elegeu” arbitrariamente para a salvação.
No inteiro contexto da passagem, além do verbo dar atribuído à ação do Pai para com os homens em relação à Cristo, são apresentados outros cinco verbos, conquanto em referência à atitude deles (isto é, dos homens) em relação à Cristo: ver, ouvir, aprender, crer e vir.
Nos versos 36 e 37, lemos: “Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes. Todo o que o Pai me dá virá a mim…”.
Já o verso 40 nos diz que a vida eterna é concedida a “todo aquele que vê o Filho, e crê nele” – essa é a vontade do Pai. Mais à frente,
no verso, Cristo declara: “Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e
aprendeu vem a mim”. Assim, fica claro que todos (crentes e descrentes) podem ver o Filho (vs. 36 e 40) e ouvir o Pai (v. 45);
porém, nem todos creem no Filho e nem todos aprendem com Pai.
Ver o Filho e ouvir o Pai devem, ainda, ser compreendidos como uma mesma atitude dos homens e também como significando que
todos são capazes de fazê-lo. Ouvir o Pai e ver o Filho também indicam que o Pai ensina a todos (v. 45a) e a todos revela o Filho; porém, nem todos aprendem com o Pai e creem no Filho.
Aqueles,contudo, que aprendem com o Pai e creem no Filho (expressões que transmitem a mesma ideia no contexto) são os que o Pai dá ao Filho e que, portanto, virão a Ele.
Para reforçar o que acabamos de dizer, note que é impossíveldeduzir do texto que Deus se negue a dar ao Filho alguém que viu (o Filho) – o que também significa ouvir o Pai, e aprendeu (do Pai) o que implica crer (no Filho). O lugar correto para o dar do Pai ao Filho, portanto, é entre o crer do homem (que vem pelo ouvir eaprender com o Pai) e o vir a Cristo. Qualquer interpretação desta passagem que fuja a isso, contradiz o claro ensino das Escrituras de que a salvação é única e exclusivamente pela graça de Deus mediante a fé (2 Timóteo 2:8-10), a condição solene exigida por Deus para que todo homem seja salvo (Atos 16:31; Hebreus 11:6, etc.).


Quanto à expressão “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (v. 44), também distorcida pelos Calvinistas, perguntamos: Onde lemos nesta declaração que o Pai se nega a trazer alguém à Cristo (mostrem-me, por favor, o “exato local”, se é que isso é possível, senhores Calvinistas)? O que temos realmente aqui é a simples declaração de que a obra de salvação depende inteiramente de Deus, e não do homem. De fato, todos são atraídos pelo Pai a Cristo, porém, muitos se negam a aprender do Pai (ou a crer no Filho), e acabam retrocedendo, isto é, não percorrem todo o caminho em direção à fé em Cristo. Neste ponto,devemos esclarecer o que não fizemos até o momento: O que significa o ouvir o Pai (ou seja, o ver ao Filho)? Nada mais nada menos do que o exato entendimento do homem com respeito à mensagem do evangelho. Todos veem o Filho, isto é, todos ouvemo Pai e são ensinados por Ele. Isso significa que todos são capazes de entender (ver e ouvir) o que o Pai ensina enquanto são trazidos por Ele à Cristo; porém, muitos não se dispõem a aprender o que o Pai está disposto a ensinar por meio de Seu Santo Espírito e de Sua Palavra (João 16:7-8; Romanos 10:17; etc.) a todos os homens sem distinção, e, por isso, retrocedem. Bem, muito mais será dito sobre o assunto em outro livro já mencionado anteriormente .

Concluímos esse tópico, por hora, enfatizando que não há meios de sustentar a eleição incondicional do Calvinismo fazendo uso desta ou de qualquer outra passagem das Escrituras.
Deus não elege incondicionalmente ninguém, quer para a salvação quer para a condenação. Essa doutrina não passa de mais um dos ensinos antibíblicos e irracionais do Calvinismo que fazem de Deus um ser moralmente falido.

Phillip Schaff, History of the Christian Church (Albany, Ore.: The Ages Digital Librar

H. Murray, Spurgeon Versus Hipercalvinismo (São Paulo, SP, Editora PES), p. 9–10.
28 What Love Is This? Calvinism Misrepresentation Of God [Que Amor é Esse? A Falsa
Representação Calvinista de Deus], Tradução não-publicada, p. 209].

Série Comentários Bíblicos João Calvino – Evangelho segundo João, Volume 1 (Editora
Fiel, São José dos Campos, SP, 2013), p. 272.

O Livre-arbítrio e a Limitada Soberania do “Deus” Calvinista.

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Teologia

Graça Resistivel

A RESISTÊNCIA À GRAÇA

Nas palavras do teólogo holandês Jacó Armínio…

“Aqueles que são obedientes à vocação ou ao chamado de Deus, concedem, livremente, o seu consentimento à graça, mas são previamente instigados, impelidos, atraídos e auxiliados pela graça; e, ao mesmo tempo em que dão esse consentimento, possuem a capacidade de não consentir” [1].

Segundo a Confissão de Fé Arminiana de 1621:

“(…) A graça de Deus é o começo, a continuidade e a consumação de todo bem, de modo que mesmo o homem que nasceu de novo não é capaz, sem esta graça preveniente e excitante, seguinte e cooperante, de pensar, querer, ou praticar qualquer bem, ou resistir a quaisquer tentações para o mal”. Eles diferiram de seus adversários não sobre a necessidade da graça, mas em sua crença de que uma pessoa pode “desprezar e rejeitar a graça de Deus e resistir à sua operação, de modo que quando ele é divinamente chamado à fé e obediência, é capaz de tornar a si mesmo incapaz para crer” [2].

Nos escritos de John Wesley:

“Eu creio que a graça que traz fé, e, portanto, salvação para a alma, é irresistível naquele momento. Eu creio que a maioria dos crentes pode se lembrar de alguma vez quando Deus irresistivelmente os convenceu de pecado. Eu creio que a maioria dos crentes, em outras ocasiões, viu Deus agindo irresistivelmente em suas almas [3]. Todavia, eu creio que a graça de Deus, tanto antes como após esses momentos, pode ser, e tem sido, resistida; e que, em geral, ela não age irresistivelmente; mas nós podemos concordar também ou não” [4].

“E eu não nego que, em algumas almas, a graça de Deus é tão irresistível que eles não podem senão crer e ser finalmente salvos. Mas eu não posso crer que todos aqueles em quem ela não opera assim irresistivelmente devem ser condenados, ou que haja uma alma na terra que não tenha ou nunca teve qualquer outra graça, que de fato aumente sua condenação, e tenha sido designada por Deus para isso” [5].

Segundo estes autores a graça dada por Deus não é irresistível. Portanto, a atração exercida pelo Espírito pode ser resistida pelo homem, porque a graça não é coercitiva. O texto de Gênesis 6.3 evoca a luta (contenda) de Deus no homem.

Se o Espírito luta, então como suas influências podem ser irresistíveis?

Se um homem é incapaz de resistir à graça e à operação do Espírito, então por que teríamos essas passagens (Gl 2.21 e Hb 10.29)? Está claro a partir da Escritura e da experiência que podemos lutar contra a consciência, que é despertada pela graça preveniente de Deus. “Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.40). Qual seria o propósito desta afirmação se a oferta de vir não existisse para os ouvintes?
____
[1] As Obras de Armínio, vol. 2, CPAD, p. 430
[2] Confissão Arminiana de 1621 – Capítulo XVII
[3] WESLEY, The works of John Wesley. Peabody: Hendrickson Publishers, 1991, vol. I, p. 427. Ênfase minha.
[4] Ibid. Ênfase minha.

[5] Todas essas citações estão em WESLEY, The works of John Wesley, vol. I, p. 427, e procedem do seu Diário com data de 23 de agosto de 1743.

Vamos ver o que diz o próprio Armínio a respeito:

Se alguém afirma que levando em consideração o fato de terem sido eleitos não é possível que os crentes, finalmente, venham a cair e se manter longe da salvação, porque Deus decretou salvá-los – eu respondo que o decreto sobre ser guardado não tira a possibilidade da condenação, mas remove a condenação em si. (…) é impossível que os crentes, desde que permaneçam fiéis, venham a perder a salvação. Porque se isso fosse possível, o poder que Deus decidiu empregar para salvar os crentes seria vencido. Por outro lado, se os crentes apostatarem da fé e se tornarem incrédulos, é impossível que eles não se desviem da salvação, ou seja, desde que continuem incrédulos” (vol. 1, p. 257, 258)

“É possível que um cristão fiel caia em algum pecado mortal, e disso Davi parece ser um exemplo. Portanto, ele pode cair em um momento tal que, se estivesse, então, prestes a morrer, estaria condenado” (vol. 1, p. 355)

“(…) basta que ele saiba que não declinará da fé por nenhuma força de satanás, do pecado e do mundo, e por nenhuma inclinação ou fraqueza da sua própria carne, a menos que ele, voluntariamente, ceda à tentação, e negligencie a busca de sua própria salvação de uma maneira consciente” (vol. 2, p. 434, 435)

“…[a opinião] que afirma que é possível que os fiéis percam a fé sempre teve mais apoiadores na igreja de Cristo que aquela que nega a possibilidade de que isso ocorra” (Vol. 2, p. 434)

“(…) enquanto durar essa continuação e confirmação, os fiéis não parecem deixar de correr o risco de cair. Pois assim como qualquer pessoa pode não estar disposta a ser edificada sobre a pedra, também é possível que o mesmo homem, se começar a ser edificado, caia, resistindo à continuação e confirmação da edificação. (…) praticamente toda a antiguidade é da opinião de que os fiéis podem cair e perecer” (vol. 3, p. 458)

“(…) enquanto a semente de Deus estiver em uma pessoa, ela não peca para a morte, mas é possível que a semente, propriamente dita, por sua própria culpa e negligência [do crente], seja removida de seu coração e assim a sua primeira criação, à imagem de Deus, foi perdida, também a segunda transmissão pode ser perdida (…) o pecado reinante não pode subsistir com a graça do Espírito Santo. Também é verdade que o pecado não reina no regenerado, pois, antes que isso possa acontecer, é necessário que ele rejeite a graça do Espírito Santo, que mortifica o pecado e restringe o seu poder” (vol. 3, p. 460, 467)

“Romanos 6 também é uma exortação do apóstolo aos fiéis, para que não mais vivam em pecado, porque, em Cristo, estão mortos para o pecado. Esta advertência aos cristãos seria em vão, se não fosse possível que eles vivessem em pecado, mesmo depois de sua libertação do seu domínio” (vol. 3, p. 460)

“Com base nessa passagens [de escritos de Agostinho], em minha opinião, ficará claro que Agostinho pensava que alguns fiéis, algumas pessoas justificadas e regeneradas, algumas a quem havia sido concedida a fé, esperança e amor, podem apostatar e se perder e, apostatarão e se perderão, com a única exceção dos predestinados” (vol. 3, p. 467)

“No início da fé em Cristo e da conversão a Deus, o fiel se torna um membro vivo de Cristo. Se ele perseverar na fé de Cristo, e mantiver uma boa consciência, permanecerá como um membro vivo. Mas se ele se tornar idolente, se não tiver cuidado consigo mesmo, se der lugar ao pecado (…) prosseguindo dessa maneira, por fim, ele morre inteiramente e deixa de ser um membro de Cristo”

(vol. 3, p. 473)
Fonte: As Obras de Armínio

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Teologia

A Doutrina Conhecida como Pelagianismo Foi Ensinada Por Pelagio?

Via Evandro Leopoldo:

Pelágio era um bretão que foi a Roma em algum momento no início da década de 380 d.C., inicialmente provavelmente para
estudar direito. Qualquer que fosse o plano original, ele se tornou um conselheiro bíblico para os cristãos em Roma; ele escreveu sobre como viver uma vida cristã e compôs comentários explicando o significado dos livros da Bíblia.
Em 415 d.C., ele foi duas vezes julgado e absolvido sob a acusação de
heresia por concílios eclesiásticos na Palestina. Após uma terceira investigação, o Papa no cargo em sua conclusão anunciou que estava absolvendo Pelágio, mas depois mudou sua posição, com
o resultado de que Pelágio foi condenado como herege em 418 d.C. Ele foi caracterizado por seus oponentes como líder de um movimento separatista que era perigoso para o cristianismo, denominado
“Pelagianismo”, e seu nome se tornou sinônimo de arrogância intencional. Nos 1.600 anos desde então, Pelágio nunca deixou de ser uma figura controversa, e o relato dele divulgado por
seus oponentes nunca foram seriamente questionados.
Duas características dos escritos de Pelágio se combinam para torná-lo distinto entre os supostos autores
de heresia. Em primeiro lugar, várias de suas obras sobrevivem, permitindo a comparação direta das ideias
atribuídas a ele por seus oponentes e o conteúdo real de seus escritos. Para a maioria de seus acusadores
este não é o caso; a narrativa sobre uma heresia em textos sobreviventes é geralmente escrita pelo lado vencedor e na luta para moldar a crença cristã.
No período medieval, os escritos de Pelágio estavam tão amplamente disponíveis quanto o relato do cristianismo
proposto por seus oponentes; isso também é comum. Esses dois fatos tornam o caso de Pelágio
paradigmático na análise do processo de acusações de heresia.
A evidência neste livro mostra que Pelágio não propôs nenhuma nova doutrina. Então, como ele veio a ser caracterizado como autor de ideias novas e heréticas? Vários aspectos do contexto contribuem para responder a esta pergunta. Um fator importante foi o aumento do interesse
nas Epístolas Paulinas no Ocidente latino durante o final do século 4. A partir da década de 370, uma série de comentários sobre as Epístolas Paulinas foram compostas em latim, testemunhando um
grande interesse nesses livros do Novo Testamento; os comentários que sobrevivem revelam debates no Ocidente latino sobre a interpretação adequada das cartas de Paulo.
‘Graça’ e ‘predestinação’ eram palavras recorrentes nos livros atribuídos ao apóstolo Paulo; sua interpretação correta importava não apenas porque as palavras das Escrituras tinham grande autoridade para
cristãos, mas também porque marcas muito diferentes de cristianismo seguiram-se de diferentes interpretações dessas palavras.
Como será visto no decorrer deste livro, esses dois termos foram
entendido de forma diferente pelos escritores cristãos no final do século IV e início do século V. No latim a
palavra gratia tinha uma gama de significados possíveis no discurso cristão.
Em contextos cristãos é
geralmente traduzido como “graça” porque era usado principalmente para se referir aos dons de Deus. “Deus deu
a graça”, denotava muitas coisas porque Ele concedeu muitos dons à humanidade. Com relação a questão de como Pelágio veio a ser caracterizado como ensinando idéias novas e heréticas, o ponto a ser observado é que o significado dessas palavras nas Escrituras estava sendo debatido no cristianismo.
A literatura da época, e a forma como esses termos eram entendidos teve
consequências para a mensagem do cristianismo.

As questões teológicas em jogo na interpretação das palavras ‘Graça’ e
‘Predestinação’
A interpretação das palavras “graça” e “predestinação” trouxe à tona duas questões. Primeiro,
A natureza humana foi danificada pelo pecado de Adão no Jardim do Éden de tal forma que nenhum humano poderia desejar a virtude, a menos que seja causado pela inspiração da graça de Deus, porque o pecado de Adão foi passado fisicamente para todos os outros humanos? Se a resposta a esta pergunta foi sim, então de acordo com esse modelo, o pecado transmitido de Adão a todos os humanos foi denominado ‘pecado original’,
e essa graça foi chamada de “graça preveniente” porque era anterior e causava a
inclinação para a virtude. Um relato absolutista da graça preveniente disse que ela iniciou e causou toda virtude humana. Assim, a resposta dada a esta primeira pergunta definiu o relato do cristianismo sobre natureza do homem.
Se a graça foi interpretada como preveniente de maneira absolutista, seguiu-se que Deus causou toda
bondade humana. Isso, por sua vez, significava que, uma vez que Deus escolheu a quem ele daria sua
graça preveniente, seus destinatários foram predestinados à salvação no sentido de que foi preordenado pela seleção de Deus que eles alcançariam o céu. A predestinação foi assim
interpretada como predestinação de Deus. Então, além da primeira pergunta sobre se natureza humana estava inevitavelmente inclinada ao pecado, a interpretação da graça como uma forma absoluta de a graça preveniente gerou a segunda pergunta: o acesso ao céu foi determinado unicamente por Deus?
ou o homem desempenhou algum papel em sua própria salvação? A resposta dada a esta definição do cristianismo
conta de como os cristãos alcançaram a salvação. Essas duas questões estavam entrelaçadas, uma vez que por causa do pecado original que o homem só poderia agir virtuosamente se a graça preveniente o levasse a fazer assim. A graça preveniente e a predestinação interpretada como preordenação foram essencialmente as preparação e efeito do mesmo suposto fenômeno, que foi o controle de Deus sobre o homem.
Porque as doutrinas do pecado original, um relato absolutista da graça preveniente, e
predestinação interpretada como preordenação estivessem tão intimamente ligadas, elas serão ocasionalmente
referido a seguir como “o trino”.
Havia, no entanto, outras interpretações das palavras “graça” e “predestinação” disponíveis na literatura cristã da segunda metade do século IV e início do século V. A graça não
deve ser interpretada como preveniente. Nem teve que ser interpretado como preveniente em uma maneira absolutista; poderia ser entendido como sendo às vezes preveniente. A graça preventiva poderia
então ser reconhecida como uma entre muitas facetas da graça de Deus. Da mesma forma, uma alternativa
A interpretação da palavra “predestinação” é entendia como a presciência de Deus e autonomia das
ações humanas. Nesta interpretação da predestinação, o homem tinha genuína liberdade de ação e suas decisões não foram predeterminadas por Deus. Na literatura cristã esta liberdade foi descrita
como ‘livre-arbítrio’. Assim, a interpretação das palavras ‘graça’ e ‘predestinação’ nas Escrituras determinaram a antropologia do cristianismo (seu relato da natureza humana) e a soteriologia do cristianismo (seu relato dos meios de acesso à salvação), bem como a concepção de Deus e a relação do homem com Deus, que estava no coração do cristianismo da época. Esses fatos são aspectos importantes do pano de fundo para a condenação de Pelágio.
O argumento deste livro é que o “pelagianismo” nunca existiu. O que significa esta afirmação
e quais são as provas deste argumento? Isso significa que a noção de “pelagianismo” era uma
ficção composta criada para fins polêmicos; era um feixe de princípios, alguns dos quais eram idéias em circulação na época, mas não tinham ligação com Pelágio, e outras das quais foram criadas extraindo inferências injustificadas dos escritos de Pelágio e lendo em suas obras doutrinárias
que ele rejeitou. A afirmação de que o “pelagianismo” não existia contém três elementos. Primeiro, ele
identifica o fato de que o caráter e o conteúdo atribuídos ao “pelagianismo” por seus não tem relação com a realidade dos escritos de Pelágio como eles sobrevivem. Há evidências de que algumas
das idéias que foram reunidas sob um título e atribuídas a Pelágio estavam de fato em circulação pelo Mediterrâneo no início do século V, mas apenas uma ideia que aparece na lista de princípios elaborados por Agostinho de Hipona como compreendendo o ‘pelagianismo’ está presente em escritos sobreviventes de Pelágio. O que foi declarado herético foi uma distorção e deturpação
do que o próprio Pelágio ensinou. O segundo elemento na afirmação de que o “pelagianismo” não existe é o reconhecimento de que todos os dogmas doutrinários do ensino de Pelágio já estavam presentes em
literatura ascética antes de começar a escrever; eram suposições tidas como certas porque
eles nunca foram questionados. Assim as questões teológicas em jogo na interpretação das palavras ‘Graça’ e
‘Predestinação’
A interpretação das palavras “graça” e “predestinação” trouxe à tona duas questões. Primeiro,
A natureza humana foi danificada pelo pecado de Adão no Jardim do Éden de tal forma que nenhum
humano poderia desejar a virtude, a menos que seja causado pela inspiração da graça de Deus, porque o pecado de Adão
foi passado fisicamente para todos os outros humanos? Se a resposta a esta pergunta foi sim, então
De acordo com esse modelo, o pecado transmitido de Adão a todos os humanos foi denominado ‘pecado original’,
e essa graça foi chamada de “graça preveniente” porque era anterior e causava a
inclinação para a virtude.9 Um relato absolutista da graça preveniente disse que ela iniciou e causou
toda virtude humana. Assim, a resposta dada a esta primeira pergunta definiu o relato do cristianismo sobre
natureza do homem.
Se a graça foi interpretada como preveniente de maneira absolutista, seguiu-se que Deus causou todos
bondade humana. Isso, por sua vez, significava que, uma vez que Deus escolheu a quem ele daria seu
graça preveniente, seus destinatários foram predestinados à salvação no sentido de que foi
preordenado pela seleção de Deus que eles alcançariam o céu. A predestinação foi assim
interpretada como predestinação de Deus. Então, além da primeira pergunta sobre se
natureza humana estava inevitavelmente inclinada ao pecado, a interpretação da graça como uma forma absoluta de
a graça preveniente gerou a segunda pergunta: o acesso ao céu foi determinado unicamente por Deus?
ou o homem desempenhou algum papel em sua própria salvação? A resposta dada a esta definição do cristianismo
conta de como os cristãos alcançaram a salvação. Essas duas questões estavam entrelaçadas, uma vez que
por causa do pecado original que o homem só poderia agir virtuosamente se a graça preveniente o levasse a fazer
assim. A graça preveniente e a predestinação interpretada como preordenação foram essencialmente as
preparação e efeito do mesmo suposto fenômeno, que foi o controle de Deus sobre o homem.
Porque as doutrinas do pecado original, um relato absolutista da graça preveniente, e
predestinação interpretada como preordenação estivessem tão intimamente ligadas, elas serão ocasionalmente
referido a seguir como “o trino”.
Havia, no entanto, outras interpretações das palavras “graça” e “predestinação” disponíveis em
Literatura cristã da segunda metade do século IV e início do século V. A graça não
devem ser interpretados como prevenientes. Nem teve que ser interpretado como preveniente em um
maneira absolutista; poderia ser entendido como sendo às vezes preveniente. A graça preventiva poderia
então ser reconhecido como uma entre muitas facetas da graça de Deus. Da mesma forma, uma alternativa
A interpretação da palavra “predestinação” a entendia como a presciência de Deus de autonomia
ações humanas. Nesta interpretação da predestinação, o homem tinha genuína liberdade de ação e
suas decisões não foram predeterminadas por Deus. Na literatura cristã esta liberdade foi descrita
como ‘livre-arbítrio’. Assim, a interpretação das palavras (p.xiii) ‘graça’ e ‘predestinação’ em
As Escrituras determinaram a antropologia do cristianismo (seu relato da natureza humana) e a
soteriologia do cristianismo (seu relato dos meios de acesso à salvação), bem como a concepção de Deus e a relação do homem com Deus, que estava no coração do cristianismo. Esses
fatos são aspectos importantes do pano de fundo para a condenação de Pelágio.
O argumento deste livro é que o “pelagianismo” nunca existiu. O que significa esta afirmação
e quais são as provas deste argumento? Isso significa que a noção de “pelagianismo” era uma
ficção composta criada para fins polêmicos; era um feixe de princípios, alguns dos quais eram
idéias em circulação na época, mas não tinham ligação com Pelágio, e outras das quais foram criadas por
extraindo inferências injustificadas dos escritos de Pelágio e lendo em suas obras doutrinas
que ele rejeitou. A afirmação de que o “pelagianismo” não existia contém três elementos.

Primeiro, ele
identifica o fato de que o caráter e o conteúdo atribuídos ao “pelagianismo” por seus
não tem relação com a realidade dos escritos de Pelágio como eles sobrevivem. Há evidências de que alguns
das idéias que foram reunidas sob um título e atribuídas a Pelágio estavam de fato em
circulação pelo Mediterrâneo no início do século V, mas apenas uma ideia que aparece na lista de princípios elaborados por Agostinho de Hipona como compreendendo o ‘pelagianismo’ está presente em
escritos sobreviventes de Pelágio. O que foi declarado herético foi uma distorção e deturpação
do que o próprio Pelágio ensinou.

O segundo elemento na afirmação de que o “pelagianismo” não
existe é o reconhecimento de que todos os dogmas doutrinários do ensino de Pelágio já estavam presentes em
literatura ascética antes de começar a escrever; eram suposições tidas como certas porque eles nunca foram questionados. Assim, o que Pelágio ensinou não era algo doutrinariamente
separado do movimento ascético.

Terceiro, não houve movimento “pelagiano”; não há suficiente homogeneidade de ideias entre os escritos sobreviventes que pedem a imitação ascética dos ensinamentos de Cristo com o estilo de vida no início do século V para permitir que um movimento ou grupo fosse identificado como uma
entidade coerente separadamente. E não só não havia homogeneidade de doutrina suficiente para ligar
os vários escritores descritos como “pelagianos”, mas também não havia o suficiente para diferenciar esses
indivíduos de outros cristãos, para separá-los do resto da Igreja, porque uma abordagem ascética do cristianismo baseada na imitação do modo de vida de Cristo pode ser argumentada e
têm sido a abordagem padrão mantida por todos os cristãos “sérios” da época.
Cinco argumentos principais sustentam que o “pelagianismo” não existiu. Não há
hierarquia entre eles e eles são dados em nenhuma ordem particular.

O primeiro argumento apresentado é
a profunda disjunção entre o que se encontra nos escritos de Pelágio e o que se encontra nos
conta divulgada pelos oponentes de Pelágio de ambos os princípios que compreendem o “pelagianismo” e
o espírito do “pelagianismo”. Pelágio não ensinou os quatorze princípios atribuídos ao “pelagianismo”
por Agostinho, nem expressou por escrito a atitude de arrogância que lhe foi atribuída, nem em
seu próprio caráter ou na abordagem do cristianismo que ele defendia, como aparecem em sua
escritos.

O segundo argumento é que a doutrina nos escritos de Pelágio não é diferente da
o que já havia sido afirmado na literatura paraenética ascética por muitas décadas antes de Pelágio
começou a escrever; seu ensino não estava separado (p.xiv) do movimento ascético. Evidência
dos escritos dos proponentes do ascetismo prova este ponto; os principais exemplos examinados
este livro são A Vida de Antônio de Atanásio e as traduções latinas dele, e os escritos de
Jerônimo, bem como uma seção do Comentário às Epístolas Paulinas atribuída ao autor
conhecido como Ambrosiaster.

O terceiro argumento, amplamente aceito há al
, programa ou movimento coerente que pudesse ser identificado como constituindo o “pelagianismo”. Os princípios reunidos para fins polêmicos por
Os oponentes de Pelagius, na maioria dos casos, não tinham nenhum vínculo necessário que os unisse.

O quarto
vertente no caso da inexistência de “pelagianismo” está na incapacidade dos estudiosos de concordar
em uma definição de “pelagianismo” ou em critérios para classificar textos como “pelagianos” (ou não). O
A história dos estudos sobre “pelagianismo” mostra que, quando examinado, o conceito não
resistir ao escrutínio; não pode ser definido, nem há critérios pelos quais um texto pode ser classificado como pelagianos.

O quinto argumento está na identificação das evidências de apoio no argumento de que o “pelagianismo” era uma ficção deliberadamente inventada.
A teoria interacionista da análise sociológica fornece exemplos comparativos e oferece uma
importante perspectiva sobre o processo em ação na condenação do “pelagianismo” e suas
supostas heresias.
A conclusão alcançada neste livro não é apenas uma questão de terminologia. Em todos os sentidos históricos em que o termo “pelagianismo” é usado, sua referencia não existia como uma realidade histórica, e o termo é, portanto, enganoso porque inerentemente introduz na erudição a suposição de que havia algum tipo de realidade histórica correspondente ao termo, difuso. De fato, muitas evidências, tanto manuscritas quanto textuais, só podem ser compreendidas quando percebe-se que o “pelagianismo” era uma invenção criada para propósitos polêmicos específicos. Mesmo se um descartado relato do “pelagianismo” que não tem relação com o ensino real de Pelágio, mas procura reter “pelagianismo” como um termo teológico para significar as doutrinas de que a natureza humana é
inatamente boa e que o homem tem livre-arbítrio efetivo, isso esbarra no problema que implica descrevelos como “pelagianos”, um grande número de escritores cristãos de exortação ascética que escreveram antes que o próprio Pelágio o fizesse. Assim usado, o termo seria anacrônico, e tal uso também
seria enganoso no sentido de que, uma vez que essas idéias foram regularmente expostas décadas antes dele
começar a escrever, Pelágio claramente não os inventou. Além disso, tal uso do termo “pelagianismo” seria enganoso porque obscureceria o processo histórico que estava em obra no século V, que foi a defesa de uma compreensão da mensagem cristã que foi amplamente realizada na época, em resposta a interpretações recentemente proeminentes das Epístolas Paulinas que ameaçavam essa compreensão da mensagem cristã. Iria obscurecer o fato de que a lista de princípios foi inventada especificamente para ocultar esse fato e trazer Pelágio desacreditar e, assim, suprimir sua defesa de crenças sobre a bondade do homem e o livre arbítrio efetivo
que de longa data e eram amplamente aceitos entre os cristãos.
Cheguei a esta indagação através da transmissão manuscrita das obras de Pelágio e a aparente contradição entre a evidência dos manuscritos e a narrativa recebida sobre Pelágio. À primeira vista, parecia que o grande número de cópias manuscritas sobreviventes dos escritos de Pelágio podem apresentar problemas para o relato oficial de Pelágio – ou seja, que seu
ensino era inimigo do cristianismo e foi expulso do ensino cristão dominante em
418 d.C. De fato, depois de estudar a transmissão manuscrita das obras de Pelágio, ficou claro que por si só o grande número de cópias sobreviventes dos textos não tem implicações teológicas diretas. Os números puros não têm um simples significado, embora a escala de transmissão tenha efeitos históricos claros. Os números de cópias manuscritas são, em alguns aspectos, um indicador não confiável, e são de significado em termos teológicos. Foram outros aspectos da transmissão manuscrita das obras de Pelágio, juntamente com outros tipos de evidência em manuscritos como marginalia, títulos e
atribuições, que levaram a outras áreas de estudo. A evidência manuscrita por si só, no entanto, não pode
provar que o “pelagianismo” nunca existiu; apenas aponta para linhas de investigação. É as cinco
linhas de argumentação apresentadas nos capítulos 1-6 deste livro que defendem o caso. Evidência em
manuscritos podem então fazer mais sentido, na verdade, só pode ser explicável uma vez que é entendido
que o “pelagianismo” nunca existiu, mas não pode constituir por si mesmo um argumento; só pode
apoiar o caso de forma corroborativa. Não é o caso que o número de manuscritos sobreviventes
cópias de suas obras mostra que Pelágio não escreveu proposições heréticas; em vez do inverso é o caso: é o fato de que Pelágio estava reafirmando as proposições centrais do ascetismo como
eles foram tradicionalmente expressos por quase cem anos – isto é, é porque Pelágio fazia parte do movimento ascético que existem tantas cópias manuscritas sobreviventes. No Ocidente, o movimento ascético evoluiu para o movimento monástico cenobítico, que
controlou a transmissão de textos pelos próximos mil anos. Os escritos do movimento asceta foram fundamentais para as comunidades monásticas, e esta é uma razão pela qual tantas cópias das obras de Pelágio foram feitas e sobrevivem.

Notas:
(1) Pelagius a Briton: Augustine, Ep. 186.1.1 (ed. Goldbacher, CSEL 57, p. 45); Marius Mercator,
Commonitorium lectori aduersum haeresim Pelagii et Caelestii (ed. Schwartz, ACO 1.5.3, p. 5).
Pelagius spent some years in Rome before he left (by August AD 410): Augustine, De gratia
Christi et de peccato originali 2.8.9 (ed. Urba and Zycha, CSEL 42, p. 172).
(2) Pelagius wrote about how to live a Christian life: Pelagius, Ad Demetriadem 2 (ed. Greshake,
p. 58). Pelagius wrote a commentary on the Pauline Epistles: Anon., Praedestinatus 1.88 (ed.
Gori, CCSL 25B, p. 52); Marius Mercator, Commonitorium super nomine Caelestii (ed. Schwartz,
ACO 1.5.36, p. 67).
(3) Pelagius tried and acquitted twice: Augustine, De gestis Pelagii 1.1‑2 (ed. Urba & Zycha,
CSEL 42, pp. 51–2); Augustine, De gratia Christi et de peccato originali 2.9.10 (ed. Urba &
Zycha, CSEL 42, pp. 172–3).
(4) Pope Zosimus acquitted Pelagius: Zosimus, Ep. Posteaquam a nobis (ed. Günther, CSEL 35,
pp. 103–8). Pope Zosimus condemned Pelagius: Augustine, Ep. 194.1.1 (ed. Goldbacher, CSEL
57, p. 176); Marius Mercator, Commonitorium super nomine Caelestii (ed. Schwartz, ACO 1.5.36,
p. 68).
(5) A. Cameron, ‘How to Read Heresiology’, in The Cultural Turn in Late Antique Studies, ed. D.
B. Martin and P. Cox Miller (Durham, 2005), p. 195.
(6) These were Marius Victorinus’, the commentary by the unknown author named Ambrosiaster,
an anonymous commentary identified by Hermann Josef Frede, the commentaries on selected
Pauline letters by Jerome and Augustine, and Pelagius’ commentary.
(7) On different Christianities, see R. A. Markus, ‘Between Marrou and Brown: Transformations
of Late Antiquity’, in Transformations of Late Antiquity. Essays for Peter Brown, ed. P. Rousseau
and E. Papoutsakis (Farnham, 2009), pp. 12–13; É. Rebillard, In Hora Mortis: Évolution de la
pastorale Chrétienne de la Mort aux IVe et Ve Siècles dans L’Occident Latin (Rome, 1994), pp.
231–2; P. Brown, ‘Gloriosus Obitus: The End of the Ancient Other World’, in The Limits of
Ancient Christianity, ed. W. E. Klingshirn and M. Vessey (Ann Arbor, MI, 1999), p. 290; A.
Cameron, ‘The Violence of Orthodoxy’, in Heresy and Identity in Late Antiquity, ed. E. Iricinschi
and H. M. Zellentin (Tübingen, 2008), p. 103.
(8) In secular usage the Latin word gratia had a different set of meanings again. In secular
contexts, gratia is usually translated as ‘favour’ and it carried a sense of reciprocity, and a returnfor favours given or expected. For example, it was used in the context of the client–patron
relationship which was based on mutual favours and mutual advantage.
(9) The literal meaning of ‘prevenient’ is ‘coming before/in advance’.
(10) The modern English phrase ‘effective free will’ highlights a situation in which man has free
will over his good actions as well as his bad ones.
(11) S. Wood, The Proprietary Church in the Medieval West (Oxford, 2008), p. 3.
(12) E. Iricinschi and H. M. Zellentin, ‘Making Selves and Marking Others: Identity and Late
Antique Heresiologies’, in Heresy and Identity in Late Antiquity, ed. E. Iricinschi and H. M.
Zellentin, (Tübingen, 2008), pp. 10–11; V. Leonard, ‘The Origins of Zealous Intolerance: Paulus
Orosius and Violent Religious Conflict in the Early Fifth Century’, Vigiliae Christianae 71 (2017),
passim; K. L. King, ‘Social and Theological Effects of Heresiological Discourse’, in Heresy and
Identity in Late Antiquity, ed. E. Iricinschi and H. M. Zellentin (Tübingen, 2008), p. 35.
(13) G. Bonner, Augustine and Modern Research on Pelagianism, The St Augustine Lecture 1970
(Philadelphia, PA, 1972), pp. 1–2; repr. in Bonner’s God’s Decree and Man’s Destiny: Studies on
the Thought of Augustine of Hippo (London, 1987), no. XI, p. 1.

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Lista de heresias introduzida e/ou defendida por Agostinho*

• Que Maria havia nascido e vivido praticamente a vida toda sem pecar

• Que bebezinhos que não foram batizados estão condenados por toda a eternidade

• Que o sexo dentro do casamento é um ato inerentemente degradante

• Que a guerra pode ser santa

• Que o milênio não será literal

• Que não há perdão de pecados a não ser pela igreja católica

• Que alguns ensinamentos dos apóstolos não se aplicam mais ao cristianismo, pois eles viveram numa época diferente

• Que existe um purgatório

• Que os mortos podem se beneficiar do sacrifício da eucaristia

• Que é apropriado que o estado cristão persiga os hereges

• A decisão divina de salvar um e condenar outro, ou de dar fé a um e não a outro, é totalmente arbitrária. Não há nada que possamos fazer para influenciar sua escolha

• Antes da criação do mundo, Deus predestinou (não simplesmente previu) quem se salvaria e quem se perderia. Não há nada que possamos fazer, nesta vida ou na vindoura, que possa mudar isso

• Os eleitos, aqueles que estão predestinados a salvação, não podem perder a salvação. Os que estão condenados a perdição não podem jamais ser salvos

• Não há como saber se você é um eleito ou não

[Agostinho. Contra os Dinastias, Cp.2]
[ Agostinho. A predestinação dos santos]
[GONZALEZ, Justo L. A History of Christian Thought, vl. 2. Abingdon Press, 1970, p. 53; CAIRNS, Earle E. Chirtianity Through The Centuries. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1954, pg. 161. Via Evandro Leopoldo.

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ARMÍNIO EM SEU ARTIGO VII


Deus, em sua eterna sabedoria e decretos, não determina o futuro e suas casualidades, por um lado ou por outro.


Resposta,A calúnia que se esconde sob termos ambíguos é capaz de infligir um ferimento profundo com a maior segurança; mas depois que
tais expressões equivocadas são explicadas, a difamação é exposta e perde toda a sua força entre os homens de habilidade e experiência.

A palavra “determinar” nessa descrição é ambígua. Por isso significa (1.) “A determinação de Deus pela qual Ele resolve que algo
deve ser feito; e quando tal determinação é fixada (por uma ação,movimento ou impulso de Deus, de qualquer tipo que seja), a segunda causa, tanto no que diz respeito ao seu poder e uso deste
poder, permanece livre tanto de agir como de não agir, de modo que, se for do agrado desta segunda causa, pode suspender [ou adiar] a sua própria ação”. Ou significa (2.) “A esta constatação, como,
quando uma vez que é fixo, a segunda causa (pelo menos no que diz respeito ao uso de seu poder) permanece não mais livre, de modo a
ser capaz de suspender a sua própria ação, quando a ação de Deus com seu movimento e impulso foram afixados; mas por essa de-
terminação, ela [a segunda causa] é necessariamente torta e inclinada a um curso ou a outro. Toda indiferença a qualquer parte é
completamente removida antes de esse ato determinado ser produzido por uma criatura livre e sem restrições”.


1. Se a palavra “determinado”, no artigo proposto aqui, for interpretada de acordo com este primeiro método, longe de mim negar tal tipo de determinação divina. Pois estou ciente de que é dito, no quarto capítulo de Atos dos Apóstolos, que “tanto Herodes quanto Pôncio Pilatos, com os gentios e o povo de Israel, estavam reunidos
contra Jesus, para fazerem tudo o que a mão de Deus e o seu conselho determinaram antes (algo previamente designado) que dever-
ia ser feito”. Mas também sei que Herodes, Pôncio Pilatos e os judeus realizaram livremente essas mesmas ações; e (não obstante esta “predeterminação de Deus” e que por seu poder cada ação divina, movimento e impulso que eram necessários para a execução desta “predeterminação” foram todos fixados) ainda sim era,possível para este ato (a crucificação de Cristo) que tinha sido “previamente nomeado” por Deus, não para ser produzido por essas
pessoas, pois poderiam ter permanecido livres e indiferentes ao desempenho dessa ação, até o momento em que perpetraram a ação.
Deixe a narrativa da paixão de nosso Senhor ser examinada, e deixe ser observado como todo o assunto foi conduzido, por quais argu-
mentos Herodes, Pôncio Pilatos e os judeus foram movidos e induzidos, e o tipo de administração [ou gerenciamento] que foi empregado no uso destes argumentos, e então será evidente que esta é a verdade que afirmo aqui.


2. Mas se a palavra “determinado” for recebida de acordo com a segunda acepção, confesso que abomino e detesto o axioma (como
aquele que é falso, absurdo, e que prepara o caminho para muitas blasfêmias) que declara que “Deus por sua eterna sabedoria determ-
inou para um lado ou para outros casualidades futuras”. Por esta última frase entende-se “as coisas que são executadas pela livre
vontade da criatura”.
(1.) Eu o execro como uma falsidade: Porque Deus, na administração de sua Providência, realiza todas as coisas de tal maneira que,quando tem o prazer de empregar as suas criaturas na execução de seus decretos, não tira delas a sua natureza, propriedades naturais ou o uso delas, mas permite-lhes realizar e completar os seus
próprios movimentos. Se não fosse assim, a Providência Divina, que deveria estar ajustada à criação, estaria em oposição direta a ela.

ARMINIO, JACÓ
AS OBRAS DE ARMINIO, CPAD
VOL.1 PAG,335-337.

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ARMÍNIO E A EXPLICAÇÃO DA REDENÇÃO 18-11-2021



A graça para Armínio era necessária e essencial para a salvação do início ao fim. Contudo, Armínio diferia de Calvino e muitos teólogos reformados de sua época ao afirmar que essa graça de Deus “que apareceu [se manifestou] a todos os homens pode ser resistida. Armínio negava a distinção entre uma chamada geral e uma especial. Ele insistia que a chamada divina é geral. Contudo, a graça de Deus através desta chamada pode e é resistida por indivíduos. Ele disse que “toda a controvérsia se reduz a essa pergunta: ‘A graça de Deus é uma certa força irresistível? Armínio respondeu: ‘Eu acredito que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida[1]. No lugar de uma “força irresistível”, a graça, da perspectiva de Armínio, é uma “doce e gentil persuasão […] não pela ação ou moção toda poderosa, que eles não podem e nem irão resistir e nem podem desejar resistir[2].

Crucial para o entendimento de Armínio da graça divina é que Deus deseja a salvação de todas as pessoas e fornece expiação para cada indivíduo, não apenas para os eleitos. Armínio manteve contra Perkins que “Cristo permaneceu na posição de todos os homens universalmente… e não na posição dos eleitos apenas”.[3] Armínio acusou Perkins de confundir a obtenção de redenção com sua aplicação. Crentes “não foram redimidos no momento em que Cristo morreu, mas “por aquelas ações a redenção foi obtida, e então aplicada a eles pela fé, e então finalmente eles foram redimidos[4]” Armínio enfatizou a importância de distinguir “entre a redenção obtida e aplicada; e eu afirmo que ela foi obtida para todo o mundo, e para todo e cada homem, mas aplicada aos crentes e aos eleitos apenas”[5].

O principal argumento de Armínio para essa asserção era que, a menos que Deus obtenha a redenção para todas as pessoas, Ele não pode exigir a fé em Cristo de todas as pessoas, nem Ele pode culpar as pessoas por “recusar a oferta de redenção. Pois ela recusa o que não pode ser seu”[6]. Assim sendo, “se Cristo não obteve a redenção para todos, Ele não pode ser o Juiz de todos”[7]. Para Armínio, isso era a única maneira de explicar as passagens neotestamentárias que parecem indicar o desejo de Deus de que todos sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4). Armínio gasta várias páginas respondendo à explanação de Perkins do significado de “todos” nas passagens do Novo Testamento que ensinam o desejo de Deus de que todos sejam salvos. Armínio acreditava que isso é um claro ensino da Escritura, e ele imaginava como aqueles que acreditam que Cristo morreu apenas pelos eleitos podem explicar passagens bíblicas como 1 João 2:2; João 1:29; João 6:1; Romanos 14:15; e 2 Pedro 2:1, 3[8].

Apesar de Armínio ter diferido de Calvino e da corrente principal da teologia reformada acerca das particularidades da graça, ele ainda manteve que a salvação é sola gratia. Armínio não pode ser considerado semipelagiano ou um sinergista[9]. O fato é adicionalmente atestado na doutrina de Armínio da justificação.

Consultas:

1. Citado em Bangs, Arminio: Um Estudo da Reforma Holandesa, p. 404.

2. Arminio, Works, “Examination of Perkins’s Pamphlet”, vol. 3, p. 443. Cf. A justaposição de F Leroy Forlines da “influência e resposta” e “causa e efeito em Classical Arminianism. P 49-61.

3. Arminio, Works, “Examination of Perkins’s Pamphlet, vol. 3, p. 332.

4. Ibid., vol. 3, p. 333.

5. Ibid., vol. 3. p. 425.

6. Ibid.

7. Ibid., vol. 3, p. 426.

8. Ibid., vol. 2, pp. 9-10. “Apology against Thirty-One Defamatory Articles.”

9. Em vez de ser sinergista, Armínio estaria mais alinhado com teólogos recentes que preferem termos como “monergismo condicional” (Forlines) ou “monergismo com graça resistivel” (ex.. Keathley, Jeremy Evans, e Richard Cross). Veja E Leroy Forlines, Classical Arminianism, pp. 264, 297; Cross, “Anti-Pelagianism and the Resistibility of Grace”, Faith and Philosophy 22 (2005), pp. 199-210; Keathley, pp. 88, 103-108; Evans, “Reflections on Determinism and Human Freedom”, em Whosoever Will: A Biblical-Theological Critique of Five-Point Calvinism (Nashville: B&H Academic, 2010), pp. 253-274; cf. Kevin Timpe, “Grace and Controlling What We Do Not Cause”, Faith and Philosophy 24 (2007). pp. 284-299.
Fonte:

PINNOCK, Clark H. & WAGNER, John D. Graça para todos. A dinâmica arminiana da salvação, pg. 276-277.

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ARMÍNIO SOBRE O LIVRE ARBÍTRIO

ARMINIO SOBRE O LIVRE ARBÍTRIO

“Esta é a minha opinião sobre o livre-arbítrio do homem: Em sua condição primitiva, conforme ele saiu das mãos de seu criador, o homem foi dotado de tal porção de conhecimento,
santidade e poder, que o capacitou a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o bem verdadeiro, de acordo com o mandamento a ele entregue.
Todavia nenhum destes atos ele
poderia fazer, exceto através da assistência de Graça Divina. Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar, ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda continua da Graça Divina”(1)

(1). ARMIN1US, James. A Declaration of the Sentiments of Arminius on Re-
vision of the Dutch Confession & Heidelberg Cathecism. In :_. Works of
James Arminius. Volume 1, Christian Classics Ethereal Library, p. 174.